Sondagens

O Paulo Prudêncio pode confirmar que ontem, ao receber um sms dele com o principal indicador de uma sondagem a divulgar hoje, adivinhei a empresa que a tinha feito e o jornal que a ia publicar. Como brinde, ainda adivinhei a tendência de dois outros partidos. Quando as empresas de sondagens se tornam uma variante de centrais de comunicação política e os jornais optam por ser, de modo mais ou menos assumido, instrumentos de estratégias de condicionamento da governação, consigo acertar os resultados das sondagens observando como uma folha de papel higiénico voa com a aragem da manhã.

spin

Anúncios

Umas das Melhores Formas de “Matar” um Assunto

É fazer uma “geral” de convocatórias para investigá-lo. Convocar mais de 100 pessoas para debater as rendas excessivas no sector da energia (quem as nega nos dias pares é quem se gaba dos lucros conseguidos nos dias ímpares) só serve para prolongar no tempo as audições e baralhar tudo, distribuindo culpas de forma tão generalizada, que ninguém acaba por ser culpado.

A estratégia do “chuveirinho” é isto mesmo.

shit-hitting-the-fan

As Contas Erradas do (Gabinete do) Ministro

O ponto 1 e o ponto 6 da convocatória do ME contradizem-se.

No ponto 1 insiste-se na justiça e equidade baseada em contas erradas. E insistir nisso não é estar de boa fé.
 .
«Esta proposta do governo, fundada nos princípios de justiça e de equidade» e o resto do parágrafo é uma aldrabice. Não me admirava que o ministro tenha dado a convocatória a assinar à chefe do gabinete, com vergonha desse parágrafo. No ponto 6 fala-se em «boa fé negocial em todo este processo».
 .
O tempo deve ser contado em anos – seja para o trabalhador da carreira x seja para o da carreira y. Se contam 7 anos para uns devem contar 7 anos para outros. E se querem contar 2 anos e 9 meses para uns, devem contar 2 anos e 9 meses a todos.
 .
Mas as contas da “equidade e justiça” são contar 7 anos a uns, dizendo que esses 7 anos são 70% de um escalão de 10 anos. Logo contam 2 anos, 9 meses e 18 dias, que são também 70% de um escalão. Mas de um escalão de 4 anos.
 –
Usar percentagens de escalões com diferentes durações é como tentar trocar notas de euros à porta da casa de idosos.
 .
Levei 17,5 anos a chegar ao 2º escalão (16,5 dos quais no quadro). Tive um aumento bruto de 47 euros e uns cêntimos.
 .
Se o Estado me contabilizar menos um dia do que a outro funcionário da administração pública – seja de que carreira for – recorro ao tribunal, mesmo que tenha que o fazer sozinho.
 .
Os professores também são contribuintes, que iriam estar a pagar a outros funcionários da administração pública progressões baseadas em cálculos injustos e não equitativos.
 .
Entretanto o MN confunde tudo ao dizer que «o governo diz que são os 70% do 9a4m2d, que são 2a9m18d» no vídeo 2’30 até 2’45
.
O governo não diz isto. Até porque 70% dos 9 anos e 4 meses são 6 anos e meio.
.
Não sei se o MN e a SE estão meio perdidos com a matemática.
.
O ministro não está de certeza. Pode ser um boneco e ignorante na área da educação. Mas esta matemática é básica para ele, que sabe muito bem que a conta apresentada pelo governo é uma aldrabice.
.
Como é que um doutorado em bioquímica acredita que 70% de 10 é igual a 70% de 4?
.
Como acredita que são equivalentes, seja para obter “equidade” e “justiça” seja para fazer um cálculo no laboratório?
.
O argumento é sermos muitos e não haver dinheiro? Deviam ter pensado nisso antes de darem tempo de serviço a outros funcionários da administração pública. Se dão 7 anos a uns, dão 7 anos a todos, seja de que carreira for. Nem é uma questão que tenha que ser negociada. É uma obrigação constitucional.
.
Levei 17,5 anos a chegar ao 2º escalão (16,5 dos quais no quadro). Tive um aumento bruto de 47 euros e uns cêntimos,
.
Se o Estado me contabilizar menos um dia do que a outro funcionário da administração pública – seja de que carreira for – recorro ao tribunal, mesmo que tenha que o fazer sozinho.
.
Cumprimentos
.
Rui Araújo
conta

O Que Diz Mesmo O Decreto-Lei n.º 259/2009 Sobre a Escolha dos Árbitros? – 2.0

SECÇÃO I – Constituição do tribunal arbitral

Artigo 6.º – Composição do tribunal arbitral

1 – O tribunal arbitral é composto por três árbitros.

2 – O tribunal arbitral é presidido pelo árbitro escolhido pelos árbitros de parte ou, na sua falta, pelo designado mediante sorteio de entre os constantes da lista de árbitros presidentes.

Artigo 7.º

Designação dos árbitros

1 – Nas setenta e duas horas subsequentes à notificação do despacho que determina a arbitragem obrigatória ou necessária, cada parte designa o respectivo árbitro e comunica a sua identificação à outra parte, ao serviço competente do ministério responsável pela área laboral e ao secretário-geral do Conselho Económico e Social.

2 – Na falta de designação de árbitro por uma das partes, o secretário-geral do Conselho Económico e Social promove imediatamente o sorteio do árbitro em falta de entre os constantes da lista de árbitros dos representantes dos trabalhadores ou dos empregadores, consoante o caso.

