A Ler

Ainda há quem tente argumentar de forma racional sobre tudo isto, mas do “outro lado” não há quem queira sequer dialogar sem ser na base do argumento do “tenho uma ideia, posso decidir e mando fazer”, seja que palermice for.

Se já éramos um dos países da OCDE com mais dias lectivos, não tarda e seremos o espaço em que alunos e professores mais desesperam por férias com o desconfinamento possível.

Sábado – Dia 16

Quando a net está muito lenta na escola, uma das parvoíces que costumo dizer para passar o tempo é que abram mais as janelas, para ver se a net entra mais depressa. Ou que o vento está a levar a net para outro lado. É uma parvoíce, mas só em certa medida. A verdade é que a nossa modernidade é muito relativa e que “No país sem rede, a chuva ou a trovoada podem parar uma aula”. Claro que os solucionistas nos dirão num primeiro momento que isso não é possível ou credível para, num segundo momento, acrescentarem que só é possível em certas circunstâncias e que não são relevantes em termos quantitativos, até que, perante as evidências, acabam a dar-nos uma daquelas explicações em que tentam transmitir, da forma mais técnica possível, que se não percebemos o porquê somos uns idiotas.

Os solucionistas estão convencidos que nos conseguiremos transformar em macgyvers, só que nem nos dão um elástico e um clip para fazermos um router à prova de bala. Esperam que alunos e professores consigam assegurar uma “conectividade móvel” robusta só com a força do pensamento mágico e a energia da boa vontade. Recursos que confesso já ter tentado usar em dias de chuva e vento, mas com escassos resultados.

Estou Cansado De Delírios

Estou cansado destes discursos “positivos”, desta tentativa de transmitir “confiança”, de revelar “esperança”, de suspirar por excelentes para quem mais amochar perante os interesses políticos governamentais.

Escolas garantem que estão a postos se for preciso continuar o ensino à distância

É mentira que as escolas estejam “preparadas” se isso quer dizer que estão em melhores condições do que em Março, porque não estão. Há a experiência do que se passou (e já se percebeu que foi um fiasco em termos globais, com estas ou aquelas excepções) e a chegada de um número insuficiente de kits tecnológicos para os alunos. Mais nada se fez,para além dos bastidores do Plano de Capacitação Digital dos Docentes.

Se passarmos de novo ao ensino não-presencial (o que seria da mais elementar prudência) quase tudo será igual ao que foi e só poderá funcionar se os professores usarem de novo os seus recursos, porque nada – NADA – chegou à generalidade das escolas para que a partir delas se faça algo de diferente. Aqui em casa conhecem-se três realidades distintas, mas que confluem no essencial: foram 10 meses em que a incompetência do ME foi por demais evidente, pois só sabem falar, falar, falar e debitar chavões ou parvoeiras (o caso dos “cornudos” do ministro Tiago é apenas o exemplo mais deplorável) sem que as medidas necessárias tenham surgido.

Há escolas onde @sdirector@s conseguiram alguns avanços? Há. Mas a generalidade dos Planos de Contingência vai muito além de explicar a diferença entre ensino presencial, misto ou não-presencial no caso de ser necessário alternar entre modelos? Muito poucos, esmo se são muito explicadinhos sobre condutas a adoptar e circuitos a seguir, no caso do ensino presencial.

Foram redefinidos critérios de avaliação pelos Conselhos Pedagógicos para a eventualidade de ter de alterar a forma de avaliação? Os Conselhos Gerais foram consultados em nome das comunidades educativas? Talvez, mas duvido que isso tenha acontecido na maioria dos casos. Basta consultar a documentação que está publicada nos sites das escolas e agrupamentos. Basta passar uns minutos pelo Google.

Claro que a norma tem excepções; não nego que há onde tudo esteja previsto. Mas garantir que as escolas estão preparadas para um novo E@D é risível. A menos que seja em forma de encenação como há 10 meses, apesar de toda a boa vontade que possamos ter. E que a mim cada vez mais escasseia, porque me pedem uma dedicação e competência de que quem tem responsabilidades de decisão superior não dá qualquer exemplo.

Até Ao Contágio Final!

Alexandre Araújo, diretor da maior festa do PCP, diz que há uma “campanha de quase criminalização” do Avante! que tem o “objetivo político” de afastar os habituais visitantes.”Estamos preparados para tudo”, garante o responsável comunista para quem a “determinação” de prosseguir com a Festa é a melhor “resposta política” que o PCP pode dar aos seus adversários . Na Atalaia, os voluntários já estão a montar a mega estrutura que, este ano, ocupa mais 10 mil metros quadrados de terreno para receber em segurança os 100 mil visitantes que, habitualmente, visitam a Festa.

palmada

Pelo Educare

Um dos textos que me deu mais gozo escrever nos últimos tempos.

O reino deles não é do nosso mundo

Ainda encontro textos que me transmitem a noção de que existem pessoas com os pés na Terra quando falam da Educação em Portugal na nossa comunicação social. Mas, a sensação geral quando assisto a debates com especialistas na matéria ou a declarações de alguns governantes é a de que eles são soberanos ou cortesãos de um reino que não pertence ao meu mundo e ao da generalidade dos professores que teimam em encarar a realidade sem filtragens ideológicas ou conveniências tácticas.

pg contradit

Um Verdadeiro Milagre!

Um vazio no ME não é coisa rara, mas quatro anos de lugares-comuns talvez seja um recorde. Tiago Brandão Rodrigues calado é um poeta e ensaísta numa só pessoa. Mas uma coisa em concedo-lhe: este ano o sucesso deve atingir em alguns pontos do país os 103%.

O que não deixa de ser curioso é que TBR só pareça dar entrevistas com tretas destas em Espanha… será porque fala naturalmente um portunhol refinado? Ou será porque o programa é naturalmente satírico?

TBR

Felicidades

Li há pouco, no mural de uma “rede social” de um amigo que gosto de seguir e ler sabendo a enorme discordância que nos divide neste momento, o quanto algumas pessoas estão extremamente felizes com o estado da Educação e a situação das escolas no presente. Congratulam-se efusivamente pelas suas reformas, pelo triunfo das suas ideias e do seu modelo/paradigma. Eu compreendo essa felicidade, a dos vencedores, a dos que sentem que conseguiram impor as suas crenças. O que acho curioso é que lhes desagrada imenso as críticas que destacam o que se passa de mal nas escolas (como se fosse tudo mentira) e o modo como criticam quem foge da cartilha dominante. Afinal, a tolerância com as opiniões divergentes é mais fácil de enunciar do que de praticar. E não é de espantar que muitas dessas pessoas estejam mais próximas da formação doutrinária (claro que estimo mais a opinião de um certo presidente de assembleia municipal, doutorado em fretes políticos) do que do quotidiano escolar completo e repleto. Claro que as há em exercício, mas a riqueza de espírito não é para todos nós.