Mas Não Era Para Ser Do Nascer Ao Pôr Do Sol?

Isto entrou em completa roda livre. Dizem que os miúdos passam muito tempo na escola, mas querem despejá-los lá o dia inteiro. Que o currículo é pesado, mas vai de meter mais coisas. O que dizem sobre isto os “representantes das famílias”? Acham bem, claro, se foram os do costume, para não perderem o subsídio. E os “especialistas”? Acham bem que seja este o modelo do século XXI, tal qual as fábricas do século XIX?

Alunos até ao sexto ano com escola das 9 às 17 horas

O princípio da Escola a Tempo Inteiro (ETI) – que permite o prolongamento do horário dos alunos do 1º Ciclo, através das Atividades de Enriquecimento Curricular (AEC) – vai ser alargado ao 2º Ciclo.

A intenção não é nova, mas vai avançar no próximo ano letivo, com caráter de experiência-piloto em cerca de dez agrupamentos. O objetivo é generalizar a medida depois de 2022.

Aposto que nos 10 agrupamentos encontraremos os nomes do costume, em especial os de director@s que depois são convidados para explicar como a medida se implementa e é um “sucesso”. Em alguns casos, se lhes tirarem o guião da frente, até dá dó vê-l@s a patinar.

Stupid2

A Tentar Arrepiar Caminho?

O que seria uma boa decisão, a aceitar sem reservas, no actual contexto pode agravar a situação de escassez de docentes em alguns grupos disciplinares.

É o risco de governar na base da incoerência, reagindo aos fenómenos apenas quando eles chegam em força à comunicação social e não quando a onda se está a formar.

Esta medida poderia (e deveria) ter sido colocada em prática – sem os truques de última hora que costumam surgir quase sempre nestes casos – há alguns anos, evitando o esgotamento de uns, o abandono de outros e ainda a desistência de muitos “novos”.

O Ministério da Educação (ME) admite que os professores com mais de 60 anos possam, se assim quiserem, deixar de dar aulas e passar a desempenhar outras actividades nas escolas.

Colocando as coisas de forma clara, nos últimos 15 anos, o PS governou a Educação em mais de 10 e tomou medidas activas que agravaram o que agora se diz querer resolver.

Antes tarde do que nunca?

Confesso já não ter em mim a caridade indispensável para dar o benefício da dúvida a gente que considero ter agido anos a fio com má-fé.

clown

Se Há Coisas Para Que O 1º Ano Do Curso De História Me Serviu (E Não Sei Se Foi Para Muito Mais) …

… por muito chata que na altura a cadeira parecesse (Teoria das Fontes e Problemática do Saber Histórico, salvo erro de vetusta memória), foi a ter respeitinho pelas “fontes” e, mais do que aprender técnicas de pesquisa, referi-las (às fontes) com clareza, não fazendo passar por nosso o que é alheio (ao menos que se deixe a coisa em aberto…), em especial quando se usa isso para um qualquer destaque individual. Acontece em teses, claro, mas não só, porque o espírito é fraco e o google uma tentação.

clio

Porque Insistem Em Enganar Quem Lê Apenas Os Títulos

A chamada de primeira página é a seguinte:

Pub 2Jan20

O que se lê na notícia?

Entre Novembro e Dezembro foram colocados nas escolas mais 1741 professores a contrato para substituírem docentes do quadro que se encontram ausentes, sobretudo devido a baixas médicas.

Ou seja: não existem mais 2000 professores nas escolas, apenas foram substituídos os que estão/ficaram doentes ou “ausentes”. E no caso destes “ausentes” que não sejam por baixa médica, seria interessante perceber porque apenas depois de Novembro terão sido substituídos. E nos caso das baixas médicas seria tão interessante que se investigasse quem está a entrar e com que qualificações, em vez de se debitarem os números do Arlindo, sem os explicar devidamente. Porque o que fica à vista é um engano e é bom que isso seja claramente demonstrado. E a foto do ministro, o que está ali a fazer? Foi ele que tomou alguma decisão nova para resolver o problema?

E depois acrescenta-se ainda que há “140 docentes sem alunos”.

Não. Existem muitos mais. Basta fazer as contas aos directores e subdirectores sem componente lectiva. Acho que dá dez vezes esse número.

Não é bem o mesmo?

Pois… mas então não façam chamadas de primeira página à moda de fake news. Acham que é assim que 1) Vendem mais? 2) Combatem as redes sociais? 3) Dão algum exemplo de jornalismo rigoroso?

Phosga-se… pensava que estes tempos, em alguns casos, estavam ultrapassados, mas já se está a ver que não e que 2020 começa mal, muito mal.

“Debates” Que Chateiam Na Quadra Natalícia – 2

O da carga fiscal, do peso fiscal, do não-sei-quê fiscal, feito por especialistas na “ciência” com mais peneiras de falsa exactidão, ou seja, a Economia, capaz de descrever o passado como a História, mas em mais pobre e com equivalente poder de previsão (ou pior). Não quero saber se é o Mamede de esquerda ou o Arroja de direita quando se trata de ver, de forma clara e objectiva, o que, de forma directa me é retirado do salário nominal em cada mês.

