2ª Feira

E agora vai seguir-se todo o processo natural em relação à lei da eutanásia ou morte assistida que implica que todos os envolvidos necessitem do veto presidencial, incluindo os mais exibicionistas defensores da lei.

Porquê?

Porque é necessário que a lei surja como grande sinal de divisão identitária entre Esquerda/Direita quando se viu que assim não é bem. Mas há uma parte do PS que precisa de demonstrar isso, pelo que um presidente eleito pela “Direita” deve vetar a lei para que ela tenha devida chancela de “Esquerda”.

Quanto ao PR, depois da óbvia declaração de ser necessário esperar pela lei que em concreto sairá do Parlamento, necessita de, já não muito longe das próximas presidenciais, satisfazer uma parte do seu eleitorado natural e demonstrar que não foi completamente capturado pelo seu acordo de cooperação quase total com António Costa. O veto é uma espécie de certificado de vida para além do marasmo.

Como o veto apenas faz regressar a lei ao Parlamento que a pode aprovar novamente, sem mudar sequer uma vírgula, estamos perante um daqueles casos em que todos ganham ao simular uma espécie de conflito ideológico institucional.

Tudo isto é mais do que previsível numa peça de enredo já conhecido, pelo que é profundamente entediante.

keepcalmtea

(nunca consegui, por exemplo, ter paciência para ver o Titanic do James Cameron…)

3ª Feira

Já repararam como o pessoal do ME transforma os erros de concepção dos seus normativos e reformas, por desconhecimento das condições concretas de funcionamento das escolas, em incapacidades professores em na sua implementação, pelo que depois é necessário que quem inicialmente errou venha dar “formação” na forma certa e adequada de fazer as coisas?

Bunsen

A Ver Se Percebo… Se Acabarem os Exames Acabam as Desigualdades e os Pobrezinhos Passam Todos a Entrar em Medicina e Arquitectura e na Carreira Diplomática e Etc?

Este tipo de estudos  (tese aqui, com acesso restrito) constata o que é evidente e falha no óbvio. Sim, os alunos com maiores meios económicos têm mais possibilidades de terem apoios extra nos estudos. Mas… perante isso devemos acabar com os exames – como se depreende das declarações cobertas de boas intenções da investigadora – ou devemos tentar que todos os alunos e as respectivas famílias tenham um nível de vida que lhes permita ter pelo menos parte desses meios?

No primeiro caso, temos a manutenção das desigualdades reais, cosmetizada com a eliminação dos exames; no segundo, temos uma verdadeira tentativa de “igualdade de oportunidades”. Eu optaria sem hesitar pelo segundo caminho que, eu sei, é o mais difícil e incómodo para os políticos de ocasião. Quem diria que eu sou “reformista”.

profpardal

(é impressão minha ou esta notícia surge mesmo a antecipar o que por aí virá no fim de semana?)

ADSE

Ao contrário do mito urbano que alguns gostam de multiplicar sobre os seus enormes privilégios, a verdade é que nos últimos meses só me contactou para me bombardear acerca com novidades sobre o “ato eleitoral” para os representantes dos beneficiários no Conselho Geral e de Supervisão (também têm sido assim contemplados?) ou para me comunicar que esta despesa não é elegível para comparticipação e aquela pertence a uma categoria qualquer em que eu já excedi o meu crédito.

entropia

E ainda dizem que a entropia não é uma realidade.

 

 

O Regresso dos Tesourinhos Deprimentes

É bem verdade que estas coisas nunca desapareceram, que em todas as escolas é preciso enroupar documentos com palavreado para fazer o boi dormir, mas este documento com data de 17 de julho é um manancial imenso. As partes destacadas já me chegaram assim por quem me enviou. E estas nem são as melhores.

Só espero que isto não se generalize como incêndio em eucaliptal. Mas as esperanças são poucas porque anda a verdascar forte e tem a legitimação da católica lá de cima.

E lá voltam(os) aos PCT…

PCTPCT1

E o que dizer das práticas pedagógicas “inovadoras” de que se espanejaram as teias de aranha?

PCT2PCT3

E agora a parte melhor, a da avaliação do “projecto” que até mete a OCDE e tudo, porque isto é em grande e o schleicher virá cá confirmar (ou o santiago, caso ele não possa).

Espanta-me a falta da variação “auto”.

AvaliaFlexAvaliaFlex1

 

 

Mais do Mesmo

Confirmando o que ouvi a partir de outros pontos do país, o António Duarte dá conta da forma como o SE João Costa andou pelo Fundão (notícia aqui) a espalhar a palavra dos iluminados sobre o ensino profissional, culpando os professores por todos os insucessos e anatemizando quem não vê a Luz radiosa do ser Verbo. É assim há cerca de 15 anos, mais ou menos interlúdios que nem dão para respirar.

João Costa em Março de 2017:

“Portugal ainda não meteu na cabeça que o 12.º ano do curso de pastelaria é tão válido e tão digno como o 12.º ano do curso de línguas e humanidades. Portugal tem de meter isto na cabeça e quem tem de começar a meter isto na cabeça, em primeiro lugar, são as escolas”, afirmou.

Nuno Crato (Agosto de 2012):

O Governo pretende que cerca de 50 por cento dos jovens inscritos no ensino obrigatório, ou seja no 10.º ano de escolaridade, optem pelo ensino profissional “ainda este ano”.

