Os Pândegos

Lia há pouco um texto que me enviaram contra a redução do número de alunos por turma que, entre outros “argumentos”, usava a escassez de espaço para um “terço suplementar de aulas”. Logo agora, depois de tanto se escrever sobre a diminuição do número de alunos no sistema de ensino, em especial no Ensino Básico, dá vontade de rir. E nem se fala no encerramento de escolas. E não há professores? Se for em horários completos, desde o início do ano, verão como aparecem.

Realmente, há malta que deveria ter um pouco de senso quando tenta “argumentar” em modelo cortesão, não é, David?

muppets-rir

 

A Razão É A Mesma

Há uns anos praticamente parei de publicar fotos com repastos, iguarias e petiscos diversos do meu trajecto gastronómico. Porque, depois de variadas críticas iniciais (umas benignas e bem dispostas, outras nem tanto), reparei que grande parte das pessoas começara a fazer algo parecido, aderindo intensamente ao food porn, desaguando nas recentes e raramente agradáveis fotos de coisas que passam por ser pães (e derivados) de produção artesanal, que um mínimo de bom gosto deveria desaconselhar publicitação.

Agora, é aquela coisa de se dizer que o E@D falhou e que não se pode repetir tal como aconteceu nos últimos meses. Como desde a segunda quinzena de Março que fui escrevendo sobre as limitações de um “modelo” que não era mais do que um desenrascanço que deixava muita gente de fora, sinto-me agora mal acompanhado por algumas das pessoas que então me criticaram, embora nem sempre com a coragem da frontalidade (falo, claro e a título exemplificativo da flexibilidade vertebral, do doutor saudável, sem vinagre). E também noto que algumas críticas não são propriamente benignas, no sentido de se criarem bases sólidas para uma futura situação de crise (mantenha-se a actual ou surja nova), mas sim de evitarem passar pelo “inferno” de ser professores com 1, 2, 3 ou mesmo 4-5 crianças (são opções parentais, que parecem só se assumir até certo ponto) em casa.

O E@D foi uma espécie de coisa que aconteceu e de que muitos dos promotores andam agora a dizer coisas que outros escreveram meses antes, por perceberem em que terreno andamos e não aderirem à teoria das nuvens alvas em céus límpidos. Por isso, acho que vou deixar de dizer tão mal do ensino remoto porque (basta ver boa parte das ligações que o Livresco me envia sobre o tema) ainda posso ser confundido com alguns vira-casacões.

CatAlice

Como Detectar, Por Estes Dias, Um@ Candidat@ A Uma Comenda do 10 De Junho Em 2021 Ou A Um Prémio “Costitas d’Oiro”

Foi um@ entusiasta do ensino remoto, mas agora já admite que nem tudo correu bem. Aproveita para deambular entre vacuidades sobre flexibilidades e novas metodologias de avaliação e, achando agora que o ensino presencial é o que tem maior valor, aprendeu a escrever blended learning e apressa-se a noticiar aos seus amigos e conhecidos que o Costa PM prometeu um computador para cada aluno.

Banhadacobra

(não esquecer, num outro plano, os especialistas na treta incrustrada…)

Mas Ontem À Noite Não Disse Que Confiava Nas Autoridades De Saúde Do País, As Quais Acabavam De Recomendar Que Não Fechassem?

O secretário-geral da Federação Nacional dos Professores (Fenprof), anunciou esta quinta-feira, em conferência de imprensa após reunião de sindicatos de Educação, que o “interesse da Educação” é o encerramento imediato de todas as escolas.

Mas… talvez…

“Reconhecemos, porém, que na decisão a ser tomada haverá outros critérios e outros interesses mais abrangentes, designadamente de saúde pública, que devem ser tidos em conta”, explica Mário Nogueira. “Não temos dúvida nenhuma, e isso foi discutido na nossa reunião, de que o encerramento total de escolas vai acontecer. Só não nos podemos pronunciar e não nos compete a nós dizer qual é o momento. Não nos compete dizer se o momento é este, se é mais à frente ou se já devia ter sido…”

Acho que o vírus é outro.

Parvo

 

6ª Feira

Parece que um governante-guru disse por aí – eu sei quem e onde, até porque me fui embora antes para não me dar refluxo gástrico – que a flexibilidade e diferenciação pedagógica não é possível com os manuais convencionais, pois o século XXI é das tecnologias digitais. Sobre isso já a colega Elisabete Jesus escreveu e bem. E o José Morgado acrescentou o que pensa sobre o tema da diferenciação e bem.

A verdade é que uma pessoa (ou duas, ou três) já nem se espanta com tamanhas barbaridades, porque se sabe que é apenas a circunstância e a sedução por parecer que move este tipo de declarações. Bem… “apenas” não será bem, porque também há por ali muita debilidade pedagógica mal disfarçada, umas teorias mal cosipadas a fazer fancaria querer parecer brocado.

