A Silly Season Continua A Bombar…

PAN quer criar Serviço Nacional de Saúde para cães e gatos

Chamem-lhe clínicas ou hospitais, sejam cinco ou 20 espalhados pelo País – André Silva quer revolucionar os cuidados ao dispor dos animais de companhia e promete medidas que compensem o aumento da despesa do Estado. Pretende impor limites aos cruzeiros que aportam em Portugal e garante que, para já, não fará parte do Governo.

“Para já” não fará parte do governo, porque estamos em final de mandato. Já depois de Outubro, este “desmentido” terá o valor de outros. Em relação ao tema central – um SNS para animais de estimação – coíbo-me de grandes considerandos porque a malta mais militante do PAN – a que não está sob medicação forte – tem-se revelado muito trauliteira nas “redes sociais”. Ainda há dias, um desses simpáticos senhores me fez aquele tipo de ameaça velada (?) do género (e cito de forma quase directa) “depois de Outubro quem anda a gozar com o PAN vai vê-las”, uma variante do “quem se mete com o PAN, leva(rá)”.

Gato

(eu sou um confesso e praticante adorador de felinos… mas… há limites para o silêncio perante o disparate à desfilada… só porque seduz um nicho do eleitorado que perdeu outras causas na vida ou o seu próprio sentido…)

Então E A Guerra Do Papel Higiénico?

Que falta, que é desperdiçado em brincadeiras parvas, que é racionado, que tem de ser distribuído quase caso a caso, que é pedido aos encarregados de educação (em especial no 1º ciclo) etc, etc, em tantas escolas?

E as questões da higiene? São melhores do que as que “desfrutei” enquanto aluno, mas que, graças a uma extrema falta de educação, transversal em termos sociais, dos alunos se tornam em verdadeiras pocilgas ao fim de pouco tempo de utilização?

Escolas abrem portas em setembro com menos barreiras para alunos transgénero

I22Ago19

6ª Feira

Parece que é grande notícia da silly season o facto do ME “reconhecer” que a cada ano que passa @s professor@s ficam um ano mais velh@s. É uma constatação extraordinária e parece despertar excitação em quase toda a comunicação social que acreditava que os professores eram todos benjamins buttons e as professoras dancing queens forever.

O mais indecoroso de tudo são as declarações de algumas das avantesmas que bloquearam, por acção ou omissão perfeitamente consciente, que a classe docente se renovasse de forma natural, com aposentações dignas e um processo regular (e não costurado à medida) de entrada nos quadros. Mas ninguém, por educação ou carência de vértebras, parece ter vontade de lhes apontar as responsabilidades que ficam sempre para a) a troika; b) o coelho e o gaspar; c) o centeno.

up+main

 

 

Domingo

Nunca fui grande fã de palavras cruzadas, embora me digam que as pessoas sofisticadas tiravam muito prazer das do NY Times. Por cá parece que no Expresso aparecem umas em que se pede numa definição que se indique quem são os que “ensinam quando não estão em greve”. A maneira óbvia de reagir a isto é a indignação de quem se sente visado mas, se pensarmos bem, isso significa que quem quer que seja a que se referem ainda ensinam muito pois, tirando os camionistas e estivadores, as greves por cá são curtas.

Há colegas que me dizem que os espaços para a definição correspondem a uma palavra específica que há quem ache ser “professores”. Pode ser que sim. Pessoalmente, pelo que conheço a algumas criaturas que por aí andam, acho que tal definição seria um elogio, pois estou habituado a ouvir dizer que os professores nada fazem, em greve ou sem ela. E o Expresso é um couto de muitas dessas criaturas. Pelo que, pensando bem, não será motivo para irritação, mas júbilo. Como as greves de professores têm sido minoritariamente em tempo de aulas, sendo as mais longas nos períodos de avaliação, talvez seja esta a forma, tortuosa é certo, dos colaboradores do nosso semanário de “referência” nos prestar homenagem.

Há que ver as coisas out of the box, como costumam dizer pessoas viajadas, talvez mesmo quem produziu estas palavras cruzadas que deve ser alguém certamente espirituosa e culta. Para a semana quem nos diz que nas verticais não surge que se escreva quem “faz jornalismo quando não anda a fazer fretes noticiosos” a começar com “j”, a acabar em “a” e com dez letras. Ou, começando por “b”, oito letras e rimando com malsão, “quem anda armado em novo ddt e com os dois manospela arreata”?

Ou um sinónimo de “indor”?

kick butt

Domingo

Apesar do tempo cinzento, a silly season estival já se instalou de forma bem firme nos noticiários e intervenções públicas de políticos e derivados. Deixemos em paz Rui Rio e os seus recorrentes tiros ao lado do essencial, porque aos sobredotados está reservado um cantinho especial no reino dos Céus. Fiquemo-nos pelo rico batatal que é a Educação e o seu ministro, sempre feliz quando regressa ao seu torrão a mostrar obra para efeitos eleitoralistas. Entretanto, multiplicam-se notícias indignadas sobre a necessidade dos alunos (a família, os professores) apagarem os exercícios feitos nos manuais que não foram oferecidos ou “emprestadados”, mas apenas emprestados, que isto dos vouchers não é bem o que alguns pensavam. O problema é idiota a vários níveis, desde o facto de criar óbvias desigualdades entre quem apanha os manuais pela primeira vez, novinhos em folha, e quem os leva já numa 2ª ou 3ª vaga que, por muito que não se queira, após meses e meses de utilização e transporte em mochilas em conjunto com comida, ténis e outro material para Ed. Física, dificilmente estarão em condições próximas das ideais. Mas há mais aspectos a destacar como o facto de a generalidade dos manuais já não contemplar espaços para resolver exercícios. O que não impede que, por exemplo na leitura de um texto, o aluno, em especial um bom aluno, faça pequenas ou grandes anotações para se orientar. Que tudo isso tenha de ser apagado não é propriamente o fim do mundo em cuecas, mas começa a ser um pouco excessivo que agora queiram que sejam os professores a acrescentar isso ao conteúdo funcional da sua profissão, quando os encarregados de educação consideram como menor e indigna tal tarefa.

