Plural Majestático Ausente?

Eu tinha quatro anitos, não me lembro muito bem…

“Aquela final de 1969 foi especial, fintou a ditadura e marcou muitos golos. No campo ganhou o Benfica, mas fora dele quem ganhou foi cada um de nós. Sabíamos, em Coimbra e em todo o país, que algo ali tinha começado”, disse Tiago Brandão Rodrigues durante a sessão evocativa da final da Taça de Portugal da época 1968/69 que decorreu na Tribuna do Estádio Nacional.

Este ex-jovem promissor, já realidade da política nacional mainstream, deixa-me sempre a salivar por mais lugares-comuns.METiago

 

 

(não é o não ter estado lá, literalmente, é mesmo todo o resto…)

 

 

Há Pouquíssimas Coisas Mais Inúteis…

… na nossa Educação do que as provas de aferição em anos intermédios e disciplinas sortidas. Até poderia ser uma boa ideia, caso a implementação não tivesse sido de forma a torná-las umas desnecessária excrescência (sim, o pleonasmo é intencional). Nem vou falar nas de EF para não ser mal interpretado e bombardeado de novo pelo clube dos seus promotores e defensores da sua inigualável qualidade e relevância para o melhoramento do nosso sistema educativo. Nem no caso do 2º ano, porque é de pequenino que se exibe o jeitinho. Falo mesmo da outras, daquelas que, como as do 5º e 8º ano, não serve para praticamente nada, excepto para o poder que está transmitir aos incautos ou verdadeiramente ignorantes a sensação de se estar a fazer uma qualquer monitorização das aprendizagens, com umas provas que incluem um sortido de questões de diversas disciplinas como meter Matemática e Ciências na mesma prova de 5º ano e História e Geografia na de 8º. Se fossem os professores desses anos a marcar dois testes no mesmo dia, com matérias teoricamente globais de dois anos (como no 8º) eu queria ver por aí gente a arrepelar cabelos e acusá-los de torturadores de jovens. É verdade que em provas anteriores as perguntas de uma das disciplinas são do mais reduzido e elementar possível, mas isso só prova que não servem para aferir seja o que for. Tudo isto é um simulacro, um fingimento, que nem sequer procura disfarçar muito bem que não é para levar a sério, pois fazem-se provas sem coordenação entre ciclos, por forma a analisar o desempenho dos alunos da mesma coorte, nas mesmas matérias, ao longo dos ciclos.

Este ano estou com curiosidade para ver as provas de HGP (5º) e H/G (8º) para ver se melhorou ligeiramente a qualidade em relação à que foi feita em 2016-17 em HGP. Já agora… se isto servisse para alguma coisa, deveria ser a geração do 5º ano em 2016/17 a fazer prova de H/G quando chegasse ao 8º. Mas esses só lá chegam para o ano… E os que fizeram a prova de Estudo do Meio este ano ainda estão apenas no 5º, pelo que a prova do 5º também é feita à medida de nada.

Mas ocupa-se tempo, destacam-se milhares de professores para horas de vigilância ridícula, gasta-se papel (enquanto não é tudo online) e encena-se qualquer coisa. Porque isto é apenas uma representação. Nem sequer muito divertida. E de qualidade muito duvidosa.

Circo2

 

 

Be Afraid…

… porque entrámos numa espécie de ambiente típico de seitas religiosas. Só que que se trata de Educação e alguns dos sacerdotes são incrivelmente ineptos, para mão dizer estúpidos.

Passei por um conjunto de conferências viradas para o futuro da educação que decorre perto da minha localização. Quando entrei, o conferencista dizia: “a avaliação formativa e sumativa deve ser acompanhada por um texto descritivo. Com o excel automatizam-se as grelhas (o descritivo corresponde à inserção de um dado numérico)”. Compreendo todas as apreensões com o futuro.

Só pela situação se percebe a mediocridade dos conhecimentos do “conferencista”, embora esteja ao nível da larga maioria do nicho de “formadores” nestas matéria patrocinados pelo ME e seus secretários.

O problema é que, nas últimas semanas isto tem-se repetido a um ritmo quase diário por escolas e centros de formação do país na tentativa de deixar a reforma inscrita a reforma costista de forma indelével no nosso sistema de ensino.

E não vale a pena andarem em off a dizer que este ou aquele é só má língua e mau carácter, porque se fosse assim, muita coisa teria sido dita e escrita que não foi. Os mentirosos são os que lá estão. Pena é que não investiguem muito do que anda a acontecer nos bastidores, beneficiando do ruído da “luta” entretanto interrompida.

village-idiot_mug

Em Parte Incerta

A jurídica secretária de Estado e o flexível secretário de Estado da Educação desapareceram de circulação porque, afinal, a sua “carreira” é outra e não gostam de “protagonismo” quando ele morde a sério.

closeau

O PSD Enquanto Anedota Ambulante…

… é incapaz de apresentar cálculos próprios (tem um centro de estudos não se percebe bem para quê) e remete tudo para “o governo”, presente ou futuro. Se isto é uma proposta para levar a sério, eu sou o George Clooney in his prime.

É bem verdade que não se esperava mais do partido responsável por quase metade do tempo de congelamento, mas se juntarmos esta “proposta” aos avisos sobre eventuais “inconstitucionalidades” do Parlamento legislar nesta matéria (e mais recentemente sobre a questão das nomeações) percebe-se que o PSD apenas se está a proteger para o caso de ser governo num futuro remoto (estas “alternativas” remetem para soluções que vão até daqui a dois mandatos), quem sabe se numa geringonça central.

Serviço dos professores. PSD defende reposição total mas remete “termos e modo” para o governo

O PSD defendeu esta sexta-feira que todo o tempo de serviço congelado aos professores deve ser devolvido, mas remeteu para o Governo a fixação dos “termos e modo” da recuperação, fazendo-a depender também da situação económica.

laranja-podre

(o PSD de Rio, depois da repartição das verbas para a municipalização tornou-se uma espécie de vazio de ideias e propostas, esperando pelo desgaste do PS para conseguir qualquer coisa… uma mediocridade atroz para quem tem no seu currículo três d@s seis últim@s ocupantes da 5 de Outubro desde 2002…)