Por Acaso Respondi À Letra, Mas Não É Só A MLR Que Reescreve A História

Ahhh… e escusa de me desafiar para duelo em forma de debate, como faz com quase tudo o que mexe, porque eu já perdi a esperança em eternos bandarras. E bem pode adjectivar-me, pelo “topete” de dar a entender que distorce o que se passou, que é para o lado onde me deito mais descansado.

Num recente debate na RTP, Maria de Lurdes Rodrigues (M.L.R.), a primeira e mais sinistra responsável política pelo estado do sistema de ensino, foi à cartucheira que lhe ocupa a alma e disparou esta rajada venenosa: “Não sei como chegámos aqui, assim. Não sei e não quero saber”. Porque nenhum dos intervenientes reagiu com frontalidade ao topete bolçado, atiro-lhe, agora, à cara sem vergonha, o que lhe deveria ter sido dito na altura:

Mas Quem Quer Saber Disso?

Não é melhor continuar a dizer como a outra que não sabe? E já agora, que nem quer saber? Realmente, há pessoas que se revelam slow learners, daí tanta a insistência na “recuperação das aprendizagens”. Só que, há que admiti-lo, mesmo muitos dos meus mais fracos alunos, parecem ter uma capacidade de aprendizagem muito superior, em ritmo e até em perspicácia, ao deste PM que ainda se vai tornar o nosso Cavaco do século XXI.

Antes tarde do que nunca? Mais vale alguma coisa do que nada, como diz o seu novo ministro Costa? Quiçá… mas a porcaria que ficou para trás não cabe debaixo da alcatifa sem nela tropeçarmos.

António Costa fala sobre Sócrates: “Concluo que ele, de facto, aldrabou-nos”

António Costa revela que a única visita que fez a José Sócrates, em 2014, foi condicionada pela presença de Mário Soares, o que lhe “agravou as suspeitas”. Agora diz não ter dúvidas que Sócrates enganou o partido.

É Esta A Opinião Que Tem o Director-Adjunto Da “Sábado” Sobre Nós

Já houve tempo em que ser “jornalista” não era apenas despejar preconceitos em letra impressa. Se há professores “ignorantes”? Este tipo de generalização mais do que abusiva equivaleria a dizer que há direcções de publicações que fomentam informação movida a fretes e encomendas. É verdade que este tipo de “conversa de café”, babosenta, é ajudada por quem, a partir e dentro, não consegue parar de disparar sobre quase tudo e todos os que lhe fazem sombra e frente, tratando-os como vis e desonestos. Mas pensava que existia limites para o que pode considerar “opinião”, em especial num caso de chefia que devia ter o pudor de não largar bojardas destas. O que poderia eu dizer (com excepções honrosas) de gente que ao longo dos anos me ligou lá do sítio a pedir informações e não só e depois se esquecia sempre da fonte?

Sábado, 10 de fevereiro de 2022, p. 37.

E Os Que (Ainda) Cá Estão?

Sobre política educativa, muito mais haveria a escrever acerca do que disse Rui Rio, mas não vou estar com aquelas tretas do politicamente correcto do costume, só para evitar ser considerado “corporativo”. Até porque ele se dirigiu directamente aos professores e há que lhe tentar explicar que a combinação entre promessas vagas e a manutenção do que mais desagrada aos professores de carreira não pode passar em claro. Na ausência do texto completo do discurso de hoje (nem no site do PSD está), vou valer-me do que em alguma comunicação social surge como citação directa, pois não tive paciência para ver e ouvir tudo.

Comecemos pelas promessas aos professores vindouros, a partir de duas notícias:

Não é compreensível que a uma profissão tão decisiva para a formação das novas gerações, ou seja, para o futuro do país, não sejam conferidas a dignidade e as condições de trabalho que merece. Um Governo do PSD terá de dar uma especial atenção aos professores“, defendeu, sustentando ser necessário tornar “a profissão mais atrativa par aos jovens”, mas também “ser criteriosos e exigentes na sua seleção”.

