Talvez Fosse Estranho Em Outras Paragens

Dizer uma coisa e o seu contrário numa mesma decisão, documento ou argumentação, mas por cá parece regra. É o que acontece quanto se quer ficar de bem com Deus e o Diabo, abrindo a porta a todos os desfechos. Ou muito me engano ou tudo isto ainda acaba em indemnização por perdas e danos de quem poderá ter ficado com explicações por dar.

Tribunal da Relação invalida sentença de primeira instância por dizer uma coisa e o seu contrário, dando razão ao IAVE e ao Ministério Público.

A Vidinha, Acima De Tudo

O pragmatismo da real life é muito parecido ao que ficou conhecido como real politik. Os princípios cedem quando os interesses são por demais tentadores. Não adianta muito criticar a falta de coerência em termos de política (inter)nacional, entre o que se proclama e o que se pratica, quando à micro-escala se faz o mesmo ou equivalente. Fica para os anais da minha memória (mas com suporte documental) aquela declaração de um grande “lutador” (que chegou a candidato a líder do spgl) contra a add que, mal surgiu a oportunidade, se tornou avaliador e declarou ao Expresso que o tinha aceite por mais valia ser ele do que outra pessoa a desempenhar a função. O mesmo se pode dizer de quem, declarando-se acérrimo crítico deste ou aquele aspecto das políticas educativas em vigor, mal pode, aceita logo posição ou cargo na estrutura hierárquica de que tanto se criticaram os vícios. E não estou ainda a pensar no ex-contratado que foi para a dgae, porque dela até já saiu, mas de quem muito grita, mas rapidamente se “adapta” de acordo com a lógica do antes eu do que outr@. E que se lixe a tão amada democracia se a nomeação até dá jeito e é o único caminho para satisfazer esta ou aquela ambição.

E quem quiser que enfie a carapuça, que ela nem sequer está escondida. Já sei que vou para o Inferno, ao menos que vá de papo meio cheio e com alguma justificação.

(não, nem sequer esotu a falar da add, repito…)

5ª Feira

Mas já tenho mais dificuldade em admirar, mesmo que me esforce por compreender, quem, mal surge a oportunidade para passar a ser outra coisa, mesmo que à partida de forma transitória, rapidamente se procura livrar de qualquer identificação com o que já foi e adopta mesmo uma atitude de forte crítica daqueles que antes eram seus pares. 

Erro Lamentável Ou Procedimento Totalmente Habitual?

Alguém mente e percebe-se claramente quem é. Porque se era procedimento comum em 2019, não se pode agora dizer que é um erro lamentável ou atirar culpas para uma lei de 1974 descoberta a preceito. Isto cheira tanto a “ranço” que até enjoa.

“Não podia ter acontecido”. Fernando Medina pede desculpa por “erro lamentável” da Câmara de Lisboa

Perante o protesto e o pedido de esclarecimento dos ativistas, o gabinete de Fernando Medina explicou que “avisar as embaixadas dos países” era um “procedimento totalmente habitual” e apresentou ainda outros exemplos.

Bem-Aventurados Sejam Todos…

… aqueles que agora já conseguem ver e denunciar situações absolutamente caricatas na forma como são tratadas as suspeitas ou os casos positivos em alunos ou em seus familiares nas escolas, seja a divergência de critérios – com responsabilidade ou não das “autoridades locais de saúde” -, seja na evidente deficiência dos procedimentos tidos como “seguros”. Como nos mais recentes estudos se demonstra, é cerca de quatro semanas depois da reabertura das aulas que os efeitos se começam a fazer mostrar com mais intensidade. O que, como é natural, pressiona muito a rede cheia de boas intenções, mas muito frágil, que se estendeu como véu protector sobre o sistema escolar. ainda hei-de ver o mascarado porfírio a dizer que sempre disse o que nunca disse. E o cortesão cidadão e tantos outros, especialistas na viradeira de casaca. Claro que quase todos sem poiso nas escolas ou, muito menos, em salas de aula, ali a 25-30-35 de lotação esgotada. Quase. Que há uns que agora se sentem escaldados de tanto terem louvaminhado o seu senhor querido.

Entretanto, O PCP…

… tornou-se um pilar do “arco da governabilidade” e abstém-se de forma “responsável” na votação do OE na generalidade (garantindo, como se esperaria, que na especialidade vai fazer conquistas mil), à espera do que cai da mesa. Parece não ter percebido (e a lição dos Açores fica lá distante) que por cada aljube que cativa para os seus quadros “jovens” perde umas centenas ou milhares de votos. E cada ano de colaboracionismo sem contrapartidas compreensíveis, custa-lhe um par de câmaras. Um destes dias, até @s pet shop boys and girls lhes passam a perna e outro morde-lhes os calcanhares (ok, esgotei os trocadilhos parvos por hoje). Não admira que até os alemães tenham passado a adorar o nosso governo sustentado na nossa velha esquerda “radical”.

