Os Estranhos Números Da Escola Digital

Na RTP3 passava esta noite uma peça sobre os atrasos da Escola Digital. Tudo bem, até surgir reportagem num agrupamento de escolas de Olhão a que chegaram 500 kits tecnológicos, esperando-se ainda mais 200. O que também acho bem, até porque existem mais de 50% de alunos com apoio social escolar, a maioria deles de escalão A (os últimos dados disponíveis online apontam para 650) e o agrupamento tem muitos alunos com as antigas necessidades educativas especiais. Terão recebido equipamento, a avaliar por estes números, cerca de 25% dos alunos do agrupamento.

E eu acho que até faltam chegar mais.

Só que… estes números são profundamente assimétricos em relação a muitas outras escolas e agrupamentos do país, mesmo tendo em conta aqueles factores. Porque há agrupamentos que conheço (e dos quais é possível recolher informação online) com caraterísticas bastante similares (em termos de alunos carenciados) que não receberam metade daquela quantidade de kits (0,5% dos 100.000 que terão sido distribuídos até agora).

O que me faz interrogar acerca da forma como isto decorreu. Se foi como com as prioridades das vacinas…

“Alarmismo”? (Casos – 26 e 27)

Será que a divulgação clara e atempada de informação relevante para as comunidades educativas é motivo de “alarme social” ou, pelo contrário, transmite segurança e a confiança de que alguém conhece a situação e a agir da forma adequada?

Vejam-se duas situações e diga-me qual abre mais oportunidades para boatos e diz-que-disse?

Numa das minhas turmas houve 11 casos confirmados e uma professora infetada. Eu próprio fiquei em isolamento, pois manifestei alguns sintomas, mas testei negativo. Mais nenhum professor foi testado.

Foi a terceira turma a ir para casa na escola.

Na mesma turma já surgiu pelo menos mais um caso confirmado em janeiro.

Tenho tido notícia de vários outros casos, entre professores e alunos, mas não há informação oficial de nada. Poucas turmas estão completas. Em quase todas há alguém doente ou isolado.

Escola Secundária (…) uma turma de 7.o ano em isolamento, dois alunos em isolamento noutro 7.o ano; um aluno em isolamento num 9.o ano.

Só tenho conhecimento das turmas que leciono. A direção não quer que estas informações sejam divulgadas.

Casos – 5

O parágrafo que transcrevo é de uma informação transmitida aos docentes de um agrupamento aqui da península de Setúbal, de que retirei a identificação porque a observação sobre as “bolhas” poderia trazer problemas (é uma direcção que ainda tem “fibra” e que respeita os procedimentos e competências de cada órgão interno). São 54 docentes do agrupamento em isolamento, 44 dos quais da escola-sede. E 20 turmas em quarentena (o que dá algo como uns 500 alunos). Com sorte, devem ser mais do que os números que o ME tem registados para o país todo.

Um Bom Exemplo

De transparência na informação para a comunidade educativa. Infelizmente, parece que há muita gente que não pensa assim e acha que “não causar alarme” é sinónimo de ocultar informação relevante.

Situação nas seis escolas do Agrupamento Figueira Mar, no dia 17 de novembro de 2020, dois meses após o início das aulas presenciais

2ª Feira

Na TSF, no noticiário das 8, dava-se conta da tentativa de um estudo de investigadores do Porto sobre a pandemia com base nos dados da DGS (ainda não encontro o link para a notícia). Pelos vistos, chegaram à conclusão que a qualidade é tão má que torna quase inviável qualquer tipo de conclusões devidamente fundamentadas.

O que dizer então dos dados das escolas? Seria interessante analisar as faltas justificadas no E360 por “isolamento profilático” e tentar comparar com os dados públicos e – isso seria mesmo giro – com o que se tem passado na realidade (haverá muitas justificações com outros motivos como apenas “doença”?).

Pelo Educare

As escolas como oásis?

(…) A falácia do argumento para consumo nacional é o de que as escolas não foram focos de contágio. O que é mais do que natural, pois estiveram fechadas vários meses. Não é isso que está em causa. Nem que o vírus irrompe subitamente nas salas de aula ou nos corredores, rompendo as “bolhas” que se diz serem formadas pelas turmas. O que é relevante é que o movimento que envolve o funcionamento das escolas exponencia contactos sociais e que cada bolha- turma é a combinação de dezenas de bolhas familiares, que se tem demonstrado estarem na origem de cadeias de transmissão. Que a maioria das crianças e jovens sejam assintomáticos é importante para a sua saúde, mas pode camuflar o seu papel como transmissores activos do vírus.

Tudo isto deveria ser explicado, sem alarmes, à opinião pública de um modo coerente e não agora uma coisa, depois outra, de forma desarticulada. Não significa que seja obrigatório fechar escolas aos primeiros casos “positivos”, mas que as famílias saibam exactamente o que está em causa e não uma versão depurada ou mesmo falsificada dos conhecimentos disponíveis sobre a pandemia.

Silêncio A Dobrar

Não deveríamos saber, em nome da saúde que ao ser “pública” é de todos, o que se passa em matéria de contágios nas escolas privadas? Porque, depois de um ou dois casos, logo a abrir o ano, despareceram quaisquer referências apesar de, informalmente, se saber que continuam a existir situações de várias turmas em casa por maiores ou menos períodos de tempo. Apesar de “privadas”, não terão essas escolas algum dever de transparência nesta matéria?

O Estado Da República

A conversa:

“É preciso sobrepor o interesse colectivo aos interesses individuais”, defende Marcelo

Os factos:

17 ex-gestores do GES tiveram perdão fiscal. Só Salgado terá legalizado 34 milhões

“Está a preparar-se um assalto aos fundos europeus”, diz presidente da Transparência e Integridade

Nova presidente da TIAC está preocupada com afastamento de Vítor Caldeira da presidência do Tribunal de Contas. Neste momento há dúvidas sobre quem se encontra em funções.