5ª Feira – Dia 18

De acordo com uma sondagem conhecida ontem, mais de 80% dos inquiridos concorda com o fecho das escolas e que elas assim se mantenham nas próximas semanas. Este resultado entra em claro conflito com a atitude de grande parte da opinião publicada e mediatizada. Porque se lermos ou ouvirmos muito do que surge nos jornais ou nos canais televisivos de notícias, ficamos convictos que a maioria dos portugueses está contra o encerramento das escolas e as quer abertas o mais depressa possível.

O Povo Tem Os Seus Momentos

Raramente coincidindo com certas “bolhas” de notáveis, que gostam de se apresentar como falando em nome do “bem comum”, até porque a vida não é a mesma. Só falta aparecerem, como o outro tipo que teve de se demitir da vacinaçáo, a dizer que quem assim pensa é tudo malta que vota no Chega.

Esmagadora maioria dos portugueses quer manter escolas fechadas

Sim, A “Reabertura” Correu “Bem”

E muita coisa foi bem feita, mas muita outra nem tanto, o que dá duas “muitas” numa só frase que assim fica duplamente indefinida. Claro que depois da “reabertura” tem havido o “funcionamento” e sobre isso muito haveria a dizer, desde logo acerca dos riscos que uns correm mais do que outros e dos silêncios que funcionam como a almofada contra a “insegurança”, porque a “confiança” é muito importante.

Claro que faltam professores, os prometidos meios informáticos não chegaram e as salas de aula são uma espécie de “zonas francas” em relação às regras da DGS, mas o que interessa verdadeiramente isso, a não ser a gente sem uma visão “ampla” de tudo isto?

Sondagem: Só 17% acha que a reabertura das escolas correu mal

A partir dos mesmos dados, o Expresso parece-me ainda mais “positivo”:

Sondagem: 42% dos portugueses considera que reabertura das escolas “decorreu de forma positiva”

Contrariando Claramente Certa Opinião Publicada Por Encomenda…

… parece que os encarregados de educação portugueses estão satisfeitos com a escola que têm em tempo normal e em especial com os professores. Mas também com a avaliação e os métodos de trabalho O estudo é da DECO e foi publicado na última Proteste. Claro que, ao contrário de outros, o mais certo é ser pouco citado naquela imprensa que considera os sousatavares a 5ª essência da opinião informada. Também é giro que no site oficial da Confap não se ache nada sobre este estudo, mesmo se são organizações parceiras em várias iniciativas. As conclusões vão contra a “narrativa” do Poder? Porque estes resultados são consistentes com todos os restantes inquéritos conhecidos, sempre que são feitos por entidades exteriores a certos ambientes ou que não têm certos “especialistas” a dirigi-los.

Dia 43 – Uma Pequena Sondagem Pessoal

Prefiro isto a fazer grelhas de tudo e quase nada.

No âmbito da disciplina de Português (6.º ano) e Cidadania e Desenvolvimento (8.º ano) fiz um pequeno inquérito (cinco questões) aos meus alunos sobre a situação do ensino à distância, da telescola televisiva e do eventual regresso às aulas presenciais (que não se coloca para o Ensino Básico, mas que achei interessante inquirir).

Embora ainda só tenha recebido a resposta de metade dos inquiridos, os resultados já apresentam alguns padrões reconhecíveis. Em primeiro lugar, as respostas do 6.º ano (alunos de 11-12 anos) e do 8.º ano (alunos de 14-16 anos) são bastante distintas, com os mais velhos a apresentarem-se muito mais críticos e cépticos em relação a quase todos os parâmetros.

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Dia 17 – A Maioria Dos Alunos Já Quer Voltar

(entretanto já foi publicado no Educare)

De acordo com os resultados de um questionário colocado online pelo Observatório das Políticas de Educação e Formação divulgado ontem à noite, perto de dois terços dos alunos que responderam revelam que já querem regressar à escola. Nas notícias que li ou ouvi, este valor, como outros sobre a satisfação dos encarregados de educação com as medidas já praticadas ou a mudança de hábitos de estudo ou no quotidiano, são “preliminares” e baseiam-se em cerca de 1200 respostas. Vou ultrapassar as reservas metodológicas que me levantam o inquérito, que entretanto preenchi, constatando que não existe qualquer forma de verificar a veracidade da situação dos respondentes (poderia ter declarado que era aluno e respondido na mesma, sem qualquer tipo de controlo). Vou crer que todas as pessoas responderam de forma séria e que os dados não se encontram de forma alguma afectados por essa opção pela facilidade da recolha dos dados em detrimento da sua fiabilidade.

A corresponder ao sentir da maioria dos alunos, isto demonstra que, afinal, a escola é um local que eles apreciam e do qual ao fim de duas ou três semanas já sentem saudades. O que contraria a ideia preconceituosa de alguma opinião publicada e mesmo de “estudos” acerca da insatisfação dos alunos com o seu quotidiano escolar. Eu sei que há quem separe o gosto pelo espaço de socialização e o desgosto com as aulas. Mas eu acho que essas fronteiras são mais artificiais e operatórias para alguma sociologia simplista da educação do que a realidade. As alunas e alunos, na sua maioria, gostam da escola e mesmo das aulas, embora com naturais assimetrias. E basta uma minoria mais vocal para conseguir perturbar o quotidiano de colegas e professores (no actual ambiente de complacência com esses comportamentos) e para justificar conclusões apressadas acerca das atitudes da maioria dos alunos em relação à Educação. Ainda há esperança, apesar de tudo que tem sido feito para em nome do “sucesso para todos”.

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E Quanto A Votos?

Sondagem: Joacine e Ventura são os políticos menos confiáveis

A desconfiança em relação aos políticos é conhecida mas uma sondagem da Intercampus vem mostrar que é especialmente elevada face aos novos protagonistas políticos. Catarina Martins e Jerónimo de Sousa são os que saem menos mal da fotografia.

Mas depois quem ganha são os outros. E os de quem se desconfia até podem estar em alta nos seus nichos muito particulares.

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