Mas A Escolaridade De 12 Anos Não Foi Uma Grande Conquista?

Vá-se lá saber para que lado acordam os tipos da OCDE. Neste caso, o “amigo” Schleicher provavelmente já diz uma coisa diferente do que disse no passado, mas é verdade que, porventura, a estadia teve contornos diferentes.

“Os portugueses ficam demasiado tempo no sistema educativo. Chegam muito tarde ao mercado”, diz OCDE

E Se Fossem Encher-se De Moscas E Catar-se Ao Mesmo Tempo?

Quem andou anos a validar políticas de “racionalização” dos serviços públicos e dos que o mantêm em funcionamento, agora aparecem a questionar o Estado porque os serviços estão a implodir. Deram pelas escolas (que se andam a tapar com remendos, como chegarem pessoas sem qualquer experiência de ensino a dias do fim do ano lectivo, para poderem dizer que não haverá quase alunos sem aulas no dia 15), os tribunais há muito que entupiram e agora são os hospitais. Esta malta apoiou o “mais com menos” e o ataque sem dó nem piedade a professores, enfermeiros, médicos e muitos outros funcionários públicos nos últimos 15-20 anos. Apoiaram, mesmo quando foi só nisto, o “engenheiro”, a troika e só temeram que a geringonça invertesse as coisas, o que não aconteceu, porque o PCP e o Bloco preferiram migalhas a coisas substanciais e foram politicamente sodomizados pelo Costa à frente de todos nós, trocando quase tudo por questões “civilizacionais”. Agora, aparecem-me “liberais” e conhecidos críticos do “peso” e das “gorduras do Estado” a reclamar porque há alunos sem professores e serviços hospitalares a fechar? A começar por gente com lugar residente na comunicação social, seja nas direcções dos meios de comunicação social “de referência”, seja nas páginas de opinião paga a metro? E se fossem para o raio que vos parta? E quem levou 4, 5 ou 6 anos a apoiar governos que se limitaram a dar de comer a clientelas inúteis, em forma de grupos de trabalho, estruturas de missão, equipas de investigação, colocações em cargos selectos em instituições de topo (posso falar em arquivos, por exemplo?) e subsídios a nichos académicos, ditos “de esquerda”? Nem sequer conseguem fazer um pingo de auto-crítica? Será preciso ir buscar o que escreveram, repetidamente, nos verões passados? Não têm memória ou é mesmo uma imensa falta de vergonha nos trombis? Estou envelhecido, mas ainda não perdi a memória.

A Aplicação Da PACC Ajudou A Qualidade A Subir Quantos Pontos?

Andar a saltar de opinador para ministro para estudioso tem destas incoerências. E é difícil esquecer o “lastro” da obra feita. Já não estamos nos tempos do Plano Inclinado em que se queria acreditar que aquilo era a sério. Agora já sabemos que depende das conveniências e circunstâncias.

DN, 19 de Maio de 2022

De Volta Ao Frango Esfriado

Desculpem-me, mas vou voltar a um naco da prosa do ministro a perorar aos jovens, para exemplificar no que dá pensar-se que se está a falar muito bêim, mas no fundo estar-se a dizer uma coisa que nem é vitela, nem é carrrapau.

Ora leiamos:

O ministro da Educação advogou que o melhor instrumento contra a desinformação “é ler, ler e ler, porque é no confronto entre várias leituras que se avalia o que lê no momento bate certo com outras leituras já feitas, ou se é uma novidade que coloca em causa essas anteriores leituras.

Se o que foi dito é isto e não tem mais nada a completar, não passa de uma declaração cujo sentido essencial tende para a irrelevância em termos lógicos e substantivos.

