Aos(Às) Camaradas, Colegas (?), Senhor@s Director@s (E Cargos Afins, Mesmo Que Menores Na Cadeia Alimentar)…

… que acham que trabalham mais do que os professores “lectivos” e que são uns escravos da função, deixo-vos dois pensamentos, sublinhando que até há quem possa ter a sua razão:

  • Ninguém vos obrigou a irem para esse(s) cargo(s). Pelo que sei da lei, é preciso candidatarem-se e, consta-me, são poucos os que não se recandidatam ou não pedem recondução. E nos que são por nomeação, é porque aceitaram.
  • Se acham mesmo que é injusto o que se passa convosco e que vida boa e descansada é dos “lectivos”, nada vos impede de pedirem a demissão e voltarem a dar aulas. Descansem que o mundo não acabará e não será o caos no dia seguinte. Há uma série de gente mesmo importante que faleceu e a Humanidade continuou.

A todos os outros que desempenham a sua função com dedicação e sentido ético, desculpem-me pelo desabafo, pois não se vos aplica. Aplica-se apenas a quem não dá quaisquer aulas e parece achar que essa é, numa escola, função de esforço e responsabilidade menor. E a quem diz que os professores “lectivos” não podem apenas estar preocupados com a remuneração, mas depois não “deslargam” da sua e ainda querem mais.

Sim, entre 2021 e 2025 irão existir muitos lugares a vagar e ocupar e é possível que @s “nov@s” candidat@s (quiçá já em alguma posição estratégica para serem promovid@s) estejam ainda atrapalhad@s a meio da carreira e queiram ver se conseguem melhorar a sua condição. Mas isto é apenas um suponhamos…

Muit’agradecido pela atenção e disponibilidade.

Bigorna

É Como O Pecado Na Grande Família Cristã

Inaceitável, mas praticado à exaustão e lavado semanalmente com umas genuflexões, água benta e a promessa de não se voltar a fazer o mesmo até se voltar a fazer.

Na grande família socialista, “o nepotismo é inaceitável”

António Costa lembra que as relações surgem naturalmente entre pessoas no mesmo contexto, mas é perentório: “Ninguém pode em caso algum ser nomeado por ser familiar de…”

A absoluta falta de princípios éticos, ditos “republicanos”, é por demais evidente em torno do PS no poder, mas pode sempre negar-se. António Costa pode dizer que não deu por nada durante a governação de Sócrates e fingirmos que acreditamos. Carlos César pode sempre garantir que a sua família tem uma pulsão cívica acima da média para uma plateia de basbaques de cartão na mão à espera de vez.

A enunciação da virtude é tanto mais indecente quanto a sua negação prática é evidente, mas para os que a negam, conhecendo-a em primeira mão.

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Os Bonifácios Encobertos

Espanta-me parte do alarido acerca de um texto de Maria Fátima Bonifácio que deveria ser acerca das quotas para candidatos a deputados de algumas etnias e acabou a resvalar para uma polémica sobre o racismo. Parte das pessoas mais exaltadas foram alun@s de MFB como eu e podem dizer muita coisa, mesmo sobre a sua inflexão ideológica, mas dificilmente que ela foi alguma vez não disse ou escreveu o que pensa, por muito desagradável que fosse. Tod@s ouvimos aquilo que em outros tempos passavam por ser aspectos de idiossincrasias pessoais e que nos nossos tempos do politicamente correcto se tornaram menos toleráveis. MFB sempre se esteve um bocado nas tintas para os efeitos do que dizia nos outros e isso não li nas prosas escritas sobre o seu texto e a sua personalidade. Li outras coisas. Mas isso agora não me interessa por aí além.

Incomoda-me mais que existam outras personalidades que pensam o mesmo, o dizem em privado, mas não tenham a coragem de o assumir em público. Que para “fora” passem a imagem de tolerância com tudo e mais alguma coisa quando são uns imensos hipócritas que ouvi (e não apenas eu) tecer considerações e adjectivações, em outros tempos e espaços, bem mais insuportáveis do que agora parece ter sido o texto de MFB. Ouvi tratar como “prostituto” um aluno homossexual por parte de quem não muito tempo depois apareceu associado a organizações defensoras dos direitos dos homossexuais. Mudou de crenças na idade madura? Duvido. Assim como ouvi (fui só eu?) a uma pessoa da mesma área académica (coloquemos as coisas assim) dizer, logo que um bom negócio editorial lhe colocou uma bela quantia na conta bancária, dizer que ia comprar um apartamento numa zona nobre de Lisboa, acrescentando em risota que só não queria ter ciganos por perto.

E é bom que se note que eu nem sequer era dado a “retiros”.

Acho curioso que muita gente ande a rasgar vestes porque MFB escreveu o que pensa (algo entre um Rui Ramos em dia mau e um André Ventura todos os dias), o mesmo que pensam outras personalidades notáveis da sua geração política e académica, só que  com a cautela de encobrirem nas sombras essas opiniões. É nestas alturas que se aplica o “eu sei que vocês sabem que eu sei que vocês sabem” como muita gente chegou onde chegou, o que passou, o que tolerou, o que calou e cala. O que MFB escreveu fica nos limites do (in)aceitável? Sim, mas eu também acho que outras pessoas fizeram coisas que passaram muito para além do aceitável.

E, parafraseando outro grande vulto do nosso tacanho país, vocês sabem bem do que e de quem estou a falar… mas nunca quiseram falar disso porque ainda hoje não querem queimar-se, passado tanto tempo desde a vossa iniciação à hipocrisia como modo de ascensão na horizontal. Ou transversal. Whatever titillates them…

malandro

(por exemplo, alguém que passou pela fcsh com os olhos abertos nos anos 80-90 não sabia de certas tendências e gostos de um nosso brilhantinado filósofo? foi preciso chegar a escândalo nacional televisionado?)

 

Aos 74 Anos Já Estarei Também Na Estratosfera?

Diz que foi docente, mas tem uma memória muito curiosa do que terá sido a sua avaliação, que era “fácil escalar, porque passavam uns aninhos e apresentávamos trabalho”, mas ao mesmo tempo só passava de escalão “se vissem que tínhamos “categoria” para isso, não era só porque o tempo passava”.

A santa senhora nem percebe que o que diz não faz sentido?

Quando eu estava no ativo, era fácil escalar na carreira, porque passavam uns aninhos e apresentávamos trabalho, que era apreciado, qualificado por colegas universitários, por júri. O nosso trabalho era visto à lupa e só passávamos de escalão se vissem que tínhamos “categoria” para isso, não era só porque o tempo passava. Lamento quem não está de acordo ou ache que estou contra a classe, mas acho horrível progredir numa carreira que avalia alunos sem ser avaliada. Acho indecente.

O “jornalismo” já é, literalmente, de esplanada. Nem sei se é indecente se apenas idiota. brain

 

 

(depois da entrevista a JCosta, o I dá-nos outro depoimento de antologia)

Mereço O Inferno Dos Cínicos

Estive horas a remoer se deveria ou não escrever que mais corajoso do que recusar os 2-9-18 (e eu sei que também escrevi sobre isso e o que me custou assumir o faseamento) seria mesmo recusar o suplemento mensal recebido pelo exercício do cargo de director que compensa largamente o aumento de 4 escalões na carreira. Pronto, escrevi.

Inferno1

(e teria sido ainda mais coerente que quem se afirmou contra o modelo unipessoal de gestão depois não se viesse a unipessoalizar… pronto, duplo Inferno)