O Bloco Em Bicos De Pés

Isto de um tipo ouvir rádio enquanto conduz e gostar de saber algumas notícias faz com que se apanhe também com “debates” no Parlamento. Hoje, depois de mudar de estação perante o risco de regurgitar durante a intervenção da Ana Catarina Mendes, regressei e apanhei uma parte da outra Catarina (a Martins) a explicar ao povo tudo o que o Bloco arrancou em negociações de véspera à ortodoxia orçamental, como explicação para a abstenção. Mas, depois de somar aquilo tudo, pareceu-me um pacote de amendoins sem sal. Nem sequer beliscam os 250 milhões não orçamentados com as receitas fiscais das progressões na administração pública.

peaners

 

2ª Feira

Foi interessante ouvir na TSF a notícia sobre o modo como o génio Centeno de Harvard y Eurogrupo preparou o orçamento, escondendo a receita gerada pelos aumentos dos funcionários públicos. E ainda mais ter o especialista em salgados económicos, João Duque, a esclarecer que os aumentos de despesa com aumentos salariais geram um aumento da receita fiscal. É curioso que durante a questão da recuperação de tempo de serviços dos professores tamanha perspicácia não estivesse disponível.

centeno

A Mim Parece…

… que há uma enorme encenação em torno de eventuais discórdias entre Costa e Centeno, sejam europeias ou nacionais. No fundo, é a velha estratégia do polícia bom e do polícia mau, sendo que o nosso PM gosta sempre de ficar a encher a fotografia do lado “certo”, enquanto o Ronaldo das Finanças prefere mostrar-se como o grande moralizador dos gastos da Nação e ganhar “prestígio internacional”. Podia ter sido ministro durante a troika, que pouco teria sido diferente, tirando a paz das “esquerdas” durante quatro anos.

O resto do governo não passa de um grupo de ajudantes, excepto algumas figuras com mais “peso político”, mas que andam em  pastas com poucos gastos como o S. S. ou então é o secretário com o apelido bom que tem muitas verbas europeias com autorização para distribuir pelo país. Já a ministra da Saúde fotografa bem quando anuncia milhões para pagar as dívidas do passado como se fossem investimentos para o futuro.

Tudo o mais não passa de fumaça para consumir papel (cada vez menos) e horas de tédio analítico televisivo.

spin

Abandonai Qualquer Esperança…

… vós que ainda acreditais em anúncios de potenciais pré-reformas com condições vagamente dignas. Porque, exactamente por causa do envelhecimento da classe docente, verifica-se uma (ainda há um punhado de anos inesperada) evidente impossibilidade de substituir toda a gente que sairia da profissão se isso fosse possível sem os cortes grotescos em vigor.

Se por acaso aquela coisas dos 55 anos (ou mesmo 60) fosse para levar a sério, haveria um verdadeiro “estoiro” de saídas, porque há quem esteja pronto a desaparecer de vista por mil euros mensais líquidos, pois não há preço para a sanidade mental. E o sistema colapsaria, mesmo se começassem a recrutar pessoal ainda a acabar os cursos, sem qualificação profissional, como começam a aparecer por aí, relembrando os anos 80 do século passado.

Com a agravante de, na época, haver gente já com experiência e ainda com a disponibilidade para ir integrando e ambientando os novos, num espírito pacífico de transição geracional e agora estar em quase completa erosão esse tipo de capacidade, por esgotamento da larga maioria de quem está.

Por isso, não vale a pena acreditar que existirá qualquer proposta séria para aposentações dignas ou mesmo um regime com pés e cabeça de trabalho parcial. Há coisas que são apenas feitas para fazer capas de jornais, alimentando ilusões a uns e acirrando outros contra moinhos de privilégios.

Inferno1

(é como aquilo dos 800 milhões para a Saúde em regime “plurianual” para combater uma “crónica suborçamentação” que prolongaram quatro anos… )

Quem Diz 2021, Diz 2023 Ou Dia De São Nunca Ao Entardecer

A velha estratégia de atirar umas coisas para as primeiras páginas e ver o pessoal a espernear. E ainda há quem vá ao engodo.

Alexandra Leitão diz que o compromisso é o de estabelecer este ano critérios para dar acesso antecipado à reforma. Mas verbas específicas só em 2021.

A nova ministra está no seu elemento… o de atropelar qualquer boa vontade da “outra parte”. O conceito dela de “diálogo” é o de ela dizer e mandar fazer e os outros ouvirem e fazerem. Mas se o camarada Mário diz que gosta de negociar com ela… ele lá saberá.

AlexLeitao

As (Pré) Guerras Do PISA E A “Geração De 2003”

Penso que ao contrário da maioria do pessoal que (desde hoje!) escreve(rá) sobre os resultados do PISA 2018, eu sou encarregado de educação exactamente de uma petiza que nasceu em 2003 e apanhou com toda a tralhada com que mimosearam os alunos do Ensino Básico durante vários mandatos, incluindo as famosas “provas finais” do ministro Nuno Crato (mas também já apanhara revisões de programas no 1º ciclo das suas antecessoras). Assim como, desde o início do ano lectivo de 2015-16 apanhou com toda a retórica “anti-exames” e afins dos pedagogos da geringonça. E com ela, quem fez cá os testes PISA no início de 2018 já levou também com mais de 2 anos de governo do PS na Educação e a torrente do discurso verdascado em prol do sucesso a todo o gás,

Se são uma espécie de exame às políticas dest@ ou aquel@ ministr@? Seria bom que assim fosse e que isso se estendesse a todos os PISA e se fizesse a devida contextualização do trajecto do alunos que os fizeram em outros anos ou os venham a fazer em 2021, sem nada de peculiar na selecção das amostras (como parece ter acontecido em 2009). Porque precisamos que exista uma responsabilização pelo trabalho feito para além de se recolherem os louros quando corre bem e se sacudir a água do capote quando corre assim-assim ou nem tanto assim. Mas duvido que seja isso que venha a estar em causa, mas mais uma série de dedos a apontar para aqui e ali com muito oportunismo político e escassa mais-valia analítica.

A verdade é que desde 2000 os resultados dos alunos portugueses têm revelado uma melhoria consolidada. Mas isso não permite estabelecer relações de causalidade com medidas que não se relacionam com o que é examinado no PISA. Por exemplo, o encerramento de escolas do 1º ciclo tem alguma relação com o desempenho de alunos que nem sequer sejam dessas zonas? Ou as mudanças em programas de disciplinas que não foram as “examinadas” devem ser tidas em conta? E há mais “variáveis” que se andam a querer apresentar como relevantes quando dificilmente terão relações de causalidade.

A mim, sei lá porquê, quer-me parecer que andará a ser preparada uma enorme operação de spin e basta olhar para o programa de festas para se perceber que hoje já andaram lebres a saltar pelos campos. Resta saber se ainda levam chumbada nos lombos.

PISA will be published at 09.00 a.m. Paris time/CET (08.00 a.m. GMT) on Tuesday 3 December 2019.

OECD Secretary-General Angel Gurría will launch the report at an event at OECD headquarters, at 09.00 a.m. local time on Tuesday 3 December – full details below.

On Monday 2 December, news briefings will be held under embargo in (all local times):

Tuesday 3 December

To obtain an embargo copy of the report and country notes, journalists should contact embargo@oecd.org. Embargoed copies of the reports, together with country notes, will be issued 24 hours before the launch, in the morning Paris-time of 2 December.

Já agora, é curioso como muita gente que é contra “exames”, depois se queira agarrar aos PISA se lhes cheira que dá jeito.

PISA