6ª Feira

Detecto muito movimento e estridência em torno de epifenómenos, não sei se para ocultar os falhanços em grande. A acrescentar à desorientação sobre o que fazer, mas muito interesse em querer parecer que se está a fazer algo. Ou a descolar de algo.

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E Há Quem Sinta Muita Urgência Em Dar Essa Formação E Evangelizar Para O Seu 54

Há poucos professores com competências para ensinar crianças com necessidades especiais. É “urgente” formá-los

O que se poderia escrever sobre o paradoxo de quem quer renovar a linguagem e dizer que todos são especiais, mas depois afirma que há uns mais especiais do que outros, como é natural, mas ao contrário da ideologia dominante actualmente na área. Assim como sobre a ausência de uma formação de base sólida, trocada por especializações instantâneas feita por muita gente boa, mas também por quem vê aí uma safa para a carreira, mas sem “competência” nenhuma para o efeito, mesmo que certificada com dezenas de horas de “formação” dada por quem tantas vezes não passa de um quadro burocrático do ME ou uma variante de quem vê os alunos “especiais/iguais” por um canudo.

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Porque o que se precisa na maioria dos agrupamentos é de pessoal mesmo especializado (psicólogos, pedo-psiquiatras, terapeutas diversos, a tempo inteiro ou em parcerias efectivas) em diagnosticar as situações e apresentar metodologias de trabalho associadas a terapias comportamentais (ou outras)  e não de aplicadores burocráticos de decretos transformados em grelhas com cruzinhas e muita conversa fiada.

Enquanto a dupla David Rodrigues/João Costa não assumir (eu acho que perceberem, eles percebem) que começaram uma casa pelo telhado para apresentarem serviço rápido para propaganda política e não de uma forma sólida a partir dos alicerces, andaremos anos em versão beta de uma “inclusão multinível” para OCDE ver.

Eu como professor e DT de alunos com muitas especificidades, com muitos anos deste tipo de trabalho, preciso mais de pessoal tecnicamente apto para me apoiar em tudo o que não sei, do que de “formação” em treta legislada. Claro que aquilo sai mais caro e demora mais tempo do que as formações que agora andam a ser dadas às pazadas mal amanhadas em regime intensivo com powerpointes clonados de uma qualquer matriz fornecida centralmente.

E não me venham com a conversa de que sou “velho do Restelo” e que estou contra tudo. O que não sou é vendedor de banha da cobra.

Mas Existe Educação Sexual Nas Escolas?

Não é aquele eufemismo da “Educação para a Saúde”? Que depois tem uns conteúdos transversais e meia dúzia de horas por ano para tratar não se percebe exactamente o quê. Hoje há por aí fartura de notícias sobre o assunto… porque as escolas “não cumprem” a lei, ou porque a dita cuja “não chega a todas as Escolas” ou porque lhe é “dada pouca atenção”.

Não sei se repararam, mas a culpa é sempre das “escolas”.

Como ainda ontem estive a escrever o meu naco de prosa para incluir no relatório de final de ano do trabalho com as turmas de 7º ano nesta matéria, gostaria de, com ressalva de excelentes exemplos e naturais excepções, deixar aqui umas breves notas, daquelas curtas e grossas, em crescendo de retórica irritação, tudo com conhecimento directo no chamado “terreno”.

  • Como está delineada a sua implementação a “Educação Sexual” é uma miragem, um simulacro, como tanta outra coisa despejada no currículo aos retalhos por políticos com mais agendas políticas do que verdadeiro interesse em servir os alunos.
  • O trabalho que muita gente tenta fazer é objecto de um notável voluntarismo e dedicação, quantas vezes dando apoio aos alunos de forma individualizada nos seus problemas em tais matérias, fora de horários e em situação informal. Há situações quantas vezes dramáticas que, por falta de um ambiente familiar estável ou estruturado, acabam por ter na escola o único apoio em termos de adultos.
  • Há encarregados de educação que, pela sua postura ideológica, recusam todo e qualquer trabalho nesta matéria com os seus educandos e educandas, chegando mesmo a fotografar a mera enunciação de temas a abordar ou sumários e a colocá-los nas redes sociais (por vezes recorrendo a terceiros por evidente falta de qualquer coisa a que se poderia chamar carácter) para “denunciar” a “lavagem cerebral” em decurso nas escolas por parte dos “radicais de esquerda”. Felizmente, nunca me aconteceu, mas já vi acontecer, incluindo a parte em que há quem manda divulgar e o operacional da divulgação.

