Aguentei Pouco Mais de Um Minuto…

… a ver e ouvir o António Costa a retomar o seu lugar na agora Circulatura do Quadrado. Apanhei-o com ar sonso a dizer que não lhe competia analisar os resultados das presidenciais, mas que o resultado da Marisa Matias talvez fosse decorrente da atitude menos colaborativa do Bloco em relação ao governo e que o João Ferreira tinha consolidado (ou qualquer coisa assim) os resultados do partido que mais tem ajudado a solução “de esquerda” da governação. Esta última parte foi mais explícita do que a anterior, porque o homem para além de se baralhar muito nas concordâncias, tem o hábito de achar que consegue ser subtil e que aquele sorriso azeitoso é charme natural. Não vi o resto, porque até eu tenho limites para o que consigo aturar de auto-complacência e atentados ao pudor em público (até porque o Jerónimo me parece camarada recatado em tais matérias).

(entretanto, leio que “Costa defendeu o ministro da Educação dizendo que “ninguém proibiu” o ensino online” e não há realmente pachorra para tanta aldrabice)

A Família É Uma Nação?

Sem ser necessário um grande esforço, consegue seguir-se a “narrativa” da “opinião” publicada no Expresso como se fosse uma espécie de novela do pais do faz-de-conta. A culpa é de “todos”, como se “todos” tivéssemos a mesma capacidade de agir. Como se, subitamente, o governo fosse um colectivo à escala nacional e o Primeiro-Teimoso, desculpem, o Primeiro-Ministro apenas um entre os pares. Não foram os meses de medidas não tomadas, a não aceitação dos avisos de quem projectava a dimensão da segunda vaga, não foi o populismo da folga natalícia, não foi a lentidão da reacção às evidências, fomos “NÓS”. Nós, o caraças!

O “falhanço nacional” é o fecho das escolas? Não é sermos o país com mais óbitos e contágios por milhão de habitantes no mundo? Não são as mais de 1500 mortes numa semana?

Não, pá, não foi bem isso que se passou, Mas eu percebo a tendência para fazer diluir a responsabilidade de uns quantos na massa enorme do “todos nós”. E o empurrar do “falhanço” para o “fecho das escolas”. “Inevitável”, mas só “agora”. Não é verdade. Esta “leitura” é quase tão inaceitável quanto “o preço de sermos humanos” do outro filho d’algo na bancada de filhos d’algo que é a prateleira dos opinadores residentes do semanário balsâmico. O que está a tentar fazer-se é, com rapidez e mais ou menos habilidade, uma enorme manobra de branqueamento.

O fecho das escolas, infelizmente inevitável perante os números atuais, é o maior símbolo do falhanço nacional.

Ricardo Costa

5ª Feira – Dia 7 Do Pseudo-Confinamento (Mas Agora A Sério), Dia 2 Dos Testes Antigénio

Se as escolas fecharem amanhã ou 2ª feira, a campanha de testes antigénio fica como? No armazém? Sou obrigado a alterar o título dos posts? Ora bolas!

Pela manhã, menos trânsito, porque há quem já tenha deixado os miúdos em casa. Um pouco como em Março. Na TSF, a directora do JN a explicava como o governo apesar de convicto da sua “convicção” em manter as escolas abertas, por motivos essencialmente “sociais”, fora “forçado” (seguindo-se um dedo espetado ao PR) a mudar de posição. E que tal e que tal (foi há umas horas e com a intensidade das aulas que se seguiram a tentar fazer sentido disto aos miúdos, deram-se perdas irreparáveis na minha memória). e, claro o problema da “percepção” (termo a fazer uma entrada triunfal no discurso político-mediático para explicar o enorme desfasamento entre o que existe na realidade e o que alguns governantes conseguem perceber) ter “forçado” (outra vez) o governo a mudar de posição em 48 horas. Ou 72. Ou não sei. O que sei é que, com ou sem estirpe britânica, ficou à vista que deviam acabar com os 2ºs mandatos de governos com a mesma liderança e estrutura de Corte.

O Seguro De Vida Do Governo

Caro senhor Presidente, apenas duas observações muito rápidas, com o devido respeito:

  • Se acredita no que diz, que 2 a 4 semanas de paragem “atropelariam” o ano lectivo, agradeço que mande calar aquela malta que fala muito na “Educação Digital” ou da “Educação do século XXI” que o convida para abrilhantar eventos.
  • Em segundo lugar, sei que tem a noção do que a História (aquela feita a sério, com mais ou menos distância) faz a quem se deixa ir na corrente do tempo presente, em busca da conveniência mais imediata. É uma opção deixar-se seduzir por estórias.

