A Grande Rebeldia Do Momento…

… é entrar/sair ao contrário nos trajectos assinalados nas escolas. Só porque sim. Deve ser para manter alguma estabilidade emocional ou bem-estar psicológico. Não faltarão pessoas sensíveis, que ouviram muito The Wall, a compreender e a até validar tais atitudes, “naturais na idade” e a apresentá-las como “inconformistas!”.

Bolhas De Sabão

De que adianta andarmos a explicar tudo o mais alguma coisa, se basta olhar para fora e ver o que se passa além portões? Se o civismo já teve dias e foram poucos? Hoje, até passar comida pela vedação, máscara descaída, vi uma mamã entregar. Nas escolas dos maiores, é como se fosse manhã/tarde de rave. Se tudo pode acabar bem? Depende. Só espero que a má sorte não seja cega.

A Grande Confraria Da Educação

Quem os ouve ou vê pensa que são inimigos figadais ou pelo menos gástricos. Mas, salvo excepções mesmo excepcionais, tod@s são “amigos” ou assim se afirmam publicamente, quando se encontram e pretendem manter a imagem. Até se podem, em ambiente familiar muito familiar, tratar-se de sacanas e fdp para baixo, mas para fora todos se “respeitam”, por muito que digam o pior das opções alheias, porque, afinal, tod@s tiveram a (má) sorte de terem passado pela 5 de Outubro e “sofrido” todas as provações que o lugar pelo qual tanto lutaram lhes impôs. Ou porque pertencem à mesma geração, ou porque até estudaram nas vizinhanças ou porque se encontraram aqui e ali. E tentam que o círculo de amizades se estenda para poderem garantir a cooptação de quem não faça ondas. A é amigo de B que é amiga de C que é amigo de D, logo D é amigo de B e A de C, mesmo antes de se conhecerem pessoalmente, se necessário for.

Há dias lia um actual governante a descrever um debate público com um ex-governante acerca da polémica da Cidadania, sobre a qual, à superfície, têm opiniões claramente divergentes. Mas, escrevia o actual… tudo tinha decorrido “entre amigos que se respeitam”, o que para um linguista me parece redundância pobre, pois, pensava eu, para se se considerar alguém nosso “amigo” é porque nos respeitamos. “Amigos que não se respeitam” parece-me evidente oxímoro. Pelo que a expressão, em pessoa tão calculista na projecção pública da sua imagem, só pode ter aquele objectivo de demonstrar que “discordamos, mas somos amigos” e que tudo decorreu com imenso respeitinho pelas regras do jogo, ou seja, do não-debate, em que se concorda que nada foge ao figurino da esgrima com florete com bolinha de borracha na ponta.

Eu não discordo de debates entre antagonistas que se “respeitem”, agora sermos tod@s amig@s é que me mete muita impressão, até porque em busca de outras amizades já se lhes ouviu muita coisa. E sabe-se o que gostam de espalhar de forma escassamente subtil.

O pior que poderia acontecer para certas figuras engomadas era serem confrontadas com algum argumento desrespeitoso – leia-se “incómodo” ou “inesperado” ou “fora do guião”, acertado previamente modo formal ou informal- e ver-se atrapalhado para responder. Assim é melhor: to@s são amig@s que se respeitam mutuamente. E quem desalinhar é porque come com os cotovelos dentro do prato e espirra para os calcanhares.

Evitam-se chatices e, mesmo quando se “debate” como mudar as coisas, o que se pretende é que o essencial se mantenha, a bem da confraria.

A Teoria Das “Bolhas”

Está em voga e não só por cá. A directora-geral da Saúde voltou a ela para explicar ao povo que deve socializar menos, mesmo em família, quando se juntam pessoas de agregados/núcleos/”bolhas” diferentes. Pois podem trazer contágios de uma bolha para outra.

O que seria engraçado, se não fosse trágico, é que parecem desentender que cada turma/bolha numa escola corresponde ao contacto entre 30 bolhas familiares (de alunos e professores diferentes), renovado todos os dias. É mesmo muita pena que aquelas conferências de imprensa pareçam as conversas em família do antigamente.

A Impossibilidade De Um Debate (A) Sério

A “polémica” em torno da disciplina de Cidadania e Desenvolvimento alastra, mas não melhora. A razão para isso, para além do atraso com que se faz e da hipocrisia reinante (ao ponto de enviar uma versão do post do outro dia para o Público), começa a deslocar-se para duas situações expectáveis, mas que nada contribuem para qualquer esclarecimento da opinião pública.

