Aos Poucos, Lá Por Fora

Em busca de hard evidence. E sem ser com petizes de 2º ou 5º ano.

Online GCSEs ‘by 2025’, as AQA launches major pilot

Up to 2,500 secondary school students from between 60 and 100 schools will trial online GCSEs

(…) AQA wants ‘pragmatic hard evidence’

E já agora, por onde anda isto?

A nine-month trial of “digital progression tests” in 16 countries, involving 1,500 students and 120 teachers, has just been completed.

5ª Feira

A deriva para o digital nas provas de aferição não me levanta problemas por ser o “digital”, ao qual recorro há muito tempo, em termos de investigação desde o início dos anos 90 quando o grupo de trabalho em que me inseria informatizou os dados das viagens e naufrágios da Carreira da Índia e mais tarde o movimento do porto de Lisboa no fim do século XVIII-início do século XIX. Em sala de aula uso-o há tempo suficiente para ter ouvido, durante anos, algumas críticas em surdina por andar sempre a mudar as minhas turmas de sala, para terem a possibilidade de mexer semanalmente nos computadores desde o 5º ano.

O “digital” não me incomoda em si mesmo, apenas me incomodando quando é apresentado como praticamente a única via para o futuro, desde tenra idade, sem que exista o cuidado de não se perderem competências ao nível da motricidade fina, da capacidade de escrever e compreender textos em letra cursiva ou elaborar parágrafos e textos com lógica e sequência sem “muletas”.

Por isso e não só, porque há muito tempo que defendo que, a existirem provas de avaliação externa, devem ter uma estrutura que torne comparáveis os resultados ao longo do tempo, em séries longas, sem “cortes” resultantes de mudanças significativas dos programas, das “aprendizagens” tidas como “essenciais” ou da própria estrutura das provas, só posso estar de acordo com o grupo de “peritos” (embora esteja lá a minha “adorada economista Peralta que de perita em Educação tem muito pouco, para além das ligações académicas) que Os instrumentos de avaliação devem ser melhorados e as provas de aferição ou exames (elaborados pelo Instituto de Avaliação Educativa, IAVE) devem ter um grupo de “perguntas âncora” que permita comparar a evolução dos alunos de ano para ano. Porque só assim poderão ter alguma utilidade, para além de oportunismos políticos ou para legitimar necessidades de formação ou alteração de programas, a cada triénio.

Sim, há que evoluir, há que mudar, mas essa “evolução” e a consequente “mudança” não devem estar apenas ao serviço de umas ideias vagas e pseudo.modernaçãs sobre a “Educação no século XXI”, expressão que ouço com crescente conteúdo demagógico, há mais de 30 anos, quase 25 deles já dentro do século em causa.

Entretanto, também surge, na mesma página do JN de ontem uma referência a um estudo sobre o “bem estar” e a “saúde psicológica” de alunos e professores. Três notas breves sobre um assunto bem mais importante do que o espaço que tem merecido.

  1. A proporção de professores em sofrimento nas escolas é muito superior à dos alunos.
  2. Esse sofrimento não se resolve com “formações” que apenas pretendem que as pessoas lidem com o que as faz sofrer, em vez de combater o que as faz sofrer.
  3. As causas desse sofrimento são por demais conhecidas e só muita má fé ou estupidez dos decisores políticos pode justificar que aleguem desconhecê-las e quais as soluções, muito claras, para as reduzir.

O E360 Aderiu À Greve

Tem estado o dia todo nisto, o que tem a sua graça, pois nem sumários, nem justificações de faltas, nem lançamento de classificações, nada. Mesmo sem pré-aviso.

Há menos de dois meses foram mais de 120.000 euros (+IVA) para a “Integração do FITescola na plataforma E360”. Que hoje está com este aspecto. Deve ser de alguma cheia nas canalizações.

A transição digital no seu “melhor”.

O Problema É O Que Se Vai Poder Fazer Com Eles

“Temos cerca de 70% dos computadores efetivamente entregues”, disse João Costa em declarações à Lusa, à margem de uma visita à Escola Secundária Arco-Íris na Portela, em Lisboa.

O que se faz com quem não aceita e não tem outros equipamentos?

E com quem aceita e depois não os leva quando é solicitado?

E ainda quem não aceita porque receia ter de pagar o arranjo se alguém enfiar uma patada na mochila (ou cacifo) d@ petiz@?

