Títulos Por Encomenda

A reforma dos professores é algo previsível, assim como o ME dispõe de dados sobre a tendência para muitas serem antecipadas. Nada fez quanto a isso e manteve (ou agravou) políticas míopes de gestão dos recursos humanos, obcecadas com as micro-poupanças de horas ou dias de trabalho dos professores.

Depois, manda cá para fora isto e a há quem faça o frete costumeiro (disfarçado de vez em quando com uma “notícia” vagamente desagradável por cada dezena de empreitadas).

Quem deixa os alunos sem aulas é a falta de planeamento estratégico deste governo e o facto das prioridades dos governantes desta área serem outras, passando em parte por dar a ideia que a culpa de tudo é dos professores “velhos”, enquanto cria em aviário uma nova geração de professores cuja formação inicial, na sua vacuidade, lembra a de gente habilitada para ser regente escolar em outros tempos.

JN, 5 de Outubro de 2021, Dia do professor

Gouveia E Medina

Gouveia e Melo fez sombra aos políticos e, mesmo não sendo de tendências militaristas, é minha convicção que fez um óptimo trabalho. Sei que há quem torça o nariz, mas a verdade é que há que reconhecer o mérito a quem o tem e nisso tenho dificuldade em regatear o óbvio e ir em busca teorias rocambolescas sobre as intenções do homem, onde vale de tudo um pouco sem qualquer tipo de factos substantivos que não sejam as pegadas da máquina mediática do costismo.

Sinceramente, acho que em tempos de falhanço autárquico, o costism quis entalar ou mesmo enlamear Gouveia e Melo na despedida, atirando cá para fora “notícias” que só servem para alimentar quem acha que Gouveia e Melo afinal e coiso e tal, e calhar é como um qualquer Medina.

Ora… que me desculpem, mas parecem-me duas figuras muito, muito diferentes. Um deles já terá certo um poiso europeu ou qualquer coisa reguladora ou regional que lhe cubra a falta de emprego, que não sabe ser outra coisa. O outro, que bem perceba, não está com falta de lugar.

Que se queira misturar tudo, pode ter algum interesse, mas há que saber identificar com clareza os asnos, para não cairmos nós na asneira.

Sábado

Almoço em família e com família, em local aprazível (mas a partir da 1.30-2.00 hiper-congestionado, já sem quaisquer restrições), mas não convém explorar gastronomias, que pode parecer mal. Algumas leituras (Amin Malouf, Le Naufrage des Civilizations; Elif Shafak, 10 Minutes, 38 Seconds in This Strange World) para limpar sinapses no arranque de mais um ano de embrutecimento burocrático e paralisia intelectual, cortesia do feudo da pedagogia-patchouly dominante no ME. Um dia ainda me dizem que foi a Escola da Ponte que inspirou Summerhill e que foram o doutor Domingos Fernandes e a doutora Ariana Cosme que conceberam o DUA (pesquisem por UDL – UDI ou UID – e Ronald Mace e percebam que a coisa tem já uma barbas bem crescidas).

Musaranho por lebre e pombo comum por faisão são os pratos que nos andam a servir como se fossem a última tendência gourmet.

4ª Feira

Muita conversa acerca do aumento do número de candidatos ao Ensino Superior e da decisão de aumentar as vagas disponíveis. Muita propaganda em torno disso como se fosse o resultado de uma política planeada, o que seria paradoxal atendendo à surpresa mostrada. O aumento de candidaturas é natural devido à conjugação de dois factores: o aumento da escolaridade para 12 anos em 2009 e a evolução dos resultados em exames nacionais, em especial os do ano passado, que permitiram que muito mais alunos estivessem em condições de ingressar nas Universidades e Politécnicos.

Quanto ao aumento de vagas, pelo que se vai percebendo, resulta em parte da conversão para o contingente geral de vagas que estavam reservadas a contingentes especiais, como o dos estudantes estrangeiros em diversas instituições. Perante os efeitos da pandemia na menor mobilidade dos alunos, é previsível que parte dessas vagas fique por ocupar, pelo que serão redireccionadas.

Note-se ainda que nada de concreto se sabe, pois o mais certo é estarem á espera de saber o número de candidaturas, para só depois decidir que vagas passam para o contingente geral. Ou seja, as vagas não aumentam, apenas mudam de destinatários e só quando se perceber até que ponto se reduzirá a procura por alunos estrangeiros, muito atractiva porque pagam propinas bem mais elevadas do que os estudantes nacionais.

