Pelo Público Online

(…) Vou finalizar com uma crítica do mesmo tipo que fiz aos promotores da carta aberta pela reabertura rápida das escolas, de que a economista Peralta faz parte: sejam bem-vindos à luta por uma sociedade mais justa e menos desigual. Em outras ocasiões não demos pela vossa presença, como quando sectores inteiros foram objecto de uma redução substancial de rendimentos logo a partir de 2005. Mas mais vale chegarem tarde à luta pela justiça social e económica do que nunca. Agora só falta algum rigor na descrição e análise da realidade sobre a qual lançam as vossas propostas.

De Volta Ao Problema “Esquecido”

Boa tarde,

Amanhã recomeçam as aulas, e eu começo as aulas às minhas sete turmas, mais de 200 alunos, com dois filhos pequenos em casa. Um que faz agora 2 anos e outro que faz 5 anos em março. No primeiro confinamento foi impossível acompanhá-los (e o mais pequeno começou a andar em março).

Agora ainda vai ser pior porque querem atenção, querem brincar, têm rotinas que vão ser sistematicamente quebradas.

Eu vou estar a dar aulas das 9h às 16h, estamos sozinhos porque me divorciei em julho. Porque não posso levar os meus filhos à escola se se encontra aberta para trabalhadores essenciais?

Porque ficamos nós desprotegidos para dar apoio aos filhos dos outros? Estou em pânico, preocupada com o próximo mês e meio, e sem saber para onde me virar.

(…)

Phosga-se! – Série “Isto Vai Dar Uma Ganda Confusão!”

A intenção de boa parte do que vou publicando não é necessariamente apontar o dedo a quem decide estes métodos de trabalho, mas sim deixar claro que este é um período muito mais complicado do que o presencial, que exige muito mais em termos de planeamento e que quem acha que os professores querem é ficar em casa está muito enganado e a mais de um nível. E deixar igualmente claro que parte disto poderia ter sido evitado se tivesse sido preparado a tempo, a nível central, não se esperando que sejam apenas as “escolas” a desenrascar-se ou as autarquias a chegarem-se à frente, porque há muitas que não se chegam.

O mail seguinte retrata a situação de um agrupamento também da zona norte onde é notória a carência de equipamentos dos alunos e as dificuldades familiares no actual contexto. São 100 alunos a terem de continuar na escola, em regime presencial/misto (mais de 6% do total do agrupamento), mesmo depois da distribuição dos kits aos mais carenciados. Destaco ainda o facto (raro) dos critérios de avaliação para esta situação terem sido aprovados em Conselho Pedagógico e Conselho Geral.

Tenho outros exemplos, alguns deles disponíveis online, mas este é um retrato claro da complicação que se vai desenrolar a partir de dia 8. Poderia ter sido diferente? Podia, mas agora dizem que não interessa nada.

Seguem algumas informações referentes ao Ensino à Distância.
Ensino à Distância: este regime de ensino tem de ser muito, muito bem organizado.

A – Três cenários de aprendizagem no agrupamento:  

1 – ensino não presencial – alunos e professores trabalham a partir de casa. 
A mancha de horário dos alunos é aquela que ficou definida em setembro passado, embora se tenha procedido a algumas alterações pontuais. Nesse mesmo horário está definido as aulas síncronas (mínimo de 30 minutos) e assíncronas.  Os horários são para cumprir de acordo com as horas marcadas (horários enviados).
No 2.º e 3.º ciclos não há desfasamento de horário.

A partir do dia 8 de fevereiro os Professores das Atividades de Enriquecimento Curricular, Professores das Expressões no Pré-Escolar e Animadores do Pré-Escolar irão efetuar teletrabalho através da Plataforma + Saber.
Desta forma, através do acesso facultado anteriormente aos alunos, estes poderão interagir com os seus Professores e Animadores, bem como ter acesso a atividades diversificadas e lúdicas, solicita-se divulgação desta informação junto dos alunos e encarregados de educação.  

