Sábado

Algo se move na comunicação social, mas custa ainda a perceber exactamente em que sentido, se são movimentos circulares apenas, em espiral descendente ou se há outras direcções que possam significar alguma mudança no sentido de diversificar e aprofundar o que se tornou muito pastoso. Pedro Santos Guerreiro e Filipe Santos Costa apareceram a comentar na TVI24, estação do grupo em processo de compra pela Cofina do líder CManhã e da líder (no cabo) CMTV. Um já era apenas colunista no Expresso e o outro despediu-se do jornal há um mês (pouco depois de o ter conhecido, com ar divertido, no Expresso da Meia-Noite). David Dinis, depois de passagens (as mais recentes, porque a última década tem sido um rodopio) pelo Observador e direcção do Público, já é subdirector do Expresso. Entretanto, a SIC (leia-se, Impresa), que considerara “caro” manter A Quadratura do Círculo (que migrou para a TVI24 com um nome de bradar aos céus), foi buscar Ricardo Araújo Pereira e o resto do Governo Sombra (o único programa não completamente bocejante de info-entretenimento) de à TVI. Impresa que também comprara, quase à nascença, o Polígrafo, depois de ter vendido quase todo o seu grupo (Visão incluída) à TrustinNews de Luís Delgado, ex-comentador da SIC (entre outras valências)

Há qualquer coisa a acontecer na “informação”, mas nós mal percebemos se é apenas dança das cadeiras ou algo mais. E que pode explicar algum nervoso por aí.

ardina

Por Uma Avaliação do Desempenho Televisivo

Só para tentar perceber – para além das disputas relativas entre si – qual o desempenho dos três grupos que dominam o panorama televisivo nacional e se os seus dirigentes e estratégias têm tido “sucesso” no “mercado” ou se temos pouco a aprender com o seu “mérito”.

A Televisão em Portugal – Análise das audiências e dinâmicas concorrenciais do mercado  televisivo português entre 1999 e 2016

Vale o que vale, mas quem diz que o “mercado” é que é a medida do “sucesso” talvez pudesse tirar as suas conclusões do continuado declínio. Por exemplo, os canais SIC estão metade do que eram (daí que seja preciso vender tudo o resto para os manter e ao Expresso); a RTP em 10 anos seguiu um caminho semelhante. A queda dos canais TVI é menor e mais recente, mas desde 2008 que o plano é deslizante.

Televisões

Se os professores devem ser avaliados pelos resultados (que têm subido neste mesmo período em termos comparativos internacionais) ou satisfação dos “clientes”, o que deverá acontecer nas paragens televisivas em que tanto emproado aparece com lugar regular a destruir qualquer esperança de credibilidade? Porque isto parece-me um desempenho “medíocre” para não dizer “miserável”.

Se este tipo de “análise” é simplista e demagógica? É capaz de ser, é capaz de ser… mas lá que diverte, diverte. Até porque é giro devolver a estratégia. Em especial em relação aos que andam mesmo preocupados em denegrir os professores por todos os métodos dos opinadores avençados às notícias seleccionadas.