A Grande Mentira

Uma das maiores operações de encobrimento em decurso é o sub-registo de casos nas escolas, de alunos a docente, passando por assistentes operacionais. O encobrimento começa a partir da base, restando saber se isso é, nuns casos, da iniciativa dos poderes locais ou se, em outros, resulta de indicações (certamente informais e sem deixar rasto documental) da “hierarquia”. O problema é que, mesmo no terreno, o que se conhece é filtrado. As pessoas deixam de aparecer a dar aulas – ou alunos de frequentá-las – sem se saber a razão, porque a circulação da informação sobre as causas é controlada e limitada ao considerado “essencial”.

Tudo em nome de prevenir “alarmismos”, claro. Ou de defender a “privacidade”. A bem da “confiança” e da legitimação da tese do “contágio zero”. Muitas escolas tornaram-se “fábricas da verdade”. Em nome do “interesse geral”. Ou “bem comum”. Ou lá o que chamam a mentiras de Estado nos dias que correm.

Haveria uma forma indirecta, mas parcelar, de se ter uma ideia da incidência de casos entre os alunos, caso na justificação das faltas, por exemplo no E360, os directores de turma assinalassem sempre quando a causa é o “isolamento profilático”. Resta saber se muitos estão para isso. Para além de que o E360 ainda não está generalizado a todas as escolas e analisar dados com os outros programas (GIAE, Inovar) não deverá ser uma prioridade nas “investigações” a realizar ou apoiadas pelo ME.

Se não recorrer, e após ter sido intimado pelo tribunal a dar à Fenprof a lista das escolas com infecções, ministério deverá responder até ao fim do mês. Últimos dados apontam para 63 surtos activos em estabelecimentos de ensino, num total de 467 infecções. Mas casos isolados continuam a não ser divulgados.

4ª Feira

Ao contrário do que disse António Costa, os “especialistas” (designando-os assim parece que é mais fácil aglomerar as posições) não se “dividiram” quanto ao encerramento das escolas. Pelos relatos que existem, todos concordam que esse é um factor que ajuda bastante a reduzir o ritmo dos contágios. A diferença é entre os mais “técnicos” que referem isso como objectivo e os que são mais “políticos” e inserem os “mas” de outros tipos, seja que a redução dos contágios pode fazer-se na mesma, só que mais devagar, e os que decidem teorizar sobre as questões mais sociais. Mas que o encerramento das escolas é uma das duas medidas mais eficazes para reduzir o R (a seguir a proibir ajuntamentos acima de 5 pessoas) começa a ser uma conclusão clara dos estudos transversais feitos em vários países.

A decisão vai ser “política”, não por lhe faltar base “científica”, mas porque a “política” nos últimos dez meses falhou na preparação de uma segunda vaga com esta gravidade. Foram empurrando as coisas, a ver se “mitigavam” e agora estão a tentar disfarçar isso.

E depois, por estranho acaso, nas televisões, quando se fala nisto, só aparecem salas de aula amplas, com mesas individuais e distanciamento apropriado, como se essa fosse a situação generalizada nas escolas do país. O que está longe, muito longe, de ser a realidade no terreno. Mas o que interessa é dar a entender que o nosso parque escolar é um Parque Escolar. Não é, mesmo se a descendência (filhos ou netos) de algumas figurinhas deprimentes do nosso mercado mediático tem a sorte de andar nas escolas “certas”.

Só As “Multidões”?

O passa-culpas para o “colectivo” não deixa de ter a sua graça. A “irracionalidade” nasce da estupidez natural de muito ser humano e é individual, assim como do défice educativo e da atitude anti-científica de muita gente que acumula com uma arrogância hipócrita do género “ai, eu só quero saber a ‘verdade’ e os ‘dois lados’ do problema”. Porque uma coisa é ter uma atitude crítica e não esconder que, por exemplo, as vacinas que por aí estão a aparecer têm uma testagem insuficiente, outra é desatar numa histeria de publicações em que vale tudo, até considerar como gurus quem acha que a Terra é plana ou oca como certas cabeças.

Quanto leio… “isto é só uma constipação ou uma ligeira gripe” a sério que me apetece levas as pessoas a uma UCI ou falar com parentes de pessoas que passaram pela coisa em si, mesmo escapando.

Já quando vejo políticos a fazer continhas eleitoralistas (“vamos lá ver se conseguimos abrir isto um bocadinho no Natal”) ou a esbracejar com chantagens mal amanhadas (“numa altura destas temos de estar todos unidos”), o único sentimento é de um profundo desprezo. Ou mesmo asco.

Países Baixos anunciam confinamento mais estrito que o primeiro. Itália (que passou a barreira dos 65 mil mortos), várias regiões de Inglaterra e Alemanha apertam regras. Também na Suécia vai haver recomendações mais fortes.

