Cooptações e Camaleões

Centeno foi cooptado pelo Ecofin/Eurogrupo naquela estratégia conhecida de sedução dos que podem desalinhar um pouquinho mas são, no fundo, compinchas que só querem ser reconhecidos pelos “pares”. A geringonça assustou até ao ponto em que se percebeu que a “responsabilidade” é coisa muito querida aos tugas que querem ser bem vistos lá fora. Agora que se está já em rampa de partida para a campanha eleitoral de 2019 e começam a apertar algumas reivindicações temerosas dos “radicais”, a Europa recompensa o “responsável” Centeno que, em contrapartida, não pode “responsavelmente” presidir a um órgão do qual possa discordar dos princípios básicos. A escolha de Centeno é uma forma de prisão para Portugal e, de modo pouco subtil, um apoio evidente à manutenção de Costa no “caminho certo”. Como tantos outros, Centeno vai querer ser um “bom aluno” e (qual professor chegado a um gabinete de uma direcção-geral que começa logo a  defender os interesses “superiores” da Educação contra os “corporativos”) defender os interesses da “Europa”, da “estabilidade, etc e tal.

Ondas

(para qualquer eventualidade o nosso bilderberg man também já cooptou aquele que quer ver “responsavelmente” a presidir ao PSD…)

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Uma Mão Cheia de Nada, Outra De Coisa Alguma

Depois dos opinadores de serviço e da sua barragem de desinformação, chegam-se à frente os governantes com os seus “argumentos”. O giro é que para umas coisas os professores são funcionários como quaisquer outros (sempre que é para cortar direitos a eito), mas para outras já têm carreiras diferenciadas e especiais (quando é para evitar repor esses mesmos direitos).

Nas prometidas reuniões com os sindicatos dos professores e quanto à possibilidade de o Governo vir a considerar o tempo em que a carreira ficou congelada, Maria Manuel Leitão Marques diz, em entrevista ao Negócios e à Antena 1, que a única promessa que o Executivo faz “é ouvir” e “procurar um entendimento”.

Ouvir e “procurar” um entendimento. Não é alcançá-lo. O que se passou foi um adiamento do conflito.

Maria Manuel Leitão Marques não é uma governante qualquer. É ministra da Presidência. Vem de longe. Partilhou de forma activa as políticas do engenheiro e nunca viu nada de errado no que se passava em seu redor. Agora, é alguém que quando fala traz consigo a versão oficial do governo, não lança bitaites. É uma espécie de Vieira da Silva para estas matérias. Ao pé dela o ME é um aspirante a aprendiz de feiticeiro.

E, claro, repete, algo que objectivamente é falso, porque existem três pontos de estrangulamento na progressão na carreira dos professores. Ela finge que não sabe. É desonesto.

De resto, explica, no caso dos professores, o tempo que demoram a atingir o fim da carreira é quase o equivalente a um terço do tempo necessário para um funcionário público normal. “É bom ver também as diferenças que existem”, lembra a ministra.

Progressão

Topos de Carreira

Porque tem havido imensa desinformação acerca do “topo” salarial da carreira docente, comparando a sua extensão no tempo a outras carreiras da administração pública, é bom que se tenha o cuidado de ver com atenção se os valores são idênticos.

Deixo em seguida os quadros relativos ao 9º (o topo real da carreira docente neste momento) e o 10º escalão (mítico patamar que talvez alguns consigam alcançar com o descongelamento) da carreira docente e o quadro da tabela remuneratória “única”

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Não é bem a mesma coisa, certo?

As Pós-Verdades do Observador, Muito Repetidas, Apenas Me Fazem Pensar Que ao JMFernandes Também Bateu um Síndrome Qualquer

Isto não é verdade, nem vale a pena explicar, porque quem não quer perceber, nunca perceberá. Ou melhor, até percebe, só que a sua agenda ideológica não lhe permite ir mais além do que a repetição acéfala das mesmas vacuidades.

Os professores pedem progressões automáticas como as de outros funcionários públicos, mas nem sabem como tal é injusto quando pensamos no mundo real e não protegido dos trabalhadores do sector privado

(…)

Neste ponto há diferenças para o resto da administração pública onde a “progressão automática”, sem esforço, só pode ocorrer, na melhor das hipóteses, de dez em dez anos. Fora desse automatismo funciona o mérito, mas o mérito é algo que os professores sempre se opuseram a medir.

Isto é objectivamente mentira. É falso. Se o José Manuel Fernandes decidiu enterrar de novo a cabeça em cheio na “nogueirização” das questões docentes é lá com ele, mas esperava mais (sim, a sério que até esperava), nem que fosse um pouco mais do que rigor do que é a média de um mstavares sem arreios.

Este tipo de acrimónia é de uma enorme desnecessidade e apenas parece que alguém perdeu o tino por completo. Os professores não são avaliados? A sério? Os resultados dos alunos não contam para nada? Mas então não têm subido de forma consecutiva nos últimos 20 anos em testes internacionais? Não interessa.

