Mas Temos Um Défice de 0,2%!

Até parece que alguém na actual geringonça afirmou que havia vida para além do défice e que as pessoas é que importam.

Portugal apresentava em 2017 uma taxa de 23,3% de pessoas em risco de pobreza ou exclusão social, acima da média da União Europeia (UE 22,5%) mas 2,7 pontos abaixo da de 2008.

Analisando os componentes do indicador, no último ano estavam 18,3% de pessoas em risco de pobreza monetária (após as transferências sociais) em Portugal, acima da média europeia (16,9%).

Patinhas

Num Agrupamento”Flexível” Perto de Si

Daqueles “inovadores” desde o primeiro momento, com puffs e rodinhas mail’as visitas de dignitários para fotos na imprensa, mas depois sem aquilo que permite comprar melões.

RedeRifas

(e depois querem-me convencer que, coiso e tal, isto por cá vai ser uma maravilha de não sei quê, como se fossemos muito escandinavos, só porque há quem faça viagens a países ricos e que não têm pinhos e bavas em cada esquina a sugar o tutano…)

O Paradoxo Seria Irremediável…

… se esta malta tivesse algum pudor e uma vaga preocupação em usar argumentos coerentes.

Porque são exactamente os mesmos que dizem que todos os alunos podem atingir os mesmos objectivos que depois aparecem a propor coisas curriculares giras e “ligadas ao concreto” ou que sejam “interessantes para os alunos” para que o sucesso seja garantido.

E, já agora, o pior preconceito é aquele que, para pretensamente ajudar quem é “discriminado” por razões sócio-económicas, pretende desenhar soluções curriculares “funcionais” que garantam o “sucesso para todos”, sabendo nós que isso irá esbarrar, fora da escola, com a triste realidade da falta de oportunidades para quem fica estigmatizado exactamente por essas soluções que nada garantem para além do triste e velho saber (mal) “ler, escrever e contar” (se possível com a ajuda da calculadora).

Quem quer mesmo ajudar os “coitadinhos” procura que eles deixem de o ser, não com condescendência e não acreditando – na prática – nas suas capacidades, mas sim com trabalho no sentido de eles conseguirem o melhor desempenho.

Tonecas

Como Estou Bem Disposto, Explico Devagarinho

Os alunos que chumbam no 7º ano com uma “porrada” de negativas é porque:

  • ou nem colocam os pés nas aulas, mas o sistema limpa-lhes quase por obrigação a falta de assiduidade, desde que o DT faça um relatório para a CPCJ que depois o arquiva e @ jovem apareça de vez em quando na escola (sim, tenho exemplos concretos e não são apenas anedóticos, são recorrentes e sim, no ano seguinte fazem exactamente a mesma coisa e as parentalidades ausentes continuam);
  • ou vão lá – no intervalo dos intervalos, quando já se entediaram tanto de andar ali por fora, da escola ou das salas – só para gozar com tudo o que mexe, a começar pelos colegas, estando-se positivamente borrifando para o “sucesso” porque esse, por muito que choque as vestais do sistema, se mede por outros critérios.
  • ou os professores já passam toda a malta que esteja no limiar, pois ninguém pensa sequer passar um aluno com o “limite” de negativas, porque depois há recursos e o cliente tem sempre razão.
  • ou são casos residuais, com um azar do caraças com o CTurma que lhes calhou.

Já agora… a conversa do “tadinhos dos pobrezinhos, que chumbam muito mais” começa a aborrecer um bocado, pois a lógica subjacente é… os professores discriminam os alunos que têm menos meios económicos. Se isso acontece? É capaz de acontecer, mas se calhar é bem mais residual do que se quer dar a entender e a DGEEC poderia antes explicar que os alunos já chegam em desigualdade de oportunidades ao portão da escola e muitos milagres já lá se fazem. E, embora saiba que está fora das suas competências, fazer umas propostas para que não se tenha de resolver tudo, mesmo na base do fingimento, dos portões para dentro das escolas.

Não é de agora que me chateia este tipo de conversa pretensamente “bem intencionada” e que vem “denunciar” o que se dá a entender serem práticas discriminatórias das “escolas” e, com greve no horizonte, dos professores.

Por fim, a mim causa sempre alguma estranheza os relatórios oficiais que aparecem sem ficha técnica. Gosto de saber quem é que, exactamente, escreveu o quê, em especial quando são tiradas de natureza política em trabalhos apresentados como técnicos. É esta uma questão acessória, atendendo ao dramatismo dos dados? Nem por isso, porque eu não tenho acesso aos dados de base do estudo e sem saber quem os analisou, não tenho elementos para saber tudo o que preciso sobre a credibilidade da coisa em si.