Pré-escolar: a regra é que cada educadora estipule com os EE o que é melhor para a família e para o educador; é da responsabilidade do educador identificar as crianças que não têm contacto. Tem de ter um plano de atividades semanal. De referir que os alunos que não têm recursos informáticos, devem ser contactados telefonicamente, no mínimo 1 vez por semana, com entrega do plano a cumprir.
 1.º Ciclo: Dado que a escola vai receber, aproximadamente, 50 alunos para realizarem o ensino à distância na escola, estabeleceu-se um horário por ano de escolaridade. Por exemplo, na próxima segunda-feira aula de Português síncrona e depois um tempo assíncrono, permitindo que o aluno realize as tarefas propostas com o apoio de um professor supervisor. No 3.º e 4.º anos a mancha letiva altera-se um pouco pois tem que se ter em conta a disciplina de Inglês. Cumprimento do horário enviado. O Apoio Educativo é realizado pelos professores supervisores.
2.º e 3.º Ciclos: Os professores e alunos cumprem o horário estabelecido. No 2.º ciclo não há Apoio ao Estudo. Os Apoios Educativos 2.º e 3.º ciclos – podem ser realizados, o professor responsável decide, juntamente com o DT, a sua pertinência.

2 – Ensino não presencial para os alunos sem recursos
O Office 365 vai ser o ponto de recolha das atividades a realizar por estes alunos, sem recursos informáticos. As tarefas devem ser só páginas do manual e anexar uma ficha em PDF, a disponibilizar até à sexta-feira, da semana anterior. Os alunos e/ou os EE vão buscar na segunda-feira, seguinte, a planificação semanal e as respetivas tarefas, que voltam a entregar no final da semana, para que o professor dê, posteriormente, o seu feedback. Não é permitido o uso de links, nem PowerPoint para este tipo de aluno. 
A ficha de atividades encontra-se no OFFICE 365.

3 – Ensino presencial/Regime Misto alunos em risco identificados pelos PTT/CT – aproximadamente 100 alunos: 3 do Pré-escolar; 50 do 1.º Ciclo; 47 do 2.º e 3.º Ciclos. Dado elevado número de alunos a logística não é fácil para ter estes alunos na escola e dar-lhes condições de estudo adequadas. Professores supervisores – Foram selecionados os colegas que têm menos horas letivas e mais tempos letivos de apoio e coadjuvação; no 1.º Ciclo, foram escolhidos os professores de Apoio Educativo. Neste momento a escola tem 5 espaços diferentes, por ano de escolaridade. A mancha destes alunos é o horário da turma. No 1.º Ciclo, a opção vai ser a começar às 9H00 e terminar às 13h, havendo algumas aulas de tarde.  

B – Quanto aos critérios de avaliação: no que respeita ao Ensino à Distância, relembro o que foi aprovado em CP e CG:
Com menos de 2/3 das aulas em Regime Presencial – aplicam-se os Critérios de Avaliação e as Ponderações dos diferentes períodos, usados no Regime Presencial; ressalva-se a situação das disciplinas eminentemente práticas, onde o domínio psicomotor tem uma ponderação elevada. Neste caso, a ponderação atribuída a este domínio será distribuída pelos domínios cognitivo e sócio afetivo, em função das decisões de cada disciplina. No que se refere aos Instrumentos de Avaliação, alguns deles, especificamente, utilizados no Ensino Presencial, podem ser suprimidos por questões relacionadas com a sua inexequibilidade no Regime Não Presencial. Nesta avaliação, perante a situação de excecionalidade que vivemos, os alunos não serão prejudicados pelo facto de não disporem de ferramentas adequadas e suficientes para realizarem as aprendizagens pedidas, bem como de não poderem usufruir de apoios educativos. 

C – Quanto aos testes presenciais que ficaram definidos no Plano de Ensino à Distância, nesta situação de confinamento, não se realizarão.
Assim, os professores devem adaptar/acrescentar/reforçar os instrumentos de avaliação (chamadas orais; realização de trabalhos; participação e empenho nas aulas; questionários, entre outros) de forma a cumprir o que foi definido nos Critérios e Instrumentos de Avaliação para o E@D. Devem ler o texto de apoio enviado.

