A Tentar Arrepiar Caminho?

O que seria uma boa decisão, a aceitar sem reservas, no actual contexto pode agravar a situação de escassez de docentes em alguns grupos disciplinares.

É o risco de governar na base da incoerência, reagindo aos fenómenos apenas quando eles chegam em força à comunicação social e não quando a onda se está a formar.

Esta medida poderia (e deveria) ter sido colocada em prática – sem os truques de última hora que costumam surgir quase sempre nestes casos – há alguns anos, evitando o esgotamento de uns, o abandono de outros e ainda a desistência de muitos “novos”.

O Ministério da Educação (ME) admite que os professores com mais de 60 anos possam, se assim quiserem, deixar de dar aulas e passar a desempenhar outras actividades nas escolas.

Colocando as coisas de forma clara, nos últimos 15 anos, o PS governou a Educação em mais de 10 e tomou medidas activas que agravaram o que agora se diz querer resolver.

Antes tarde do que nunca?

Confesso já não ter em mim a caridade indispensável para dar o benefício da dúvida a gente que considero ter agido anos a fio com má-fé.

clown

Há Falta De Professores…

… disso não há dúvida, mas em casos como o de TIC o que se passou foi uma “reforma” feita sem qualquer preparação ou atenção pelos meios disponíveis. O mesmo se passou com o progressivo alargamento das horas para Geografia à custa da redução das de História, sendo que agora já querem que o pessoal do grupo 400 vá dar aulas do 420, o que é patético. Mas, como vai sendo costume, houve demasiada gente a acenar que sim para poder ficar na fotografia da modernidade costista (e eu não me esqueço de algumas figuras que em tempos me chatearam a cabeça, como a senhora doutora que não sei se ainda preside à APGeo).

O que se está a passar era mais do que previsível. Só muita incompetência ou coisa pior poderá explicar a situação presente-

dog_sim

Agora já se aceita tudo. Ou melhor… antes fosse. Porque temos um currículo para o século XXI com uma espécie de proletariado docente à moda do século XIX.

Em outras disciplinas, os “constrangimentos” são o resultado (natural, anunciado) de uma gestão desastrosa dos recursos humanos. Claro que ninguém assumirá qualquer “responsabilidade” e a “culpa” será remetida para o raio dos professores que insistem em envelhecer e adoecer.

E quanto à necessidade de recrutamento dos “melhores” com que tantos ex-ME enchem a boca, fico sentado à espera, para não cair de riso.

Se nem um ministro decente conseguem recrutar…

Anexo: Nota Info DGAE 14Jan20.

 

3ª Feira

Viver num mundo em que o banco público saca 800 milhões de euros de lucros, ao mesmo tempo que a Segurança Social leva anos para libertar umas centenas para cadeiras de rodas e outros equipamentos para pessoas com problemas de mobilidade ou outros handicaps desperta muita fúria e não demagogia, porque demagogia é ter o PM e outras cabeças falantes a proclamar a construção de uma sociedade “inclusiva” quando vão para o 5º ano consecutivo de governação.

Exp11Jan20

Se Há Coisas Para Que O 1º Ano Do Curso De História Me Serviu (E Não Sei Se Foi Para Muito Mais) …

… por muito chata que na altura a cadeira parecesse (Teoria das Fontes e Problemática do Saber Histórico, salvo erro de vetusta memória), foi a ter respeitinho pelas “fontes” e, mais do que aprender técnicas de pesquisa, referi-las (às fontes) com clareza, não fazendo passar por nosso o que é alheio (ao menos que se deixe a coisa em aberto…), em especial quando se usa isso para um qualquer destaque individual. Acontece em teses, claro, mas não só, porque o espírito é fraco e o google uma tentação.

clio

Reforço?

É triste ter de ouvir um ministro considerar que há “mais 2000 professores” este ano nas escolas públicas, quando do que se trata é, na quase totalidade, do processo de substituição de docentes por baixa médica, sendo que muitos desses substitutos não têm horário completo. Ou o ministro ainda é mais ignorante do que parece ou é apenas um demagogo oportunista, a encavalitar-se com escasso respeito pela verdade num título mal explicado. Que pena o Polígrafo ser tão “selectivo” nas suas análises.

Bigorna

Porque Insistem Em Enganar Quem Lê Apenas Os Títulos

A chamada de primeira página é a seguinte:

Pub 2Jan20

O que se lê na notícia?

Entre Novembro e Dezembro foram colocados nas escolas mais 1741 professores a contrato para substituírem docentes do quadro que se encontram ausentes, sobretudo devido a baixas médicas.

Ou seja: não existem mais 2000 professores nas escolas, apenas foram substituídos os que estão/ficaram doentes ou “ausentes”. E no caso destes “ausentes” que não sejam por baixa médica, seria interessante perceber porque apenas depois de Novembro terão sido substituídos. E nos caso das baixas médicas seria tão interessante que se investigasse quem está a entrar e com que qualificações, em vez de se debitarem os números do Arlindo, sem os explicar devidamente. Porque o que fica à vista é um engano e é bom que isso seja claramente demonstrado. E a foto do ministro, o que está ali a fazer? Foi ele que tomou alguma decisão nova para resolver o problema?

E depois acrescenta-se ainda que há “140 docentes sem alunos”.

Não. Existem muitos mais. Basta fazer as contas aos directores e subdirectores sem componente lectiva. Acho que dá dez vezes esse número.

Não é bem o mesmo?

Pois… mas então não façam chamadas de primeira página à moda de fake news. Acham que é assim que 1) Vendem mais? 2) Combatem as redes sociais? 3) Dão algum exemplo de jornalismo rigoroso?

Phosga-se… pensava que estes tempos, em alguns casos, estavam ultrapassados, mas já se está a ver que não e que 2020 começa mal, muito mal.

Domingo

Muitas vezes a falta de vontade de escrever tem boas razões. As coisas correm bem, a cabeça não sente necessidade de exteriorizar nada de relevante. Em outros casos, é mesmo o fica-se abismado com a estupidez de um juiz que, em vez de corrigir um erro administrativo, opta por absolver um criminoso. Infelizmente, há outros casos assim.

Justiça