O resto não passa de fumaça.

E Se Começassem Pelo Principal?

Muitas crianças comem mal, mas não necessariamente (ou apenas) por aderirem à fast food. Comem mal, porque há pouco dinheiro para usar ingredientes saudáveis de forma sistemática, a começar por casa e continuando em algumas refeições escolares, que podem ter os valores nutricionais do cânone, mas são um atentado aos sentidos, porque devem ser o mais baratas possível para o Estado. Porque entre nós, há muito boas intenções, mas raramente se quer pagar por isso.

Lá por fora, há quem tenha percebido um pouco mais do que os lunáticos cá do asilo e tenha identificado a “fome do fim de semana” e tenha procurado combater o problema mais perto da origem. Mas por cá, o costume é anunciarem-se medidas que impliquem poucos custos, que os mesmos sejam muito diluídos no tempo ou que, passado o impacto mediático, sejam adiadas até aos limites do razoável.

Parece que queremos uma escola de “virtudes”, para educarmos a Mulher e o Homem Novo do século XXI. Não me levem a mal, mas essa é uma atitude que me cheira a ranço, se me é permitida a analogia desagradável.

END WEEKEND HUNGER IN YOUR COMMUNITY

WEEKEND HUNGER BACKPACK PROGRAM

Hand2Hand provides food for kids facing weekend hunger in West Michigan.

Children in our community are going hungry

SILENCING WEEKEND HUNGER

(eu prometo, já agora, que começo a emagrecer quando um certo governante, mais jovem que eu, deixar de inchar; literalmente, nem estou a falar necessariamente em termos metafóricos…)

5ª Feira

Na onda dos desagravos publicados acerca dos resultados obtidos pelas escolas TEIP, surgiu ontem prosa de duas “consultoras com uma larga experiência de trabalho com estas e outras escolas, noutros programas e noutros projetos”, de seu nome Ariana Cosme e recusamos qualquer abordagem linear e algoritmizada do trabalho que se realiza em tais contextos escolaresDaniela Ferreira. Por uma questão de rigor é bom que se refira que a primeira é efectivamente uma das cortesãs habituais dos costismo educacional, mas a segunda é ainda uma jovem com largo caminho a decorrer, mesmo se promissor pelo currículo “a decorrer”.

Quanto à substância, nada contra as escolas TEIP e quem lá trabalha, apenas algumas reservas quanto a quem vive à conta delas em regime de consultoria alongada. Porque o que a doutora Ariana Cosme parece não perceber é que as últimas pessoas confiáveis em relação à avaliação de um projecto são aquelas que deles dependem como “consultoras”. Vamos esperar que quem está na origem de certos “projectos” e se alimenta deles em regime de consultoria venha dizer que não estão a correr bem? Para isso era previso uma enorme coerência intelectual que não é traço comum ao costismo educacional. Porque é curioso que se recuse “qualquer abordagem linear e algoritmizada do trabalho que se realiza em tais contextos escolares” a quem está bem com isso se a coisa se aplicar aos professores e a outras métricas de eficácia ou sucesso.

Eu sei que a corrente a que as consultoras pertencem é a das “visões holísticas” (basta ler este “manual”, que reúne grande parte do pessoal do costume, para ver quantas vezes a expressão surge), mas também é da obsessão com a “monitorização” (no mesmo “manual” é ver o número de menções) em grelhas, grelhinhas e mais coisas daninhas que pouco diferem, na lógica, da “algoritmização” da Educação. O problema é que estas doutoras consultoras são contra abordagens lineares e algoritmizadas quando se trata de resultados, mas não o são em matérias de controle do trabalho dos docentes e do registo dos “progressos” (reias ou fictícios) na implementação dos tais projectos a que dão consultoria.

Eu compreendo que se defenda o que nos pagar a “vidinha” com as unhas e os dentes que seguram o pão para a boca (ui… que eu dou meças em matéria de conversa da treta e lugares comuns a qualquer uma). Até quase compreendo que se esteja na origem de projectos em equipas de apoio ao ME e depois se façam livros (comerciais) acerca desses temas quase em tempo real da publicação das leis e ainda se facturem consultorias. Como disse, trata-se de ganhar a “vidinha”. O que tenho dificuldade em compreender é que esperem que as levemos a sério quando se armam em analistas ou observadoras “independentes”.