Penaliza-se?

Ignora-se?

Pensa-se depois nisso?

Como fica a “equidade” no meio disto? E a “inclusão”? E a “transição digital”? E as “novas competências” para o século XXI?

5ª Feira

descobrimos hoje que o significado de “transição digital” entre nós é mais no sentido dos documentos fazerem trânsito digital por estas bandas, antes de os sacarem para outros destinos. Muito contrato manhoso prá amigos, muito ajuste directo com lucros a dividir por X é no que dá. Nada é invulnerável por estes dias, mas basta olhar para as plataformas em funcionamento na administração pública para ver que parecem manteiga ao Sol. Deve ser esta a dimensão da “administração aberta”.

Desmaterializações

Até pode ser uma boa ideia, mas tudo depende do uso que se der à coisa. E nem toda a gente sabe ainda funcionar com isto ou não tem os códigos ou o leitor de cartões. è de uma escola a Norte, que é de onde sopra mais o vento.

No âmbito do nosso PADDE, uma das medidas previstas para o próximo ano letivo é a desmaterialização dos vários documentos que utilizamos diariamente (atas, relatórios, etc..). Para que tal aconteça e que tudo fique legalmente assinado, teremos de recorrer à assinatura digital dos vários intervenientes/responsáveis.
Neste sentido, solicitamos a todos os que ainda não validaram a sua assinatura digital que o façam, aproveitando o momento das férias de verão. Enviamos também um tutorial que poderão consultar como ajuda.
Em setembro, se necessário e para quem precisar, estaremos ao dispor para ajudar.

Este Mês, No JL/Educação

Parece que estou em contra-mão naquelas páginas, mas fiz o texto sobre o tema que o JCVasconcelos me pediu.

A terminar o mês de Abril chegou o anúncio de que “no próximo ano letivo, as provas de aferição já serão realizadas em formato digital por todos os alunos do 2.º, 5.º e 8.º anos de escolaridade [e que] de fora, vão ficar apenas as provas de Expressão Artística e de Educação Física” (Diário de Notícias, 30 de Abril de 2022). De acordo com a mesma fonte “no ano letivo de 2023/2024, será a vez dos alunos do 9.º ano realizarem também as provas finais de ciclo em formato digital. E no ano seguinte, segundo o calendário do IAVE, a ideia é que também os alunos do secundário troquem a caneta por um teclado para fazer os exames nacionais”. Parece que há meios para a iniciativa “através do PRR, onde está inscrita uma verba de 12 milhões de euros para a desmaterialização das provas e dos exames”.

Não vai faltar quem rejubile com a medida e a considere um salto indispensável para uma modernidade sempre em fuga, uma faceta necessária da transformação da nossa Educação num mundo crescentemente baseado e moldado por ferramentas digitais. E eu até compreendo que este é um caminho natural na evolução da aplicação dos meios digitais à Educação, embora tenha algumas reservas, como seria de esperar em alguém naturalmente céptico com epidérmicas excitações tecnológicas, quanto à bondade da sua aplicação em provas que visem uma aferição minimamente rigorosa das aprendizagens dos alunos e, maiores são ainda as dúvidas, quanto à sua adequação à realização de provas finais de ciclo ou aos exames do Ensino Secundário.

Mas para não parecer tão “bota de elástico”, gostaria de começar pelas vantagens que reconheço às ferramentas digitais no que se refere à avaliação do desempenho dos alunos em alguns aspectos da sua vida escolar.

A primeira delas é o do ganho evidente com a desmaterialização dos suportes físicos em que se fazem tradicionalmente as provas. Se podermos evitar a impressão de milhões e milhões de enunciados, tantos deles em excesso e resultando em puro desperdício, é óbvio que ficamos a ganhar ou, melhor dizendo, a não perder com o gasto de tanto papel.

