Choque Frontal

Numa sondagem rápida (quase “científica”) à fornada da geração da minha petiza que chegou agora à Universidade (pessoal nascido em 2003, que passou por quase todas as experiências dos últimos 20 anos), desde a senhora da festa à “inovação” actual, passando pelo “rigor” cratista) fica bem claro que aquela conversa mole que ouviram durante 12 anos é para esquecer. Nem quero pensar em que lá venha a chegar na geração do PASEO. Por isso é que querem mudar as regras de acesso ao Superior. Porque, cada vez mais, querem transformar a escolaridade obrigatória num passeio. E depois, das Artes às Letras, passando pelas Ciências, o pessoal é atropelado logo às primeiras tentativas de atravessar a estrada.

Lido Há Pouco Numa Carta Aberta/Petição

Tenho a quase certeza de três coisas acerca do está escrito: a) que os autores não perceberam ainda que a Universidade é um dos nichos mais clientelares de uma sociedade já de si marcada indelevelmente pelo factor C; b) que o atestado de qualidade a uns tem no seu reverso um atestado de menoridade a outros c) que no Superior há quem não tenha muita vontade de fazer esse trabalho de selecção chato, a menos que o primo da vizinha jeitosa do 3º esquerdo ou o sobrinho do senhor embaixador etc e tal. Já sei que vão dizer que não é nada disso, mas…

O contexto atual de pandemia, a mudança da construção dos exames trouxe à tona o desajuste
deste instrumento para o objetivo final da seleção dos alunos, na medida em que se mostrou à
evidência que um número, uma média ponderada é um método pobre e absolutamente
redutor, nomeadamente quando o usamos para seriar alunos no acesso ao Ensino Superior.

A qualidade, conhecimento e saber dos docentes do ensino superior saberá, melhor do que ninguém, qual a melhor forma de escolher os seus alunos, sem esperar que alguém o faça por si.

(até parece que nos cursos superiores “de topo”, aquilo não é em grande parte na base do marranço para ter “nota” e dar nas vistas por isso mesmo…)

4ª Feira

Muita conversa acerca do aumento do número de candidatos ao Ensino Superior e da decisão de aumentar as vagas disponíveis. Muita propaganda em torno disso como se fosse o resultado de uma política planeada, o que seria paradoxal atendendo à surpresa mostrada. O aumento de candidaturas é natural devido à conjugação de dois factores: o aumento da escolaridade para 12 anos em 2009 e a evolução dos resultados em exames nacionais, em especial os do ano passado, que permitiram que muito mais alunos estivessem em condições de ingressar nas Universidades e Politécnicos.

Quanto ao aumento de vagas, pelo que se vai percebendo, resulta em parte da conversão para o contingente geral de vagas que estavam reservadas a contingentes especiais, como o dos estudantes estrangeiros em diversas instituições. Perante os efeitos da pandemia na menor mobilidade dos alunos, é previsível que parte dessas vagas fique por ocupar, pelo que serão redireccionadas.

Note-se ainda que nada de concreto se sabe, pois o mais certo é estarem á espera de saber o número de candidaturas, para só depois decidir que vagas passam para o contingente geral. Ou seja, as vagas não aumentam, apenas mudam de destinatários e só quando se perceber até que ponto se reduzirá a procura por alunos estrangeiros, muito atractiva porque pagam propinas bem mais elevadas do que os estudantes nacionais.

O resto não passa de fumaça.

3ª Feira

Lá se vai falando, mas muito superficialmente, de assuntos um pouco mais sérios do que o Padrão dos Descobrimentos em matéria de “costumes”. O assédio sexual (e moral e tantos outros) no Ensino Superior é um assunto quase mudo, porque “fica mal” e porque, como alguém diz na peça, raramente dá em qualquer coisa. Não andando por lá há muito tempo, limito-me a ir ouvindo coisas episódios que se distinguem muito pouco do que conheci nos meus tempos. Episódios que se disfarçavam numa interesseira consensualidade dos envolvidos, porque havia quem abusasse de forma mais ou menos subtil ou concreta e quem se deixasse abusar porque achava que esse seria o caminho para uma ascensão na horizontal.