“um Governo do PSD terá de dar uma especial atenção aos professores, desde a sua formação inicial, até ao seu recrutamento e profissionalização. Temos de tornar a profissão mais atrativa para os jovens”, afiançou, reiterando que “se não o conseguirmos, vamos enfrentar no futuro uma grave carência de professores”.

Não sei bem se isto quer dizer que irão reformular os cursos de formação de professores (na linha do “aproveita-se tudo”, em especial se for a partir de projectos de pseudo-voluntariados, como algumas iniciativas que por aí apareceram) se querem “localizar” (leia-se, municipalizar) o recrutamento dos docentes à imagem do que já acontece com os chamados “técnicos especializados”, se pretendem criar um novo modelo de profissionalização. Também não é claro que o “rigor” e “critério” na selecção dos professores significa um regresso à PACC ou se é apenas conversa fiada, tudo se resolvendo com a atribuição de mais poderes aos directores para recrutar (rigorosa e criteriosamente, claro) os professores ao seu preceito.

Quanto ao “tornar mais atractiva para os jovens” a profissão docente não sei se tem como reverso torná-la mais detestável para os “não-jovens” ou propor a troca (que alguns defendem por aí, talvez pensando que não chegarão a “velhos”) de mais uns 100 euros à entrada por menos 200 ou 300 à saída. Por outro lado, na sua enorme miopia, Rui Rio ainda parece não ter entendido que a “grave carência” de professores já existe. Pior, não percebe a sua causa.

O homem chega ao ponto de dizer que “reduziram o número de alunos por turma, mas de forma tão atabalhoada, que agora se debatem com a falta de professores em alguns grupos de docência”, não se percebendo se defende que o número de alunos deve aumentar, como já defendeu o ex-presidente do Conselho de Escolas, que não tardou no aplauso a este discurso. Ao que parece, acham que faltam professores em Português, T.I.C., Francês ou Geografia porque o número máximo de alunos por turma desceu num par, mesmo se repetem que o número global de alunos está em queda, no que é um paradoxo que não lhe(s) ocorre à inteligência. Tenhamos esperança que, afinal, Rio defende a redução de alunos por turma, mas não de forma “atabalhoada”, quiçá, apenas em algumas disciplinas.

Para os que estão na carreira, com décadas de serviço, nada se diz de verdadeiramente concreto quanto à “dignidade” e às “condições de trabalho” merecidas porque a primeira é amesquinhada a cada esquina por gente ligada ao PSD, que entre outras continuidades defende a manutenção do modelo único de gestão escolar e do modelo de avaliação do desempenho quando declara de modo demagógico que “considerá-los todos como iguais é, neste como em todos os demais setores da nossa sociedade, não só desvalorizar o mérito e a competência, como ignorar um elemento absolutamente decisivo para o sucesso, que é o brio profissional”. A verdade é que com um sistema de quotas como o que temos e com a responsabilidade pela sua implementação entregue a comités que são escolhidos a dedo num órgão seleccionado, no essencial, pel@s director@s como é o Conselho Pedagógico, dificilmente o “brio profissional” e a “dignidade” se conseguem rever, como se tem constatado ao longo desde últimos anos, onde imperaram a arbitrariedade, o compadrio e, em tantos casos, a pura e simples incompetência.

Mas Rio nada tem contra tudo isso, porque de Educação nada percebe (nem está interessado em perceber, pois a encara apenas na perspectiva da “racionalidade” economicista) e o seu principal conselheiro nessa matéria é um dois principais defensores deste modelo de gestão escolar, da municipalização da Educação e do actual sistema de avaliação docente, mais ou menos detalhe purgativo. Basta ver como o PSD votou nestes seis anos (que Rio considerava horríveis na Educação), sempre que ao Parlamento chegou alguma proposta no sentido de alterar o “paradigma” existente.

Portanto, em relação aos professores de carreira, em especial aos que estão desanimados e a quererem sair o mais cedo possível, nenhuma esperança é dada que algo de significativo mude. Por mim, fiquei perfeitamente esclarecido e não adianta mandarem os do costume “aclararem” a posição do líder, garantindo estima imorredoira aos docentes que têm aguentado com tudo e mais alguma coisa nos últimos 15-20 anos, se nada têm para lhes oferecer sem ser mais do mesmo.