E a modos que é assim à 6ª feira… um tipo fica sem filtro. Mentira. Ainda com muito filtro, porque se contássemos toda a porcaria que o sistema apaga na busca de produzir “sucesso”, até a barraca abanava.

omo

(vou ter de ler em profundidade as 72 páginas… devo ter falhado a recomendação para dar mais “formação” aos professores… “formação contra a discriminação”…)

O Quê???

Há várias coisas nas declarações constantes desta notícia que me deixam assim a modos que com vontade de dizer uns disparates. Eu transcrevo e nem sequer comento, para não me exceder mesmo. Ainda bem que não aparece (explicitamente) a necessidade de “formação” de professores para o efeito.

Escolas vão combater a pobreza

(…)

“É uma luta de 25 anos. Sempre soubemos que não se podia erradicar a pobreza sem começar pela educação nas escolas, mas, a verdade, é que houve sempre uma barreira intransponível, no Ministério da Educação, à abertura de portas para este trabalho com os jovens para a igualdade, cidadania e sensibilização”, disse à Lusa Jardim Moreira.

“Finalmente tornou-se possível. Hoje recebemos a promessa do ministério de que dentro de quinze dias a três semanas vai ser assinado o protocolo nacional que nos permitirá, a partir do próximo ano letivo, entrar em todas as escolas do país”, congratulou-se.

Para Jardim Moreira “será um passo de gigante, permitindo mudar mentalidades e criar gente jovem a participar na construção de uma sociedade renovada”.

Jardim Moreira falava no âmbito do debate “O futuro começa agora”, promovido por aquela instituição e que envolveu 200 alunos, entre os 13 e 17 anos, de 15 escolas e instituições entre Bragança e Niza, que decorreu no auditório do Museu Soares dos Reis, no Porto.

Implantada em todos o país, o passo seguinte da EAPN- Rede Europeia Anti-Pobreza/Portugal, segundo o seu presidente, será “cativar os professores aderentes para que tenham formação e, assim, poder colaborar com os jovens nas escolas”.

“Não vai haver dinheiro, mas sim parcerias entre as escolas e a Rede”, salientou o responsável de um projeto que surgirá “depois do desaparecimento, nos últimos anos, das áreas de projeto e de Educação para a Cidadania”, lembrou Sandra Araújo da Rede do Porto.

E acrescentou: “Com este novo projeto vai manter-se a aposta de distribuição dos conteúdos pelas escolas, agora mais direcionados para o público mais jovem depois de um esforço de sensibilização junto dos adultos”.

Imagem

Para Alguma Coisa Servirá Sermos Pobrezinhos

Sem a AC escapava-me esta delícia.

ISATT2017

LOW GDP COUNTRIES

Please note that the crucial factor for the reduced Low-GDP fee is not the country of origin but the country of residence.

As grounds for this list the World bank data for 2015 GDP per capita was used. The threshold for low-GDP country status is an annual per capita income of less than $ 26,000 US.

The only countries eligible for the low GDP (Gross Domestic Product) reduction are:

  • African countries

  • Asian countries (with following exceptions: Brunei Darussalam, Hong Kong SAR, Israel, Japan, Kuwait, Macau SAR, Qatar, Singapore, UAE)

  • Latin American countries

  • and the following countries in wider Europe: Albania, Armenia, Azerbaijan, Belarus, Bosnia-Herzegovina, Bulgaria, Croatia, Czech Republic, Estonia, Georgia, Greece, Hungary, Kazakhstan, Kosovo, Latvia, Lithuania, FYR of Macedonia, Malta, Moldova, Montenegro, Poland, Portugal, Romania, Russia, Serbia, Slovakia, Slovenia, Turkey and Ukraine. In order to apply the reduction delegates must be affiliated in either private or public institutions that are based in the above countries. Delegates from all other countries need to register as Delegates from high GDP Countries.

 

 

Ricos Pobrezinhos!

Haverá justificação para deixar com problemas nem que seja uma pessoa ou família com milhões guardados nos bancos?

Cáritas de Lisboa retém 2,4 milhões de euros no banco

Direcção da instituição justifica almofada financeira com necessidade de acautelar o agravamento da crise económica e social. Ministério Público instaurou inquérito com base em denúncia contra dirigentes.

vendilhoes_do_templo

‘Tadinhos dos Pobrezinhos!

