6ª Feira

É sempre preciso ter em conta que não estamos a lidar com gente séria. Não é “populismo” ou “demagogia” denunciar a “elite” política, em particular a que governa de forma formal ou informal, por se ter tornado essencialmente desonesta. Hoje é dia de apresentar como uma espécie de dádiva o descongelamento de carreiras e as progressões que daí resultaram. O que o Tribunal Constitucional, embora de forma timorata, considerou ilegal e apenas admissível de forma temporária, parece ter sido interiorizado por alguma comunicação social como sendo algo “normal”. E a classe política cavalga isso para dar a entender que os professores terão progredido nos últimos anos graças à sua enorme generosidade.

Chegaram 6000 ao topo da carreira? Mas ganham menos, agora, em termos líquidos, no índice 370, do que há quinze no 340. E de acordo com as regras do ECD, legislado pela “reitora” que recusou fazer a sua add, muitos mais ficaram barrados de lá chegar. Progrediram 45.000? Acredito. Mas deveriam ter sido muito mais e, em vez de um ou dois escalões, deveriam ter progredido três ou quatro.

Ok… noticiam-se “factos”. Pena que se transmita a sensação de isto serem “benesses” ou mesmo “conquistas” quando não passa da tentativa de legitimar os danos causados e as graves perdas verificadas.

Pura e simples bullshit.

Turd

6ª Feira

Ando a embirrar solenemente com o termo “sustentabilidade”. Não é estado d’alma novo, mas agravou-se desde que os spin doctors do actual PM decidiram que era muito “esperto” associar “sustentabilidade orçamental” e “sustentabilidade ambiental” para justificar a não redução da carga fiscal sobre os combustíveis a água e o gás, como se o pessoal passasse a fazer menor refeições a tomar menos banhos e a ir para a cama com as galinhas (salvo seja) por causa disso e assim salvássemos o planeta, quando os grandes consumidores têm os benefícios negados aos pequenos. Pior… se é verdade que cada vez mais electricidade é produzida por meios “sustentáveis” (energia solar ou eólica, por exemplo), o argumento ainda se torna mais hipócrita.

Parole

A Mim Parece…

… que há uma enorme encenação em torno de eventuais discórdias entre Costa e Centeno, sejam europeias ou nacionais. No fundo, é a velha estratégia do polícia bom e do polícia mau, sendo que o nosso PM gosta sempre de ficar a encher a fotografia do lado “certo”, enquanto o Ronaldo das Finanças prefere mostrar-se como o grande moralizador dos gastos da Nação e ganhar “prestígio internacional”. Podia ter sido ministro durante a troika, que pouco teria sido diferente, tirando a paz das “esquerdas” durante quatro anos.

O resto do governo não passa de um grupo de ajudantes, excepto algumas figuras com mais “peso político”, mas que andam em  pastas com poucos gastos como o S. S. ou então é o secretário com o apelido bom que tem muitas verbas europeias com autorização para distribuir pelo país. Já a ministra da Saúde fotografa bem quando anuncia milhões para pagar as dívidas do passado como se fossem investimentos para o futuro.

Tudo o mais não passa de fumaça para consumir papel (cada vez menos) e horas de tédio analítico televisivo.

spin

O Império Da Treta Oportunista

Não, não será oportunidade para mais nada do que poupanças e desprofissionalização da docência, com a entrada nas escolas dos interesses locais e regionais. Por uma razão simples… já nos últimos dez anos existiu uma evolução similar dos indicadores relativos ao pessoal docente e discente.

Nos próximos quatro anos cerca de 18 mil professores vão sair das escolas para a reforma, mas no mesmo tempo haverá perto de 101 mil alunos a menos. Será esta uma oportunidade para o sistema educativo? Por agora, a falta de professores em certas zonas do país exige do Governo e das autarquias medidas imediatas.

Vejamos o que se passou nesta década. Eis os dados oficiais da dgeec para 2009-10 e 2017-18 (os últimos online):

Profes09a10Profes17a18

Já neste período tivemos (apesar daquelas mistificadoras vinculações “extraordinárias”) uma redução de quase 13.400 professores dos quadros e de quase 27.000 em exercício. Isto significa que se verificou uma diminuição de 12,4% dos professores nos quadros e de 18,8% em todos os que estão em exercício.

Observemos a evolução do número de alunos no mesmo período, reparando que eu escolhi para ano inicial da série aquele em que se registaram mais alunos:

AlunosEvol

A redução foi de 164.414 alunos, ou seja de pouco mais de 10%. A redução de docentes foi quase o dobro e quanto a “oportunidades” nada se fez e até passámos pela troika e tudo. Foi o “mais com menos” de crato que continuou com costa&centeno mais o tiago, joão & joana,

O “argumento demográfico” foi usado de forma demagógica e truncada, quase sem contraditório. Era mentira que a redução do número de professores resultasse da redução do número de alunos. Estava em decurso um processo diferente, mas que o afirmava era denunciado como “corporativo”, por vezes por idiotas instalados de forma cómoda na carreira, por saberem que nada arriscavam.

Menos 100.000 alunos nos próximos anos será uma redução próxima dos 7%, enquanto desaparecerão 20% dos docentes que não há condições para serem substituídos sem uma regressão sensível no nível de experiência ou mesmo de qualificação profissional dos docentes, bastando ver como estão a chegar às escolas pessoas sem qualquer tempo de serviço ou experiência, fenómeno numa escala que não se via há uns 25 anos. Claro que serão mais dóceis, em especial se quiserem beneficiar de “incentivos” e alguma estabilidade.

