3ª Feira

Claro que podemos estar apenas a falar da divisão do ano em semestres, com dois momentos (teóricos) reservados à avaliação formal e não com os três períodos tradicionais, mas é bom que se perceba que a organização em semestres tem tido outra aplicação, que é a salamização de disciplinas como a História, Geografia ou mesmo as Ciências e a Educação Visual.

A Sério?

Duvido seriamente das aparentes certezas e o que observo e me é relatado fora de acções de propaganda é no sentido contrário. E só quem não entende que um desfasamento de seis ou mais meses na leccionação de uma disciplina significa um corte muito significativo é que pode achar que deixar uma disciplina no fim de Janeiro e retomá-la em meados de Setembro é boa ideia.

Sim, eu sei que por semestralidade se pode entender a organização do ano em dois semestres, mas não nos podemos esquecer da outra aplicação da semestralidade. Ou que a passagem de três para 2 momentos de avaliação formal se acabou por traduzir em muitos lados por quatro momentos de avaliação, mesmo que dois tenham outra designação.

No curto prazo, da avaliação instantânea, até poderá parecer que funciona, mas a médio prazo percebe-se que é necessário no ano seguinte estar a fazer uma – aqui sim – recuperação ou consolidação mais demorada das aprendizagens anteriores.

Não digo que não tenha algumas vantagens em termos de organização de horários, mas em termos de “aprendizagens” dos alunos, mantenho as minhas sérias reservas.

Aliás, para se verificar se acham que é mesmo assim, que as aprendizagens ficam a ganhar, e que esta não é uma medida destinada apenas ao que se consideram disciplinas “menores”, proponha-se lá a aplicação da semestralidade( no sentido da sua leccionação em alternativa) na Matemática e no Português.

Vantagens do modelo semestral, que já existe em 95 agrupamentos de escolas, são assinaladas por directores, professores e alunos. Na apresentação do plano de recuperação das aprendizagens, o ministro garantiu que calendário escolar completará esta hipótese.

Em Circuito Fechado

Estou a ler um relatório municipal (e é bom que se perceba isso) sobre a divisão do ano lectivo em semestres. Amanhã devo incluir umas passagens daquelas que me fazem rir. Por agora, apenas notar que há um claro problema de credibilidade (e imparcialidade) quando se vai buscar para consultor externo um dos principais defensores da medida naquela área cinzenta entre o mundo académico e o activismo político, e o resto da equipa parece um grupo de prós&prós. Assim, não admira que se conclua o que é suposto concluir-se. Naquela linguagem arrevesada a que estamos habituados em documentos desta estirpe.

Ouroboros

Semestralidades Com Rabo Na Boca

Só dois momentos de avaliação, mais paragens de aulas e menos burocracia? Só na propaganda. Estive agora mesmo a ler um “Plano de Inovação” e a verdade é que existem dois momentos de avaliação quantitativa com pautas, mais três de avaliação qualitativa com fichas a entregar aos encarregados de educação, com reuniões durante as tais “paragens”. Ahpoizé!

Calendario

Como Spinar As Coisas

Há 50 escolas/agrupamentos com “semestres” e anuncia-se que “há cada vez mais escolas” a fazer isso. Claro, pois antes não existia nenhuma. Bastariam 2 ou 3 para serem mais do que há um par de anos. As “unidades orgânicas” são mais de 800. É fazer as contas de tamanho sucesso.

Mantendo o calendário religioso das pausas lectivas e juntando uma obrigatória avaliação intercalar (porque um “semestre” acaba por ser “longo”), não me parece a melhor das ideias, mas sabeis que sou um matarruano conservador, imobilista e impermeável ao século XXI. Dizem que se dão menos dias de aulas e tudo, o que é curioso em quem se queixa de falta de tempo para leccionar os conteúdos.