O segundo passa pela poupança de tempo que assim é possível no processo de classificação das provas, pois, ao ser completamente ou na sua maior parte, automatizada, isso reduz muito o tempo agora usado nessa tarefa. Aliás, o actual ministro apressou-se a apresentar a medida como uma espécie de favor aos professores, afirmando “que a realização de exames em formato digital tem diversas potencialidades como permitirem em muitas questões uma classificação automática libertando professores que deixam de ‘passar o Verão a avaliar provas e exames’.” (Jornal de Notícias, 5 de Maio de 2022)

Uma eventual terceira vantagem, que me desperta menor aplauso ou adesão, é de este processo automático de classificação evitar os “erros” decorrentes da intervenção humana e conseguir deste modo alcançar um maior rigor e objectividade na classificação. Isso é verdade, em termos mais restritos, mas empobrece muito todo o processo de avaliação dos alunos, reduzindo-o a um processo de mera selecção de alternativas ou de respostas curtas e fechadas em termos de conteúdo.

E esta pode ser a primeira objecção forte que esta opção por uma avaliação exclusivamente digital me levanta, enquanto professor que considera que a dimensão humana deve estar presente em todas as dimensões do trabalho dos alunos, incluindo nos momentos de avaliação, não apenas no seu acompanhamento, mas de igual modo na classificação do que foi produzido.

É aliás paradoxal que as mesmas pessoas que menorizam tanto o papel da avaliação externa das aprendizagens dos alunos e considere que os “exames” são apenas um pequeno ponto em todo o percurso dos alunos, sendo muito limitada a sua capacidade de avaliar verdadeiramente a qualidade e profundidade das suas competências e conhecimentos, surja a defender um processo de avaliação/classificação que reduz de forma significativa essa mesma capacidade. É especialmente contraditório que o actual ministro tenha afirmado no Parlamento dos Jovens que não quer “enciclopédias com pernas”, defendendo que é preciso “”é ler, ler e ler, porque é no confronto entre várias leituras que se avalia se o que se lê no momento bate certo com outras leituras já feitas, ou se é uma novidade que coloca em causa essas anteriores leituras” (TSF, 10 de Março de 2022), mas depois considerar que a melhor forma de aferir ou avaliar o desempenho dos alunos passa por um método completamente automatizado, mecânico, baseado numa concepção esquelética e desumanizada de todo esse processo.

Nem todos os exames são simples perguntas e respostas. Alguns cursos exigem avaliação de projetos colaborativos ou em grupo ou avaliação por meio de um exame vocacional que não pode ser feito online. Esses tipos de exames exigem avaliação subjetiva pessoal, algo que os exames online não podem oferecer. (1)

Para além disso, estão por apurar todas as consequências a nível psicológico de um processo de avaliação despersonalizado que tem fortes possibilidades de aumentar fenómenos de stress e ansiedade, resultantes da sensação de isolamento que provoca. Porque existe uma diferença evidente entre a utilização de meios digitais para enriquecer o processo de avaliação durante o trabalho quotidiano em aula (presencial ou online), permitindo uma gestão mais flexível do tempo e o recurso a fontes do tipo “livro aberto” e colocá-los no centro de todo o procedimento, mesmo que se tentem reduzir os aspectos mais formais dos momentos da sua realização.

Muitos alunos relatam que se sentem incertos sobre o tempo que devem gastar para concluir os exames on-line quando uma janela de 24 ou 48 horas lhes é apresentada. Em termos gerais, não sabem como e quanto se devem preparar com antecedência, especialmente para questões de exames já conhecidas e qual o padrão que se espera deles (…).

Pesquisas anteriores (…) descobriram que tipos de avaliação desconhecidos podem contribuir para um maior sofrimento psicológico do que os exames tradicionais, porque essa incerteza amplifica o medo de fracasso e a ameaça ao autoconceito académico [e] pode criar expectativas pessoais irreais e excessivas. (2)

O que está directamente ligado com a necessidade de fazer uma preparação atempada dos alunos, ao nível da literacia digital, para acederem a este tipo de ferramenta de avaliação em condições de equidade. O que não se reduz apenas aos aspectos da disponibilidade de equipamentos e condições de funcionamento adequadas. Não chega distribuir computadores, decretar a existência de uma disciplina de Tecnologias de Informação e Comunicação e esperar que, em menos de um ciclo de escolaridade, os alunos se familiarizem e apropriem destas novas ferramentas digitais.

O que significa que a exequibilidade de tudo, não passa apenas pelo dinheiro disponível para a aquisição e manutenção dos equipamentos, mas em especial pelo tempo para dotar os alunos das competências digitais adequadas para que tudo possa apresentar alguma fiabilidade.

