Pois…

Esta forma pouco clara de distribuir recursos reflete-se na alocação dos 900 milhões de euros inscritos no plano de recuperação de aprendizagens 21/23. O plano original não diz, e continuamos sem saber, como vão ser distribuídos estes recursos pelas escolas e alunos.

2ª Feira

Dia da divulgação dos resultados dos exames finais do Secundário. Aqueles que continuam a ser feitos em regime de opacidade pelos especialistas do Santo Iavé, que comete os erros e depois disfarça ao longo do período de classificação. Como já expliquei, não estou contra a realização dos ditos exames, que acho importantes como mecanismo de regulação externa, mas contra procedimentos que privilegiam um secretismo muito pouco aceitável em termos de responsabilização por certos desempenhos. Afinal, são meses e meses em que as “equipas” têm de fazer uma ou duas provas e parece que isso é sempre problemático. Isso e a oscilação permanente de critérios e no modo de classificação, tendo aparentemente vencido em muitas disciplinas a tese do valor quase igual para todas as questões, seja fazer uma cruzinha ou desenvolver um tema ou resolver um problema extenso.

4ª Feira

Há muitos anos que se ouvem críticas ao modelo de ingresso no Ensino Superior e ao peso dos exames no processo. E nada de relevante é feito para alterar essa situação. Pessoalmente, acho que o modelo não tem assim tantos defeitos, porque eu não sei bem como seria, por cá, um modelo de ingresso baseado em exames e entrevistas feitas pelas próprias instituições do Ensino Superior. Por maus que sejam, os exames são um facto de regulação externa aos compadrios.

O problema é que, em especial nos últimos anos do Santo Iavé Autónomo, se sucedem as falhas, imprecisões, erros, ziguezagues na concepção de vários exames. Que se diz estarem a cargo de “equipas de especialistas”. Não sei se é bem assim e só o poderia saber se as coisas fossem mais transparentes, desde logo através, no mínimo, do conhecimento público dos coordenadores das tais “equipas de especialistas”. Porque é demasiado mau ter um par de exames para fazer por ano e fazer asneira, maior ou menor, quase todos os anos.

Porque aquela parte da necessidade de privacidade dos tais “especialistas” só funciona em parte, pois nas respectivas escolas (e ao redor) há quem não se exima a dar a conhecer o seu “estatuto”. Há uma boa meia dúzia de anos tive um colega contratado que no anterior estivera numa daquelas escolas onde parecem concentrar-se vários desses “especialistas”. Os quais não faziam qualquer esforço para que não se soubesse que o eram e até gostavam de partilhar o seu saber com quem os rodeava.

Uma das suas teorias – bem notória na evolução dos critérios de classificação dos exames de História e não só – é que os “itens” devem ter valores muito aproximados ou mesmo iguais, independentemente da sua tipologia. O que significa que uma escolha múltipla vale pouco menos do que desenvolver um tema com recurso a documentos e relacionamento de tópicos de resposta. O que, por muito que digam que é uma tese desenvolvida a partir de “investigação, é idiota e não consigo expressar a minha ideia de forma mais “sensível”. O exame de História A deste ano é um bom exemplo deste tipo de “lógica” que eleva a mera operação de identificação de algo correcto à análise crítica de vários factores.

Pior mesmo, só aquele hábito de algumas equipas “inovarem” de um ano para o outro, como se andassem a brincar com alunos, professores e famílias. É o caso do exame de Matemática A deste ano, que também foi de pandemia. Se no ano passado se percebiam algumas alterações, este ano houve uma espécie de excesso de zelo. e eu gostava de saber quem toma estas decisões, porque a desresponsabilização é a regra nestes casos. Desvaloriza-se o erro, afirma-se que há “leituras” diferentes das questões, relativiza-se tudo, adaptam-se critérios às escondidas, os de cima dizem que não foram eles a fazer, os de baixo nem sabemos quem são. Ninguém, nunca, é publicamente reconhecido como culpado e acredito que todos se auto-avaliam como excelentes no seu desempenho.

Claro que há sempre espaço para teorias conspirativas como aquelas que levantam a suspeita destas “equipas” serem constituídas na base dos contactos amiguistas e da “especialização” raramente ser na área científica da disciplina, mas sim em “teorias da avaliação”. Pior pode ser mesmo a suspeita de que quem faz em privado alguns destes exames ser publicamente contra a sua existência.