3 – Em substituição do árbitro sorteado, a parte faltosa pode designar outro, nas quarenta e oito horas seguintes à notificação da identidade daquele, comunicando a designação às entidades referidas no n.º 1.

4 – Nas setenta e duas horas subsequentes à última comunicação da designação de árbitro de acordo com os números anteriores, os árbitros designados escolhem o terceiro árbitro e comunicam a sua identificação às partes, ao serviço competente do ministério responsável pela área laboral e ao secretário-geral do Conselho Económico e Social.

5 – Na falta de escolha do terceiro árbitro, o secretário-geral do Conselho Económico e Social promove imediatamente a designação deste mediante sorteio de entre os constantes da lista de árbitros presidentes.

Agora vejamos o artigo 8º que remete para o nº 2 do artigo 7º, quando falta o árbitro de uma das partes:

Artigo 8.º

Sorteio de árbitros

1 – Para efeitos de sorteio, cada lista de árbitros é ordenada alfabeticamente.

2 – O sorteio de árbitro efectivo e de suplente deve ser feito através de tantas bolas numeradas quantos os árbitros, com excepção dos que estejam impedidos, que estejam em funções de árbitro efectivo em arbitragem em curso ou do que, caso fiquem pelo menos seis árbitros disponíveis, tenha participado na arbitragem concluída há menos tempo, correspondendo a cada número o nome de um árbitro.

E agora temos o artigo 24º que remete para o 8º que por sua vez remetia para o 7º. Já agora é o nº 4 deste artigo que explica a junção da arbitragem sobre as diferentes greves em decurso.

Artigo 24.º

Constituição do tribunal para arbitragem sobre serviços mínimos

1 – O presidente do Conselho Económico e Social pode determinar a constituição de um tribunal arbitral para cada período de 15 dias durante as férias judiciais de Verão, para se pronunciar sobre os casos a que houver lugar nesse período.

2 – Para efeito do número anterior são sorteados de cada lista de árbitros um efectivo e dois suplentes.

3 – Não tendo sido aplicado o disposto nos números anteriores, o tribunal é constituído por sorteio, nos termos do artigo 8.º, sendo sorteados de cada lista de árbitros um efectivo e três suplentes.

4 – O presidente do Conselho Económico e Social pode ainda determinar que a decisão sobre serviços mínimos seja tomada pelo tribunal arbitral que tenha pendente a apreciação de outra greve cujos período e âmbitos geográfico e sectorial sejam total ou parcialmente coincidentes, havendo parecer favorável do tribunal em causa.

 

Zarolho

Afinal, São Tudo Simulações Para Parceiros e Imprensa Verem!

Os números que as Finanças lançam cá para fora sobre os encargos com as progressões dos professores (tal como para a recuperação do tempo de serviço) são apenas “simulações”. O esclarecimento a desmentir uma notícia do Público é verdadeiramente esclarecedor e um momento ao melhor estilo do absurdo monty python (Esclarecimento Notícia+Carreiras+Professores). Mas eu acho que quem o fez nem percebe o ridículo em que cai e o que acaba por admitir de forma clara e explícita. Os valores mudam mas não foram revistos; mudam, mas são os mesmos. São produzidos para servirem de “arma” negocial e mediática, mas não passam disso. Daqui por uns meses o mais certo é serem outros, mas os mesmos, alterados mas não revistos. E, como me farto de escrever, gostam de incluir a desonestidade da TSU na despesa, sem dizer que ela não sai do Estado. E pretendem integrar os custos com as vinculações mais recentes, mas ignoram as aposentações.

O que chamar a isto sem entrar pelo vernáculo?

Mas ainda bem que, para além da desonestidade, a burrice é algo que não lhes falta.

Simulacoes

A Estratégia Governamental

É simples, parece que tem potencial de eficácia, mas se lhes correr mal os efeitos poderão ser tão maus como há perto de uma década.

Fundamentalmente aposta em:;

  • Ignorar a greve no Ensino Básico e fazê-la prolongar até um ponto em que acha que a opinião pública (diferente de publicada) se virará contra os professores, com o apoio de organizações como a sempre prestimosa Conmfap, acabando a greve por perder mobilização.
  • Apostar no argumentário da “equidade e justiça” para parecer que os professores estão a pedir algo irrazoável.
  • Arranjar alguns truques jurídicos para assegurar que o acesso ao Ensino Superior é assegurado.

Enquanto isso… o ministro ausenta-se e deixa o SE Costa em operações de “charme” de proximidade com os directores e a SE Leitão com a missão do “combate político” público (afinal, foi para isso que a promoveram no PS).

Perante isso, é interessante ler este fact-check para se perceber melhor como o PS conseguiu envolver os parceiros da geringonça num palavreado que nada contém de concreto, ao contrário do alguns tentam afirmar. Veja-se, por exemplo, sobre a tal resolução 1/2018:

António Costa respondeu da seguinte forma: “Não confundimos uma resolução aprovada por iniciativa dos Verdes, que é uma recomendação ao Governo, com aquilo que consta da lei do Orçamento do Estado“. Quando fala “na iniciativa dos Verdes”, Costa tenta tirar força ao fator mais importante dessa resolução: foi aprovada pelo PS. O primeiro-ministro é aqui habilidoso na mensagem que transmite: o Executivo não responde por aquilo que o PS aprova no Parlamento.

contorcionismo