O mais curioso é que José Manuel Fernandes e todo o séquito de observadores desdenha de todos os números do governo do PS e em especial dos das Finanças, mas quando se trata de contabilizar os custos da progressão dos professores, os 650 milhões já são aceites sem crítica.

Se consultarmos o Perfil do Docente mais recente (2015/16) constataremos que os professores dos quadros são pouco mais de 103.000. JMFernandes escreve que “serão mais 650 milhões de euros em salários de funcionários públicos”. Ou seja mais de 6.300 euros anuais para cada professor (.c, 500 por mês).

Não faço ideia se isto é mesmo assim… mas não me parece bater muito certo. Isso significaria que todos os professores teriam de ser posicionados, no mínimo, 3 a 5 escalões acima do que estão neste momento. A diferença, por exemplo, entre o 3º escalão (onde estão estacionados muitos professores com mais de 20 anos de ensino) e 5º escalão não chega a 300 euros mensais (ver aqui a estrutura salarial e de escalões da carreira docente). Em relação ao 6º escalão é de c. 364 euros. Só para o 7º escalão (4 escalões acima) a diferença mensal bruta dá valores que podem dar razão aos números das Finanças. Salvo para os docentes no actual 5º escalão (o degrau de 2 anos que foi enfiado na carreira para atrasar tipos como eu), o tempo de congelamento implicou a perda de dois escalões na carreira, no máximo de três.

O problema do governo é o pessoal que está no actual 9º escalão e tem condições para aceder ao mítico 10º escalão criado por Sócrates para iludir os titulares criados pela sua ministra de estimação (a da festa da Parque Escolar, onde nunca percebo se JMFernandes acha que muitas centenas de milhões foram enterrados com “mérito”, por exemplo no grupo LENA). As várias tentativas para empurrar esse pessoal para fora da carreira ainda não conseguiram reduzir o número de forma considerada suficiente.

E estamos a falar de valores brutos… nunca de valores líquidos (sim já me disseram que as “contas públicas” parecem não contar os impostos dos funcionários do Estado como receita, mas isso é uma treta). A verdade é que, em termos líquidos, a despesa do Estado com o reposicionamento dos docentes, dificilmente ultrapassaria em muito os 400 milhões de euros e se fosse diluída no tempo (4-5 anos), poderia ser de 100 milhões por ano.

Peanurs, peeners, alcagoitas, se compararmos com os empréstimos do vara na cgd.

Mas isso, a JMFernandes não interessa nada. Porque a sua raiva em relação aos professores consegue ser mais forte do que o seu combate ao governo da geringonça.

É obra!

Um Telejornal, Pelo Menos Dois “Factos Alternativos” (=Mentiras)

Na RTP1, a completar a reportagem sobre a manifestação junto à Assembleia da República (em que Mário Nogueira anunciou uma vitória a ocorrer não sei quando), apareceu uma “explicação” sobre a situação da carreira docente que contém duas “inexactidões factuais”, qualquer delas desnecessária, depois de tudo o que tem sido dito e redito

A primeira:

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Não são apenas 7 anos, porque se acumula a este congelamento o de mais 2 anos, 4 meses e 2 dias de 30 de Agosto de 2005 a 31 de Dezembro de 2007.

A segunda:

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Não existe qualquer professor em exercício que chegue, com as actuais condições, ao topo da carreira (actual 10º escalão) em menos de quase 45 anos de serviço e isto só é válido para quem em 2010 já tinha chegado ao actual 9º escalão. E quando se fala que na questão do “mérito” para comparar com o resto da administração pública metem os pés pelas mãos, porque os professores (para o bem e o mal) uma avaliação do desempenho docente com classificações e quotas de progressão no acesso ao 3º e 5º escalão. Há professores em exercício com mais de 34 anos de serviço que estão a 2 ou 3 escalões do referido “topo”, bastando para isso terem tido “azar” no timing das progressões anteriores. E esse “topo” é uma coisa mítica, usada apenas para aldrabar estatísticas sobre as remunerações dos professores.

Quanto ao facto do actual PM ter contabilizado o “impacto orçamental” da reposição integral do tempo de serviço docente, a ser verdade, apenas dá conta da extensão do esbulho partilhados por todos os governos desde 2005.

Repetir uma Mentira para Parecer Que é Verdade

A SICN continua a afirmar (acabei de ouvir no noticiário das 15.00, enquanto às 15.07 até foram desenterrar declarações de MLR em 2008) que os professores pretendem a contagem integral do seu tempo de serviço e pagamento de retroactivos. Esta última parte é completamente falsa. Nem os mais “radicais” alguma vez pediram isso, como é se vê no texto da petição que agrega as reivindicações actuais. Ou no próprio cartaz de apelo à greve.

Greve15nov

Porque insiste a SICN na mentira?

Grande jornalismo.