Vejamos: se aquilo que lemos não bate certo com outras leituras já feitas e é uma “novidade que coloca em causas essas anteriores leituras” podemos ter pelo menos as seguintes possibilidades:

a) é um avanço nos nossos conhecimentos, um salto nos nossos conhecimentos, uma “mudança de paradigma”, uma verdadeira “ruptura espistemológica” e isso pode ser bom, como por exemplo podemos achar da teoria da relatividade do tio Alberto.

b) é um disparate completo, que não bate certo com nada, sendo apenas uma atoarda que coloca em causa essas anteriores leituras, mas sem qualquer fundamento.

c) é uma alteração da nossa perspectiva sobre a realidade, uma “mudança de paradigma”, um incentivo a novas práticas, impensada até então, mas isso pode ser mau, como por exemplo podemos achar das teorias daquele Adolfo de má memória.

O que é importante, perante estas leituras “desconformes”, “alternativas”, “radicais”, que nos confrontam com verdades estabelecidas é termos a capacidade para avaliar, mesmo que não seja de modo muito profundo, da “validade” ou “bondade” do que surge como “novidade”. Se o que lemos ou ouvimos é a), b) ou c).

Repito-me muito a este respeito: “novidade” não significa necessariamente algo bom, positivo ou vantajoso. Pode ser um disparate ou algo horrivelmente mau. Não nos chega “ler, ler, ler”, porque muitos apoiantes da Terra Plana ou do Nazismo leram muito. A questão não esteve na “quantidade” do que leram, mas do uso que deram a essa leitura, da “qualidade” do que extraíram do que leram.

Ora, avaliando por este tipo de patacoadas, mesmo estando a minha opinião disponível para críticas e revisões, quer-me parecer que há quem ande por aí e fale, fale, fale, fale muito, mas diga muito pouco de válido.

Sábado

Afinal, boa parte da solução para a falta de problemas devia-se às erradas regras colocadas em prática nos governos anteriores. Por isso, de sabre em riste, o novo ministro declara que “Não nos preocupa que as regras sejam diferentes. O que interessa é que alunos tenham aulas”. Como explícito e precoce crítico de algumas das regras anteriores, só posso saudar esta nova alvorada de um governo novo, com um novo ministro, com a folha limpa em relação ao passado recente, porque, há que o admitir, nestes últimos seis anos e picos, foi feita muita m€rd@ que agora é preciso varrer (para que as moscas fiquem as mesmas).

Qual Era A Penalização Se Tivesse Recusado?

A verdade é que há certos senhores feudais que não resistem à incorporação de novas terras e súbditos, por muito que digam que custa e tal.

Providência cautelar para travar transferência de competências não teve efeitos suspensivos. Autarquia diz que faltam pelo menos dez milhões no cheque do Governo. 925 trabalhadores e 29 escolas passaram para as mãos da câmara. E agora?

Então, Porque Faltam Professores?

Tenho algumas ideias sobre as razões, mas é sempre melhor esperar pelos “especialistas” e mais um qualquer atrasado estudo prospectivo. Se possível daqueles que ainda há 2-3 anos diziam que eram em excesso. Mas que têm a distinta lata de fingir que não o disseram, para agora aparecerem com “soluções” para problemas que garantiram não existir.

Em relação ao ano lectivo de 2010/2011, houve menos 16,6% alunos no 1.º ciclo, menos 18,6% no 2.º ciclo e menos 12% no 3.º ciclo, revela o relatório do Conselho Nacional de Educação.

C’Um Caneco!

Internamentos desceram, mas casos em cuidados intensivos registam aumento na terça-feira.

Ministra da Saúde convoca reunião de urgência para debater vacina da AstraZeneca

Com ritmo de vacinação ainda lento, reabertura total das escolas pode levar a quarta vaga de covid-19

Atentado Ao Pudor Na Via Pública

Tiago Brandão Rodrigues, 21 de Janeiro, conferência de imprensa televisionada:

Após o primeiro-ministro ter anunciado, no final do Conselho de Ministros, que as aulas estavam suspensas a partir desta sexta-feira e até 5 de fevereiro, Tiago Brandão Rodrigues veio esclarecer que esta suspensão abrange todo o ensino, incluindo os estabelecimentos particulares. “Não há exceções”, frisou.