A Montra E O Miolo

Primeira página do Público:

A notícia (só tenho o destaque, pelas razões que há dias expliquei, pois não dei qualquer opinião).

Ministério da Educação revela resultados do inquéritos feito a professores. Entre os docentes consultados pelo PÚBLICO há uma nota que sobressai: as AE carecem de revisão urgente.

Nunca esperei que a “avaliação prometida pela tutela” fosse abaixo da xalência. Até porque as “consultas” são sempre muito “focalizadas”. E há uma enorme acção de propaganda para tentar influenciar a opinião pública. Se em si a propaganda já é algo que tende a distorcer a realidade para provocar a adesão de quem a consome, neste caso é de assinalável desonestidade intelectual.

As AE são um “programa mínimo” que nos deveria embaraçar a todos (não apenas aos más-línguas como eu) se é para as considerar um horizonte para as aprendizagens a realizar.

A Sério?

Duvido seriamente das aparentes certezas e o que observo e me é relatado fora de acções de propaganda é no sentido contrário. E só quem não entende que um desfasamento de seis ou mais meses na leccionação de uma disciplina significa um corte muito significativo é que pode achar que deixar uma disciplina no fim de Janeiro e retomá-la em meados de Setembro é boa ideia.

Sim, eu sei que por semestralidade se pode entender a organização do ano em dois semestres, mas não nos podemos esquecer da outra aplicação da semestralidade. Ou que a passagem de três para 2 momentos de avaliação formal se acabou por traduzir em muitos lados por quatro momentos de avaliação, mesmo que dois tenham outra designação.

No curto prazo, da avaliação instantânea, até poderá parecer que funciona, mas a médio prazo percebe-se que é necessário no ano seguinte estar a fazer uma – aqui sim – recuperação ou consolidação mais demorada das aprendizagens anteriores.

Não digo que não tenha algumas vantagens em termos de organização de horários, mas em termos de “aprendizagens” dos alunos, mantenho as minhas sérias reservas.

Aliás, para se verificar se acham que é mesmo assim, que as aprendizagens ficam a ganhar, e que esta não é uma medida destinada apenas ao que se consideram disciplinas “menores”, proponha-se lá a aplicação da semestralidade( no sentido da sua leccionação em alternativa) na Matemática e no Português.

Vantagens do modelo semestral, que já existe em 95 agrupamentos de escolas, são assinaladas por directores, professores e alunos. Na apresentação do plano de recuperação das aprendizagens, o ministro garantiu que calendário escolar completará esta hipótese.

O Esperado Desconforto

Esperei para ver como o Governo Sombra iria tratar a questão da nomeação do pedro Adão e Silva para comissário do PS para as comemorações do 25 de Abril e a coisa correu de modo ainda mais curioso do que esperava.

Se o Carlos Vaz Marques é rapaz das minhas idades, os três comentadores são da geração do comissário PAS e fazem parte daquela tertúlia alargada de opinadores em vários espaços da “arena mediática” que partilha de uma série de elementos comuns, que não apenas a idade. Embora com três posturas com tonalidades diversas, a verdade é que desde o mais crítico (um João Miguel Tavares que se deve lembrar das críticas que mereceu por causa do 10 de Junho recente) ao mais complacente (um Ricardo Araújo Pereira com sérios problemas em articular um argumento minimamente consistente sobre o tema), todos decidiram confluir no acessório (e não estou a armar-me em JPPereira). Pu seja, que a questão só surgiu por causa do Porto Canal, do salário do comissário PAS e da dimensão a que pode chegar a equipa de apoio.

Ou seja, entraram pelas questões que se poderão caracterizar, pelos defensores de PAS (papel desempenhado em boa parte pelo RAP e em menor escala pelo Pedro Mexia), como as relativas à “inveja”, não faltando a referência às mal amadas “redes sociais”. Só o JMT recordou o currículo político de PAS, em especial do seu proselitismo socratista, deixando de lado a assessoria a Paulo Pedroso no ministério da Segurança Social. RAP até disse que era interessante terem nomeado alguém nascido em 1974 (o próprio RAP nasce um pouco depois do 25 de Abril, pelo que percebo a afinidade). Com um ataque de amnésia oportuno, parece ter-se esquecido de tudo o que PAS escreveu durante muito tempo, mesmo em períodos recentes, de acordo com a cartilha do PS governamental, mesmo se isso significava mentir sem pudor acerca de vários temas (e ocorre-me um, bem em particular).

