Por Exemplo…

… isto poderia bem ser uma notícia de primeiro de Abril. Ou será que é mesmo? Não pode ser… porque se foi no programa da Cristina é porque é mesmo verdade.

Governo prepara solução de aulas pela televisão para todos os níveis educativos

O primeiro-ministro afirmou esta quarta-feira que o Governo está a preparar uma solução assente na Televisão Digital Terrestre (TDT) para assegurar as aulas no período em que as escolas estão encerradas por causa da pandemia da covid-19.

António Costa referiu-se a esta medida no programa de Cristina Ferreira, na SIC, depois de interrogado sobre as consequências para os alunos caso se prolongue pelo terceiro período escolar o encerramento dos estabelecimentos de ensino por causa da pandemia da covid-19.

Pescada

Descodificação De Uma Tarde De Palhaçada (Com Prolongamento Para Amanhã)

Um Conselho cheio de luminárias que devem ter muito que falar e opinar durante uma tarde inteira reuniu-se durante horas para  fazer “recomendações”. Apesar de toda a gente ter ficado convencida que iria ser tomada uma “decisão”, afinal não era verdade, porque a última palavra tem de ser do shôr doutor PM António Costa.

Amanhã, depois do Conselho de Ministro, o luminário-mor, para prevenir críticas posteriores de açlguma “força de bloqueio”, irá reunir-se com os diversos partidos antes de fazer um declaração solene ao país, na qual comunicará uma decisão já tomada hoje, numa encenação de “sentido de Estado” que chateia por diversos motivos que não me apetece desenvolver, porque é do domínio da politiquinha medíocre.

Pelo menos que o adiamento da comunicação traga consigo algum “trabalho de casa” que não se limite a dizer que daqui a quinze dias existirão “aulas de compensação”. Ou que tudo poderá ser feito online. Não é assim tão simples e seria bom que os directores ganhassem um pouquinho mais – só um pouquinho – de autonomia e firmeza.

Só falta ver quem aparecerá no friso de notabilidades, a existir. Ou se será em figura solitária de líder firme e hirto em seu palanque.

Tudo bem… eu até tenho um teste (arcaico) marcado para amanhã e fica despachado. A petiza tinha um marcado para 5ª feira. Vai-se safar.

Bianca Castafiore

(adenda pós conferência de imprensa: não houve tintins e spirous para mandar fechar as escolas porque, sem elas, o país entra em colapso)

 

Sim, Descobrimos O Caminho Marítimo Para A Índia, Em Busca De “Cristãos E Especiaria”, Mas Acabámos Falidos E Nem O Camões Deixou Descendência Para Ganhar Com Os Direitos De Autor Da Epopeia Maior

Tenho sempre um problema fundamental com o uso e abuso demagógico da História para efeitos de agit-prop. Neste caso é por causa da questão do “digital” na Educação. Como se meia dúzia de “salas do século XXI” equivalessem a chegar a Calecute, João Couvaneiro vai por ali abaixo e esquece-se que se o Gama conseguiu glória, honrarias e extensão generosa para o título majestático de D. Manuel, não é menos verdade que a meio do século XVI estávamos falidos e que países que pouco ou nada descobriram souberam ser empreendedores de outro modo (Holanda, só para dar o exemplo de um pequenito em extensão) e conseguiram manter-se ricos desde então. Embora eventualmente com poetas de menor qualidade.

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João Couvaneiro in JL/Educação, 26 de Fevereiro de 2020

Não é que eu ache que a grande Poesia valha menos do que uma balança comercial razoavelmente favorável desde o século XVII, mas talvez fosse bom irmos além da superfície dos chavões históricos.

E depois, claro, lembro-me sempre do Magalhães e do duplo inconseguimento, seja o do próprio Fernão, frechado ao serviço de Castela na ilha de Máctan, seja o do aparato digital dos tempos dos engenheiro e seu muito mitigado aproveitamento pedagógico.