(há uma expressão inglesa que se aplica maravilhosamente a Rio sempre que fala de Educação e que é thick as a brick)

Se Bem Percebi…

… uma das grandes glórias argumentativas de Costa, o António, na sua intervenção parlamentar de hoje foi dizer que os funcionários públicos vão para 5 anos sem congelamento (apesar de ter legitimado o surripianço de mais do que isso no caso do serviço dos docentes). Portanto, o que deveria ser uma regra básica a cumprir, salvo excepções muito localizadas, é apresentada como uma grande concessão. Realmente, o que há a esperar desta malta que enche gabinetes com dezenas de aparelhistas da jota, pagos como se estivessem no topo de uma carreira, quando mal saíram dos cueiros?

Veja-se o gabinete do Tiago… há uns anos, a chefe do dito, que tinha sido estagiária há 15 anos do notável advogado João Pedroso, levava mais de 2600 euros líquidos (fora suplementos). Agora já é secretária de Estado. E qualquer adjunt@ leva mais do que qualquer professor no mítico topo de carreira, incluindo as senhoras que ainda estão a chegar aos 40 anos e já lá estão desde há quase meia dúzia de anos. Aliás, até qualquer técnico especialista do secretário João leva(va) isso, incluindo um jovem que aos 25 anos já fazia sombra a qualquer arcaico docente.

E querem que levemos a sério esta treta toda, esta dramatização pífia que parece saída de um cabaret de escassa fama e menor qualidade no desempenho?

E ainda me aparece uma daquelas “especialistas” em economia para totós na RTP3 (Helena Garrido, para que conste, que de isenção nestas matérias tem tanto como certos árbitros silvanos) a fazer a lista de tanta coisa boa que os pensionistas vão deixar de ter se não existir Orçamento como um pletórico aumento de 10 euros mensais?

Ainda Bem!

O Polígrafo considera verdadeiro que o Custo médio por aluno no ensino público é superior às propinas nos melhores colégios privados?

Em outros tempos ficaria tão chocado quanto algumas pessoas andam por aí chocadas e até faria contas e isso tudo e demonstraria que o valor facial e público das propinas é apenas uma parcela do que pagam os financiadores dos carlosguimarãespintos para terem os seus rebentos nos colégios de topo. No público é preciso meter mais 250 euros para um kit tecnológico a que os “liberais” chamariam lixo e pagar refeições que nas cantinas gourmet têm um valor que faz parte de outra rubrica orçamental.

Agora?

Agora, acho que se assim é (mesmo que não seja) ainda bem que é, porque o ensino público precisa pagar tudo aquilo que os papás dos afonsosmiguéis e das beatrizesconstanças têm como adquirido. Que o Polígrafo se tenha tornado uma caricatura da ideia original, já se sabe desde que foi comprado pelo mesmo memorialista que comprou tanta coisa desde o exclusivo do Wikileaks para Portugal.

É a chamada depuração editorial.

O Clérigo Conraria

Clérigo da opinião, claro, que não gosto de impor votos a ninguém. Mas indo ao que interessa. Na TVI24, que recentemente parece ter adquirido os seus serviços como comentador, o economista Conraria insurgia-se contra quem impõe o confinamento a outros, dando o popular exemplo dos feirantes que não podem ir às feiras, mas não se dispõe a pagar um imposto para quem perdeu rendimentos com a pandemia. Como seria de esperar, a meio da tirada, fez o àparte que ele não é um desses que defende confinamentos, pelo que julgo razoável deduzir que se estará a excluir dos malandros que devem pagar o tal tributo extraordinário, que algum clero opinativo gosta de apresentar como solidário.

Será que não se consegue desenvolver uma vacina para a hipocrisia?.

O Nu A Defender O Roto

Claro que acha isso, pois se assim não fosse, já viram o que teria sido dele, tardio arrependido de muitos disparates, quando era o avô cantigas do PS a usar as vestes de impiedoso e vermelhusco inquisidor? Gentinha sem vergonha nenhuma.

Vital Moreira sai em defesa de Caupers. “Opiniões do passado não podem ser sujeitas ao juízo condenatório da uma nova Inquisição”