Ainda As Aprendizagens Alegadamente “Perdidas”

Alguém me consegue demonstrar que aquilo que o Iavé diagnosticou de forma tão canhestra não acontece já, normalmente, em virtude da atomização e abastardamento do currículo do Ensino Básico às mãos de uma clique de gente cujo pensamento parou nas sebentas pseudo-críticas dos anos 90 do século passado?

Tema a desenvolver, em diferentes “plataformas”. nos próximos dias. Porque acho que tudo isto me cheira a oportunismo e, as palavras são para serem usadas, fraude.

Sem Um Pingo De Vergonha Na Cara

Foi apenas no dia 31 de Dezembro de 2020 que foram estabelecidos os contratos para aquisição de computadores para alunos e docentes por parte do ME. O concurso público tinha sido publicado em DR só a 6 de Novembro.

Atenção que o prazo de execução é de 730 dias. Não é 35 de Março. Não são dias ou algo semelhante.

Não achei o lote 4. Estes 8 lotes dão cerca de 240.000 computadores. Dão cerca de 63,5 M€.

Sublinho: os prazos de execução são de 730 dias (2 anos).

Entretanto…

… na plataforma SIGRHE, no separado dedicado a recursos hierárquicos, nem há a opção de fazer um em relação ap indeferimento do pedido de escusa relativo à Bolsa de Avaliadores Externos. Estou aqui a decidir se gasto o papel ou se poderá ser por mail, sendo que fazê-lo para o SE que agora também tutela isto é apenas pelo gozo de lhes explicar o quanto são desonestos na forma como lidam connosco. Mas como já sou lixado desde os tempos do doutoramento com despachos juridicamente muito duvidosos (na altura com aplicação retroactiva da legislação e tudo), nem me custa muito receber mais um indeferimento automático.

Como Transmitir Uma Sensação De “Segurança”?

Alunos que testem positivo por contacto com alguém “em ambiente familiar” vai para casa. E vão alunos em seu redor numas escolas, a turma toda em outras, ninguém ainda em aqueloutras. Uma coisa curiosa é que os que vão para casa por contacto directo com o colega positivo, em regra ficam à espera para serem testados até que passa o tempo e é altura de voltarem às aulas. Ou se as famílias, com natural receio, perdem a paciência e tomam a iniciativa de mandar fazer o teste, já passaram os dias suficientes para a carga viral ser muito baixa. E assim se impede, por via de esperteza saloia, que se registem “surtos”. Vamos acreditar que isto que escrevi é apenas uma suposição.

2ª Feira

Que não nos enganemos. Os professores são neste momento muito0 úteis ao poder político no esforço por aparentar um mínimo de normalidade. Mas. mesmo que apareçam por aí umas declarações fofinhas, não confundam isso com afecto sincero, porque o não há. Percebe-se nas entrelinhas e e em alusões nem sempre muito subtis em comentários, intervenções mais ou menos públicas, artigos de “opinião”. É só passar a pandemia e voltaremos ao resto, em cima do que agora já se está a passar em matéria de abusos e que a greve da praxe de um dia, pós-Congresso do PCP na “oposição”, não chega sequer ao patamar do átrio da resolução. O ministro só aparece em eventos e o secretário, como sempre em tempos agrestes, voa baixinho e só atende (a)os amigos para as parcerias e pilotagens do costume.

Basta observar como a “oportunidade” para rever algumas coisas – sendo que até discordo de algumas – ficou na gaveta, a começar pelo parlapiê em torno do acesso ao Ensino Superior. Que agora é muito “complexo”. Será sempre complexo, só que agora é um tempo sensível e quando as vacas políticas engordarem poderá ser feito à bruta, como é costume. Com o apoio de uns à direita e a omissão de outros à esquerda.

Quero muito que a situação pandémica melhore e se resolva (até porque não acho que os velhos doentes sejam para morrer de qualquer maneira), mas temos muito o que esta gente – apresentando-se como salvadores da Nação – possam vir a fazer em seguida. Não me aflige tanto qualquer deriva autoritária nova, porque já conheço a velha. Até acho que andam, em tal matéria, ainda com muitos paninhos mornos. O que receio mesmo é o que virá a seguir, com a justificação das consequências da pandemia.

E sabem o mais triste? É que há muita gente desejosa que isso aconteça, mesmo entre a classe docente que, a avaliar pela evolução de certas atitudes e questionamentos (públicos ou privados) não melhorou absolutamente nada em perspicácia a médio prazo. E amocha… então se não amocha. E irrita-se com quem não o faz. E só espera pelo momento certo para se livrar de quem critica tanto amochanço em troca de tão pouco ou nada.

