Estaremos Então Todos Em Casa Com Professor@s E Encarregad@s De Educação A Partilhar Conselhos Sobre Decoração De Interiores

E os putos a fazerem provas de aferição… ou talvez não. E a preparar as provas finais… ou talvez não. Mas certamente estaremos a monitorizar o cumprimento dos cronogramas e dos indicadores e níveis de (auto-satisfação) que provocam orgasmos múltiplos aos tecno-excitados do ME.

Já sei… estão a tentar pressionar o máximo até serem mesmo obrigados a “mitigar” o desvario e reconhecerem o óbvio, justificando o atraso das decisões com a necessidade de não sei quê.

Coronavírus: pico do surto em Portugal “nunca será antes do mês de Maio”

CasteloCartas

Ainda Sobre O Insucesso

Contra algumas ideias feitas, há factos que acho difícil ignorar e ainda mais complicado adulterar de forma sistemática para a opinião pública. Mesmo não partilhando a crença da autora acerca do “contexto favorável” que se viverá (que interpreto de outra forma). gostaria de destacar algumas das evidências que recolheu.

Vejamos o que pensam os alunos que mais insucesso têm do que se passa com eles nas escolas:

Sobre a melhor forma de combater esta situação:

Os alunos que não aprendem necessitam de colo e atenção em casa. Necessitam de programas de sensibilização das famílias, porventura antes do início da escolaridade obrigatória. Necessitam de ir mais cedo para o jardim infantil. Necessitam de programas que reduzam a desvantagem dos agregados familiares. Necessitam que a comunidade esteja atenta ao bullying. Necessitam de modelos para se comportarem melhor. Necessitam de não ser segregados em escolas estigmatizadas. Necessitam de aprender a ler para poder criar o gosto pelas histórias e pela criatividade. Necessitam que não desistam deles.

Os professores tentam dar um contributo positivo para que estes alunos continuem. Sempre os professores como o melhor ativo do sistema de educação.

Já agora, matizando a teoria de que só os pobrezinhos é que são protagonistas do insucesso, típica daquele determinismo simplório pseudo-sociológico:

Embora o sucesso das aprendizagens esteja ligado ao estatuto socioeconómico e cultural das famílias (educação dos pais, qualidade do emprego, poder de compra, hábitos culturais), esta realidade pode atingir todas as classes sociais, incluindo 6% pertencente à classe social mais favorecida. Por outro lado, dentro da classe social mais desafortunada há 42% de alunos que atinge nível “3 “ou mais. Cada um destes alunos adquiriu competências para entrar no elevador social, tem capacidades que permitem manter as portas do futuro abertas.

profpardal

São Medalhas, Senhor@s!

Quando merecemos classificações como “desprezível”, “reles” ou “canalha” por parte de certas criaturas que acham que estão acima de qualquer crítica, se conseguimos que isso aconteça com poucas linhas de opinião divergente em relação ao que se pretende que seja o consenso pantanoso, já não se perderam por completo alguns minutos.

QuinoMedalhas

O Direito À Informação E Ao Conhecimento – 1

Primeira parte do texto da comunicação apresentada no CNE, no dia 26 de Novembro.

1.

“A educação deve visar a plena expansão da personalidade humana e ao reforço dos direitos do homem e das liberdades fundamentais e deve favorecer a compreensão, a tolerância e a amizade entre todas as nações e todos os grupos raciais ou religiosos, bem como o desenvolvimento das actividades das Nações Unidas para a manutenção da paz.”

O excerto anterior transcreve o nº 2 do artigo 26º da Declaração Universal dos Direitos Humanos e seria de esperar que o progresso das sociedades humanas, nomeadamente no plano da promoção da Educação e do desenvolvimento tecnológico tivessem tornado o seu conteúdo praticamente incontroverso. Contudo, 70 anos depois de ser escrito e de todas as ameaças que foi sofrendo ao longo das décadas, em especial em regimes de matriz ditatorial e mais ou menos totalitária nos processos de controlo dos sistemas educativos e da submissão dos indivíduos a poderosas máquinas de propaganda, encontramo-lo em risco onde seria menos expectável que isso acontecesse, ou seja, nas sociedades democráticas mais desenvolvidas em termos culturais, educativos e económicos, onde o acesso à informação e ao conhecimento se multiplicou de uma forma dificilmente previsível em meados do século XX.

Após um período de enormes avanços na escolarização das populações e de se ter considerado que a fase mais problemática do combate propagandístico em torno da Informação, típico da Guerra Fria, estaria ultrapassada, assiste-se a um forte refluxo marcado não pela limitação do acesso à Informação, mas por um fenómeno inverso: “não o informar pouco (pouco de mais), mas o informar mal, deturpado” como escreveu Giovanni Sartori (2000, 81) quando ainda pensava no predomínio que a informação televisiva mais rápida e emocional começava a revelar sobre a informação dos meios de comunicação tradicionais, leia-se, impressos.