Calendario

(já agora… começam a ouvir-se algumas realidades sobre a semestralização de disciplinas´como a História, opção que pode levar a que os alunos estejam todo um ano sem aulas dessas mesmas disciplinas… basta terem o 1º semestre no 5º ou 7º e o 2º semestre no 6º ou 8º… consta que é “óptimo” para o desenvolvimento e consolidação de aprendizagens significativas, claro…)

5ª Feira

Leio, maravilhado, que nas escolas com “semestres” os alunos estão mais motivados e até mais disciplinados. Depois, lendo melhor a notícia, percebe-se que são os alunos apenas de um concelho e que, como é natural, não se lançam estas coisas cá para fora sem ser como exemplo da bondade da medida. Em outras escolas, apenas algumas turmas foram envolvidas e, claro, o que existe é uma “perceção” e não um qualquer estudo a sério. Der qualquer modo, não duvido que qualquer estudo reforçasse esta “perceção”, nascida do esforço por encenar a inovação e o sucesso, porque o marketing educacional está aí em forma para justificar os milhões para os PIPP, os PICIS e tantas outras coisas com is de “inovação”.

Mas quem sabe é quem lá está, a aconselhar, a implementar, que nada me espanta ser um herdeiro dos tempos do guterrismo-benaventismo, a aplicar a nova visão… só faltando dizer que com três períodos até poderiam existir menos testes do que com semestres, apenas dependendo da forma como as coisas se fazem. O resto é algodão doce. Em tons de rosa, claro.

Algodao

 

Os Semestres Não Me Seduzem Muito

Não é por conservadorismo, muito pelo contrário. É porque considero que não são mais do que um truque para atingir outros objectivos que pouco terão a ver com as aprendizagens dos alunos. Até porque se o calendário das pausas “festivas” é para manter, fica tudo meio desencontrado e quer-me parecer que será mais uma medida para justificar a divisão do currículo entre algumas disciplinas que se tornam semestrais do que qualquer “inovação”.

Curiosamente, é essa ligação que acho mais criticável porque ou acabamos por ter quatro trimestres ou os alunos apenas terão uma avaliação final em várias disciplinas sem nenhuma intermédia formal. A menos que, como disse, acabemos a ter quatro períodos dissimulados. Se isso já acontece em TIC e EAT não é justificação.

Para além disso, de que forma será formalizada a avaliação do 1º semestre? Durante o período de aulas ou as ditas cujas são interrompidas uma semana? Ou querem que façamos tudo em pós-laboral? Acham mesmo que deixaremos de ter três momentos de avaliação com os semestres? A sério? E acham mesmo que existirão duas semanas de paragem no Natal e Páscoa com este modelo?

Os três períodos não têm qualquer desvantagem em relação aos semestres e vejo escassos benefícios nestes, a menos que sejam, como escrevi, para facilitarem a opção por semestralizarem disciplinas, algo de que discordo no Básico, devido à quebra da continuidade temporal na abordagem dos conteúdos e não falo apenas na História. As vantagens para os alunos parecem-me nulas, pois andarão sempre a mudar de disciplinas e, no limite, podem estar um ano inteiro sem ter uma delas, caso no 7º ano seja do 1º semestre e no 8º do 2º semestre.

Os professores passam a ter menos turmas de cada vez? Sim, é verdade, mas no fim do ano acabarão por ter os mesmos.

Claro que quem encara o currículo como peças de lego que se encaixam de qualquer modo, desde que tenham o tamanho certo, considera tudo isto muito certo. Há “inovações” bem mais interessantes e esta nem será “pedagógica” mas meramente “administrativa”.

Já agora, destaco o que vem a seguir, até porque foi uma causa que eu tentei explicar, sem sucesso, pelas minhas bandas. Aprendi há muito que não chega ter razão. Muito menos quando se trata de explicar procedimentos que foram legislados depois de outros diplomas que os não poderiam prever ou explicitar.

Para mudarem a organização, as escolas terão de se candidatar através de um projeto de inovação pedagógica. Esse plano terá de ser primeiro aprovado pelo Conselho Pedagógico e Conselho Geral dos agrupamentos e, depois, avaliado pela tutela.

Anexo:  Portaria 181/2019

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