O mais aterrorizador deste “tempo de oportunidades” será que muitas das medidas de “incentivo” ficarão a cargo das autarquias; não por tais medidas não serem eventualmente “eficazes” mas por o serem à custa da opacidade de procedimentos, pois já agora há “técnicos especializados” que ficam sempre nos lugares desejados em pseudo-concursos viciados à partida. E algumas outras “normalidades” que se começam a instalar com argumentos de “adequação” aos “projectos”, nomeadamente sob sugestão/aprovação de certos grupos de “consultores” na elaboração de “planos (inter)municipais”.

O Problema É Mesmo Dos “Conceitos”?

Mais de metade dos professores não compreendem conceitos do diploma da educação inclusiva

Não me venham com tretas. Isto cheira-me a um imenso esturro. Do género “não funciona, porque os professores são burros e não entendem a nossa conceptualização brilhante”. Porque uma coisa é ter problemas com a forma de “aplicar” as coisas ou de a explicar aos encarregados de educação e outra o não entender uma coisa tão básica como o “multinível” que se traduz apenas na possibilidade de, a qualquer momento um@ alun@ transitar de tipo de medidas de apoio. O que me parece a principal (única?) vantagem do novo modelo.

Um problema sério é quando existe quem, nas escolas, faz tudo para que o “multinível” não funcione porque isso lhe dá mais trabalho, mas é todo um outro campeonato que se agrava com a burocracia que implica (infelizmente) todo esse processo.

Isto é apenas mais um “contributo” para que se façam mais “formações” que só servem para replicar powerpoints conhecidos, mais slide, menos slide. Metam muit@s dess@s formador@s no terreno e nas EMAEI.

 

5ª Feira

Com a Saúde de rastos, com múltiplos casos na Justiça a chamuscar, mesmo que lentamente, gente ligada aos poderes que estão, com os indicadores económicos a fraquejar é necessário apresentar resultados e para isso nada como imenso spin sobre a Educação, um pouco como há quatro anos. Como suplemento, uma indecorosa colagem à jovem Greta  e a temas ambientais, em formato de fervor cristão-novo.

Hamster

As (Pré) Guerras Do PISA E A “Geração De 2003”

Penso que ao contrário da maioria do pessoal que (desde hoje!) escreve(rá) sobre os resultados do PISA 2018, eu sou encarregado de educação exactamente de uma petiza que nasceu em 2003 e apanhou com toda a tralhada com que mimosearam os alunos do Ensino Básico durante vários mandatos, incluindo as famosas “provas finais” do ministro Nuno Crato (mas também já apanhara revisões de programas no 1º ciclo das suas antecessoras). Assim como, desde o início do ano lectivo de 2015-16 apanhou com toda a retórica “anti-exames” e afins dos pedagogos da geringonça. E com ela, quem fez cá os testes PISA no início de 2018 já levou também com mais de 2 anos de governo do PS na Educação e a torrente do discurso verdascado em prol do sucesso a todo o gás,

Se são uma espécie de exame às políticas dest@ ou aquel@ ministr@? Seria bom que assim fosse e que isso se estendesse a todos os PISA e se fizesse a devida contextualização do trajecto do alunos que os fizeram em outros anos ou os venham a fazer em 2021, sem nada de peculiar na selecção das amostras (como parece ter acontecido em 2009). Porque precisamos que exista uma responsabilização pelo trabalho feito para além de se recolherem os louros quando corre bem e se sacudir a água do capote quando corre assim-assim ou nem tanto assim. Mas duvido que seja isso que venha a estar em causa, mas mais uma série de dedos a apontar para aqui e ali com muito oportunismo político e escassa mais-valia analítica.

A verdade é que desde 2000 os resultados dos alunos portugueses têm revelado uma melhoria consolidada. Mas isso não permite estabelecer relações de causalidade com medidas que não se relacionam com o que é examinado no PISA. Por exemplo, o encerramento de escolas do 1º ciclo tem alguma relação com o desempenho de alunos que nem sequer sejam dessas zonas? Ou as mudanças em programas de disciplinas que não foram as “examinadas” devem ser tidas em conta? E há mais “variáveis” que se andam a querer apresentar como relevantes quando dificilmente terão relações de causalidade.

A mim, sei lá porquê, quer-me parecer que andará a ser preparada uma enorme operação de spin e basta olhar para o programa de festas para se perceber que hoje já andaram lebres a saltar pelos campos. Resta saber se ainda levam chumbada nos lombos.

PISA will be published at 09.00 a.m. Paris time/CET (08.00 a.m. GMT) on Tuesday 3 December 2019.

OECD Secretary-General Angel Gurría will launch the report at an event at OECD headquarters, at 09.00 a.m. local time on Tuesday 3 December – full details below.

On Monday 2 December, news briefings will be held under embargo in (all local times):

Tuesday 3 December

To obtain an embargo copy of the report and country notes, journalists should contact embargo@oecd.org. Embargoed copies of the reports, together with country notes, will be issued 24 hours before the launch, in the morning Paris-time of 2 December.

Já agora, é curioso como muita gente que é contra “exames”, depois se queira agarrar aos PISA se lhes cheira que dá jeito.

PISA