Nada De Novo

O SE Costa já tinha há coisa de um mês aos directores o mesmo sobre a forma como o tele-trabalho não se aplica aos professores (embora não seja verdade que é como se passa com os outros trabalhadores, mas se o desmentirem ele faz birra). Quanto aos computadores, faz lembrar as promoções até 90% de desconto. Desde que exista um artigo com 90% de desconto a promessa está certa. Portanto, desde que chegue um computador até ao Natal a alguma escola, ele não mentiu.

Professores de grupos de risco não podem optar por teletrabalho e devem meter baixa

Regime para os docentes é semelhante aos dos restantes trabalhadores, sublinhou o secretário de Estado da Educação, João Costa, num debate promovido pelo PÚBLICO. Computadores prometidos chegarão “durante o 1.º período”.

Esta atitude faz-me lembrar – porque será? – certas tiradas do velho SE Valter Lemos, mesmo se em modelo soft.

(sou obrigado a admitir que o SE Costa consegue mesmo convencer muita gente do que diz, mesmo quando troca as tintas e retorce os factos… tem efectivamente um rebanho alinhado em muitas escolas no discurso “positivo” do “ahhh… vamos dar o nosso melhor pelos nossos alunos… é a nossa obrigação”, quando na verdade o que querem dizer é “façam o que vos mandam e calem-se ou vão para casa”…)

Os Pândegos

Lia há pouco um texto que me enviaram contra a redução do número de alunos por turma que, entre outros “argumentos”, usava a escassez de espaço para um “terço suplementar de aulas”. Logo agora, depois de tanto se escrever sobre a diminuição do número de alunos no sistema de ensino, em especial no Ensino Básico, dá vontade de rir. E nem se fala no encerramento de escolas. E não há professores? Se for em horários completos, desde o início do ano, verão como aparecem.

Realmente, há malta que deveria ter um pouco de senso quando tenta “argumentar” em modelo cortesão, não é, David?

muppets-rir

 

A Razão É A Mesma

Há uns anos praticamente parei de publicar fotos com repastos, iguarias e petiscos diversos do meu trajecto gastronómico. Porque, depois de variadas críticas iniciais (umas benignas e bem dispostas, outras nem tanto), reparei que grande parte das pessoas começara a fazer algo parecido, aderindo intensamente ao food porn, desaguando nas recentes e raramente agradáveis fotos de coisas que passam por ser pães (e derivados) de produção artesanal, que um mínimo de bom gosto deveria desaconselhar publicitação.

Agora, é aquela coisa de se dizer que o E@D falhou e que não se pode repetir tal como aconteceu nos últimos meses. Como desde a segunda quinzena de Março que fui escrevendo sobre as limitações de um “modelo” que não era mais do que um desenrascanço que deixava muita gente de fora, sinto-me agora mal acompanhado por algumas das pessoas que então me criticaram, embora nem sempre com a coragem da frontalidade (falo, claro e a título exemplificativo da flexibilidade vertebral, do doutor saudável, sem vinagre). E também noto que algumas críticas não são propriamente benignas, no sentido de se criarem bases sólidas para uma futura situação de crise (mantenha-se a actual ou surja nova), mas sim de evitarem passar pelo “inferno” de ser professores com 1, 2, 3 ou mesmo 4-5 crianças (são opções parentais, que parecem só se assumir até certo ponto) em casa.

O E@D foi uma espécie de coisa que aconteceu e de que muitos dos promotores andam agora a dizer coisas que outros escreveram meses antes, por perceberem em que terreno andamos e não aderirem à teoria das nuvens alvas em céus límpidos. Por isso, acho que vou deixar de dizer tão mal do ensino remoto porque (basta ver boa parte das ligações que o Livresco me envia sobre o tema) ainda posso ser confundido com alguns vira-casacões.

CatAlice

Como Detectar, Por Estes Dias, Um@ Candidat@ A Uma Comenda do 10 De Junho Em 2021 Ou A Um Prémio “Costitas d’Oiro”

Foi um@ entusiasta do ensino remoto, mas agora já admite que nem tudo correu bem. Aproveita para deambular entre vacuidades sobre flexibilidades e novas metodologias de avaliação e, achando agora que o ensino presencial é o que tem maior valor, aprendeu a escrever blended learning e apressa-se a noticiar aos seus amigos e conhecidos que o Costa PM prometeu um computador para cada aluno.

Banhadacobra

(não esquecer, num outro plano, os especialistas na treta incrustrada…)