E deixou críticas ao ensino particular, após a associação dos estabelecimentos de ensino particular e cooperativo, ter admitido recorrer ao ensino à distância nas próximas duas semanas.

António Costa, 27 de Janeiro, Circulatura do Quadrado:

No programa, após críticas feitas pelo antigo dirigente do CDS António Lobo Xavier às posições assumidas pelo ministro da Educação a propósito da suspensão das aulas presenciais, o líder do executivo saiu em defesa de Tiago Brandão Rodrigues.

Ninguém proibiu ninguém de ter o ensino online”, advogou António Costa, recusando que o seu executivo entre “numa discussão fantasma” e que haja “preconceitos” em relação ao ensino do setor privado.

João Costa, 27 de Janeiro, Jornal de Letras:

Há uns cheios de certezas, outros cheios de realismo. As certezas chegam no dia seguinte, no “devia ter sido”. O realismo convive com as (in)certezas dos especialistas, a (im)previsibilidade das estirpes, o estar preparado para o pior e ser surpreendido pelo ainda pior que ninguém adivinhava. Há quem hoje tenha a certeza disto, para no dia seguinte afirmar, confiante, o seu contrário.

Pelo Parlamento

Debate a meter pandemia e escolas em lugares de destaque. Confesso que não ouvi a parte inicial porque ainda estava em afazeres escolares e só comecei na parte do procurador europeu, pelo que tive de deduzir o que se passou antes, a começar pelo facto do PM já ter números sobre a situação epidemiológica nas escolas e promessa de começar os testes antigénio (também conhecidos por testes antitiago) já amanhã, em estabelecimentos escolares dos concelhos com risco mais elevado de contágio (que são muitos). Ainda apanhei uma parte em que ele se armou em grande corajoso, oferecendo-se para ser acusado de ser culpado do que se passa. Por mim, não vale a pena oferecer-se para nada, porque já o achava (mais uma clique de cortesãos idiotas e uns quantos cronistas do reino que gostam de escrever as suas prosas em sossego), independentemente da bravata.

Culpado, em especial, de duas coisas (e não me venham com aquela ladaínha de ser errado procurar quem asneirou enquanto está quente): de um enorme erro de cálculo (embora seja verdade que com ele foram muitos na carroça) quanto ao comportamento da maioria da população durante o Natal e de mentir, há uns dias, quanto ao consenso dos chamados “especialistas” sobre a necessidade de encerrar as escolas. No primeiro caso, ainda admito que fosse um honest mistake, com consequências dramáticas decorrentes do facto de ele e o seu inner circle terem perdido completamente a noção do que é a vida entre a gente comum; mas no segundo caso, foi uma falsificação voluntária dos factos, destinada a enganar a opinião pública e fornecer “armas” aos escribas de serviço para defenderem um completo absurdo, alegadamente baseado em “estudos” (desactualizados).

(embora os mais argutos já ensaiem a inversão de marcha…)

Ainda tive a “felicidade” de ouvir o deputado siva, porfírio de sua graça com um ataque frenético de demagogia a traço grosso, dando a entender que só o governo, ele e o seu líder se preocupam com os mais pobrezinhos que se “perderam” no período de E@D, omitindo que nos últimos seis meses nada se fez de substancial para alterar essa situação e para equipar os alunos mais desfavorecidos com meios (não se trata apenas de lhes meter um “kit tecnológico” nas mãos como se fosse o novo magalhães) para enfrentarem todas as dificuldades decorrentes de uma passagem para o ensino não-presencial (ou misto). O santo senhor parlamentar faz-me lembrar outras figuras para todo0s os fretes que passaram pela Assembleia da República, cabeças falantes a metro, com guião pré-estabelecido e a criatividade de um calhau rolante, atropelando a inteligência alheia, colina abaixo.

Parece que as escolas poderão encerrar se o vírus tiver roupagensnovas, very british. E hoje, o presidente Marcelo já admite o que ontem o candidato Marcelo qualificou como um “atropelamento”. Realmente, tudo isto nos relembra que a preparação do Entrudo costuma ser por estas alturas.