As Bolhas Familiares

Dizem agora que 67% dos surtos activos resultam de “convívios familiares”. Ora, em todas as aulas, reúnem-se na minha sala quase de 30 elementos de quase 30 dessas bolhas. E cruza-se os dedos e canta-se aquela música que esteve muito em voga no Verão.

Já agora, até para não ter de fazer outro post, quando nas conferências de imprensa estamos a ouvir falar a directora-geral da Saúde, o secretário de Estado ou a ministra da Saúde, é bom que se perceba que estão ali como pessoal político ou de confiança política, não na qualidade de “especialistas”, cientistas ou médic@s. Aquilo tem números, até pode ter gráficos e uma conversa com ar de neutralidade objectiva, mas são meras sessões de comunicação política e não “científica”.

Trump Viral

A reacção epidérmica é considerar que há uma certa “justiça” em Trump ter sido contagiado pelo vírus. Pensando um pouco mais, talvez se perceba que, se estiver cá fora daqui a uma ou duas semanas com aparência revigorada, ainda ganha as eleições porque, afinal, enfrentou a doença e venceu e quem tem medo ou morre só pode ser fraco. Por isso, guardem lá o fogo de artifício porque o Bolsonaro e o Boris também foram contagiados e estão aí a governar a seu belo prazer, mesmo se o primeiro continua burro todos os dias. E não é por cá fazerem posts inflamados ou abaixo assinados que ele deixa de ter a popularidade em alta.

Só?

Faltam 11.750 para a previsão que alimentou muitos “debates”.

Há 250 professores em risco que optaram por declaração médica. Mas número pode crescer

Sim, o número vai crescer, mas por diversas e variadas razões.

Já o shôr ministro fala do que continua a não saber, mas o actual PM deve adorar a convicção do “jovem”. Diz tudo o que lhe mandam.

Ministro garante que não vão faltar professores para substituições

Já faltam em alguns grupos e daria para explicar facilmente porquê , mas isso agora não interessa nada porque iria contra a “narrativa”.

Coisas Que Custam A Perceber

Ainda não há aulas presenciais… mas parece-me que a Economia não está parada. Ou estará? Porque de acordo com o actual PM, se as escolas fecharem (leia-se… se pararem as aulas presenciais) a Economia pára.

O primeiro-ministro deu a cara pelas novas medidas de restrição, as tais que acompanham um país – todo ele – de novo em estado de contingência, já a partir de terça-feira. E apareceu com uma mensagem determinada, a justificar esse novo apertão nas regras: “Temos uma linha vermelha: não podemos voltar a fechar as escolas, não podemos voltar a fechar a economia.”

Esta não pode ser uma “linha vermelha”… a menos que António Costa seja mesmo irresponsável. E a menos que o “aparelho” esteja afinado e pronto para mentir à opinião pública, se isso for necessário para manter a linha vermelha no lugar.

(será que longe dos microfones disse algo mais interessante, quiçá picaresco sobre os professores que metam atestado?)

Nada De Novo

O SE Costa já tinha há coisa de um mês aos directores o mesmo sobre a forma como o tele-trabalho não se aplica aos professores (embora não seja verdade que é como se passa com os outros trabalhadores, mas se o desmentirem ele faz birra). Quanto aos computadores, faz lembrar as promoções até 90% de desconto. Desde que exista um artigo com 90% de desconto a promessa está certa. Portanto, desde que chegue um computador até ao Natal a alguma escola, ele não mentiu.

Professores de grupos de risco não podem optar por teletrabalho e devem meter baixa

Regime para os docentes é semelhante aos dos restantes trabalhadores, sublinhou o secretário de Estado da Educação, João Costa, num debate promovido pelo PÚBLICO. Computadores prometidos chegarão “durante o 1.º período”.

Esta atitude faz-me lembrar – porque será? – certas tiradas do velho SE Valter Lemos, mesmo se em modelo soft.

(sou obrigado a admitir que o SE Costa consegue mesmo convencer muita gente do que diz, mesmo quando troca as tintas e retorce os factos… tem efectivamente um rebanho alinhado em muitas escolas no discurso “positivo” do “ahhh… vamos dar o nosso melhor pelos nossos alunos… é a nossa obrigação”, quando na verdade o que querem dizer é “façam o que vos mandam e calem-se ou vão para casa”…)

A Questão Ao Lado

Perdi uma horita a passar por canais noticiosos lá de fora, para perceber como andam as coisas a ser encaradas e a regra é a da desvalorização, pelos políticos, dos riscos de contágio nas escolas para os alunos. Porque, apesar da tese já ter levado com uns estudos em cima a contrariá-la, se afirma que nas crianças e jovens o risco é baixo de contrair a covid-19 e ainda menor de ser com sintomas graves. Como se fosse apenas isso que está em causa.

Eu percebo que a escola digital do século XXI levou com um choque de realidade entre Março e Junho e que, afinal, o ensino presencial é ainda essencial e até mesmo algum de tudo mais tradicional do que se de desejaria.

E também percebo que a Economia parece sofrer mais com o encerramento das escolas do que de outros serviços públicos ou mesmo de sectores de actividade económica.

Mas seria bom que ao menos não se escondesse que os problemas não se resumem a haver contágio (ou não) entre os alunos, no interior das escolas. Há muitos mais do que isso, desde tudo o que envolve a deslocação dos alunos fora da escola, a situação dos familiares e, claro, em último lugar para quem gosta de falar sobre isto, os riscos do pessoal docente e não docente.

Mas Não É Essa A Vossa Obrigação?

Ou estão a tentar passar como grande coisa o que não passa do mínimo dos mínimos?

O Ministro da Educação garante que vão ser distribuídas máscaras para todos os alunos, professores e funcionários, no início do próximo ano letivo. Tiago Brandão Rodrigues reafirma que o ensino presencial vai manter-se como regra nas escolas públicas e privadas.

bullshit-detector

É Só Fumaça

Mesmo que avance, depois de toda a filtragem “racionalizadora”, ficará apenas uma variação do regime draconiano em vigor.

Plano de recuperação privilegia reformas antecipadas para professores

Documento apresentado pelo consultor designado por António Costa recupera um dos cavalos de batalha dos sindicatos de professores.

GAveta

Coisas Que (Não) Batem Certo

Mais mortes, os casos de infecção a não descerem, o fim das reuniões de políticos com especialistas (depois da birra do PM na anterior), os principais “fornecedores” do nosso turismo a colocarem-nos na lista negra dos destinos, as demissões na área da estatística da DGS.

Tudo parece não bater certo com o discurso oficial da direcção política do governo e de algumas das âncora da actual estratégia na comunicação social. Mas bate certo com algumas previsões pessimistas e com alguma desconfiança acerca da transparência de tudo isto.

E é engraçado quando se diz que é tudo em Lisboa e se sabe que existem surtos por todo o país e só em Reguengos há 16 mortes.

keep-calm-and-spin-again-2

Era só para brincar ao cinema negro
Os corpos no lago eram de gente no desemprego

 

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