Há perto de vinte anos, quando ainda a internet dava os seus segundos passos e era difícil imaginar como se fragmentaria e multiplicaria o panorama comunicacional global, Paul Virilio escreveria, com o pretexto do conflito no Kosovo, que:

“enquanto no passado eram a falta de informação e a censura que caracterizavam a negação da democracia pelo estado totalitário, o oposto é agora o caso. A desinformação é conseguida inundando os telespectadores com informação, com dados aparentemente contraditórios. A verdade dos factos é censurada pela sobre-informação (…). Agora, mais é menos. E em alguns casos é menos do que nada. A manipulação deliberada e os acidentes involuntários tornaram-se indistinguíveis” (Virilio: 2007b, 48).

E mais adiante acrescenta que “com a ‘libertação da informação’ na web, o que mais falta é significado ou, em outras palavras, um contexto em que os utilizadores da Internet possam colocar os factos e assim distinguirem a verdade da falsidade” (Idem, p. 78). Sendo que os factos ou dados surgem numa catadupa que cria a ilusão de um conhecimento que, na verdade, não existe. A obsessão com os dados (“dataism”) torna-se problemática, pois esses dados em vez de servirem para se compreender a realidade, podem servir para a tornar mais opaca ou distorcida.

De acordo com o Dadoísmo [Dataism], a Quinta Sinfonia de Beethoven, uma bolha do mercado de valores ou o vírus da gripe são apenas três padrões do fluxo de dados que podem ser analisados usando os mesmos conceitos básicos e ferramentas. Esta ideia é extremamente atractiva. Dá a todos os cientistas uma linguagem comum, constrói pontes sobre clivagens académicas (…).

Neste processo o Dadoísmo inverte a pirâmide tradicional da aprendizagem. Até agora, os dados eram vistos apenas como o primeiro passo numa longa cadeia de actividade intelectual. Era suposto os humanos extraírem a informação dos dados em conhecimento e conhecimento em sabedoria. Contudo, os Dadoístas acreditam que os humanos já não conseguem lidar com o imenso fluxo de dados, pelo que não podem extrair informação dos dados, muito menos conhecimento ou sabedoria. O trabalho de processar os dados deve ser entregue aos algoritmos electrónicos, cuja capacidade excede a do cérebro humano”. (Harari, 2017, 429)

Os dados valem por si e em si mesmos, tratados por algoritmos que, apesar de terem origem humana, começam a escapar a qualquer controle de qualidade ou fiabilidade por parte dos cidadãos comuns. Os “Grandes Dados” [Big Data] são apresentados como a própria realidade, tenha sido bem ou mal tratados por algoritmos que parecem criados ex machina. Mas não são. São de criação humana e não são neutrais. Os “Grandes Dados” criam uma realidade alternativa desde que isso seja do interesse de quem manipula o seu tratamento. E a grande desigualdade instala-se entre quem tem capacidade para definir os algoritmos que criam uma Matrix virtual e o resto da população que desconhece como essa representação do mundo é criada. E em que se serve a ilusão de um Conhecimento, tido por irrefutável, mas que é o resultado perverso do que Cathy O’Neil designa como “armas de destruição matemática” (O’Neill, 2016).

A sociedade do consumo (Baudrillard) e a cultura do espectáculo (Debord) são submersas por uma infinidade de “dados”, no que se apresenta como uma “sociedade de informação” que esconde o crescente vazio de significado e verdadeiro conhecimento, numa mistura fatal em que a informação criada pelos algoritmos e a diversão parecem ter o mesmo valor.

“A declaração de um ministro não vale mais do que o folhetim; passa-se sem hierarquia da política às «variedades», sendo a audiência determinada pela qualidade do divertimento. (…) Daqui resulta a indiferença pós-moderna, indiferença por excesso, não por defeito, por híper-solicitação, não por privação.” (Lipovetsky, 1988, 38)

Quando cresce o fenómeno do “infotainment”, mistura de informação e entretenimento que torna difícil distinguir o que é notícia, com dados reais, e o que é ficção, preocupada em manter as audiências interessadas a qualquer custo, confirma-se a tese de Neil Postman que em 1985 escrevia que:

 “(…) quando a população é distraída por trivialidades, quando a vida cultural é redefinida como um perpétuo ciclo de entretenimentos, quando a conversa pública séria se torna uma forma de conversa de bebé, quando, em resumo, um povo se torna uma audiência (…) é a própria nação que se encontra em risco.” (Postman, 2005, 155-156)

Tudo é efémero, tudo é transitório, tudo é relativo e equivalente, desde que não seja aborrecido ou exija muito esforço. A própria política se resume a “sucessões de acontecimentos que chegam, um após outro e geralmente sem aviso nem razão de ser evidente (…) cada um deles desligado de todos os outros, cada um deles levado à atenção do público como que sobretudo para apagar dela os acontecimentos de ontem. O sucesso de hoje equivale ao varrer da confusão que ficou do que foi celebrado ontem”. (Bauman, 2007, 286) Podemos então “divertir-nos até à morte” (Postman, 2005).

