A Montra E O Miolo

Primeira página do Público:

A notícia (só tenho o destaque, pelas razões que há dias expliquei, pois não dei qualquer opinião).

Ministério da Educação revela resultados do inquéritos feito a professores. Entre os docentes consultados pelo PÚBLICO há uma nota que sobressai: as AE carecem de revisão urgente.

Nunca esperei que a “avaliação prometida pela tutela” fosse abaixo da xalência. Até porque as “consultas” são sempre muito “focalizadas”. E há uma enorme acção de propaganda para tentar influenciar a opinião pública. Se em si a propaganda já é algo que tende a distorcer a realidade para provocar a adesão de quem a consome, neste caso é de assinalável desonestidade intelectual.

As AE são um “programa mínimo” que nos deveria embaraçar a todos (não apenas aos más-línguas como eu) se é para as considerar um horizonte para as aprendizagens a realizar.

O Medina Estava Com Cara De Caso

Na conferência de imprensa. Deu umas explicações aparentemente detalhadas (não sei quantas manifestações, não sei quantos processos, mais aquelas tantas comunicações), mas houve ali umas derrapagens cronológicas que passaram quase despercebidas. Parece que se vai lixar um mexilhão (o responsável pela aplicação do RGPD), a menos que seja apenas rearrumado em qualquer outro lado. E à imagem do SEF, extingue-se um serviço, para criar outro para tratar do mesmo.

Mas, pensando bem, ele deve(ria) estar mais preocupado com o galope dos contágios (será que têm havido festas do Sporting todas as semanas?), porque as verbas do turismo vão começar a faltar para tanta obra de mobilidade e outras coisas assim para o cosmopolita e para agradar às tertúlias dos amigos.

3ª Feira

Claro que podemos estar apenas a falar da divisão do ano em semestres, com dois momentos (teóricos) reservados à avaliação formal e não com os três períodos tradicionais, mas é bom que se perceba que a organização em semestres tem tido outra aplicação, que é a salamização de disciplinas como a História, Geografia ou mesmo as Ciências e a Educação Visual.

A Sério?

Duvido seriamente das aparentes certezas e o que observo e me é relatado fora de acções de propaganda é no sentido contrário. E só quem não entende que um desfasamento de seis ou mais meses na leccionação de uma disciplina significa um corte muito significativo é que pode achar que deixar uma disciplina no fim de Janeiro e retomá-la em meados de Setembro é boa ideia.

Sim, eu sei que por semestralidade se pode entender a organização do ano em dois semestres, mas não nos podemos esquecer da outra aplicação da semestralidade. Ou que a passagem de três para 2 momentos de avaliação formal se acabou por traduzir em muitos lados por quatro momentos de avaliação, mesmo que dois tenham outra designação.

No curto prazo, da avaliação instantânea, até poderá parecer que funciona, mas a médio prazo percebe-se que é necessário no ano seguinte estar a fazer uma – aqui sim – recuperação ou consolidação mais demorada das aprendizagens anteriores.

Não digo que não tenha algumas vantagens em termos de organização de horários, mas em termos de “aprendizagens” dos alunos, mantenho as minhas sérias reservas.

Aliás, para se verificar se acham que é mesmo assim, que as aprendizagens ficam a ganhar, e que esta não é uma medida destinada apenas ao que se consideram disciplinas “menores”, proponha-se lá a aplicação da semestralidade( no sentido da sua leccionação em alternativa) na Matemática e no Português.

Vantagens do modelo semestral, que já existe em 95 agrupamentos de escolas, são assinaladas por directores, professores e alunos. Na apresentação do plano de recuperação das aprendizagens, o ministro garantiu que calendário escolar completará esta hipótese.

6ª Feira

Por causa do feriado, o texto tinha sido originalmente escrito ainda antes do anúncio dos milhões, pelo que o parágrafo inicial foi revisto (e enviado, mas não foi corrigido) e deve ser lido conforme o que se segue:

Anunciou-se com estrondo e promessas de muitos milhões o plano central para recuperação das aprendizagens que consta terem sido perdidas em paradeiro incerto durante o confinamento. Já não sei quantas vezes falei ou escrevi sobre o tema, que passa por ser muito sério, mas que em grande parte é uma ficção conveniente para justificar medidas como a revisão de alguns conteúdos disciplinares e a criação de grupos de trabalho com gente muito selecta e especializada na matéria, mesmo que tenham aterrado no debate sobre a Educação à boleia da pandemia.

Discurso Sobre O Vazio

O plano traz lá uma coisita sobre as disciplinas menores do currículo. Nem sequer disfarça que é apenas conversa fiada, sem nada de concreto, tirando a coordenação, claro, que apresentará um relatório lindo de morrer no final.

o Recuperar com Artes e Humanidades – Desenvolvimento de um repertório de iniciativas, sob coordenação do Plano Nacional das Artes, integrando recursos específicos para recuperação e integração curricular;

É, Com Quase Toda A Certeza, Já A Seguir…

… a 8 de julho que o tal grupo de trabalho, de que o Alberto Veronesi fala aqui, deve apresentar as suas ideias há muito conhecidas, bastando ver que quem lá está de facto a madar é o senhor que já manda no MAIA, a moda do momento. Eu bem que disse em 2015 devia ser ele o ministro, já que o actual secretário quis ficar apenas como secretário.

Recuperação de aprendizagens. O trabalho está em curso

Agora Já Querem Mudar…

a “matriz de risco”, porque estará desactualizada. Atendendo que os casos estão a aumentar com menos testagem, a “desactualização” da dita matriz seria maior há uma semanas e ninguém a mudou. Só que agora se trata de Lisboa e quem se mete com o turismo do Medina, já sabe que leva.

A norte, Rui Moreira também parece alinhar no “já vale tudo”, desde que os cámones tragam dinheiro e façam compras.

Assim, não haverá imunidade de grupo que aguente.