Não sei que tipo de preconceito me irrita mais a este respeito, se o preconceito-jonê, se o preconceito-remorso do~pequeno burguês de esquerda.

A propósito deste post no Ladrão de Bicicletas sobre o qual nada de especial tenho a dizer (apenas que a malta do mainstream chega, em regra, tarde ao conhecimento destes dados e gruta Eureka), o João Paulo escreveu no FBook o seguinte:

Quem tem sugerido exames poderia comentar por favor? Quem acha piada aos quadros de honra pode comentar, por favor?

Ó faxavor, é já a seguir… até porque me sinto visado, pois não assobio para o lado, mesmo se não acho piada aos quadros de honra ou mérito, achando-os apenas uma coisa normal, sem que dela arranque sintomas terríveis de um regresso ao fascismo ou de uma prática para favorecer os “ricos”, até porque esses não precisam de quadros de mérito para se distinguirem e separarem do resto da malta.

Eis o que me irrita nesta versão de esquerda do “tadinhos dos probrezinhos”:

  1. Este tipo de atitude é profundamente preconceituoso e estereotipado em relação à capacidade de desempenho dos alunos socialmente menos favorecidos, como se existisse um determinismo que é impossível combater sem eliminar obstáculos, em vez de promover acções positivas. Há uma tendência de que devemos estar conscientes no sentido de a contraria, mas outra coisa é querer apresentar tudo como sendo uma lei científica do pobrezinho=mau aluno, portanto vamos lá ver se escondemos isso.
  2. Os “exames” são péssimos, a menos que provem as nossas teorias. Nesse caso, os PISA já são bons e não servem para fazer o mal às crianças e jovens.
  3. Devemos, numa lógica proletária de lutas de classes, eliminar tudo o que “favoreça os ricos”, mesmo que por tabela também atinja todos os outros que, não o sendo, gostam de ver o seu trabalho reconhecido?
  4. Em escolas onde quase todos os alunos têm problemas sociais e económicos, ninguém tem direito a destacar-se e a ser reconhecido pelos pares em função do mérito? É que a mim parece que há pessoal que só vê a vida a preto e branco, com preto e brancos, ricos e pobres, bons e maus. No meu caso, tanto pela origem, como pelo meio onde trabalho, estou mais habituado a conviver com o lado “de baixo” da sociedade e a ver como esses alunos se sentem felizes quando lhes reconhecemos o mérito publicamente, sem ser apenas com palmadinhas nas costas e parlatices diversas.

Mas, como sou uma pessoa aberta a experiências, eis algumas propostas minhas para aperfeiçoar esta teoria que nos anos 90 teve efeitos devastadores no ambiente das escolas (um dia eu terei de recordar coisas que se passaram, mas que muita gente não viveu, estava distraído ou se esqueceu, por conveniência ou degenerescência) e no próprio clima de sala de aula:

  1. Como no estudo em que se recolheram os dados a relação estabelecida é entre as habilitações escolares das mães e o desempenho dos alunos, na lógica de eliminação do que diferencia “pobres e ricos”  deveremos proibir as mães de estudar para dar maior igualdade de oportunidades aos alunos?
  2. Como os sinais de mérito promovem a competição e potenciam a desigualdade, vamos acabar com as medalha do Desporto Escolar e com classificações nos campeonatos da diversas modalidades?
  3. Vamos implodir a graduação das listas de professores para efeitos de concurso, pois o mais certo é os mais graduados serem filhos de mães com mais habilitações e até serem de estatuto socio-económico mais favorável, visto poderem ter mais tempo de serviço e, por isso mesmo, terem ganho mais dinheiro.
  4. Passamos a chamar “exames” a toda e qualquer prova feita no final de um ano, independentemente do peso que tenha na classificação final dos alunos?

Uma última dúvida que se me acometeu agora… daquelas que me acontecem quando esbarro em paradoxos: se é tão forte esta crença anti-sinais exteriores de mérito, porque criticaram o Crato quando deixou de passar o cheque de 500 euros aos melhores alunos do Secundário? De acordo com a lógica do determinismo socio-educativo que defendem, eles já não seriam “ricos”?

(dispenso críticas muito ácidas a estas minhas observações de pessoal que coloque muitos diplomas da sua descendência ou alunos nos seus murais das redes sociais, ok?)

smile