Estranhamente, ninguém falou – ou fez isso muito, muito de raspão – na adequação das competências do comissário PAS ao cargo. Porque o trajecto académico de PAS – em especial das reveladas na sua tese sobre o impacto económico do surf ou na de doutoramento sobre políticas públicas europeias. Parece que PAS é simpático, conhece muita gente e almoça com quase tudo o que mexe, tendo estabelecido uma rede de cumplicidades que amarra algumas línguas, tão viperinas quando se trata de nomeações de gente menos dada ao convívio social, aos petiscos e aos comentários futebolísticos.

Ora, a minha crítica não nasceu do salário ou equipa de apoio (acho que a ocasião justifica que quem fique com a função seja bem pago e apoiado) ou de ver uma reportagem no Porto Canal (que não vi, porque é canal que me passa ao lado, como qualquer um ligado a clubes, incluindo o do Sporting), mas sim de achar que Pedro Adão e Silva não tem o perfil mínimo para tal função, excepção feita a, pelo que foi dito, almoçar e jantar com muita gente e ser um tipo simpático. Vamos lá deixar-nos de tibiezas: PAS vai ser um comissário político para as comemorações e não adianta vir dizer que já houve outros no passado (até foram à Comissão de Descobrimentos para “limpar” a actual nomeação); vai ter boa imprensa, porque ele aparece em quase todo o lado e tem lugar residente um pouco em todos os sítios; quem levantar reservas é porque tem inveja do salário e das mordomias ou é do FCPorto. O cenário está montado e faz lembrar outros tempos de intoxicação mediática.

Eu não sou dos que acha que deveria ser um “historiador com vasta obra reconhecida” sobre o tema ou parecido. Sou dos que abominaria tanto um Fernando Rosas como um Rui Ramos na função, porque são líderes de facção. Mas não me chocaria um mais discreto António Costa Pinto, por exemplo, já que não temos entre nós um Medeiros Ferreira. Alguém que, mesmo conhecendo-se as afinidades e inclinações, não tivesse um passado conhecido de deturpação consciente dos factos e de tentativa de construção de uma memória falsa de alguns acontecimentos. Isso é que é importante. Se recebe 4500 euros por mês é o que menos me chateia e se querem que vos diga até acho muito pouco, se compararmos com o balúrdio que vão pagar à esposa do ministro Cabrita por coisa de muito menor relevo. Se vai ter um gabinete de 14 pessoas a apoiá-lo? Desde que não sejam mini-PAS, sempre de cabecinha a dar a dar durante muitos anos perante as piores tropelias, tudo bem. O problema é se são apenas um bando de cartilheiros ou “abrantinos” a quem é preciso recompensar serviços prestados.

Voltando ao Governo Sombra. Percebi onde estão as linhas vermelhas ou as linhas de desconforto. É que o desconforto foi tal que nem uma tirada com piada conseguiram produzir acerca do tema. Quer dizer… eu ri-me com aquela de PAS já ter almoçado com quase toda a gente. Qual gente?

A Moínha

(eu sei que agora se escreve “moinha”, mas eu ainda a pronuncio como sempre pronunciei…)

Eles vão moendo, moendo, quase sempre com o mesmo tipo de objectivo e vão conseguindo, a pouco e pouco, causar uma erosão que se torna irreversível.

A porta é aberta um bocadinho por uns que dizem que fica por aí. Os que se seguem, escancaram-na e dizem que não foram eles que a abriram.

Tem sido assim em quase tudo e só não percebe quem não sabe (ou não quer saber, ou faz-se de desentendido) que “el@s” fazem parte da mesma tertúlia e não pensam de forma muito diferente acerca de assuntos como a gestão escolar, a carreira docente, a “avaliação do desempenho”, a desregulação dos concursos em articulação com a municipalização e todas essas matérias em que, na verdade, nunca existiu qualquer reversão ou inversão, apenas desilusão.