Quem Faz Um Filho, Fá-lo Por Gosto?

Estar com miúdos muitas horas seguidas, muitos dias seguidos, pode provocar claustrofobia. É a mais pura das verdades que o ideal era termos uma aldeia a ajudar a criar os nossos filhos, mas na realidade o que acontece é que tendencialmente trabalhamos por turnos. Ficamos com eles, até o nosso marido chegar, estão na escola, na avó, ou com a tia, durante x horas, até os irmos buscar e esta versão intensa e solitária desgasta ao ponto de a perspectiva de os ter a todos de férias possa ser um bocadinho avassaladora. Foi por isso que me lembrei destas sugestões de como fugir um bocadinho, sem fugir de facto.

Encontrei O Meu Velho “Amigo”

O tal xiita que me meteu um processo por dizer que o que ele escrevia era uma bosta ao serviço do ME de então. Com direito à futura “reitora” como testemunha de acusação. Isso saiu-lhes mal, mas a ele, a carreira correu bem… saiu da Visão, onde o serviço se calhar não rendia tanto, nem era tão estável quanto um gabinete ministerial. E lá continuou. Até teve direito a louvor e tudo. E ainda dizem que produzir notícias não rende. Ou que dizer mal dos funcionários públicos impede mamar na teta da administração pública.

A República envergonha-se a si mesma, quando alberga esta tropa fandanga.

Sócrates, Ontem

Percebe-se que ele está convencido que não será condenado seja pelo que for. Mais do que Lula, sente-se um outro Papa da Costa.

Curiosa a forma como decidiu falar mal do “jornalismo português” que, afinal, o deixa falar quase travões e como ele bem entende. Houve quem falasse em arrogância e soberba, mas para a atitude que revela ainda me parece pouco.

Quando ele aparece e assim fala, confesso, é inevitável lembrar-me de que, por esses anos, primou pelo silêncio (dentro, mas também fora do PS), pela prudência, pela contenção, alegando não saber, não ver, não ouvir, nem sequer conseguir deduzir. Foi assim que sobreviveram e aí estão, pujantes, de grupos de trabalho a presidências do Parlamento, não esquecendo os ministérios e os galambas.

A Sério?

Mas então, andam há 20 anos a mentir-nos, tanto políticos do alargado arco da governação (estou a incluir as muletas que se destacaram pela inacção), como um alargado naipe de opinadores mediáticos, subitamente preocupados com a Saúde e a Educação, quando levaram anos a catequizar-nos acerca do que se fazia lá fora e pelos vistos não é nada disso??

Não é cá que os funcionários públicos ganham muito e progridem sem qualquer travão ou mérito? qualquer dia, ainda dizem que até trabalham menos horas lá fora (e é verdade).

Melhores salários e rápida progressão: eles trabalham na função pública lá fora

E Se Fossem Encher-se De Moscas E Catar-se Ao Mesmo Tempo?

Quem andou anos a validar políticas de “racionalização” dos serviços públicos e dos que o mantêm em funcionamento, agora aparecem a questionar o Estado porque os serviços estão a implodir. Deram pelas escolas (que se andam a tapar com remendos, como chegarem pessoas sem qualquer experiência de ensino a dias do fim do ano lectivo, para poderem dizer que não haverá quase alunos sem aulas no dia 15), os tribunais há muito que entupiram e agora são os hospitais. Esta malta apoiou o “mais com menos” e o ataque sem dó nem piedade a professores, enfermeiros, médicos e muitos outros funcionários públicos nos últimos 15-20 anos. Apoiaram, mesmo quando foi só nisto, o “engenheiro”, a troika e só temeram que a geringonça invertesse as coisas, o que não aconteceu, porque o PCP e o Bloco preferiram migalhas a coisas substanciais e foram politicamente sodomizados pelo Costa à frente de todos nós, trocando quase tudo por questões “civilizacionais”. Agora, aparecem-me “liberais” e conhecidos críticos do “peso” e das “gorduras do Estado” a reclamar porque há alunos sem professores e serviços hospitalares a fechar? A começar por gente com lugar residente na comunicação social, seja nas direcções dos meios de comunicação social “de referência”, seja nas páginas de opinião paga a metro? E se fossem para o raio que vos parta? E quem levou 4, 5 ou 6 anos a apoiar governos que se limitaram a dar de comer a clientelas inúteis, em forma de grupos de trabalho, estruturas de missão, equipas de investigação, colocações em cargos selectos em instituições de topo (posso falar em arquivos, por exemplo?) e subsídios a nichos académicos, ditos “de esquerda”? Nem sequer conseguem fazer um pingo de auto-crítica? Será preciso ir buscar o que escreveram, repetidamente, nos verões passados? Não têm memória ou é mesmo uma imensa falta de vergonha nos trombis? Estou envelhecido, mas ainda não perdi a memória.

Os Cromos Para A Troca

A Educação não passa de moeda de troca da barganha financeira entre o Estado central e as autarquias. E mesmo os que bateram muito no peito contra a quebra da “unidade” e da “equidade” do sistema, andam já com a mão estendida, vendendo os princípios por uns milhares de euros. E a alguns, ouvi eu em primeira mão.

Expresso

O Mais Absoluto Desplante

A “reitora” é um caso óbvio de perda completa de decoro e consciência. Agora, aparece a falar da falta de professores que para a enorme especialista aconteceu sobretudo a partir de 2012,, pois, como sabemos, foi a partir de então (e só então) os professores envelheceram mais dias por ano, ao contrário dos tempos áureos em que foi ministra (e o engenheiro primeiro-ministro) e todos rejuvenescemos, tamanha a alegria com que encarámos esses tempos..Chamar-lhe desonesta intelectualmente é coisa escassa

Volta, Troika, Estás Perdoada!

