Sim, Descobrimos O Caminho Marítimo Para A Índia, Em Busca De “Cristãos E Especiaria”, Mas Acabámos Falidos E Nem O Camões Deixou Descendência Para Ganhar Com Os Direitos De Autor Da Epopeia Maior

Tenho sempre um problema fundamental com o uso e abuso demagógico da História para efeitos de agit-prop. Neste caso é por causa da questão do “digital” na Educação. Como se meia dúzia de “salas do século XXI” equivalessem a chegar a Calecute, João Couvaneiro vai por ali abaixo e esquece-se que se o Gama conseguiu glória, honrarias e extensão generosa para o título majestático de D. Manuel, não é menos verdade que a meio do século XVI estávamos falidos e que países que pouco ou nada descobriram souberam ser empreendedores de outro modo (Holanda, só para dar o exemplo de um pequenito em extensão) e conseguiram manter-se ricos desde então. Embora eventualmente com poetas de menor qualidade.

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João Couvaneiro in JL/Educação, 26 de Fevereiro de 2020

Não é que eu ache que a grande Poesia valha menos do que uma balança comercial razoavelmente favorável desde o século XVII, mas talvez fosse bom irmos além da superfície dos chavões históricos.

E depois, claro, lembro-me sempre do Magalhães e do duplo inconseguimento, seja o do próprio Fernão, frechado ao serviço de Castela na ilha de Máctan, seja o do aparato digital dos tempos dos engenheiro e seu muito mitigado aproveitamento pedagógico.

(ninguém está contra o uso de tecnologias que há quem use antes dos concursos para professor do ano, apenas contra um certo deslumbramento meio apatetado que por aí anda…)

Dispensa Do Quê?

Dispensa para Formação
Por Despacho (descarregar aqui) de Sua Excelência a Senhora Secretária de Estado Adjunta da Educação, foi concedida a dispensa para formaçãonos termos do artigo 9.º da Portaria n.º 345/2008, de 30 de abril, para os dias 24 e 25 de outubro, aos professores organizadores e participantes no VI Congresso Internacional da Pró-Inclusão 2019, desde que sejam asseguradas as atividades letivas dos alunos, nas respetivas escolas

Já agora… como me enviarão a medalha? Os CTT Expresso ainda não me entregaram o novo Astérix e devia chegar hoje.

Na Sessão de Abertura do Congresso Internacional da Pro-Inclusão em Santarém vão ser entregues 7 Medalhas de Mérito:

Maria do Céu Roldão
Isabel Amaral
Ariana Cosme
João Carlos Gomes Pedro
João Costa
Domingos Fernandes

Professores Portugueses 

Honra ao Mérito!

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5ª Feira

Um dos temas que mais me diverte nas conversas em off em redes sociais e afins é o da sucessão, em futuro mandato, nas secretarias de Estado da Educação, porque aquilo do Desporto e Juventude é muito mais em circuito fechado de um ou dois lobbys muito particulares. Dando por mais do que adquirido que os actuais titulares prestaram serviços mais do que inestimáveis à causa da Educação Pública e merecem promoção (interna ou externa), alguns de nós, observadores atentos das vaidades humanas, vamos fazendo uma cartografia d@s candidat@s a secretári@s. O ponto forte é o eixo-Gaia-Porto onde se conseguem encher dois ou três governos com facilidade. E se alargarmos a área para sul até Aveiro e a norte pelo Minho adentro, conseguem-se cinco ministérios completos e ainda fica gente à porta. Depois, pelo país, existe uma plêiade (gosto da palavra) de gente que se acha bem posicionad@ para tal cargo, a começar por director@s flexíveis e inovadores que mereceram mais de uma visita de gente importante e que, como ficaram com um mail ou número de telefone para resolverem directamente os seus problemazinhos sem passarem pelas senhoras burocratas da dgae, pensam que o cosmos é já ali e não mais além. Fora outros casos que não vale a pena sequer aflorar, porque depois aparece sempre o do costume a clamar por calúnias e coisas assim. Não se prometeu nada, mas insinuou-se muita coisa. Agora anda meio mundo a salivar por aí e nós é que temos de arregaçar as calças para não nos afogarmos.