Somos Péssimos Em Aritmética

Em 2019, os alunos do 4º ano que começaram a escolaridade em 2015, desceram pela primeira vez desde 1995 os resultados em Matemática. O actual Governo, sob cujo mandato estes alunos fizeram todo o 1º ciclo culpa o anterior e as “políticas de Nuno Crato” que tinham permitido em 2015 prosseguir os ganhos anteriores. Isto é um nível superior de desonestidade política. Ou apenas não saber contar de 4 em 4. Já sei que alguns irão dizer que eu estou a defender Crato. Neste caso, sim. Em outros, nem pouco mais ou menos como ficou devidamente registado em seu tempo. Agora, que com esta pandilha na Educação as coisas se começaram a desleixar, é uma evidência. E não são provas patetas no 2º ano que podem substituir as do 4º ano quanto a alguma responsabilização nisto tudo. Provas que não eram “exames” como alguns gostam de afirmar, sabendo que mentem. Mas que serviam para alguma coisa. Acabaram com ela… os resultados internacionais descem. E a culpa é dos outros?

Estes alunos são os “filhos” do Tiago a porta-voz e do João a mexer os cordelinhos da sonsice pedagógica (que tem muitos adeptos entre nós, eu sei… a malta que critica a “examocracia”). Este alunos foram os primeiros que “beneficiaram” do fim das provas finais do 4º ano; eram eles que estavam no 1º, quando elas foram eliminadas. Fizeram todo o primeiro ciclo sem essa sombra tenebrosa. Começa a perceber-se o que (não) valem as patacoadas requentadas de um nicho ideológico que foi moderno há 50 anos.

Quando foi da subida nos PISA, feitos com alunos que tinham feito quase todo o Básico em outros mandatos, apressaram-se a reclamar os louros. Agora, que são alunos que passaram o tempo todo com tão preclaros governantes, já sacodem a água da sebenta.

(se for preciso um desenho, eu faço… por exemplo, uma ficha de Português de 5º ano que há 4 anos eu aplicava em dois tempos no final do período, agora preciso de a aplicar em três e há quem não a consiga acabar… e nem sequer é com “matéria nova”… é apenas leitura, interpretação e os rudimentos da gramática e de alguma escrita)

Onde? Como? A Sério?

Apesar de ser esperada uma segunda vaga da pandemia para depois do Verão e da necessidade de preparar as escolas para suspensões de aulas presenciais, só a meio do 1.º período começaram a chegar às escolas os primeiros kits da Escola Digital para os alunos que precisem de ter aulas a partir de casa.

O relatório revela que foi durante este estado de emergência que se deu o “início da distribuição dos kits de computadores (computador portátil, auscultador com microfone e mochila) e conectividade (hotspot e cartão SIM) às escolas”. O documento especifica que “começaram a chegar às escolas, na segunda semana de Novembro, os primeiros kits do programa “Escola Digital”, adiantando que, “num primeiro momento, será dada particular atenção aos alunos abrangidos por apoios no âmbito da Acção Social Escolar, iniciando-se com os alunos do escalão A que frequentam o ensino secundário, priorizando aqueles que não têm acesso a equipamentos electrónicos em casa”.

João Costa, O Desmaterializador

Nuno Crato queria implodir. Apenas estragou, mas ganhou uns milhões para mandar estudar o que não fez e devia ter feito.

Agora temos João Costa que quer desmaterializar, mas não consegue fazer chegar computadores às escolas, pelo que os alunos devem ver os manuais digitais por um canudo pago pelos pais.

A propósito do 20º encontro digital da Leya, caiu-me isto no mail:

João Costa, Secretário de Estado Adjunto e da Educação, escreveu para a LeYa Educação:

“A desmaterialização dos manuais inscreve-se no Programa do Governo por motivos independentes, mas que se complementam:

Por um lado, o potencial que os recursos digitais têm na exploração de várias fontes de informação, de relacionar o texto escrito com outros meios. Num momento de informação abundante, não faz sentido que o manual seja estático e constitua o único apoio para o desenvolvimento curricular.

Por outro lado, o piloto dos manuais digitais enquadra-se no programa Escola Digital. Através do qual se promoverá o desenvolvimento de competências digitais, a promoção de literacia digital e de informação. Numa política que incorpora quatro eixos fundamentais: a disponibilidade de equipamentos e conectividade, a formação de professores e a produção de recursos educativos digitais.

Finalmente, estamos perante uma medida que contribui para a sustentabilidade do planeta, por se usar menos papel e para também por resolver o antigo problema de excesso de peso nas mochilas dos alunos.

A partir das escolas participantes foi criado um piloto que serviu para obtermos informação sobre as necessidades e ritmo de transição digital, sobre as necessidades de capacitação dos docentes e por fim para obtermos um leque de experiências que possam servir de exemplo às escolas que vieram a implementar a desmaterialização nos próximos anos.”

(já viram quantos “nichos de mercado” com os dinheirinhos da “bazuca” . caso húngaros e polacos possam a fazer do Estado de Direito o que entenderem – esta opção cria para os cortesãos do costume, mais umas parcerias à maneira?)