Podemos usar Dezembro e recuar ao início da década.

Em Dezembro de 2010, entre salário nominal e subsídio de refeição o valor ilíquido da minha remuneração era de 2222,40€ dos quais recebi 1560,64€, o que correspondeu a um total de descontos de 661,76€. Ou seja 29,8% ficaram logo, à partida, em diversos cofres do Estado (IRS, CGA, ADSE).

Em Dezembro de 2019, a soma ilíquida passou para uns astronómicos 2323,33€, recebendo eu uns generosos 1461,28€. Mesmo para alunos muito maus em Matemática (a generalidade dos economistas que clicam nas fórmulas do Excel) percebe-se que a mais 100 euros brutos correspondem menos 100 líquidos. Hom’essa que coisa estranha. Pois… a ADSE passou de 32 para quase 78€, a CGA de 213,7 para 245€ e no total levaram-me em descontos diversos 862,05€, ou seja, 37% da remuneração.

(posso estar enganado mas parece-me que a “pancada” foi de 10% do salário nominal e em temros de impacto “real” com a inflação nem é bom falarmos, dispensando eu a sapiência de cronistas marrecos e nem falo dos camilos e dos gomesfewrreiras que esses só com um pau de vassoura entre as pernas… para voarem sobre a terra que os viu partir)

Claro, eu sei que existiu a troika e que não devemos fazer comparações assim tão distantes como o último ano descongelado que a precedeu.

Mas podemos ir a Dezembro de 2013, quando nominalmente eu tinha direito a 2130,48€ e recebi 1301,34 porque me descontaram um dia de subsídio de refeição e outro de greve num total a rondar os 50€. Tivesse eu recebido os 1350€ que eram então a norma e eram 36,6% a menos. Com a greve da FP em cima (que nem fiz) foram 38,9% em plena troika.

Mas podemos ir a 2016: nominal de 2222,40€ (regresso a 2010), mas descontos no total de 834,87€, o que dá 37,5%.

Os impostos directos à cabeça, de 2016 para 2019 diminuíram 0,5%, não sendo bom falar no que cresceram os indirectos e taxinhas diversas, a começar pelo que pago para me poder deslocar todos os dias, visto não existirem transportes públicos entre o meu domicílio e o local de trabalho, por muito que baixem o preço do passe social.

Sim, isto dá para todas as interpretações, mas a verdade é que depende da forma como usarmos os números para dizer a cada um o que deve pensar que recebeu. Só assim se entende que o Centeno de Harvard y Eurogrupo diga que o salário dos trabalhadores do Estado aumentou 8% sem lhe crescer o nariz de São Bento até Freixo de Espada à Cinta.

Sim, eu sei… devemos ver “o grande cenário”, os indicadores “macro” e sairmos do nosso “quintal” e deixarmos de olhar para o nosso “umbigo”, tudo expressões de uma interessante e sempre refrescante originalidade.

Pinoquios

“Debates” Que Chateiam Na Quadra Natalícia – 1

A questão que parece concentrar quase todas as atenções no plano político é “até onde pode chegar o partido do André Ventura?”

Ora, não sendo eu especialista em análises de esplanada, sejam ” A Pérola da Madrugada” na Zimbroeira de Cima, sejam ” A Versalhes” ali nas Avenidas, quer-me parecer que pode chegar onde chegou o PP/CDS do Manuel Monteiro/Paulinho das Feiras/Mata Bué Gira do Indy, mesmo que digam que os “programas” ou “projectos” políticos não são exactamente os mesmos. Só que na maioria das esplanadas os anti-federalistas nacionalistas de há 25 anos distinguem-se pouco dos nacionalistas qualquer coisa de agora, tirando aqueles que ou eram muito petizes na altura ou que se desiludiram com o Santana Liberal e que acabaram por ter de criar dita Iniciativa (que em dois presidentes já tece um espécime de cada tipo) .

Podemos teorizar o que bem quisermos e fica bem aos politólogos acharem que estão perante novo que carece do seu olhar analítico, mas convenhamos que este “populismo” já foi novo há muito tempo.

cansaco-mental

Ainda O Prémio Gandhi

A coisa é tão ridícula – pior mesmo só o Centeno a dizer que os funcionários públicos viram o seu rendimento aumentar 8% em termos “reais” – que merece um par de reparos acerca da sua oportunidade. Como é domingo e se trata do ministro Tiago não quero complicar as coisas.

  1. Termos outros prémios personalizados a cada nova viagem do PM?
  2. Se é mesmo para honrar o pensamento e acções de Gandhi não seria melhor ser algo sobre a paz/não-violência em vez de algo sobre o “bem estar animal”, a menos que seja a pensar de alguma forma no pessoal docente e no modo como tem sido tratado?

Forrest

(e, por favor, nada de darem isto a ler aos Costas e ao Tiago… ainda por cima da autoria de um site da esquerda liberal americana)