Ameaça de Decisão Certa Com Base em Argumentos Insuficientes Ou Apenas Spin?

Não acredito muito na poeira de spin lançada hoje na última página do Expresso sobre um eventual veto presidencial ao decreto “unilateral” do governo sobre a recuperação de tempo docente.

Porque não acredito?

Simples: porque os argumentos usados surgem como sento apenas “políticos” e não envolvem – a acreditar na “notícia” – a parte jurídica de um projecto de decreto que é um desastre em pelo menos dois planos.

O primeiro é o que sublinha que assim existiriam diferentes formas de contabilizar o tempo de serviço entre os professores que leccionaram no Continente e os que leccionaram na RAMadeira (quanto aos Açores ainda não se percebeu), sendo que até terá sido esse o motivo de uma “consulta” governamental, antes apontada (em outra “notícia”) como razão do atraso para a publicação da legislação em causa.

O segundo, para mim talvez mais relevante do ponto de vista da pura maldade/incompetência jurídica do Governo/ME (sendo que me dizem que no ME há um jurista de 6 estrelas numa escala de 5) é o facto de promover ultrapassagens, com evidentes benefícios materiais para quem progrida em 2019 sobre quem já progrediu este ano, entre professores.

Penso que esta notícia poderá ser uma forma moderadamente habilidosa de justificar o atraso e até algum possível acerto na formulação do dito decreto (com combinação prévia com a Presidência), para evitar uma contestação jurídica que, se os sindicatos não fizerem, já há quem esteja disposto a fazer. Note-se ainda que metade do texto repete o que já fizera parte de uma peça anterior no mesmo jornal e, em termos substantivos, nada trazer de novo.

Ou então… como em tempos em que se atiravam os factos consumados para cima dos professores e depois logo se viam se eram legais (lembremo-nos que o actual PM é desses tempos e nunca o considerei vagamente compreensivo em relação à classe docente, para a qual se está nas tintas), o decreto sai mesmo em cima da quadra natalícia.

Exp10Nov18

Expresso, 10 de Novembro de 2018

(claro que o PR pode estar, finalmente, consciente do papel de idiota útil em matérias onde terá sido embarretado até aos pés, a terminar no “milagre de Tancos”)

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Quantum Leap

É curioso ouvir os “actores políticos” a falar do caso de Tancos (e da importância de saber o que se passou, quem esteve envolvido, etc) como se tivesse acontecido a semana passada e não hã bem mais de um ano. Ao fim destes meses uma coisa é certa: o público em geral e o presidente macselfie em particular têm sido embarretados a valer.

Quantum-Leap-COZI-TV

O Spin Municipalizador

Clamam-se divergências. Vai-se ao “específico” e percebe-se que a disputa é em torno de verbas para o equipamento das escolas. Havendo envelope financeiro, tudo avança como previsto e já está em vigor em alguns municípios. Anunciar que não há acordo (que foi adiado para 2019) e que os autarcas perdem poderes que nunca chegaram a ter é claramente um overstatement. A verdade é que o lobby autárquico está apenas a tentar ganhar mais com o negócio. O resto é fumaça, apenas fumaça.

fumaca

 

Onde Está Lista Com Os Outros?

No dia 24 de Setembro publiquei os dados relativos às dispensas para efeitos sindicais. Encontrei 337 nomes, 142 dos quais com 100% de redução, referentes a 18 organizações sindicais. Outros haverá, de sindicatos das regiões dos Açores e Madeira, que não aparecem nas listas de dispensas do concurso no Continente. Ontem, no primeiro dia da greve, o JN fez uma peça em que anunciou que “os professores, revelou o Ministério da Educação (ME), têm 23 sindicatos, sendo que 359 têm dispensa de serviço para se dedicarem à atividade sindical, 167 a tempo integral (0,1% da classe).”

O curioso é que esses números incluem os principais líderes sindicais que não aparecem nas listas de dispensas que estão acessíveis no SIGRHE apenas para as direcções escolares. . Dizem-me que, tal como professores destacados para funções políticas como as de deputados, esses fazem parte de uma outra lista que está inacessível ao comum dos mortais. Mas que o ME terá facultado ao JN. Eu gostaria que, já que a tutela decidiu libertar essa informação. o fizesse para todos, directamente interessados ou o público, em geral.

Ou bem que somos transparentes ou bem que não.

spin

A Nova “Estratégia”

É dizer, da boca para fora, que estimam muitos os professores, que são óptimos profissionais, que estão a fazer tudo para valorizar a sua profissão, que tudo é um enorme diálogo com toda a gente. Notou-se na 2ª feira com João Costa e hoje, na TSF, com Alexandra Leitão, embora estivesse mais interessada em “colar-se” a Marcelo Rebelo de Sousa “Professor” com quem ela aprendeu, colaborou e etc. Para que a opinião pública assuma que, a existir má vontade, é do “outro lado”, dos “inflexíveis”, por oposição a esta governação “flexível” na Educação.

Antes era a estratégia da indiferença, como que se não existisse nada problemático. Agora preferem aparecer como se tudo estivesse bem, na paz dos deuses, apenas existindo umas arestas periféricas a lixar.

Em qualquer dos casos, na sombra, os gabinetes de comunicação continuam a alimentar alguma opinião publicada com informação mais do que truncada e argumentos falaciosos.

Frade