Depois de Crato virá, quem de Crato fará. Mas com verniz de “esquerda”.

Jornal de Notícias

E agora, a explicação para certas posturas em bicos de pés de alguns directores. Por acaso, notei que um deles, grande “democrata”, apagou todos os comentários desfavoráveis, lá no mural dele do fbook, acerca do artigo que publicou no Jornal de Letras. Grande exemplo de líder. De um TEIP, claro, com ligação directa para o ex-secretário, agora ministro, que é destes operacionais que o costismo educacional gosta.

Tudo sempre em nome do “interesse dos alunos”, claro.

Um Direito De Resposta Com O Rabo De Fora

Mário Nogueira encrespou-se com uma crónica na Visão e vai de puxar a culatra atrás e disparar. Pelo meio, muitos remoques e algumas coisas interessantes, nomeadamente a demonstração da completa falta de sentido que revela sobre a imagem que dele existe nas salas de professores, mesmo entre quem acredita no valor do sindicalismo.

§ 1 – Sobre os ministros, sobretudo em início de mandato, é justo que tenhamos expetativas positivas, mesmo quando já integraram as equipas ministeriais nos últimos 6 anos, pois, se assim não fosse, para quê negociar ou lutar?

(não percebo a lógica deste ponto… quer isto dizer que com expectativas negativas se desiste da “luta”? foi isso que aconteceu em 2015?)

§ 2 – Curioso, ainda, é que o sindicalista que deveria regressar rapidamente à escola seja o que dá a cara pela sua profissão, não retira vantagens das funções para que foi eleito pelos pares, não tem tempo para adquirir graus académicos, não exerce outra atividade e não permanece fora do país;

(homem… sê frontal… arranja um par de tintins e identifica de quem falas… ao menos, quando te criticam há quem dê a cara e explicite a crítica… já no teu caso, pareces um bocado…. coisinho…)

§ 6 – É verdade que em 2019, quando já pretendia regressar à escola, anunciei, para que não restassem dúvidas, que seria o meu último mandato, só que nessa altura, como agora, as direções sindicais insistiram na minha continuidade e no recente congresso da FENPROF, mais de 90% dos cerca de 600 delegados presentes votaram para que continuasse;

(deixa-te de tretas… ou de m€rd@s… tu nunca pensaste voltar a dar aulas… vai enganar outr@ss… quem não quer ocupar o cargo, não se candidata… pareces o alberto joão ou o pinto da costa com as “vagas de fundo”)

§ 8 – Não me sinto o representante dos professores, mas só dos cerca de 50 000 associados dos sindicatos da FENPROF e esses, esmagadoramente, têm considerado importante a minha continuidade nas funções para que fui eleito em 2007;

(meu representante nunca serás, porque já deixei muitas vezes claro que te considero politicamente desonesto e nem vamos falar de “inverdades” cara a cara, como quando há uns anos negaste à minha frente conhecer aquele que ia ser o candidato da tua tendência ao spgl)

§ 9 – Poderia, de facto, ter abandonado a profissão, mas nunca me deixei seduzir por convites e portas abertas nesse sentido;

(que profissão? mas, já agora, deixa-te seduzir, vai e não voltes… nem mesmo a esmagadora maioria dos 50.000 que dizes representar terão saudades, acredita… só o comité central talvez tenha)

§ 11 – Quanto à ineficácia dos sindicatos, que se pense como estariam os professores sem os seus sindicatos… A carreira estaria melhor? A precariedade eliminada? A aposentação mais cedo? As condições de trabalho mais positivas? Não haveria falta de professores?

(dificilmente estariam pior, porque nos últimos quinze anos só tens feito asneira atrás de asneira, quando não é frete atrás de frete… mas nisso também não te distinguiste muito do resto da pandilha que agarra nas tarjas à frente das manifestações)

E se quiseres direito de resposta, já sabes, manda o que quiseres, que aqui se respeita a diversidade de opinião, mesmo quando é uma lástima.

(e duplo não… nem quereria nunca o teu lugar, nem faria melhor do que tu, pois não tenho o “perfil” adequado a tanta flexibilidade… e as minhas vértebras calcificaram cedo…)

Rectificações

O Expresso apresenta, num cantinho de página, uma rectificação do Ministério da Educação acerca de uns números atirados para o ar pelo ministro Costa (na sua entrevista de primeira página), com a desculpa da treta de ter usado uma diferente “ponderação”. Até nisto se vê que se mantém o desejo de enganar, porque calcular o peso do número de docentes no “topo da carreira” é uma conta muito simples de fazer, que não carece de elaboradas “ponderações” sobre a “massa salarial”. A admissão do erro não passa de uma hipocrisia. O ministro Costa mentiu a esse respeito – mais valia ter dito que se enganou, ponto – mas se fosse só nisso que foi inexacto… o problema é que não foi só nisso. Todos nos enganamos, claro, mas há quem se engane de forma sistemática mais do que os outros.

Pena que o fact checking seja muito selectivo e nem sempre especialmente apurado. Desta vez, era uma coisa evidente (era impossível ter chegado ao 10º escalão durante o congelamento e a diferença de valores para 2021 é demasiado grande para passar despercebida).

Resta saber se em futuras entrevistas haverá o cuidado de se ir avisad@ contra a manha de fazer passar por verdade o que é uma “ponderação diferente”.