Para A Maioria Dos Que Estão Na Carreira Há 20 Anos Ou Mais, É Mentira

E nem sequer vale a pena dizer que 39 anos completos de serviço, para quem teve anos incompletos no início da carreira, podem ser 45.

Os professores precisam de trabalhar, em média, 39 anos e ter 62 anos de idade para chegar ao último escalão da carreira, segundo o relatório “Estado da Educação”.

5ª Feira

Os meus parabéns ao gabinete de comunicação do ministro Costa. Deve ter passado parte da tarde numa câmara hiperbárica com auriculares a passar a mensagem “tu és capaz de fazer aquele ar de corderinho encadeado pelas luzes da realidade desafiante e voz delicodoce durante 50 minutos; tu consegues, João; a Isabel Moreira diz que tu és o melhor negociador de todos e a Cosme também, e o Domingos e o Porfírio, tu és capaz”, deram-lhe muitos nutrientes apropriados, aplicaram-lhe um anti-transpirante global e só o soltaram às 22.55. E o ministro Costa pareceu aquele secretário simpático, que andava em digressão pelas escolas do país, sorridente a menos que lhe fizessem perguntas chatas (contam-me que um dia foi de assinalável rudeza com o ex-director Esperança) e a dizer que a culpa de todas as malfeitorias era das Finanças, esses malandros, que por ele era tudo ambrósia e hidromel em cascatas para @s professor@s, uma felicidade para todo o sempre.

Pois, nesse aspecto correu bem, porque a “grande entrevista” que, em regra é com pessoas interessantes que conseguiram algo mais ou menos notável, desta vez foi uma chonice completa, com um ocasional arrepio para dar a sensação de ser mesmo a sério e a oportunidade para exibir um rol de inconseguimentos e equívocos, encarados como grandes realizações. Nesse particular, fez lembrar um relatório de auto-avaliação que, à falta de coisas relevantes para apresentar, se compraz em expor demoradamente o afinco com que se fizeram reuniões, actas e registos de observação, preenchendo todos os quadradinhos em papel e células em excel. Classificação de 9,74 em dedicação hierárquica e aplicação burocrática, mas não tem quota para Excelente, porque ficou para alguém com 9,99 em lambe-botismo e bufaria. Temos pena, mas o fenómeno é transversal e tem de ver que também é comparável a outras carreiras e agora, mesmo que recorra, não se pode reescrever a História. Que faça um protesto previsível, típico e bem proporcionado (86-68-86, já foram medidas canónicas, mas resistem com dificuldade aos anos) ou habitue-se.

Devaneei.

Acontece.

Mas acho que ainda são os efeitos indirectos de ter estado exposto tanto tempo ao ministro Costa, em modelo “sou tão fofinho, tããão foooofinhoooo, tod@s devem gostar de mim”. Bateu de tal maneira que não preciso de ir buscar calmantes à farmácia até às bombinhas do Carnaval.

A Propaganda Do Mé Costa (Em Directo)

Muita conversa fiada a abrir. Com números. A culpa é da troika.

Ele diz que conhece bem os professores. Quais?

O respeito é subjectivo?

Continua com números, em forma de relatório de autoavaliação.

Confiança? Com os sindicatos, talvez. Com os professores, não.

As reuniões foram em ambiente amigável? Todos os sindicatos reconheceram o “grande passo”? A sério?

Boa fé?

O entrevistador dá a mão para a questão das aprendizagens dos alunos.

Vem aí demagogia… o “ano da recuperação”… o jornalista volta a dar mão para dizer que os alunos estão a ser prejudicados.

O 2º período é muito importante? E os outros? Que conversa da treta.

A pressa em meter a cassete, faz com que salte para a “vinculação dinâmica” e para os escalões para os contratados, algo que é imposição europeia.

“Trabalho digno”?

Mas o entrevistador volta meter uma “bucha” sobre o tempo para vincular, só depois dizendo que só se vai fazer o que já existe na administração pública.

