A Nova “Estratégia”

É dizer, da boca para fora, que estimam muitos os professores, que são óptimos profissionais, que estão a fazer tudo para valorizar a sua profissão, que tudo é um enorme diálogo com toda a gente. Notou-se na 2ª feira com João Costa e hoje, na TSF, com Alexandra Leitão, embora estivesse mais interessada em “colar-se” a Marcelo Rebelo de Sousa “Professor” com quem ela aprendeu, colaborou e etc. Para que a opinião pública assuma que, a existir má vontade, é do “outro lado”, dos “inflexíveis”, por oposição a esta governação “flexível” na Educação.

Antes era a estratégia da indiferença, como que se não existisse nada problemático. Agora preferem aparecer como se tudo estivesse bem, na paz dos deuses, apenas existindo umas arestas periféricas a lixar.

Em qualquer dos casos, na sombra, os gabinetes de comunicação continuam a alimentar alguma opinião publicada com informação mais do que truncada e argumentos falaciosos.

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E Se…

… existirem elementos de prova que fundamentem factualmente um desmentido ao desmentido?

Ligações polémicas do Governo à OCDE

O atual secretário de Estado da Educação, João Costa, tem um cargo com poderes de decisão na OCDE, que avalia as políticas adotadas pelo Ministério da Educação. Governante foi eleito em julho de 2017 presidente do conselho dos peritos responsáveis pelo TALIS, um dos relatórios mais importantes que avalia as condições de trabalho e os salários dos professores.

(…)

Também o deputado do PS Ascenso Simões disse na sua página do Facebook que leu «atentamente» e «duas vezes» o relatório da OCDE sobre remunerações e tempos letivos dos professores e a conclusão a que chegou é simples: «Nada do que lá está bate certo».

Para Ascenso Simões os cálculos da OCDE resultaram do «encontro de uma média entre as carreiras do básico e secundário com as do ensino superior», acrescentando ainda que há erros também no que diz respeito ao horário de trabalho dos docentes. O relatório «não analisa as obrigações burocráticas a que os professores estão obrigados», exemplifica o deputado socialista.

Por isso, Ascenso Simões alerta que o «debate político deve seguir por oposição de argumentos», mas que «não podem ser usados instrumentos que não são sustentáveis».

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E Depois Entramos no Reino da Paródia

A Anabela Magalhães chamou a atenção para uma peça da RTP que parece uma autêntica paródia acerca dos salários dos professores dos vários níveis de ensino. A superficialidade da análise é a habitual nestes casos e o mais certo é estarem a comparar o salário de um assistente do 1º triénio do politécnico ou assistente estagiário universitário (1636,83€) com o de um professor do básico/secundário no mítico topo da carreira (3.160,02€) a que ascenderam algumas centenas de colegas nos últimos meses.

Basta ver que um assistente do 2º triénio do politécnico, sem mestrado ou doutoramento ganha 2.209,72€, enquanto um assistente universitário ganha pelo menos  2.291,56€ que é mais do que eu ganho no 6º escalão da carreira docente não-superior (2.159,73 €), mesmo tendo mestrado e doutoramento e quase 30 anos de serviço.

E nem é bom questionar a razão da diferença entre os rendimentos d@s colegas do pré-escolar e os do 3º ciclo. Porque não existe. É uma falsidade. A tabela salarial é a mesma.

Ao fazer este tipo de serviço, a televisão pública não presta serviço público mas serviço político. Da pior qualidade.

OCDE RTP

E não adianta escrever ao provedor, porque ele gosta é dos moitasdedeus.

Se a OCDE não é responsável por esta vergonhosa manipulação dos dados para intoxicação da opinião pública? Acredito que não, mas talvez fosse melhor verificar com que palha o IGeFE alimenta os seus estudo. Porque a credibilidade de um estudo também depende da análise crítica das suas “fontes” que não são imunes ao escrutínio só por serem “oficiais”.

Mas Quais “15 Anos” Por Amor de Todos os Santos, Incluindo o Beato das Neves e o Pitoniso Ferreira?

Vamos lá a entender uma coisa. Em circunstâncias normais, um professor que entrasse na carreira no dia 1 de Setembro de 2003, teria completado 15 anos de serviço no dia 31 de Agosto de 2018 e estaria a iniciar o 16º ano de carreira a 1 de Setembro de 2018, ou seja, no último ano do 4º escalão.

Nas circunstâncias peculiares em que vivemos, esse docente terá menos de seis anos de serviço para efeitos de progressão na carreira e a 1 de Setembro de 2018 ainda estaria a menos de meio do 2º escalão da carreira docente.

A terminar o 4º escalão está muita gente com 25 anos ou mais de serviço.

Toda e qualquer comparação feita com base na ficção de que aos anos de serviço reais de qualquer professor de carreira corresponde a remuneração que lhe deveria ser devida é uma absoluta falsidade, uma manipulação despudorada da verdade. Seja com a chancela da OCDE ou de qualquer outra instituição. A credibilidade que me merece é equivalente ao voto de um qualquer deputado porfírio numa resolução parlamentar.

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A sic balsemânica insiste em amplificar isto em prime-time. E nem é bom falar na “carreia”, sem sequer usarem revisão no que inserem nestes quadros. Como calcularão, mesmo que não tivesse que fazer, nunca aceitaria ir comentar este género de fretes em antena aberta, com os herdeiros dos abrantes à solta.

Comparações

Ontem, na véspera do início das negociações ME/sindicatos. o Dinheiro Vivo dava a conhecer que os professores portugueses seriam dos mais bem pagos do mundo, no 16º lugar (numa amostra de 17), não colocando em destaque que o valor recebido é – em bruto – menos de metade do recebido nos dois países melhor colocados e pouco mais de metade do que no 3º.

Hoje, aproveito para recordar que em outra peça do Dinheiro Vivo, há 9 meses, Portugal aparecia como em 17º lugar na lista dos países com maior carga fiscal.

Para amanhã, aguardo a peça em que se façam as contas e se apresente o ranking dos salários reais dos professores.

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