PGAPP

Porque Faz Parte da Natureza Humana

No século XIX ou XXI. Teorizar sobre a coisa é um exercício interessante mas redundante. É como o velho enviar recadinhos e papelinhos agora transformados em sms e mensagens uótes e snapes sem parar.

Why Students Cheat—and What to Do About It

A teacher seeks answers from researchers and psychologists. 

Closeau cartoon

(o que fazer? que tal tentar lembrarmo-nos dos truques do passado… os zingarelhos até brilham e tudo… são fáceis de detectar…)

Sociologia do Agressor

É aquela para quem quem leva pancada é culpado de vitimização e o agressor uma vítima da sociedade. Em que as regras atrapalham a vida dos que as não seguem. Percebe-se, depois, que os operacionais desta sociologia da treta se sintam confortáveis com certas práticas políticas (e não só) que só são criminalizáveis se existirem leis, sendo que isso é arbitrário. Esticando um pouco a lógica de tubérculo, só há doenças porque os médicos as diagnosticam, a polícia é um aparelho repressor de pessoas que só são ladrões ou homicidas porque regras humanas assim o definem. Nas escolas, os alunos que são maltratados pelos outros apenas têm uma percepção exagerada dos seus direitos à integridade e os professores que tentam promover um ambiente de segurança para as aprendizagens não passam de cripto-fascistas autoritários e anacrónicos. Os heróis são os “rebeldes” que fazem lembrar ao sociólogo da treta aquilo que ele se calhar quis ser e não conseguiu porque algum@ professor@ o traumatizou em piquinino, para usarmos aqui um cliché, quiçá válido, da psicologia da treta.

Quando o ps chega ao governo, esta sociologia da treta renasce com os respectivos observatórios associados, aqueles que conseguem sempre demonstrar que a violência e indisciplina nas escolas não existe, a menos que sejam outros os partidos no governo. Num outro mundo, ligeiramente mais lúcido, quem observasse estas coisas, daria nula credibilidade a esta malta que sobrevive na base do ajuste razoavelmente directo para a produção de estudos com as conclusões escritas à cabeça. Isto sou eu a lançar suspeições? Nem tanto, apenas observo a repetição do padrão nas conclusões e anos de produção. No nosso mundo, eis que voltam a colocar a cabecinha de fora. Ainda veremos as novas NO a ser avaliadas pelo monge capuchinho.

fake

Dar o Exemplo

Sempre achei que a melhor forma de ensinar algo, ao nível das atitudes e comportamentos, passa por dar o exemplo do que é fazer bem. Para modificarmos as más práticas, nada como dar o exemplo das boas e, a partir daí, conseguir a mudança.

Ao nível das leis laborais o Estado foi entre nós, desde o 25 de Abril, como em outras paragens, em outros momentos, o principal impulsionador de leis destinadas a proteger os direitos dos trabalhadores, em múltiplos aspectos como o horário e condições de trabalho, a protecção social no desemprego ou da maternidade (e paternidade). O exemplo do sector público impulsionava as transformações no resto da sociedade e no sector privado. Desde o início deste milénio que as coisas começaram a mudar e mesmo a inverter-se. Com o último governo PSD-CDS as coisas atingiram mesmo o estado inaceitável de se defender que deveria ser o Estado a dar o mau exemplo com a desregulação dos horários de trabalho, a precarização dos vínculos laborais e a redução dos direitos sociais.

Embora exista quem diga que não pode ser revertido tudo o que foi feito de uma só vez – mas se foi feito dessa forma e se disse que estava mal, porque não se pode? – a verdade é que há áreas que permanecem cinzentas como se a cartilha dos outros não fosse para abandonar por completo, como se, afinal, tivessem parte da razão (a tese dos direitos insustentáveis do sebastiânico rio, assim mesmo, minúsculo). É o caso da manutenção, anos a fio, décadas, de trabalhadores em regime precário na função pública e, em particular, entre o corpo docente das escolas. Fala-se agora em – mais uma vez – combater a precarização do trabalho público. Resta saber se o Estado decide dar o exemplo das boas práticas, com transparência de procedimentos, se opta pela opacidade que impera em largos sectores do trabalho privado. Resta saber se a geringonça tem a coragem se assumir-se mesmo como uma coligação das esquerdas, se não passa de um governo ao centro com muletas do lado canhoto. Porque a malta das direitas não teve qualquer rebuço em assumir as suas opções que apresentou como inevitáveis. Será que conseguiram afirmar a sua narrativa mesmo aos que a ela se diziam opor à outrance, com toda a força das convicções mais fortes.

Quem defende a justiça da vinculação de quem a ela tem direito, dificilmente pode defender coisas extraordinárias, feitas à medida como se por um alfaiate, com ultrapassagens pela faixa de emergência (política? partidária?).

Magoo