Os professores são colocados a 15 de Setembro, porquê? Quem criou as regras, como aconteceu este ano?

Só fala nos 1095 dias… o entrevistador lá lhe diz que a mudança não é assim muito grande. O ministro Costa anuncia muita novidade, como se não estivesse no governo há mais de 7 anos. Estas medidas surgem só agora porque…?

Ahhhh… vai-se fazer o que já existe na administração pública? Ganda novidade.

O entrevistador lá lhe atira com os 7 anos! E lá vem ele com a resposta da treta, descongelamento, recuperação parcial do tempo de serviço e lá vem com aqueles números que repete há não sei quanto tempo e a “responsabilidade orçamental”.

“Solução estrutural de combate à precariedade” que “vai ficar para todo o sempre”. A sério?

Apesar de uma ou outra impertinência suave, o entrevistador parece o de um canal clubístico a entrevistar o treinador do momento. Com pequenas excepções, é tempo de antena gratuito.

Já anuncia acordo com os sindicatos sobre os novos qzp.

Mediram as distâncias… o problema é que, por exemplo, aqui na minha zona, de Almada a Alcochete e Sesimbra vai um mundo de escolas… quantos membros vai ter este Conselho “Local” de Directores?

A “casa às costas” começa a parecer um slogan da Decathlon.

A carreira dos professores nunca esteve descongelada tanto tempo? Passou-se!!!

Esta carreira já existe há algum tempo? Mas o homem desvinculou?

Os congelamentos começaram em Agosto de 2005, homem!

Nova mão estendida do entrevistador para o tema da “municipalização”? Vamos lá a ver se ele volta a falar em mentiras de whatsapp.

Afinal, é contra a contrataçao de professores pelas autarquias?

“O ministério da educação ouve”?

“Não se governa contra as pessoas”?

O entrevistador fez leituras. Ainda bem.

Não conhece os modelos actuais da França e Itália? O shôr ministro não fez leituras?

Sobre a recuperação de tempo de serviço, o entrevistador não se vai lembrar de falar nos Açores e Madeira? Vai engolir a “comparabilidade” e as “contas”? ” ainda a “transversabilidade”?

Engoliu.

“Assunto encerrado”? Mas quem iniciou os descongelamentos?

“Reescrever a História”? Voltámos a esse chavão parvo? “A História não volta atrás”? Só nas regiões autónomas?

Os números da proposta até final da legislatura, já sabemos que não alteram grande coisa. É mentira que as quotas sejam algo transversal a todas as carreiras, pois não acontecem na Madeira e Açores.

Um pacote de 100 milhões de euros? Cacahuètes, diria a madame da tap.

A forma de desenvolvimento das greves suscita dúvidas quanto à previsibilidade. Aguarda o parecer com expectativa.

Tem respeito por “todos” os sindicatos e os seus representantes? Mesmo aos que chama mentirosos?

Lá está ele a elogiar as greves da Fenprof… as outras são “desproporcionais”. Então as da FNE são as melhores.

É giro como ele tenta dizer que a greve é “desproporcional”, mas ao mesmo tempo tem baixa adesão.

Lá veio a alfinetada sobre o crescimento do ensino privado.

Que confusão… diz que o ensino profissional aumentou no público, mas o peso dos privados aumentou?

“Malditos rankings”? Ó homem, cresce!

Ui… PIP’s em 100 agrupamentos… e pipis fritos em quantos?

Três minutos para falar de exames? Quase me ia embora, mas ainda lhe perguntam se sente condições para continuar. Que sim, claro, porque Paris não foge… ou outra cidade jeitosa.

Phosga-se… finalmente, acabou!

O Melhor Assessor De Imprensa Do Ministro Costa E Do Governo Entrou Em Acção

Eu bem disse que a equipa de comunicação do ME estava a precisar de uma renovação. Entrou Marcelo Rebelo de Sousa, que não deve ter bem a noção de quanto tempo dura o 2º período.

