Uma Questão De Prioridades

De acordo com os dados do INE, o saldo orçamental situou-se em 1.111,2 milhões de euros no conjunto dos três primeiros trimestres de 2018, representando um excedente de 0,7% do Produto Interno Bruto (PIB). No mesmo período do ano passado verificou-se um défice de 1,9% do PIB.

Os funcionários públicos que em janeiro tiverem um aumento salarial superior a 28 euros podem ficar sem direito à progressão na carreira, perdendo os pontos obtidos na avaliação de desempenho, segundo uma proposta do Governo entregue hoje aos sindicatos.

Patinhas

Nem Eu Esperaria Outra Coisa

Medina quer gerir escolas básicas e secundárias de Lisboa

De entre as medidas do programa eleitoral do PS consiste a “escola a tempo inteiro” com atividades gratuitas para os alunos do segundo e terceiro ciclos.

Família a tempo inteiro? Cruzes, credo, que isso implicaria alguma regulação dos horários laborais e de condições que permitissem aos pais ter tempo em casa com os filhos em vez de os descarregarem nas escolas do nascer ao pôr do sol. A “escola a tempo inteiro” passa por ser, para esta malta sinal de “progresso” quando é uma estratégia terceiro-mundista de tipo assistencial em sociedade atrasadas do ponto de vista social, económico e laboral.

Quanto ao resto, o que se pretende é alargar a rede de obras públicas municipais e assim recolher milhões e milhões de euros de verbas europeias.

Bigorna

Falta de Coragem

Só seis escolas têm “autorização” para eliminar os “chumbos”?

Quanto a isto, apenas duas observações:

  • Há escolas que já praticam isto (fim quase completo das retenções, pelo menos em anos intermédios), com práticas não muito inovadores de pressão hierárquica sobre os professores, muitas delas completamente à margem da lei, precisando talvez de um “estudo” para que os políticos atendam ao tema.
  • Há uma enorme falta de coragem em assumir-se que o que está em causa é mesmo a tentativa para erradicar o insucesso por todas as vias e não apenas com base em “inovação pedagógica”. Deixem-se de eufemismos e de conversas fiadas e PIPP’s. Nós sabemos o que se passa por aí em muita coisa com nome de “piloto” e em diversos casos não passa de uma troca (dá-me sucesso total, toma recursos), na base de convites que… pois, está bem. Legislem a proibição da retenção, sem excepções… pronto. E não precisam de inventar números imaginários sobre o custo do insucesso. Pronto!

bla bla bla

 

A Escola Burrocrática – 3

A escola burrocrática hiperboliza o bizantinismo processual, massacra os seus professores com tudo o que é imaginável para legitimarem o seu trabalho, mas depois é curiosamente desonesta quando se trata de registar o que é mais incómodo e é praticamente impossível varrer para debaixo da alcatifa poeirenta.

Não podendo esconder os incómodos, a escola burrocrática cosmetiza-os. É o que se passa com o abandono escolar real, subregistado em ampla escala por causa de metas irrealistas traçadas a nível central, que são despejadas depois sobre as escolas, dependendo a avaliação das suas lideranças da ultrapassagem de tais metas.

Há uns anos, ia tendo uma discussão sobre este tema com uma das pitonisas das estatísticas nacionais da Educação, mas com a sua arrogância muito própria ela encerrou a conversa com aqueles argumentos de autoridade que ocorrem muito a quem não quer ver as suas ficções desmascaradas enquanto tal.

O problema é que a situação real não é a que resulta de estratégias como a que em seguida se demonstra numa singela frase, em que um aluno que faz abandono escolar é avaliado, apesar de explicitamente se afirmar que a sua falta de assiduidade impediu a avaliação das suas aprendizagens. Na escola burrocrática, o aluno que entrou em situação de abandono escolar claro, afinal não abandonou, sendo avaliado, o que permite limpá-lo da tabela mais negra do abandono, deixando-o na tabela cinzenta do insucesso, praticamente só reservado a quem não coloca mesmo os pés nas aulas.

E, tenham a certeza, este é o futuro preconizado pelos programas promotores de sucesso com que seremos todos, sem dó, verdascados já no próximo ano. Porque é muito urgente provar que as mais recentes medidas, como a eliminação das provas finais, estão na origem de mais sucesso.

Burrocracia4De acordo com esta lógica, a escala de avaliação das aprendizagens tem um nível reservado para efeitos apenas de grave falta de assiduidade. Quem for às aulas já tem o nível 2 garantido e a partir daí só não tem de 3 a 5 por culpa do professor portador da informação.

A Escola Burrocrática – 2

Neste modelo de escola em que o registo e a legitimação do acto estão acima do acto em si, e em que a produção de sucesso estatísticos é uma prioridade em relação ao sucesso das aprendizagens efectivas, o professor é professorzeco em todo o seu esplendor de menoridade e falta de autonomia. O professor da disciplina é “portador” de informações para a reunião, que podem ser aceites ou não. Porque a linha de comando e a cadeia hierárquica de pressão se faz sentir num CTurma como na escola se faz sentir da direcção unipessoal para os departamentos, grupos e DT, como se faz sentir no sistema da tutela e do seu aparelho administrativo sobre as direcções. Há quem confunda isto, erradamente, mas de forma consciente, com responsabilização.

Eu sei que a lei empurra neste sentido, mas a resistência ao disparate e ao amputar da autonomia dos professores passa exactamente por não se exacerbar o que na legislação já é pouco razoável. E se repararem a verborreia eduquesa anda quase sempre a par do autoritarismo administrativo.

Burrocracia3