Por Certo, Já Repararam…

… que a filtragem de conteúdos nos computadores fornecidos pelo ME é igual para alunos e professores, assim como andou a ser estreitada a malha para acesso a alguns sites. Há vídeos do Youtube que passaram a ser território proibido, incluindo nos pc’s de mesa das escolas, mesmo tendo origem em organizações insuspeitas de má conduta como o Smithsonian, de onde costumo usar uma recriação do terramoto de 1755. Acho que há uns tempos já aqui deixei registado que não me foi possível assistir a sessões de formação em streaming também no YT. O Atenta Inquietude do José Morgado, por exemplo, é-me bloqueado por estar catalogado como “pornografia”. Se há formas de contornar estes bloqueios? Sim, há, mas apelam a uma manipulação das definições que poderá ser classificada como “irregular” ou “indevida” do equipamento. Mas o principal é a absoluta imbecilidade que ressalta de modo muito evidente dos critérios do “administrador da rede”. Capacitação Digital? Comecem pelas cabecinhas tristes de quem regula tudo isto com carta branca (e cheque) d@s senhor@s que tutelam isto.

“Sincronia” Quer Dizer “Ao Mesmo Tempo” Ou “Em Simultâneo”

E não é sinónimo de “vídeo-conferência”. Uma vídeo-conferência deve ser síncrona, mas uma sessão síncrona não implica que se esteja de câmara ligada. Uma sessão de chat também pode ser síncrona. Ou uma troca de mensagens no uótezape.

Eu vou tentar explicar mais em detalhe para quem não domina ainda aquilo do que é “síncrono” ou “assíncrono”, parecendo confundir isso com, como já escrevi acima, a câmara estar ligada ou desligada.

Se começarmos uma aula às 10 da manhã com os alunos todos ao mesmo tempo e os mandarmos fazer qualquer coisa às 10.30 com a câmara desligada (mesmo “saindo” da aula virtual), para depois apresentarem o que fizeram das 11.15 às 11.30, isso significa que se esteve numa sessão síncrona de 90 minutos e não numa síncrona de 45 e outra assíncrona de outros 45. Porque estiveram todos a fazer o mesmo ao mesmo tempo. O que é sincronia. Certo?

Porque estiveram todos a fazer o mesmo, ao mesmo tempo no início, no meio e no fim.

Uma sessão assíncrona acontece quando se termina a sessão síncrona e se deixa uma tarefa para ser feita, com maior ou menor prazo, mas nunca meia hora ou uma hora, pelos alunos, mais tarde.

Por exemplo: após uma aula síncrona de 30 ou 40 minutos, deixa-se uma tarefa para os alunos entregarem até ao final do dia ou da semana e eles podem fazê-la ao seu ritmo, durante mais ou menos tempo, não necessariamente em simultâneo.

Achei útil explicar isto porque há quem diga que o horário não é 100% síncrono porque durante uma parte das aulas os alunos podem fazer tarefas/exercícios de câmara desligada, voltando só perto do final para apresentarem o que fizeram ou “marcar a presença”.

(estariam a bater palmas em sincronia, mesmo se não tivesse sido feita gravação!)

Estou Cansado De Delírios

Estou cansado destes discursos “positivos”, desta tentativa de transmitir “confiança”, de revelar “esperança”, de suspirar por excelentes para quem mais amochar perante os interesses políticos governamentais.

Escolas garantem que estão a postos se for preciso continuar o ensino à distância

É mentira que as escolas estejam “preparadas” se isso quer dizer que estão em melhores condições do que em Março, porque não estão. Há a experiência do que se passou (e já se percebeu que foi um fiasco em termos globais, com estas ou aquelas excepções) e a chegada de um número insuficiente de kits tecnológicos para os alunos. Mais nada se fez,para além dos bastidores do Plano de Capacitação Digital dos Docentes.

Se passarmos de novo ao ensino não-presencial (o que seria da mais elementar prudência) quase tudo será igual ao que foi e só poderá funcionar se os professores usarem de novo os seus recursos, porque nada – NADA – chegou à generalidade das escolas para que a partir delas se faça algo de diferente. Aqui em casa conhecem-se três realidades distintas, mas que confluem no essencial: foram 10 meses em que a incompetência do ME foi por demais evidente, pois só sabem falar, falar, falar e debitar chavões ou parvoeiras (o caso dos “cornudos” do ministro Tiago é apenas o exemplo mais deplorável) sem que as medidas necessárias tenham surgido.

Há escolas onde @sdirector@s conseguiram alguns avanços? Há. Mas a generalidade dos Planos de Contingência vai muito além de explicar a diferença entre ensino presencial, misto ou não-presencial no caso de ser necessário alternar entre modelos? Muito poucos, esmo se são muito explicadinhos sobre condutas a adoptar e circuitos a seguir, no caso do ensino presencial.