E a verdade é que em diversos casos, funcionou, que bem @s vejo por aí, pimponas e pimpões em posição de abusarem agora, quais sargentos da tropa durante a recruta. O que conheci – e parece ter mudado pouco – foi um ambiente em que quem não alinhava era depois objecto de tentativas de desmoralização pública ou de bastidores. Quantas vezes a prostituição intelectual ia paredes-meias com outros tipo de arranjinhos, em retiros mal disfarçados onde se praticava uma versão paupérrima do que os mais velhos tinham ouvido falar nas franças e outros países desenvolvidos. em nome de uma certa “liberdade de costumes” praticava-se outra coisa. E há quem ouça falar, é verdade que não em grandes gritos, em inclusão e defesa dos direitos da diversidade de género a gente que já é muito velha para ter deixado de ter uma mentalidade homofóbica, transfóbica, etc, etc, incluindo fortíssimos preconceitos de classe em que se dizia pelo triunfo do proletariado igualitário. Mas que não se pense que os benzósdeusquevãoàmissatodososdomingoseatécomungam eram muito melhores, só que, quando lhes faltava a falta de decoro, sobrava-lhes a má-língua das raposas que chamam verdes às uvas que lhes fazem escorrem a boca de tamanha saliva.

Sim, há muito assédio no Ensino Superior, por vezes a coberto de já serem tod@sadult@s, mas tantas outras a descoberto da pura e simples falta de vergonha aliada à falta de coragem e medo de quem receia passar de vítima a alvo de chacota.

Uma Petição Com Tudo Para Ter Sucesso

Defende a “Realização apenas de exames que servem como prova de ingresso no ensino secundário.” Algo que eu, apesar de não ser da facção anti-exames, já o ano passado achei bastante razoável, atendendo ao contexto da pandemia.

Mas com tanta gente que se afirma anti-exames, desde as tradicionais críticas à classificação do trabalho de anos de um@ alun@ muma prova de apenas 2-3 horas àquela mais recente mas que evoca o “medo ancestral” dos portugueses aos “exames, espero que as cerca de 2750 assinaturas que lá estão à hora que escrevo aumentem de forma exponencial.

Antes de mais, aos promotores, eu sugeriria – se já não lhes ocorreu – que a enviassem para assinatura e patrocínio ao ministro Tiago, ao secretário Costa e a tod@s aquel@s conselheir@s do CNE que assinam sempre de cruz, batendo no peito, qualquer relatório ou declaração contra a existência de exames, nomeadamente no Secundário.

Esta petição é um meio caminho, pois visa a não realização apenas dos exames que não são essenciais para o acesso à Universidade, ou seja, aos exames que, em boa verdade, até se podem considerar “inúteis” por alguém como eu que, repito-o, não milito na trincheira aguerrida dos que defendem o fim dos exames, excepto se tiverem mesmo o poder de o decretar na prática. Porque já se percebeu que a pandemia ainda aí estará no próximo Verão e, mais de um ano depois, houve tempo mais do que suficiente para pensar nestas coisas e adequar as práticas às circunstâncias e, mais importante, às teorias tantas vezes repetidas.

Eu não assino pela razão acima e porque sou parte interessada no assunto, pelo menos de modo indirecto, pois a minha filha está no 12º ano e poderiam achar que a minha posição dependeria disso (mesmo se defendi as provas finais de 4º ano quando ela estava nesse ano e teve de as fazer… e mesmo se, com esta petição, ela teria na mesma de fazer o exame de Matemática). Mas acho que, por coerência e convicção, o senhor ministro, o senhor secretário, a presidente do CNE, os conselheiros Azevedo e Rodrigues, o conselheiro-relator Lourtie, a conselheira Figueiral, só a título de exemplo, deveriam subscrever uma petição que vai ao encontro do que tantas vezes declararam publicamente.