Cadeiras

Felicidades

Li há pouco, no mural de uma “rede social” de um amigo que gosto de seguir e ler sabendo a enorme discordância que nos divide neste momento, o quanto algumas pessoas estão extremamente felizes com o estado da Educação e a situação das escolas no presente. Congratulam-se efusivamente pelas suas reformas, pelo triunfo das suas ideias e do seu modelo/paradigma. Eu compreendo essa felicidade, a dos vencedores, a dos que sentem que conseguiram impor as suas crenças. O que acho curioso é que lhes desagrada imenso as críticas que destacam o que se passa de mal nas escolas (como se fosse tudo mentira) e o modo como criticam quem foge da cartilha dominante. Afinal, a tolerância com as opiniões divergentes é mais fácil de enunciar do que de praticar. E não é de espantar que muitas dessas pessoas estejam mais próximas da formação doutrinária (claro que estimo mais a opinião de um certo presidente de assembleia municipal, doutorado em fretes políticos) do que do quotidiano escolar completo e repleto. Claro que as há em exercício, mas a riqueza de espírito não é para todos nós.

 

Quanto Às Comendas…

… se não fosse a vaidade de todos os envolvidos – dos que dão e dos que aceitam – a maior parte delas ainda estaria guardada, porque não sei se o berardo é o pior dos “comendados”. A Ordem do Infante parece ser uma espécie de bodo aos que estão mais à mão. Mesmo as mais tradicionais parecem servir para medalhar um pouco toda a gente. Se explorarmos os vários nichos e reentrâncias da Ordem da Liberdade, da Ordem do Mérito e da Ordem de Instrução Publica ficamos, em certos momentos, sem saber se rir se cavar um buraco fundo e ficar lá.

As Medalhas do General2

Os Prémios Que Há Por Aí

Desde o Lurditas d’Oiro que apareceram por aí diversos prémios destinados a premiar “professores do ano” ou mesmo “escolas” e “projectos”. Acredito nas boas intenções da maioria dos promotores, a sério que sim. Mas acabo sempre a pensar que é uma espécie de circo de vaidades, até porque na maior parte dos casos são os próprios que se candidatam porque se acham qualquer coisa do ano, tipo festival da canção. Quando tanto se fala em trabalho cooperativo e em colaboração em vez de competição, tipo rankings são um mal a extirpar e os exames são arcaicos, é engraçado ver pessoas que adoptam essa atitude ideológica a promover os ditos prémios, fazerem parte de júris ou a rejubilar com nomeações ou “vitórias”.

Não será que a esmagadora maioria da classe docente trocava esse tipo de “honrarias” por algo bem mais substantivo, como o respeito por uma carreira? E se essas figuras e personalidades mediáticas que tanto querem aos professores tivessem a coragem de fazer um manifesto claro em defesa de uma carreira antes que ela se torne uma mera memória? Não sei qual a eficácia – lembro-me sempre do ministro do Ensino Superior a subscrever um manifesto de investigadores e depois a tropeçar em si mesmo – mas eu gostaria mais em vez de um bibelot em cristal ou mesmo uma verba jeitosa para o exemplar com melhor marketing?

Lurditas

Currículos

Estava a observar como mudam conforme as ocorrências e circunstâncias. Num transforma-se a pertença a um centro de investigação em três linhas autónomas, como se fossem coisas diferentes (claro, pode ser erro de quem transcreve assim, embora transcreva certo em outra pessoa); em outro desaparece a instituição onde se esteve durante décadas, só porque agora se descobriu escandaleira. Transmite-nos logo uma enorme confiança em tudo.

Hyde