Foram redefinidos critérios de avaliação pelos Conselhos Pedagógicos para a eventualidade de ter de alterar a forma de avaliação? Os Conselhos Gerais foram consultados em nome das comunidades educativas? Talvez, mas duvido que isso tenha acontecido na maioria dos casos. Basta consultar a documentação que está publicada nos sites das escolas e agrupamentos. Basta passar uns minutos pelo Google.

Claro que a norma tem excepções; não nego que há onde tudo esteja previsto. Mas garantir que as escolas estão preparadas para um novo E@D é risível. A menos que seja em forma de encenação como há 10 meses, apesar de toda a boa vontade que possamos ter. E que a mim cada vez mais escasseia, porque me pedem uma dedicação e competência de que quem tem responsabilidades de decisão superior não dá qualquer exemplo.

Os Marretas Ao Menos Tinham Graça

Claro que o problema teria de residir nos professores envelhecidos, atendendo a alguns dos participantes, jovens como alfaces ao amanhecer ou especialistas instantâneos em assentamento de sentenças e outras coisas “não lucrativas” (atchimmmm!).

Os professores não estão preparados para ensinar à distância

(…)

O debate, organizado pelo Expresso em parceria com a DECO Proteste, reuniu um conjunto de especialistas no sector da educação, e contou ainda com a presença de Alexandre Homem Cristo, co-fundador e presidente da QIPP, organização sem fins lucrativos que atua na área da educação, Nuno Almeida, IM B2B manager da Samsung Ibéria, Rita Coelho do Vale, professora de marketing na Católica Lisbon, e Teresa Calçada, comissária do PNL 2027 (Plano Nacional de Leitura).

pieintheface

(já sei que é “demagógico” apontar o facto destas luminárias nunca se terem visto, durante uma semana que fosse, à frente de uma meia dúzia de turmas do ensino básico público nos últimos 30 anos, à distância ou pertinho…)

Pensamentos Da Pandemia – 9

Economia digital? Só se for para rir. Em dois meses, contam-se pelos dedos de uma pata de avestruz as vezes em que as encomendas online correram bem, desde o pedido até à entrega: Não sabia que o SARS-CoV-2 provocava daltonismo, amnésia, perda da capacidade de contar ou a erosão quase total de ética profissional. Nem sei se vale a pena dar os parabéns ao IKEA por ter conseguido colocar três artigos iguais num ponto onde eu os recolhi, porque em circunstância normais seria o expectável, mas agora parece proeza excepcional.

Nos últimos dois meses, foi o melhor desempenho que consegui quanto a correspondência entre artigos pedidos e os que foram entregues, prazo e modalidade de entrega. O primeiro prémio vai para uma grande cadeia de material de construção que conseguiu não entregar grande parte de uma encomenda, depois ter os números de atendimento desligados e, por fim, dizerem que os artigos não estavam disponíveis, quando eu os encontrei numa das lojas. O segundo para a forma como os CTT Expresso ignoram que lhes pagam para entregarem as encomendas no domicílio do destinatário e não no posto de correio mais próximo. O terceiro para a grande cadeia de material de escritório que me mandou publicidade por mail para comprar online artigos que não estão disponíveis para venda online.

Economia digital? Só se for para rir. E depois ainda dizem que os professores é que não se adaptaram às tecnologias.

Spa still life with bamboo fountain and zen stone

Os Polacos Podem Criticar?

Porque se formos nós por cá a apontar esta ou aquela imprecisão, somos mesquinhos e temos logo os gurus da polícia de costumes costista a ameaçar que nos mandam para o gulag televisivo fazer melhor.

Duas aulas do projeto ‘Estudo Em Casa’, da RTP, foram alvo de críticas por parte de cidadãos polacos. Em causa está aquilo a que eles chamam de “falhas históricas” em relação à Polónia. Ambos os casos deram-se no passado dia 20 de abril, nas lições de Português e de História para alunos do 9.º ano de escolaridade.

Antena

(claro que a reacção de alguns será a) afirmar que só erra quem faz; b) acusar de na Polónia se cometerem erros sobre a História de Portugal; mas isso não são propriamente argumentos, certo? deveria saber-se que, pelo menos, em 1918 a Polónia não era a Checoslováquia, nem a Jugoslávia…)

E Já Andam Por Aí Com Dezenas De Milhar De Visualizações…

… gravações de aulas por vídeoconferência através do Zoom. Como é óbvio não irei linkar as horas disponibilizadas no Youtube por hackers de meia-tigela. Enquanto os gurus da nossa Educação Digital não reconhecerem o erro (e quando o fizerem é como se tivessem sido sempre eles a avisar) que é recomendarem plataformas altamente inseguras. A idiotice de alguns pseudo-iluminados deve ser travada pelo bom senso e a cegueira e as vaidades apressadas só ajudam a aumentar o problema, não a resolvê-lo.

Zoom