Por isso, um mínimo de decência e ética exigiria que este fosse um processo transparente. Não é e ninguém com responsabilidades parece interessado em que o seja. Depois acontecem “anomalias”, como colocar como obrigatórias questões sobre autores de leccionação facultativa (exame de Português A)

A Pontinha De Um Enorme Icebergue

Porque o que aí anda de resvalanços na legalidade, com palmadinha nas costas dos serviços do ME, é uma coisa assustadora. A sensação de impunidade, em especial de quem tem o cartão certo ou um par de números de telefone directos, é algo que repugna. Ainda me lembro de quando era preciso mandar foto bem clarinha da lista de pessoas presentes em reuniões para as quais eram requerido quórum para tomar decisões. Agora… basta uns likes no tapete de Arraiolos e segue para bingo.

A aposta é que ninguém queira levar com as consequências de levantar ondas ou tenha a pachorra, tempo e dinheiro para ir para tribunais a sério. Mas, quando a coisa vai por aí, como neste caso e na Madeira, percebe-se até que ponto a tutela pactua com ilegalidades óbvias.

Tribunal manda repetir eleição de director escolar que ministério tinha homologado

Leitura Instrutiva

Daqui por uns tempos também poderei fazer umas memórias acerca destes procedimentos em relação a reclamações e recursos relativos à ADD. Tenho encontrado do melhor em termos de decência e dignidade profissional, mas também do mais lamentável em prepotência e ignorância. Mas sem se lutar por algo melhor, nada se alcança. Os meus cumprimentos ao Alberto por também remar contra a maré do conformismo e das lutas efémeras por qualquer coisa de irrelevante.

O Estranho caso do recurso da ADD

Os Estranhos Números Da Escola Digital

Na RTP3 passava esta noite uma peça sobre os atrasos da Escola Digital. Tudo bem, até surgir reportagem num agrupamento de escolas de Olhão a que chegaram 500 kits tecnológicos, esperando-se ainda mais 200. O que também acho bem, até porque existem mais de 50% de alunos com apoio social escolar, a maioria deles de escalão A (os últimos dados disponíveis online apontam para 650) e o agrupamento tem muitos alunos com as antigas necessidades educativas especiais. Terão recebido equipamento, a avaliar por estes números, cerca de 25% dos alunos do agrupamento.

E eu acho que até faltam chegar mais.

Só que… estes números são profundamente assimétricos em relação a muitas outras escolas e agrupamentos do país, mesmo tendo em conta aqueles factores. Porque há agrupamentos que conheço (e dos quais é possível recolher informação online) com caraterísticas bastante similares (em termos de alunos carenciados) que não receberam metade daquela quantidade de kits (0,5% dos 100.000 que terão sido distribuídos até agora).

O que me faz interrogar acerca da forma como isto decorreu. Se foi como com as prioridades das vacinas…

“Alarmismo”? (Casos – 26 e 27)

Será que a divulgação clara e atempada de informação relevante para as comunidades educativas é motivo de “alarme social” ou, pelo contrário, transmite segurança e a confiança de que alguém conhece a situação e a agir da forma adequada?

Vejam-se duas situações e diga-me qual abre mais oportunidades para boatos e diz-que-disse?

Numa das minhas turmas houve 11 casos confirmados e uma professora infetada. Eu próprio fiquei em isolamento, pois manifestei alguns sintomas, mas testei negativo. Mais nenhum professor foi testado.

Foi a terceira turma a ir para casa na escola.

Na mesma turma já surgiu pelo menos mais um caso confirmado em janeiro.

Tenho tido notícia de vários outros casos, entre professores e alunos, mas não há informação oficial de nada. Poucas turmas estão completas. Em quase todas há alguém doente ou isolado.

Escola Secundária (…) uma turma de 7.o ano em isolamento, dois alunos em isolamento noutro 7.o ano; um aluno em isolamento num 9.o ano.

Só tenho conhecimento das turmas que leciono. A direção não quer que estas informações sejam divulgadas.

Casos – 5

O parágrafo que transcrevo é de uma informação transmitida aos docentes de um agrupamento aqui da península de Setúbal, de que retirei a identificação porque a observação sobre as “bolhas” poderia trazer problemas (é uma direcção que ainda tem “fibra” e que respeita os procedimentos e competências de cada órgão interno). São 54 docentes do agrupamento em isolamento, 44 dos quais da escola-sede. E 20 turmas em quarentena (o que dá algo como uns 500 alunos). Com sorte, devem ser mais do que os números que o ME tem registados para o país todo.