Em Contrapartida, Acho Útil…

… o que o SPN apresenta no seu site para apoio a reclamações, até porque em muitas escolas e agrupamentos, a “informalidade” vai nestas matérias, em muitos casos, lado a lado com a ilegalidade.

Encontrando-se o processo de avaliação de desempenho, em muitas escolas, em fase de conclusão, muitos docentes pretenderão proceder à reclamação da sua avaliação. Este é um processo que se inicia com apresentação de:

  1. reclamação formal (minuta);
  2. pedido de alguns documentos, tais como:

— cópia da ficha de comunicação da avaliação global;

— cópia do registo de avaliação do desenvolvimento das atividades realizadas nas dimensões previstas no artigo 4.º do DR 26/2012 (onde constam os descritores / parâmetros aplicados em cada domínio e dimensão);

— n.º de docentes avaliados nesse ano, por universo;

— n.º de menções de mérito que o AE/ENA tem para atribuir, em cada universo definido no Despacho 12567/2012 e no total;

— classificação quantitativa atribuída ao último docente avaliado com cada menção de mérito (informação não nominativa) em cada universo;

— parecer do Avaliador(a) Externo/a sobre o(s) Relatório(s) de Autoavaliação do Desempenho;

— cópia dos Guiões / Grelhas de observação da dimensão científica e pedagógica, correspondentes aos dois momentos de observação de aulas, preenchidos pelo/a avaliador(a) externo(a), incluindo as classificações atribuídas;

— ata da reunião entre o avaliador(a) interno(a) e o avaliador(a) externo(a) para articulação do resultado final da avaliação da dimensão científica e pedagógica;

— ata da reunião da Secção de Avaliação do Desempenho Docente do Conselho Pedagógico (SADD) para, nos termos do n.º 4 do artigo 21.º do Despacho Normativo n.º 26/2012, analisar e harmonizar as propostas dos avaliadores e garantir a aplicação das percentagens de diferenciação dos desempenhos, previstas no artigo 20.º do mesmo diploma.

Também Tem O Seu Quê De Ofensivo…

… ler a mais recente posição da Fenprof em relação à ADD, acerca da qual nada tem feito de concreto para além das proclamações. Por exemplo, é muito escasso o apoio dado a quem não queira colaborar (como avaliador externo, por exemplo, mas não só) com o modelo que afirmam “burocratizado, orientado, quase exclusivamente, para determinar ritmos de progressão na carreira e não para a melhoria do desempenho dos docentes (porque não tem cariz formativo) e injusto, com as quotas a impedir o reconhecimento do mérito efetivo de cada docente”.

Aliás, de todos os recursos em que participei como árbitro (já lá vai um mão cheia deles), o que teve um desenvolvimento mais vergonhoso e marcado pela prepotência de um Presidente de Conselho Geral (de um agrupamento de um concelho da margem norte da Grande Lisboa) sem qualquer respeito pelas normas, foi dirigido por um conhecido sindicalista do SPGL que tudo fez para mostrar quem manda e que quem manda faz o que bem entende, mesmo que à custa dos interesses d@s colegas, travestindo por completo os procedimentos legais e truncando ou detiurpando os factos a gosto. Coerência com as posições “sindicais”? Que se lixe, que é dos que está quase a ir-se embora e não gosta de guinotes a meterem o nariz na sua escola.

Por isso, deixem-se de m€rd@s e deem o exemplo, não se limitem a dizer que coiso. Cheguem-se à frente. Não se escondam.

Estive A Ver (E Ouvir) O Mário Nogueira…

… na SICN a fazer o resumo da reunião com o secretário que conta, porque o ministro só serve para testa de ferro de disparates, e a secretária de estado que faz de tripé, mas não conta propriamente para muito.

Sobre conclusões, pareceu-me tudo curto, para além de “admitir os problemas”, mas com a sensação de que não estão propriamente a pensar cumprir a lei. Que vão pensar na questão dos professores com filhos pequenos (o mais certo é terem pensado que estamos tão velhos que somos todos apenas avôs e avós), que vão pensar na questão dos equipamentos para quem os não tem (mas o que quer isso dizer? eu posso ter um ou dois computadores, mas como há 3 pessoas a precisar de os usar em simultâneo, conta como não ter?), que vão cumprir finalmente a ordem do Tribunal sobre a lista das escolas com casos de covid (agora? quando já estão fechadas?, porreiro!).