(ninguém está contra o uso de tecnologias que há quem use antes dos concursos para professor do ano, apenas contra um certo deslumbramento meio apatetado que por aí anda…)

Sábado

Como seria de esperar, aquilo dos 60 anos sem aulas já tem “especificações”. Apenas para o 1º ciclo e pré-escolar. Tudo bem, mesmo que seja só assim, até será melhor do que nada. Mas… quer-me parecer que em breve se saberá que será para apenas para quem tenha 60 anos, 55 de carreira, pé boto, olho esquerdo vesgo, três dedos na mão direita e quatro no pé esquerdo e um poster da ministra Alexandra Leitão na revista Super Pop de Agosto de 1995.

Superpop

6ª Feira

É sempre preciso ter em conta que não estamos a lidar com gente séria. Não é “populismo” ou “demagogia” denunciar a “elite” política, em particular a que governa de forma formal ou informal, por se ter tornado essencialmente desonesta. Hoje é dia de apresentar como uma espécie de dádiva o descongelamento de carreiras e as progressões que daí resultaram. O que o Tribunal Constitucional, embora de forma timorata, considerou ilegal e apenas admissível de forma temporária, parece ter sido interiorizado por alguma comunicação social como sendo algo “normal”. E a classe política cavalga isso para dar a entender que os professores terão progredido nos últimos anos graças à sua enorme generosidade.

Chegaram 6000 ao topo da carreira? Mas ganham menos, agora, em termos líquidos, no índice 370, do que há quinze no 340. E de acordo com as regras do ECD, legislado pela “reitora” que recusou fazer a sua add, muitos mais ficaram barrados de lá chegar. Progrediram 45.000? Acredito. Mas deveriam ter sido muito mais e, em vez de um ou dois escalões, deveriam ter progredido três ou quatro.

Ok… noticiam-se “factos”. Pena que se transmita a sensação de isto serem “benesses” ou mesmo “conquistas” quando não passa da tentativa de legitimar os danos causados e as graves perdas verificadas.

Pura e simples bullshit.

Turd

A Tentar Arrepiar Caminho?

O que seria uma boa decisão, a aceitar sem reservas, no actual contexto pode agravar a situação de escassez de docentes em alguns grupos disciplinares.

É o risco de governar na base da incoerência, reagindo aos fenómenos apenas quando eles chegam em força à comunicação social e não quando a onda se está a formar.

Esta medida poderia (e deveria) ter sido colocada em prática – sem os truques de última hora que costumam surgir quase sempre nestes casos – há alguns anos, evitando o esgotamento de uns, o abandono de outros e ainda a desistência de muitos “novos”.

O Ministério da Educação (ME) admite que os professores com mais de 60 anos possam, se assim quiserem, deixar de dar aulas e passar a desempenhar outras actividades nas escolas.

Colocando as coisas de forma clara, nos últimos 15 anos, o PS governou a Educação em mais de 10 e tomou medidas activas que agravaram o que agora se diz querer resolver.

Antes tarde do que nunca?

Confesso já não ter em mim a caridade indispensável para dar o benefício da dúvida a gente que considero ter agido anos a fio com má-fé.

clown

6ª Feira

Ando a embirrar solenemente com o termo “sustentabilidade”. Não é estado d’alma novo, mas agravou-se desde que os spin doctors do actual PM decidiram que era muito “esperto” associar “sustentabilidade orçamental” e “sustentabilidade ambiental” para justificar a não redução da carga fiscal sobre os combustíveis a água e o gás, como se o pessoal passasse a fazer menor refeições a tomar menos banhos e a ir para a cama com as galinhas (salvo seja) por causa disso e assim salvássemos o planeta, quando os grandes consumidores têm os benefícios negados aos pequenos. Pior… se é verdade que cada vez mais electricidade é produzida por meios “sustentáveis” (energia solar ou eólica, por exemplo), o argumento ainda se torna mais hipócrita.

Parole