Para Quando Um Plano De Não-Retenção No Ensino Superior?

Porque é um desperdício de meios financeiros e capital humano o que se anda a passar ,pois mesmo em licenciaturas bolonhesas (não estamos a falar de Medicinas ou coisas assim), nem metade dos alunos as completa com um percurso directo de sucesso em 3 ou 4 anos. Penso que este insucesso poderia ser combatido com um PNPSE para o Ensino Superior, ao qual se deveria estender a lógica dos PIPP. Porque é sempre possível às instituições e aos professores trabalharem mais com os alunos e diversificar melhor as suas metodologias e abordagens pedagógicas.

O estudo da DGEEC de 2018 é o seguinte:

PERCURSOS NO ENSINO SUPERIOR
Situação após quatro anos dos alunos inscritos em licenciaturas de três anos

Há muitos dados interessantes, mas este quadro é um resumo bem revelador do flagelo do insucesso escolar no Ensino Superior, sendo que o dinheiro dos contribuintes não é infinito e deveriam existir medidas para estancar esta hemorragia, pois o custo por aluno é elevado e não sei quantos milhões poderíamos poupar para outras áreas da governação como a promoção do Turismo ou os incentivos fiscais para aposentados estrangeiros que se fixem no país. Ou para chineses com cartões de crédito dourados.

EnsinoSuperior

E para quem diz que a nota de ingresso não prevê o desempenho dos alunos, embora possam ter razão nas excepções, não a têm na regra, como bem se pode ver.

EnsinoSuperior1

Mas, claro, devemos esquecer esse método arcaico e ineficaz de “selecção” dos alunos.

Demagogia Sonsa Em Três Frases

Afirma o SE Costa a abrir o boletim Noesis deste mês:

Um sistema de saúde deve ter como objetivo a prevenção de todas as doenças.
Um sistema de segurança deve ter como objetivo a erradicação de todos os crimes.
Será assim tão estranho que um sistema educativo tenha como objetivo a erradicação do insucesso?

Não, não é estranho, embora eu pensasse que o objectivo central seria a constante melhoria da aprendizagem dos alunos o que podemos definir como “sucesso”, mas não necessariamente como ausência de retenções.

Mas o que é mais demagógico é que:

  • No sistema de saúde não se culpam os enfermeiros e médicos se os doentes não curarem as doenças por não cumprirem as prescrições ou se voltarem a ficar doentes devido a comportamentos inadequados. E a maior parte dos doentes nas urgências são de condição socio-económica mais desfavorecida.
  • No sistema de segurança – embora exista momentos em que há quem entre nesse caminho – não se culpam os polícias pela reincidência de actos criminosos ou se os proíbe de prender quem os pratica (bem… aqui até há quem ache que…). E a maior parte dos criminosos presos são de condição socio-económica mais desfavorecida.
  • Já agora, no sistema de justiça acusam-se os juízes pela reincidência de réus condenados e aconselha-se que os crimes fiquem por punir (não falo, claro, daqueles que nasceram para serem arquivados), em especial os daqueles que são de condição socio-económica mais desfavorecida.

No caso da Educação, os primeiros suspeitos pelo insucesso são os professores, em especial os não-pipis ou aqueles que não amocham perante a cartilha da desresponsabilização da sociedade envolvente pelo combate às desigualdades ou dos alunos pelo seu desempenho ou da demagogia sonsa do SE Costa.

Porque é disso que se trata: de pura e sonsa demagogia que promete o mais fácil e populista, como se quem insiste em apontar falhas à prática fossem apenas pessoas sem princípios, sensibilidade ou sem o maior respeito pelos alunos que fazem o melhor que sabem e conseguem. Pelo contrário, é o respeito pelos alunos e por não os mistificar com um sucesso de pacotilha, fabricado em laboratório, que faz com que ainda há quem resista a estas investidas a transbordar de infernais boas intenções.

Que pena o SE Costa não aplicar toda a beleza dos seus princípios de justiça social e a sua subtileza retórica na crítica ao modelo de legislação laboral que afasta as famílias dos seus educandos, de um modelo de proto-desenvolvimento económico que mantém Portugal com um dos maiores níveis de pobreza e desigualdade social da UE ou da regra do trabalho precário com baixos salários como factor de “competitividade”.

Quanto anos de governo e a esse nível só desabafos assim como que se fossem em privado para centeno não ouvir. Não chega e revela falta de coragem política.

Porque a Escola e a Educação podem muito, mas não podem tudo. E é tudo o que lhes é pedido por alguns. Que, como uma certa antecessora, apostam tudo na conquista da “opinião pública”.

JCosta1

O Expresso De Sexta Quase À Meia Noite

Onde se podem tirar dúvidas sobre o que foi dito efectivamente. E onde, como disse quando recebi o inesperado convite, iria estar quase sempre numa proporção de 1 para 3. Mas antes isso do que todos a empurrar para o lado da demagogia.

Do ME ninguém aceitou ir, deixando de forma pouco corajosa para a presidente do CNE o ónus de defender o que outros assumem apenas pela metade; já a recusa do ex-presidente do CNE, David Justino, se compreende à luz do que ele defende e do que foi a intervenção do líder do seu partido no Parlamento. Ou foram só mesmo questões de agenda, claro.

Redução dos chumbos escolares

ExpMeiaNoite

Haverá Maior Demagogia…

… do que prometer o fim das retenções no Ensino Básico e garantir que isso pode levar a poupar centenas de milhões de euros, pois basta as escolas e os professores trabalharem mais e melhor, dando a entender que só há chumbos porque as escolas trabalham mal e os professores trabalham pouco?

Como demagogos, o António, o Tiago e o João (com bastantes “âncoras” por aí, do Bloco ao PSD, admito) não são muito sofisticados, mas têm uma “narrativa” populista razoavelmente eficaz.

fantastic2

Este Homem Quer Ficar Na História

(não sei bem se como o coveiro da escola pública e o grande impulsionador das alternativas privadas…)

Tiago Brandão Rodrigues: Não haverá “eliminação administrativa” de chumbos, mas mais trabalho com alunos

Mais trabalho com os alunos?

Porquê? Os professores trabalham pouco, é isso? Não se esforçam? O ministro Tiago pensa assim? Não terá sido por causa de tantas reuniões com quem não dá aulas?

E já agora, como? Seduzindo-os? Forçando-os a ir às aulas ou a outras actividades? O ministro Tiago oferece-se para demonstrar como se faz, mas sem escolher escola e turma? Pode trazer o SE Costa com ele?

E, já agora, assumir o fim das provas finais de 9º ano.

Claro que já apareceu o do costume a reclamar a paternidade da criança.

METiago