Para além de que a “avaliação”, como prática muito redutora de classificação e seriação dos alunos, deve ser encarada de um modo holístico e com umas pitadas de ubuntu À volta da fogueira do Dia das Cinzas.

Presidente alerta que avaliação pode ficar em causa se greves durarem até ao Carnaval

Marcelo Rebelo de Sousa retira responsabilidades ao ministro da Educação e pede solução rápida para impasse.

(…) Assumindo que a greve é motivada por questões mais simples e outras mais complicadas, como a da contagem do tempo de serviço, porque têm “implicações financeiras”, Marcelo disse desconhecer se o Governo tem “algum espaço de manobra” para ir avançando “de forma faseada”. O Presidente acabou por assumir a questão do tempo de serviço como a “mais difícil” porque “implica muito dinheiro”, embora exista uma solução “possível”.

De qualquer maneira, o Presidente segurou o ministro da Educação João Costa. “Não penso que seja um problema do ministro A, B ou C, a posição é do Governo”, defendeu, considerando que “muitas das soluções implicam decisões de vários ministérios, nomeadamente o das Finanças”.

Curiosamente… esta intervenção até bate certo com um par de mensagens que recebi acerca do “cansaço” que esta greve está a acusar entre os professores. Curiosamente, com origem num sector que só agora começou…

A Conferência Do Ministro Costa

Início morno, mas parte para a questão das “crianças” e a sua “estabilidade emocional”. Se isto não é “populismo”, o que será? Falta de decoro, pura e simples.

Que estão ainda a decorrer as negociações.

A greve é “atípica” e “desproporcional”.

E agora passa à cartilha do artigo do Público. A mesma treta.

O governo “reconhece” imensa coisa, incluindo “disponibilidade para negociar”.

Apela aos “representantes dos professores” para haver “estabilidade”. Compreendi-te…

Passa às perguntas… ou seja, wtf… para que foi isto?

A SICN e a CNNP já o despacharam. A RTP3 continua.

O SE Leite, como ex-sindicalista, vem com a questão dos “fundos de greve e diz que “não descarta nenhum instrumento legal” se acharem que existem irregularidades. Nada como, realmente, ter pedigree.

Em outra resposta, diz que quer encontrar soluções com os sindicatos. Compreendi-te, outra vez…

E volta a “desconformidades” relativamente à greve e os pré-avisos.

@s jornalistas insistem na urgência da conferência de imprensa. Se é para tentar desmobilizar a manifestação. O que é tarde. Não consegue sorrir, embora tente.

Agora diz que está preocupado com a “imprevisibilidade” da greve. Que os pais estão muito preocupados… e depois, uma médica que estava a entrar no bloco operatório e foi chamada para ir buscar a filha à escola… a sério, os pareceres foram pedidos por causa disto? Para garantir a “previsibilidade” às famílias não descarta nenhum “instrumento legal”?

A greve por distritos não suscita dúvidas porque é “previsível“… Compreendi-te mais uma vez…

Agora os “serviços mínimos”… já se percebeu que irão para as “necessidades sociais impreteríveis”

E agora desmente que a “municipalização” da contratação de professores alguma vez esteve em causa…

Não diz se haverá mesa única de negociações, porque só o dirá aos sindicatos.

O comentador da RTP3, do Jornal de Notícias, faz o papel de assessor de comunicação do ME. Se isto é um “jornalista”… para ele a greve é “selvagem” … como se pode confiar num tipo assim para “informar“? Se até diz que a “maioria dos professores” está de acordo com o ministro? Onde é que o senhor Rafael Barbosa fez essa sondagem? O homem está mesmo on fire. O nível de insinuações e acusações que faz é indescritível… o Jornal de Notícias “sabe” que isto e aquilo e que a “sociedade não pode ficar prisioneira de meia dúzia” ou mesmo que sejam “300” professores que instalam o “caos”, pagando aos funcionários.