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Em caso de vitória, teria todas as razões para ficar, enquanto em caso de derrota ainda sente mais vontade de ficar. Se empatasse, então, em tal caso, estariam reunidas as condições naturais para ficar.

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Há Pouquíssimas Coisas Mais Inúteis…

… na nossa Educação do que as provas de aferição em anos intermédios e disciplinas sortidas. Até poderia ser uma boa ideia, caso a implementação não tivesse sido de forma a torná-las umas desnecessária excrescência (sim, o pleonasmo é intencional). Nem vou falar nas de EF para não ser mal interpretado e bombardeado de novo pelo clube dos seus promotores e defensores da sua inigualável qualidade e relevância para o melhoramento do nosso sistema educativo. Nem no caso do 2º ano, porque é de pequenino que se exibe o jeitinho. Falo mesmo da outras, daquelas que, como as do 5º e 8º ano, não serve para praticamente nada, excepto para o poder que está transmitir aos incautos ou verdadeiramente ignorantes a sensação de se estar a fazer uma qualquer monitorização das aprendizagens, com umas provas que incluem um sortido de questões de diversas disciplinas como meter Matemática e Ciências na mesma prova de 5º ano e História e Geografia na de 8º. Se fossem os professores desses anos a marcar dois testes no mesmo dia, com matérias teoricamente globais de dois anos (como no 8º) eu queria ver por aí gente a arrepelar cabelos e acusá-los de torturadores de jovens. É verdade que em provas anteriores as perguntas de uma das disciplinas são do mais reduzido e elementar possível, mas isso só prova que não servem para aferir seja o que for. Tudo isto é um simulacro, um fingimento, que nem sequer procura disfarçar muito bem que não é para levar a sério, pois fazem-se provas sem coordenação entre ciclos, por forma a analisar o desempenho dos alunos da mesma coorte, nas mesmas matérias, ao longo dos ciclos.

Este ano estou com curiosidade para ver as provas de HGP (5º) e H/G (8º) para ver se melhorou ligeiramente a qualidade em relação à que foi feita em 2016-17 em HGP. Já agora… se isto servisse para alguma coisa, deveria ser a geração do 5º ano em 2016/17 a fazer prova de H/G quando chegasse ao 8º. Mas esses só lá chegam para o ano… E os que fizeram a prova de Estudo do Meio este ano ainda estão apenas no 5º, pelo que a prova do 5º também é feita à medida de nada.

Mas ocupa-se tempo, destacam-se milhares de professores para horas de vigilância ridícula, gasta-se papel (enquanto não é tudo online) e encena-se qualquer coisa. Porque isto é apenas uma representação. Nem sequer muito divertida. E de qualidade muito duvidosa.

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4ª Feira

Enquanto no Parlamento desfilam “empreendedores”, certamente muito “liberais” e “inovadores” a quem durante anos a fio a Caixa (e não só) emprestou dinheiro a fundo perdido, a polícia vai cobrar dívidas fiscais para a auto-estrada e o Hospital de São João trabalha com uma máquina de radioterapia com 20 anos que já nem é produzida, porque a outra está sempre a avariar e atrasa os tratamento de doentes oncológicos em meses. Parecendo que não a história (em crescendo) dos nossos últimos 30 anos explica tudo isto e muito mais incluindo o Centeno de Harvard Y Eurogrupo com o seu majestoso défice zero. À custa de quem? Do Berardo e sucedâneos, não, que se riem e certamente arranjariam tratamento onde quisesse, fosse qual fosse o custo. Porque são gente de maior qualidade a quem só perguntam como arranjaram o dinheiro dos bancos mas nunca onde o enterraram exactamente.

Shame

(claro que a culpa ainda é em 2019, depois de tanta reversão, da troika e dos professores…)