Claro que não é o “fim dos exames” e muito menos a proposta peregrina de acabar com os exames todos do Secundário e fazer os senhores professores do Superior elaborar e classificar provas de acesso às suas Universidades, porque isso seria de uma violência e crueldade que mesmo um tipo com maus instintos como eu acha excessivas. Sim, claro, há “Universidades” cujos “representantes” reclamam contra a desadequação do actual método de seriação dos candidatos ao Ensino Superior e defendem que deveriam ser “as instituições do Ensino Superior” a escolher os seus alunos com base nos requisitos que consideram adequados. Mas a verdade é que isso daria uma grande trabalheira, a menos que metessem os professores mais precários ou até alunos finalistas ou estagiários a tratar do assunto. Mas seria sempre necessário perder tempo e energia com esse processo e fica bem reclamar algo que, na verdade, não se quer, salvo honrosas excepções. Ou melhor, nem todas seriam propriamente “honrosas”, porque já se sabe que entre nós há sempre “cartas de recomendação” que valem mais do que qualquer currículo.

Isto é apenas uma petição razoável e já passou tempo suficiente para que se pensasse no assunto e não apareçam com desculpas do tipo “ahhh… nem tivemos tempo para anda”. Afinal, a recomendação do CNE é de Novembro passado.

Esta petição (neste momento tem 2799 assinaturas, quase mais meia centena do que há uns 20 minutos) tem tudo, sublinho-o, para colher os melhores apoios junto dos decisores políticos. Assim sejam eles coerentes com as suas proclamações de anos seguidos. Afinal, não se podem esconder atrás de ninguém. São eles que estão no poder há um mão-cheia de anos e nada fizeram de acordo com o que dizem ser as suas convicções. O actual contexto poderia ser o pretexto ideal.. A menos que… seja tudo conversa fiada.

De Nível Superior

Manda uma pessoa os filhos prá Universidade… e ainda lá para fora…

Três festas Erasmus causaram maioria dos contágios no superior

Há cerca de 500 estudantes do ensino superior público com covid-19. Contágio entre a comunidade Erasmus no Norte é responsável pela maioria dos casos.

(já sei… não é grave… é malta nova…)

Entradas No Ensino Superior

Subiram médias, subiu o número de entradas, até parece que a pandemia trouxe um bodo generalizado, sem ser necessário fazer mais do que retocar vagas e descontar as perguntas erradas nos exames do Secundário. Se este ano for o mesmo, aposto que já ninguém fala em “mudar o paradigma de acesso ao Ensino Superior”. Ontem à noite, um senhor que lamento não ter reconhecido (mas mudei rapidamente, porque era monocórdico na forma e chato no conteúdo) revelava apenas que o modelo remoto tinha vindo para ficar no Ensino Superior. Até ao 12º ano parece que é horrível, mas é só chegar à Universidade e torna-se maravilhoso. É bem verdade que se torna mais barato para as instituições…

 

Pela Suécia

E olhem que estes eram pela imunidade em manda… ou rebanho… ou lá o que é.

Concern over Covid-19 social distancing prompts rethink of higher education qualification

Sweden’s Council for Higher Education (UHR) has cancelled the autumn raft of bi-annual university entrance exams, the hogskoleprovet, known in English as the Swedish Scholastic Aptitude Test (SweSAT).

The decision came after criticism from 21 Swedish university and higher education principals, who voiced their concerns in an editorial piece in the daily newspaper Svenska Dagbladet.

The academics argued that it would be unsafe to continue with the plans for SweSAT exams this autumn due to the risk of “cluster contagion” of coronavirus, as students would sit for hours in closed rooms. The professors represent higher education institutions that are responsible for holding the exams every year, once in spring and once in autumn.