Entretanto, no CNE, volta.se à produção de documentos absolutamente inócuos a menos que correspondam aos desejos da elite política em exercício. A qual tem manifestos problemas em articular um argumentário lógico ou, sequer, intelectualmente honesto. Em notícia sobre a correia de transmissão do Governo no organismo, lêem-se coisas de pasmar sobre a carreira docente como “a pouca atratividade da profissão se liga, desde logo, aos números de desemprego”. E eu pensava que a “pouca atratividade” se devia à sua crescente proletarização material e desqualificação simbólica, fenómenos que levariam muita gente a não querer ingressar na docência. Mas não… é o desemprego que faz com que faltem professores o que só não é um paradoxo na cabeça da conselheira em causa.

Mas, não satisfeita, Inês Duarte continua em grande estilo, afirmando que aquilo que tem sido apresentado como “privilégio” da docência é, afinal, uma desvantagem, pois “a estrutura da carreira, cuja progressão é essencialmente baseada na antiguidade, torna-a pouco atrativa”, pelo que “a sua alteração parece-me essencial para a dignificação da carreira e para a revalorização social e profissional dos educadores e dos professores”. Ou seja, considera-se que é preciso eliminar o que ainda há pouco era apresentado como uma vantagem “injusta” da docência. Sendo que já se sabe que a alteração se destina não a revalorizar qualquer carreira, mas a limitar ainda mais o seu ritmo de progressão, alargando o tempo de permanência em cada escalão e apertando os critérios para essa mesma progressão.

E a mim, ainda choca esta falta de decoro em pessoas que não passam de tarefeiras políticas, cujo discurso se adapta a qualquer conveniência e sem qualquer convicção própria ou, sequer, preocupação com a coerência. Neste particular, a silly season é todo o ano, mas, em conjunto com a proposta de eliminar a prova de Matemática no acesso aos cursos que dão formação para a docência, convenhamos que Junho está em alta na parvoíce quanto às estratégias propostas para “elevar” a “atratividade” da carreira docente.

E ainda que reconhecendo a “necessidade de uma formação sólida em Matemática para quantos iniciam a aprendizagem das crianças desta disciplina”, o CNE defende, no entanto, que os tópicos que se aprofundam no ensino superior para se ser professor são os ensinados até ao 9.º ano de escolaridade, “não havendo assim relação direta entre a realização de um exame de Matemática do ensino secundário e conhecimento matemático necessário para um bom desempenho enquanto professor que também ensina Matemática“.

Entretanto, para compensar, a “atratividade” da carreira sindical em regime vitalício está igualmente em alta.

Stupid2

Começou A Silly Season

A terminar o ano lectivo, quando quem trabalha tem mais que fazer, surgem anúncios em forma de notícia e outras coisas dignas de uma espécie de feira dos horrores da parvoíce.

Apareceu um Plano Nacional das Artes que, para arranque de hostilidades, começou com um daqueles lugares comuns requentados dos soixante-huitard como “indisciplinar a escola”. Anuncia-se que as escolas terão “artistas residentes” (como se eles faltassem…) e “três visitas de estudo por ano” e não sei se ria, se chore. Três visitas? Para quem? Todos ao molho? Três para todos em faseamento? Mas quantas visitas acham estas santas criaturas que as escolas fazem por ano? O novo coordenador é um alegre desconhecido fora dos círculo dos seus conhecidos; no seu currículo tem a obra Tudo é outra coisa. O desejo na Fenomenologia do Espírito de Hegel (2006) e é assistente convidado da Católica onde colabora na lecionação de “Cristianismo e Cultura” na Faculdade de Direito e na Faculdade de Ciências Humanas. Cá para mim deveria ser o novo coordenador do Plano Nacional de Educação Sexual para a Abstinência.

Ao mesmo tempo, sabe-se que as luminárias que comandam a nossa Educação, para combaterem a falta de candidatos aos cursos que dão acesso à docência, em vez de tornarem atractiva a carreira, consideram mais adequado baixar os critérios de ingresso. Querem acabar com o exame de Matemática e eu acho que deveriam também acrescentar o de Português e qualquer outro que não fosse o de Educação Física.

Entretanto, porque se ficou aqui com umas semanas sem saber o que fazer, para dar uma aparência de movimento e qualquer coisa em forma de “luta”, a Fenprof ziguezagueia e “exige” (e nós sabemos como este Governo tem sido sensível à voz grossa das exigências do camarada Mário e mais os seus outros camaradas) “medidas para combater o envelhecimento dos professores”. Eu recomendaria os implantes em silicone (peito, rabo, maçãs de rosto), as injecções de colagénio ou botox ou então um lifting em partes íntimas para quem foi sodomizado publicamente e talvez ainda tenha alguma dificuldade para se sentar sem uma daquelas almofadas ergonómicas.

bullshit-detector

5ª Feira

Uma das poucas “vantagens” de irmos sendo mais velhos e, já agora, adultos, deveria ser uma certa capacidade de desmontar as tretas, as desculpabilizações com escassa vergonha, as justificações sem ponta por onde se lhe pegue, enfim, a chamada banha da cobra. Mas parece que não. Dá a sensação de cada vez ser mais apertado o espaço entre a infantilidade e a senilidade.