Tiago, O Míope Familiar

Tiago Brandão Rodrigues nada viu de relações familiares no Governo. Mesmo quando lhe apontam o nº de 40 casos, diz que isso é como nas escolas, em que as pessoas trabalham e se apaixonam e depois casam. E eu fico abismado com a indigência argumentativa.

Porque, caramba, estas nomeações a) aconteceram já depois dos casórios; b) envolveram casos de primos, cunhados, filhos e/ou esposas de colegas, o que deixa a questão da paixão em maus lençóis, salvo seja; c) não existem nas escolas, pelo menos por por enquanto, pois as colocações ainda são maioritariamente por concurso público e não por nomeação (chegará o tempo em que se estenderão algumas práticas em desenvolvimento, mas…).

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5ª Feira

3,60 para a Visão com a entrevista do ministro Tiago, o disponível. 12,72, para o livro do SE Costa, com 20% de desconto na Wook. E ainda me queixo de estar dois escalões salariais abaixo do que deveria.

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Visão, 5 de Setembro de 2019

(há pessoas que, provando-lhe o sabor, só pensam em mais “serviço público”…)

You Say It Best When You Say Nothing At All

Se isto é o nosso “radicalismo”… estamos conversados. Nada contra a confissão da evidência, mas nada a favor de se terem tornado apenas mais uns, na lógica da tal “democracia burguesa” que afirmam combater.

“O Bloco de Esquerda tem proposta[s], apresenta um programa – às vezes as pessoas ficam um pouco chocadas, mas eu acho importante dizê-lo -, que é na sua essência um programa social-democrata”.

Ousadia

Sábado

Lido mal com a condescendência e paternalismo da parte de pessoas a quem não reconheço autoridade pessoal ou ética para assim agirem. O que se aplica a alguém como o actual PM que pode até ser um génio político mas é alguém que considero intelectualmente desonesto. E rala-me pouco que gente estimável prefira isso – porque é de “esquerda” – a outro tipo de perfil de governante. Ou que adiram de forma ovina à disciplina partidária. Como é que um gajo que se ameaçou demitir caso o Parlamento – sede da legitimidade democrática por via da representação eleitoral – aprovasse uma lei que lhe desagradava é capaz de se armar em oásis da estabilidade? E escapar com isso e ainda fazer capa de revista?

Que me desculpem lá os cortesãos e outros apêndices a salivar por mais quatro anos de ajustes directos e decretos e despachos a pedido, mas o essencial não difere muito de certas irrevogabilidades do paulinho das feiras…

Frade

Aos(Às) Camaradas, Colegas (?), Senhor@s Director@s (E Cargos Afins, Mesmo Que Menores Na Cadeia Alimentar)…

… que acham que trabalham mais do que os professores “lectivos” e que são uns escravos da função, deixo-vos dois pensamentos, sublinhando que até há quem possa ter a sua razão:

  • Ninguém vos obrigou a irem para esse(s) cargo(s). Pelo que sei da lei, é preciso candidatarem-se e, consta-me, são poucos os que não se recandidatam ou não pedem recondução. E nos que são por nomeação, é porque aceitaram.
  • Se acham mesmo que é injusto o que se passa convosco e que vida boa e descansada é dos “lectivos”, nada vos impede de pedirem a demissão e voltarem a dar aulas. Descansem que o mundo não acabará e não será o caos no dia seguinte. Há uma série de gente mesmo importante que faleceu e a Humanidade continuou.

A todos os outros que desempenham a sua função com dedicação e sentido ético, desculpem-me pelo desabafo, pois não se vos aplica. Aplica-se apenas a quem não dá quaisquer aulas e parece achar que essa é, numa escola, função de esforço e responsabilidade menor. E a quem diz que os professores “lectivos” não podem apenas estar preocupados com a remuneração, mas depois não “deslargam” da sua e ainda querem mais.

Sim, entre 2021 e 2025 irão existir muitos lugares a vagar e ocupar e é possível que @s “nov@s” candidat@s (quiçá já em alguma posição estratégica para serem promovid@s) estejam ainda atrapalhad@s a meio da carreira e queiram ver se conseguem melhorar a sua condição. Mas isto é apenas um suponhamos…

Muit’agradecido pela atenção e disponibilidade.

Bigorna

É Como O Pecado Na Grande Família Cristã

Inaceitável, mas praticado à exaustão e lavado semanalmente com umas genuflexões, água benta e a promessa de não se voltar a fazer o mesmo até se voltar a fazer.

Na grande família socialista, “o nepotismo é inaceitável”

António Costa lembra que as relações surgem naturalmente entre pessoas no mesmo contexto, mas é perentório: “Ninguém pode em caso algum ser nomeado por ser familiar de…”

A absoluta falta de princípios éticos, ditos “republicanos”, é por demais evidente em torno do PS no poder, mas pode sempre negar-se. António Costa pode dizer que não deu por nada durante a governação de Sócrates e fingirmos que acreditamos. Carlos César pode sempre garantir que a sua família tem uma pulsão cívica acima da média para uma plateia de basbaques de cartão na mão à espera de vez.

A enunciação da virtude é tanto mais indecente quanto a sua negação prática é evidente, mas para os que a negam, conhecendo-a em primeira mão.

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