“Os nossos planos são chegar a 50 por cento ainda este ano, do ensino secundário”, declarou o ministro da Educação e Ensino Superior, Nuno Crato, no final de uma reunião com os parceiros sociais. “O nosso objectivo é que os jovens escolham as suas carreiras, mas pensamos que chegar aos 50 por cento na parte da escolaridade obrigatória no ensino profissional é um objectivo que faz sentido para o país.”

Nuno Crato em Dezembro de 2012:

«É uma calamidade completamente absurda, quando encontramos empresas que dizem que precisam de trabalhadores especializados e que não os encontram e, ao mesmo tempo, temos jovens que não conseguem encontrar emprego. É nossa responsabilidade conjunta, de professores, ministério e empresas, fornecer vias que permitam aos jovens terem saídas profissionais», acrescentou Nuno Crato.

O ministro lamentou que exista um «preconceito intelectual, entre algumas pessoas», que, garante, «tem de acabar» dado que «todas as profissões são dignas».

Valter Lemos (Maio de 2008):

O secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, reafirmou esta quinta-feira, em Penafiel, que no próximo ano lectivo cerca de 50 por cento dos alunos do ensino secundário em Portugal frequentarão cursos profissionais.

«Estamos a trabalhar para que os alunos possam sair das escolas para o mundo do trabalho levando consigo uma qualificação».

Afinal, a meta dos 50% para o ensino profissional não era exclusivo da escola a duas velocidades de Nuno Crato. É um desígnio transversal que, por agora, nem as esquerdas radicais percebem ser uma mistificação quando é tratado pela via da quantidade e justificado com argumentos de bacoca autoridade moral.

Um ensino profissional com qualidade reconhecida não precisa de arautos.

LuisXIV

Tédio

Ouvir anos a fio, década após década, a retórica do aprender-a-brincar, como se fosse coisa nova, nunca vista, raramente praticada. Já sabemos, até praticamos sempre que nos dão essa possibilidade, mesmo quando cronometrada ao minuto e monitorizada online. Porque há uma linha muito fina entre a inovação acarinhada pelos que sabem o que é e a transgressão dos normativos, com a sua parafernália de chatices.

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O Grande Salto Atrás

À medida que a preparação do ano lectivo avança e vou tendo conhecimento do que se passa em diversas escolas pelo país vou avolumando a sensação de que se está a passar um sensível retrocesso – ou não progresso – na forma de conceber o trabalho nas escolas e, em especial, o trabalho pedagógico diário com os alunos, tudo em nome de um “sucesso” que se quer alcançado à boa e velha moda das teorias em voga nas profissionalizações dos anos 90 do século passado.

Não escrevo do que desconheço, pois a maioria dos meus colegas de curso frequentou os Ramos de Formação Educacional criados nas Universidades ali por 1987 e que eu fui acompanhando de forma mais ou menos indirecta até eu ter feito a minha profissionalização (em serviço) em 1999-2000. Esses 15-20 anos desde a entrada em funcionamento em plenos das ESE até à constatação (embora não por todos) do esgotamento do modelo dominante em alguns sectores das Ciências da Educação nacionais foram de total domínio de um conjunto de teorias herdadas directamente das teorias pedagógicas emancipatórias dos anos 60 e 70 que nem sempre (quase nunca?) conseguiram acompanhar a mudança dos tempos ou sequer incorporar alguns dos contributos menos arcaicos com essa mesma ascendência (quando se lêem actualmente certas discussões em torno dos manuais escolares percebe-se até que ponto Michael Apple não foi lido ou percebido há 20 anos).

Quando se toma conhecimento concreto dos “planos para o sucesso”, feitos de acordo com uma cartilha que deveria ser ultrapassada, concebidos assim como única forma de conseguir mais recursos para as escolas, à custa de um regresso a um admirável mundo velho em que os mentores de agora se sentiram novos, sente-se um natural desânimo pela regressão imposta de forma generalizada ao nosso sistema educativo, teoricamente sob admiráveis princípios, mas na prática significando uma estagnação deprimente da forma de pensar a própria Escola Pública que tantos afirmam defender se for apenas a “sua” ou aquela que concebem como a única virtuosa.

E deprime ainda mais ver um rosto jovem a cobrir tudo isto, como se fosse um precoce envelhecido, quiçá verdascado até se tornar crente verdadeiro. E há quem aplauda em nome da situação que tem de ser.

Não somos cegos conduzidos por cegos, mas os cegos que nos conduzem querem-nos cegos como eles. Caladinhos e sem memória. Como que lobotomizados. Anestesiados. Em nome do “direito ao sucesso” que tanto alimentou a clientela do IIE que parece ter voltado em força, desempoeirando as bibliografias que só não estavam engavetadas porque são desempoeiradas e requentadas a cada nova “formação”.

A todo este respeito, confesso-me nãostálgico.

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Muito Chato, Chato, Chato…

O jogo foi muito chato. Ainda pior do que com a Croácia. Um tédio absoluto com duas jogadas de jeito que deram os dois golos e depois um quase completo deserto. Não vi os jogos todos (não assino a SporTV), mas aposto que, para um argentino ou chileno, ver este jogo seria uma tortura. O Ronaldo parecia o Éder, o Quaresma não fez praticamente nada e o treinador meteu o Danilo a 25 minutos do fim para defender o resultado. Ouvir o comentador da RTP dizer 10 vezes por jogo que o Pepe tem sido “imperial” não ajuda nada. Se a estratégia é matar os adversários de tédio (incluindo os das equipas que estão apenas a observar) é uma estratégia ganhadora.

Faltam os penaltys. A lotaria. Tanto faz.

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