Dá a sensação da intervenção do capataz do JN ter sido a principal razão para haver conferência de imprensa e abrirem-se os mesmos portões de agressividade de 2008.

Uma intervenção completamente destravada, desembestada, quiçá “desproporcional”. Uma completa palermice do director de um jornal diário que se assume como gazeta do governo, ou melhor, de um partido político.

Phosga-se, Rafael Barbosa… mereces uma comenda no 10 de Junho.

Ao ouvir isto, quem estivesse indeciso, acaba de marcar uber para amanhã.

3ª Feira

É conhecido e por mim assumido que tive dúvidas sobre o arranque da greve por tempo indeterminado, assim como já escrevi que tentar replicar o período de 2008-2009 pode acabar mal, porque nessa altura acabou mal. Dito isto, o ímpeto que foram ganhando os protestos pelas escolas conseguiu ter algum resultado, mesmo que indirecto e ainda não substantivo. Acelerou a agenda daqueles que achavam que não se deviam desenvolver “acções de luta” com as negociações suspensas e até os fez regressar às escolas com uma evidente preocupação com o sucesso das iniciativas do S.TO.P.; atrás disso, vieram umas garantias orais do ministro Costa de que algumas “opiniões” não iriam avançar e atá já aceitou antecipar as novas reuniões negociais com os sindicatos. Ou seja, o primeiro objectivo foi alcançado, mesmo se não é ainda nada que se possa apresentar como qualquer “vitória”. A+penas ficou decidido que vão falar sobre o assunto. Mais nada. Mas foi mais do que se estava à espera no início de Dezembro. Por isso, é no mínimo curioso ler e ouvir certas pessoas, agora, a colocar muitas dúvidas sobre o que está a ser feito e, no limite, até a dar a entender que é preciso dar tempo ao ME e compreender que não pode ser tudo muito rápido. Pior mesmo é irem para as escolas renovar discursos de medo quanto às iniciativas alheias.

Curiosamente, o ministro Costa, que tão pouca pressa declarou ter inicialmente para dialogar com os representantes dos professores, teve muita pressa em responder ao texto de dia 6 de Sampaio da Nóvoa. Lá está ele hoje, a cavalgar a sua obra, de números feita, de estatísticas de sucesso montadas em cima de mistificações, burocracia desconfiada com o trabalho dos professores e muita desumanização da pedagogia que ele tanto gosta de dizer flexível. O ministro Costa deveria perceber que, apesar de muitos anos como governante, é um pigmeu em termos intelectuais em relação a Sampaio da Nóvoa, pelo que deveria ter pudor em colocar-se em bicos de pés, quando a cada intervenção que faz pontapeia a verdade e retorce os factos. Ele já assume os últimos sete anos de governação como seus e apresenta-os como uma “transformação da escola pública”. Já se tinha percebido, por aquelas notícias do sucesso de 9 em 10 alunos no Básico, que o contra-ataque se basearia nesta táctica de atirar estatísticas para cima da opinião pública. Que por cá, ainda mais do que algures, são torturadas e sangradas até dizerem o que os mandantes desejam, Quanto ao ministro Costa, percebe-se que não se enxerga mesmo.

A Aposta Do Ministro Costa

Manter as rondas negociais, onde se formalizarão as suas novas “opiniões”, o mais tarde possível, na expectativa de que os protestos esmoreçam. O problema é que se manifestação de dia 14 exceder a do mês passado, talvez seja tempo de anunciar, já no escurinho de uma noite destas, a sua partida. Que vá para as europas, para as ócêdêés, onde deve ter poiso garantido junto d@s amig@s, que siga a sua vidinha e nos deixe em paz. E que quem o substitua traga uma forma de estar diferente e, muito em especial, “opiniões” muito diferentes. E que não confunda “firmeza” com teimosia sonsa.