Uma outra questão que não é de menor importância, quando se apresenta a poupança de recursos desta forma de avaliação, é a de saber se a “pegada ecológica” de um aparato global de exames digitais não terá consequências em termos de consumos energéticos que à primeira vista podem não estar a ser consideradas

Se um teste típico em papel usa 10 páginas, então uma organização que produz 100.000 testes por ano está a usar 20 árvores por ano. (…) As 20 árvores cortadas para esse efeito seriam salvas se o material fosse entregue online. Esses são benefícios úteis, mas precisam ser comparados aos custos ambientais dos computadores e da eletricidade usada. O benefício ambiental é provavelmente modesto. (3)

Curiosamente, a poupança com a desmaterialização verifica-se principalmente ao evitar as deslocações em transportes poluentes, dos materiais para a realização das provas, para a sua recolha e entrega nos locais, onde depois os classificadores as vão recolher.

Por fim, e voltando um pouco ao início, convém decidirmos se queremos mesmo ir por um caminho em que se parece perseguir uma objectividade na avaliação, que a maior parte das teorias disponíveis considera ser algo, mais do que inatingível, irrealista e mesmo contraproducente.

(1) https://cirrusassessment.com/advantages-and-disadvantages-of-online-examination-system/ (consultado em 10 de Maio de 2022).

(2) https://www.timeshighereducation.com/campus/are-online-exams-better-student-mental-health (consultado em 10 de Maio de 2022).

(3)  https://www.questionmark.com/how-much-does-online-assessment-and-e-learning-help-sustainability/ (consultado em 10 de Maio de 2022).

Monitorizações Digitais

Ex.mos/as Srs./as Embaixadores/as Digitais,

Agradecemos o vosso empenho na inserção de dados na Plataforma de Monitorização da Capitação Digital das Escolas (CDE), relativos a cada um dos V/ CFAE.

Dando continuidade a este processo de acompanhamento e monitorização da CDE, reforçamos a importância do rigor e necessidade da atualização sistemática e constante destes dados.

Assim, para garantir a eficácia deste processo, solicitamos a todos os CFAE que até ao dia 15 de cada mês tenham inseridos/atualizados todos os dados referentes ao mês anterior.

Neste momento, a plataforma já tem disponível um sistema de validação de dados que permite detetar eventuais dados em falta. A partir desta informação, sempre que se justifique, iremos enviar-vos regularmente notificações geradas pela própria plataforma.

Reiteramos a elevada importância de se proceder ao registo nesta plataforma das evidências relativas ao trabalho em curso, fruto do elevado investimento que o sustenta. Trata-se de um processo que se afigura como determinante, não só para permitir a monitorização e regulação deste trabalho, como para refletir o verdadeiro impacto deste Programa no contexto nacional. Só assim poderemos, em conjunto, planear adequadamente as ações seguintes e dar cumprimento aos objetivos deste Programa. Contamos, por isso, com a preciosa colaboração de todos.

Informamos, ainda, que já têm disponível, nos vossos domínios, o menu “relatórios”, o qual poderá ser igualmente uma mais-valia, para que consigam adequar a implementação da iniciativa aos vossos contextos locais.

Estamos ao dispor para eventuais esclarecimentos adicionais.

Continuação de bom trabalho.

Com os nossos melhores cumprimentos,

Inconseguimentos Digitais

Turma em sala de informática, pelo meio dos pingos da chuva das aulas de TIC, para preenchimento online de guiões de leitura e entrega via Classroom. Ao fim de 4 semanas (com 4 aulas na dita sala, para quem diz que em casa não sabem não pode, não consegue, não coiso) continuam 30-35% das tarefas por cumprir, mesmo depois de todas explicadinhas e demonstradas.

Principais razões para o incumprimento.

Semana 1 – não sei da palavra-passe.

Semana 2 – achei a palavra-passe mas deixei em casa.

Semana 3 – trouxe a palavra, mas não dá, stor, está errada.

Semana 4 – o que é que era para fazer?

(por questões de privacidade do grupo, vou omitir por aqui o feedback dado ao longo das semanas e a forma como progressivamente se tornou mais “assertivo”, mas em simultâneo desanimado com as competências digitais pretensamente “inatas” das novas gerações que, no fundo, se resumem a clicar em ícones e mandar memorizar todas as palavras-passe, em todos os sites, apps e zingarelhos)