Ficha de avaliação no OFFICE 365:. Quanto à tabela de registo a preencher semanalmente por todos os docentes é uma situação particular da semana (mera indicação de como o processo está a decorrer com aquele aluno); as avaliações particulares são para cada professor, com a aplicação dos instrumentos e critérios de avaliação que se encontram em vigor e estão disponíveis no site do Agrupamento. A tabela com as informações semanais não podem ser partilhada com os EE (documento interno). 
Esta avaliação refere-se ao desempenho do aluno (assiduidade, empenho, participação, trabalhos/tarefas, outros critérios)

D – Sumários

TODAS AS HORAS LETIVAS E NÃO LETIVAS (horário entregue em outubro), DEVEM TER SUMÁRIO.

Os sumários devem retratar o trabalho realizado, independentemente de ser apoio, coadjuvação, clubes, coordenações, entre outras.

A Lei Do Teletrabalho Aplica-se Aos Professores?

Posição comum de um grupo de professores e bloggers que visa o esclarecimento de uma questão que pode levantar pruridos a alguns (e urticária a outros), mas é essencial para o sucesso de um novo período de E@D que não repita os erros do passado.

A Lei do Teletrabalho Aplica-se aos Professores?

Ao Primeiro-Ministro,

À Ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social,

Ao Ministro da Educação,

1. Durante o período do primeiro confinamento causado pela situação de pandemia, a transição das aulas presenciais para um modelo de ensino remoto de emergência foi feita, da parte do sistema público de ensino, quase exclusivamente com base nos recursos privados do corpo docente. Essa foi a atitude certa, por parte de profissionais que colocam os interesses dos seus alunos e do próprio país acima das suas conveniências particulares.

2. Logo no mês de abril, o senhor primeiro-ministro anunciou, em entrevista à Lusa, um ambicioso plano para prevenir “um eventual segundo surto do coronavírus” que contemplava “o acesso universal à rede e aos equipamentos a todos os alunos dos ensinos básico e secundário” no ano letivo de 2020-21, no sentido de garantir “que, aconteça o que aconteça do ponto de vista sanitário durante o próximo ano letivo, não se assistirá a situações de disrupção”.

3. A 21 de abril de 2020 é publicado em Diário da República, o Plano de Ação para a Transição Digital, em cujo Pilar I, a primeira medida era um “Programa de digitalização para as Escolas”, no qual existia em destaque “a garantia de conectividade móvel gratuita para alunos, docentes e formadores do Sistema Nacional de Qualificações, proporcionando um acesso de qualidade à Internet na escola, bem como um acesso à Internet em qualquer lugar”.

4. De acordo com o Código do Trabalho (Lei n.º 7/2009, de 12 de fevereiro), no n.º 1 do seu artigo 168.º determina-se que “na falta de estipulação no contrato, presume-se que os instrumentos de trabalho respeitantes a tecnologias de informação e de comunicação utilizados pelo trabalhador pertencem ao empregador, que deve assegurar as respetivas instalação e manutenção e o pagamento das inerentes despesas”.

5. No preâmbulo do Decreto-Lei n.º 94-A/2020 de 3 de novembro determina-se que “a adoção do regime de teletrabalho torna-se, assim, obrigatória, independentemente do vínculo laboral, sempre que as funções em causa o permitam e o trabalhador disponha de condições para as exercer, sem necessidade de acordo escrito entre o empregador e o trabalhador.”

6. Perante o que está estipulado com clareza na legislação em vigor, vimos requerer a V. Ex.ªs que aos professores sejam aplicadas as regras relativas ao teletrabalho, nomeadamente as que remetem para as condições indispensáveis ao exercício das suas funções, como sejam a “disponibilização de equipamento individual ajustado às necessidades” e “de conectividade móvel gratuita”, conforme prometido no Plano de Ação para a Transição Digital.