2ª Feira

Como subavaliar fortemente os casos positivos nas escolas, entre os alunos? Simples… por um lado, há os que tendo familiares positivos, se estiverem assintomáticos, nem sequer são testados, devendo ficar apenas uns dias em casa por precaução, mas não entrando em quaisquer estatísticas; por outro, há os, que tendo sintomas, só conseguem ter o teste prescrito para uma semana ou depois do aparecimento dos ditos cujos, o que dá uma margem de possibilidade elevada de já estarem negativos quando forem testados.

Terreno Escorregadio – 2

Gostava de acrescentar um ou dois detalhes ao post do fim de semana acerca da ideia de “premiar” ou “valorizar” as qualificações dos docentes. Porque não sei se serão as qualificações académicas, se aquelas que nos enfiam pelas goelas abaixo, em moldes quase obrigatórios, sob o manto de “formação contínua” certificada lá por Braga. Ou se, se forem académicas, teremos, como já se passa, aquelas que são aceites como virtuosas – com chancelas das doutoras arianas, do secretário costa ou do inclusivo professor rodrigues, só para exemplificar – e as que não são reconhecidas para nada? Eu exemplifico… um mestrado/doutoramento em Desenvolvimento Curricular ou Gestão Escolar no instituto ou faculdade certa dá direito a progressão e “bónus”, mas se for numa área disciplinar específica, de natureza mais científica, ficará a chuchar no dedo?

Porque me parece que o plano será recompensar os séquitos, a partir de uma definição muito estreita do que serão consideradas qualificações com “mérito” para a docência. Até porque já há por aí antecedentes… que devem muito às conveniências de passagem e muito pouco a qualquer critério de objectividade.

Se não é assim, serei o primeiro a reconhecer. Mas… se há gente em que não acredito na boa-fé em termos de definição de carreiras na administração pública é em quem se especializou na análise do modo como se alteram as circunstâncias de contratos estabelecidos pelo Estado.

Terreno Escorregadio

Cerca de um terço dos funcionários públicos tem mais de 55 anos e a classe docente, dos primeiros ciclos até ao Ensino Secundário, é uma das que apresentam maiores índices de envelhecimento. A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económicos (OCDE) indicou, num relatório do ano passado, que “Portugal terá de substituir um em cada dois professores na próxima década”.

MAIS JOVENS E PRÉMIOS

O objetivo é rejuvenescer o pessoal, não só através do incentivo às pré-reformas com renovação dos quadros, mas também com os salários de acordo com a formação e a qualificação.

“O Governo irá contribuir para o rejuvenescimento da Administração Pública, através de percursos profissionais com futuro, alteração da política de baixos salários, reposição da atualização anual dos salários e, valorização da remuneração dos trabalhadores de acordo com as suas qualificações e reconhecimento do mérito”, refere o documento que seguiu para consulta dos parceiros sociais.

Há por aqui terrenos sinuosos para serem trilhados com aquela “elegância” a que Alexandra Leitão nos habituou. O que está na notícia, não é bem o que o Arlindo “ensaiou” há uns tempos, naquela polémica novos/velhos. Embora a lógica do aplainamento deva ser uma das linhas orientadoras.

A minha curiosidade está naquela da valorização das “qualificações”. O que quererá dizer? Que se terão em conta os graus académicos, pois a malta mais nova já sai toda com mestrado e ainda não há muito se negou a equivalência das velhas licenciaturas com profissionalização a esse grau?

(mas quase aposto que depois há graus “bons”, que dão bónus, e graus “maus”, que não interessam à tutela domesticadora…)

Quanto aos “prémios”… ui… nas escolas, a avaliar pelo “circo” instalado nos últimos tempos e reforçado com as circunstâncias da pandemia, nem quero ver como será feita a recompensa de métodos “inovadores” de gestão. Em especial, quando depender de gente que está nos cadeirões desde o tempo da pedra mal polida e que acham que o cúmulo da inovação é forrar as almofadas e colocar cortinas com florzinhas.

(já agora… desculpem-me a “lembrança”, a talhe de foice romba, mas se as provas do Desporto Escolar estão suspensas, o que vão coordenar os coordenadores do dito que, em algumas escolas, têm mais reduções à pala do crédito respectivo do que o mais matusalém dos colegas?)