Só falta explicar porque, quando se tratou de emprestar/oferecer manuais ao 1º ciclo, se apareceu a dizer que o manual escolar é o grande nivelador do material de estudo, igual para todos, democrático por natureza.

Claro que podemos sempre considerar que dos políticos só há que esperar aquilo de que, enquanto políticos, são capazes.

Contorcionista

 

3ª Feira

Parece que existem centenas de propostas de alteração do OE para 2020. Ouvi de passagem os destaques nos noticiários da manhã. Ao contrário do que gentilmente me avisaram algumas pessoas inteligentes quando critiquei certas abstenções na generalidade, não ouvi nada sobre a recuperação do tempo de serviço docente. Os tempos são de outras prioridades. Ao que parece, todos (ou quase) querem colocar uma pedra sobre o assunto. Basta ver o caso do PCP que ignora os professores integrados na carreira no seu Plano Nacional de Valorização da Escola Pública. E quanto ao Bloco ainda não deu para perceber, mas duvido.

contorcionismo

A Sério Que Já Não Me Admira…

… que uma das estratégias de quem não consegue tolerar que discordem do seu “belo pensamento” seja atacar a “formação” (académica, profissional) das pessoas que “desalinham” do rebanho moderno. Em regra, quem assim faz, não nomeia os atacados, em público apresenta pose delicada, cosmopolita e tolerante, enquanto em privado expele répteis diversos em tom alterado quando o tema é essa discordância e os discordantes. Digamos que a estrutura emocional da intolerância é muito envernizada para se apresentar uma capa de tolerância pública que “venda” o “produto”.

Admito que estou nos antípodas desse tipo de atitude, porque gosto de expor publicamente o que penso pela minha cabeça em privado, sem usar o interruptor on/off (o que pode ser confirmado por muita gente que até me conhece só de mail ou telefone e a quem digo que pode publicar o que bem entenda, sem limitações) e preocupo-me pouco com “alianças estratégicas” para escalar seja o que for. E quando me sinto mal, desligo e vou à minha vida, pois se ficarmos muito tempo num lugar, ainda escorregamos no musgo e nascem-nos fungos em sítios recônditos.

Se discordo de alguém não lhe tento ir de forma soez às canelas, insinuando falhas de “formação”. Por exemplo, tenho o maior respeito pessoal e profissional pela presidente do CNE, mas discordo das ideias que mantém há muitas décadas e acho que já deveria ter saído daquela “zona de conforto”. Discordo frontalmente das ideias do SE Costa, mas – mesmo achando curiosa a sua opção por se especializar em gramática portuguesa no estrangeiro – não acho que seja por ele ter falta de habilitações. Ao ministro Tiago aponto falhas imensas em matéria de pensamento sobre Educação, mas nunca coloquei em causa a sua formação científica. Claro que há excepções… nunca me ocorreu reconhecer competência científica ou pedagógica para falar sobre Educação aos mst desta vida ou aos pais albinos. Mas mesmo assim, em regra, preferi dar-lhes forte no que disseram ou escreveram, mais no que aquilo que (não) estudaram.

Por isso mesmo, diverte-me a falta de subtileza com que certos arautos da tolerância inclusiva, fiquem tão descompensados na sua altivez por não aderirmos todos à sua Fé que se tornam o equivalente a fundamentalistas religiosos que só conseguem ver ignorância e maldade nos incréus e nos que questionam os modelos únicos da “boa palavra”. Ficam com os carretos completamente passados mas, curiosamente, é essa a crítica a quem os tenta fazer ver luzes de outras cores com frontalidade.

Claro que isto se torna mais irónico, usando o mesmo truque de não nomear quem se verá retratado a ler isto e ficará uns dias a produzir posts sociais enviesados, com aquele fel mal disfarçado com falso aroma de mel.

Otavio

(no mandato anterior passaram-se coisas na sombra, com vista a desacreditar estes ou aquelas, de uma falta de decência enorme, só que, por não serem feitas à moda do engenheiro e para que não se notasse tanto, ficaram quase sempre pelos bastidores; só que… mais tarde ou mais cedo quase tudo se descobre e acabamos por perceber que, se calhar, aquelas pessoas mesmo sempre assim, apenas o perfume do poder lhes transtornou mais a natureza…)

5ª Feira

Primeiro não havia qualquer caso (relações familiares no Governo); depois, deveria imperar a competências das pessoas sem olhar a parentescos; agora, afinal, não devem existir tais relações. Compreendo que o barreirense Eduardo Cabrita se sinta dividido entre querer ficar no governo e solidarizar-se com a sua cara-metade. Pessoalmente, acho que deveria ter ido mais longe na solidariedade do que (re)partilhar posts alheios.

Beaker-Bunsen

(claro que, at the end of the day, mais vale ter lá um à mesa do que nenhum…)