29 de janeiro de 2021

Os signatários

Alberto Veronesi

Alexandre Henriques

Anabela Magalhães

António Duarte

Arlindo Ferreira

Duílio Silveira Coelho

Luís Sottomaior Braga

Paulo Guinote

Paulo Prudêncio

Ricardo Montes

Rui Gualdino Cardoso

Alguém Que Se Chegue À Frente

Porque o “estado de negação” de que fala o presidente também afecta muitos professores que parecem achar mal que os seus direitos enquanto trabalhadores sejam respeitados. E como directores e sindicatos – os parceiros do governo nestas andanças, mais o senhor da Confap que parece já estar na calha para um cargo autárquico no PSD – lá aparecem os do costume a chamar a atenção para o facto de, sem professores com condições, o ensino não-presencial correr o risco de voltar a ser um simulacro

Carta aberta ao Governo de um grupo de professores bloggers com pedido para que seja cumprido o estipulado no Plano de Ação para a Transição Digital, de modo a que os docentes tenham condições para trabalhar a partir de casa.

A Ter Em Atenção

Portugal voltou a confinar, agora com medidas mais restritivas e sérias! É hora de ir para casa, mas nem sempre o teletrabalho é visto com os melhores olhos. Muitos patrões consideram que o trabalhador “rende” menos em casa, algo que nem sempre é verdade.

Sabia que os Trabalhadores podem pedir computador e Internet à empresa para trabalhar a partir de casa?

Tenho Pouco Contra Continuar Na Escola…

… a trabalhar de forma remota com os alunos, deslocando-me eu e ficando eles em casa. Nem me incomoda que me obriguem a cumprir horário presencial na escola, se é que é isso que dá tanta comichão aos sousastavares e outros como ele (ou quase tão fraquinhos de raciocínio).

Só que para isso é necessário que existam nas escolas computadores devidamente equipados para o efeito e que ao fim destes meses todos, seja possível acudir aos alunos e famílias sem meios para seguir o ensino à distância com um mínimo de qualidade. Não é com 2 ou 3 a partilharem o mesmo equipamento. E a verdade é que neste momento esse continua a ser o grande risco, porque dos 400 milhões de euros anunciados para a Escola Digital, nem um décimo terá chegado a quem de direito: em primeiro lugar, os alunos e depois, escolas e docentes. Em vez disso temos entretenimentos, em que o dinheiro se vai escoando nos meandros da “formação”, conforme os grupos a satisfazer. Agora é o da “Capacitação”. Que tal “capacitarem” as escolas para assegurarem o ensino remoto a partir das suas instalações e não do meu escritório ou sala?

A Ler

What is the future of distributed work?

(…)

There’s a common misconception about Covid-19: that the virus has sped us from 2020 to 2030 overnight. However, there’s still a kernel of truth to this idea: futurists have long posited that the workplace of tomorrow will be characterised by telecommuting and, indeed, the economy has been forced to embrace this on an unprecedented scale. Right now, a great many companies are practicing “distributed work”, in which everybody is working remotely. But while behaviours have adapted, we are still using the same tools that were available before the pandemic. So, what are the emerging technologies that will transform remote working in years to come?

Futuro

Pensamentos Da Pandemia – 9

Economia digital? Só se for para rir. Em dois meses, contam-se pelos dedos de uma pata de avestruz as vezes em que as encomendas online correram bem, desde o pedido até à entrega: Não sabia que o SARS-CoV-2 provocava daltonismo, amnésia, perda da capacidade de contar ou a erosão quase total de ética profissional. Nem sei se vale a pena dar os parabéns ao IKEA por ter conseguido colocar três artigos iguais num ponto onde eu os recolhi, porque em circunstância normais seria o expectável, mas agora parece proeza excepcional.

Nos últimos dois meses, foi o melhor desempenho que consegui quanto a correspondência entre artigos pedidos e os que foram entregues, prazo e modalidade de entrega. O primeiro prémio vai para uma grande cadeia de material de construção que conseguiu não entregar grande parte de uma encomenda, depois ter os números de atendimento desligados e, por fim, dizerem que os artigos não estavam disponíveis, quando eu os encontrei numa das lojas. O segundo para a forma como os CTT Expresso ignoram que lhes pagam para entregarem as encomendas no domicílio do destinatário e não no posto de correio mais próximo. O terceiro para a grande cadeia de material de escritório que me mandou publicidade por mail para comprar online artigos que não estão disponíveis para venda online.

Economia digital? Só se for para rir. E depois ainda dizem que os professores é que não se adaptaram às tecnologias.

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