  1. A questão passou a ser apresentada como um conflito de “Direita/Esquerda”, com este ou aquele trânsfuga. O pessoal de “Esquerda” considera que a disciplina é imprescindível ao currículo da petizada, porque divulga os “valores da Democracia” (menos a verdadeira tolerância, pelo que se vai entendendo) e quem está contra ela, está contra os valores da sociedade do século XXI; da referida Democracia e é uma espécie de cripto-fascista, um beato clerical digno da Idade Média e, no fundo, uma besta. Embora estas classificações se apliquem a alguns defensores da posição em causa, parece-me “ligeiramente” excessivo”. De forma simétrica, os críticos da disciplina, apresentam-ma como se os temas estivesse na origem do declínio da sociedade ocidental, da instituição familiar e do sagrado binómio biológico que permite a reprodução da espécie e as boas maneiras no leito, considerando que quem admite que se leccionem temas como a “identidade de género” ou a “sexualidade” são um grupo de homo-lesbo-pansexuais com tendências para a bestialidade e uns “radicais” que querem transformar transformar as criancinhas numa espécie de ratinhos de laboratório de experiências socio-sexuais que as tornarão todas homossexuais ou, pior, hetero tolerantes ao conceito de “espectro” na definição das identidades e  atitudes sexuais/de género. Como no outro caso, lá haverá gente assim (que a há), mas não me parece que isso se aplique à generalidade dos docentes da disciplina. Já agora, as linhas orientadoras para a Educação para a Cidadania, que contempla a generalidade dos temas que agora levantam celeuma, são de 2012, revistas em 2013. Que, por exemplo, Passos Coelho, não saiba que foram aprovadas no seu governo, é apenas um detalhe que não admira acontecer a quem parece ter levado o cérebro lavado em rotações máximas.
  2. O debate começa a ser monopolizado por pessoal que alia a ignorância à arrogância, mas depois larga “postas de pescada” (de um lado ou outro) como se fossem pérolas ao povo que não passam de falsidades ou verdades pela metade da metade. Um caso, que vi por manifesta inépcia quando me sentei hoje no sofá em busca do final da etapa do Tour na televisão, foi o de um dos especialistas instantâneos em tudo e ainda o seu contrário que têm assento n’O Eixo do Mal, o programa mais bronco entre os que se levam a sério na análise da actualidade. O protagonista em causa era o inefável Pedro Marques Lopes, uma espécie de gajo de direita com gostos de esquerda (como o Pedro Mexia, mas em péssimo), que começou por afirmar que se tinha ido informar sobre os conteúdos da disciplina (tadinho, só agora se lembrou disso?), que achou por bem enumerar. Claro que os enumerou de forma errada e incompleta (esqueceu-se, por exemplo, talvez de modo cirúrgico, da “Literacia Financeira” na sua listagem) e daí partiu para uma “análise” que envergonharia qualquer pessoa com um mínimo de pudor e forma de ganhar a vida que não competisse com a Clara Ferreira Alves na ignorância presumida. Mas há quem possa achar que aquilo é mesmo assim e que, como ele disse, a História está repleta de temas obrigatórios de que se pode discordar como (pasme-se!!!) a leitura dos Esteiros. Que ele disse, de forma irónica, que poderia levantar reservas porque é do tempo do neo-realismo e que pode cheirar a “comuna” e tal. E só foi interrompido em tamanho disparate, pela colega CFA, não para lhe dizer que estava errado e que os Esteiros não são de leitura obrigatório, nem em Português, mas apenas para dizer que a obra em causa até é das melhores da corrente neo-realista.

Antes que devolvesse ao exterior o peixinho grelhado do almoço, desliguei e procurei não fazer a promessa de ir de joelhos a Fátima até n’O Eixo do Mal se deixar de confundir “opinião” ou “bocas giras” com o mais absoluto disparate, servido a gosto de um elenco de ignorantes armados de uma quase infinita pesporrência, garantinda por avença balsemânica.

Assim, é impossível qualquer debate vagamente racional sobre um tema já se si complicado. Mas como é na televisão que apresentou uma montagem mal amanhada da 1ª página do New York Times como se fosse real, já não espanta.

Outra Vantagem

Pelo menos nos agrupamentos/escolas com bom senso é não haver aquelas rgp’s de início de ano com muita conversa fiada, muita esperança e crença no futuro, muita promessa de afectos e escasso sumo, por muito que se esprema. A práxis mais comum agora é o chamado mail de boas vindas a que se pode fazer vista tão fina que até passa entre os raios do sol a caminho da reciclagem.