Sobre os critérios para definição da carga horária síncrona/assíncrona, parece-me que irão tentar escapar-se com a “autonomia”.

Em concreto, para já, a tempo, de forma planeada, pareceu-me NADA.

Ou então não é o “momento certo” ou “ideal” para tratar estas questões. Talvez quando e se voltarmos ao presencial.

A Muralha D’Aço

Não posso deixar de anotar que é mais fácil dizer estas coisas quando nem se cheira uma sala de aula ou se ajuda a “adoçar” números. Claro que “não foi pelas escolas”, caramba! Que raio de argumento! Mas acham que tudo o que envolve 1,5 milhões de crianças e jovens (mais professores e pessoal docente) em movimento é compatível com um confinamento? Foram criadas condições para que os professores possam ir para as escolas desenvolver o seu trabalho de forma remota para os alunos em casa, devidamente equipados? O que se fez nos últimos 9 meses a esse respeito? Os senhores directores poderiam ser menos óbvios no esforço por agradar à tutela em busca de quota para mais xalentes.

Há momentos em sou obrigado a sentir “vergonha alheia” e nem sequer vale a pena falar muito da posição da Fenprof, particularmente [pi-pi-pi]. Se são “representantes dos professores” a quem perguntaram a opinião para tomar este tipo de atitude? É o que faz muito tempo em gabinetes ou com horários muito reduzidos.

Escolas e Fenprof aplaudem o anúncio de que as escolas deverão manter-se abertas e com aulas presenciais, mesmo num cenário de novo confinamento. FNE sugere ensino misto para o secundário.

Jet Lag

Parece que a Fenprof lançou agora uma petição contra a municipalização do ensino.

Parece anedota, mas não é.

Entretanto, retomo Cândido de Figueiredo em 1892.

estudo existia e recomendava-se em Portugal, como prenda galante de gentes ociosas, e como meio de conquistar os lugares menos rendosos. As sinecuras, as prebendas, as fontes de pingues proventos, isso era partilhado entre os que, à falta de letras, tinham por ascensores o patronato e a audácia.

Havia aqui três categorias de estudo: primário, secundário e superior.

Para o estudo primário, chegou a haver em Portugal perto de seis mil escolas públicas. Entretanto, e ainda que se decretou o ensino obrigatório, apenas sabia ler uma parte insignificante da população. Numa Exposição Universal, que houve em Viena de Áustria, quase no último quartel do século XIX, provou-se que Portugal, em assuntos de instrução, estava a par da Turquia e da Rússia, que eram por aquele tempo as nações europeias menos civilizadas.

— Que faziam então os seis mil mestres de ensino primário? — perguntarás tu.

Davam palmatoadas e pediam esmola. Primitivamente a esmola era-lhes dada pelo Estado, a título de retribuição. Depois, ergueu-se a bandeira sedutora da descentralização, e os municípios foram encarregados de esmolar os professores; mas, como os municípios também eram pobres, e como a caridade bem ordenada não sai de casa, os professores sentaram-se à porta das escolas, estendendo a mão à caridade particular.

Cândido de Figueiredo, Lisboa no Ano Três Mil, Carta VI

Quem Sou Eu Para Discordar Dos Camaradas Dele?

E atenção que o texto sobre a sucessão na CGTP (de há dois dias, mas só hoje tive a possibilidade de lhe aceder na íntegra) é o do José Pedro Castanheira, que está muito longe de ser um perigoso infiltrado da Direita.

Pub24Fev20

Público, 24 de Fevereiro de 2020, p. 21

Se a análise interna corresponde, em grande parte, ao que penso e escrevo há muito tempo, apenas posso congratular-me e elogiar a lucidez do PCP na análise, embora não tenha, infelizmente, agido em conformidade em devido tempo. Porque assim, continuamos com o responsável por erros graves como “grande timoneiro”. E como o próprio parece incapaz de algum decoro mínimo (como aquela de dizer que gostava muito de voltar a dar aulas, quando sabemos que antes quereria a peste bubónica), vamos ter de gramar isto até às calendas gregas.

Importa-se De Repetir?

Eu quase alcanço o objectivo, mas é mesmo quase. E há quases que são quase infinitos.

A Federação Nacional de Professores (Fenprof) vai avançar para uma greve nos dias 24 e 26 de fevereiro, durante a interrupção letiva do carnaval, avançou, esta quarta-feira, o secretário-geral, Mário Nogueira.

(,..)

A greve incide sobre todas as atividades que sejam marcadas pelas escolas durante estes dias, mas não vai interferir com as aulas, uma vez que coincide com o período de interrupção letiva do Carnaval, inserindo-se no conjunto de greves às horas extraordinárias que se prolongam há mais de um ano.

O Costa PM, o Centeno e a Leitão ainda devem estar a limpar as lágrimas de tanto se rirem.

muppets-rir

 

Monogamia

Ana Avoila deixa sindicalismo após 34 anos de dedicação exclusiva

(,,,)

O percurso sindical começou em 1982, quando foi eleita delegada sindical pelos seus pares, e quatro anos depois passou a ser dirigente do Sindicato dos Trabalhadores da Administração Pública do Sul e Açores a tempo inteiro, integrando, nessa qualidade, a partir de 1993, a direção da Federação Nacional dos Sindicatos da Função Pública (FNSFP).

poligamia

Andas A Fazer As Contas Por Baixo, Mário!

Porque são muito mais de 10.000 os alunos sem aulas em algumas disciplinas desde o início do ano e mesmo muitos mais os que durante estes quase dois meses não tiveram o tempo todo o Conselho de Turma completo. Eu sei que andas pouco pelas escolas, mas podias pedir aos delegados sindicais que recolhessem os dados de proximidade, a começar pelo tipo do spgl que é das minhas redondezas. Já agora, por mim, gostaria de partilhar que a minha DT está sem Geografia e Francês desde o início do ano e nem em contratação de escola há candidatos, pelo já receio o pior. O ano passado, só entre essas duas disciplinas, tiveram de forma intermitente 6 docentes diferentes (3 para cada) e andaram meses e meses sem quatro (4) disciplinas, graças ao sistema estúpido do ME para lidar com atestados de longa duração que se sabe irem passar de um ano lectivo para outro. O Conselho de Turma esteve completo menos de dois meses (Março a Maio), com as férias da Páscoa pelo meio.

Para o ME, 10.000 alunos são amendoins, coisa de 1% do total, um valor residual. Vão mostrar-se muito preocupados e fazer uns malabarismos, mas nada de essencial  Mas são mais. Acredita em mim, porque mentiras entre nós, que me recorde, só as que eu ouvi. Repito: mete quem anda com redução da componente lectiva para trabalho sindical a fazer o levantamento a partir da base e deixa-te da atracção por números redondos, até porque, por muito que grites, já são muito poucos os que te ligam. Enquanto os EE não perceberem que este é um problema em que devem meter as mãos a sério (não falo do pai ascensão, que esse tem outra agenda de prioridades) e meterem o assunto na agenda das televisões nada se resolverá.

Já ninguém te ouve muito, por isso, ao menos, tenta fazer as coisas bem, dentro das tuas imensas capacidades e do que o teu cartão de militante deixar. Não te esqueças que andaste três anos a dar cobertura ao ministro Tiago, quatro ao SE Costa e ainda andas aos elogios à ex-SE Leitão, como se isso te fosse servir de alguma coisa. Ou melhor, como se isso nos fosse servir de alguma coisa, porque no teu caso não arriscas nada.

A culpa não é tua, nem dos sindicatos? Claro que não, mas, por isso mesmo, espera-se que apresentem propostas de solução. Ou dão muito trabalho?

CrisNogas

(e não venhas dizer que a culpa ainda é da troika, ok?)