Sábado

Da reunião no Infarmed, entre outras informações, ficámos a saber que muitos números que são apresentados para “desenhar” as políticas são uma triste ficção. A verdade é que em 80% ou mais dos casos de contágio, não se sabe a sua origem e mesmo desse só em 60% se consegue estabelecer com algum rigor o “paciente zero” ou algo similar. O que significa que se dizer que 70% dos casos (com origem conhecida e rastreio completo) tem origem aqui ou ali (tem sido usado um valor próximo para os contágios em ambiente familiar), é uma mistificação que esconde o facto de esse valor ser 7-8% de todos os casos “positivos”. O que é muito pouco, pois o rastreio de casos com transmissão familiar é mais fácil de determinar do que o verificado em outros ambientes.

E tudo isso ajuda a explicar que o que aparece na boca de políticos, como o actual PM ou o PR, seja tão desconforme ao que se observa no dia a dia. E ao que estudos internacionais feitos com outro tipo de amostras (na quantidade e qualidade) demonstram.

O Espanto Não É…

ter durado tão pouco tempo no cargo e nem se ter dado praticamente pela senhora, a verdadeira admiração é terem-na convidado e ela aceite. Quiçá para criar currículo a caminho de uma qualquer nomeação em coisa intermunicipal ou equivalente. A sua sucessora pode parecer que representa um aumento do poder do ministro Tiago, mas o mais certo é ser uma recompensa por serviços prestados, porque isto só com louvores não dá para comprar melões.

(já o caso da camarada Djamila parece-me todo um outro campeonato… desde novinha, a começar pela saída jota para o Parlamento europeu, como outros “jovens” de esquerda em busca de ganhar a vida, que me parece mais espertalhona do que a média)

É Cruzar Os Dedos…

… porque eles ficam no gabinete a ver no que dá, arriscando nada. E pelo que se sabe, no caso dos professores, se forem de risco é irem para casa de baixa e pronto. Contratam-se substitutos, diminui-se o desemprego e ainda se dirá, no fim, que houve mais professores nas escolas.

Ministério ainda não tem um plano para professores e alunos de risco

Docentes e directores queixam-se de falta de orientações da tutela.

zandinga

E É Isto…

Já se percebeu que o “Perfil do Docente à Entrada da Carreira Horizontal no Ensino Público” (ou privado amigo) deve ser assim: muita animação inconsequente com agitação de mãos e braços para chamar a atenção, pouco peso de saberes académicos ultrapassados que só atrapalham a comunicação e esforçam as mentes, disponibilidade para ir a programas de grande audiência em que se tenta acertar o preço do detergente multiusos, uma filiação expressa nos ideais do MEM (mesmo que não se saiba explicá-los para além da caricatura que faria corar de vergonha os fundadores), uma adesão acrítica a qualquer recomendação da tutela, mesmo que contraditória em relação à última e à seguinte, um “dispositivo” tecnológico (ou mesmo  dois) para ir em busca de qualquer tema com base no algoritmo do google (que o do bing deixa um bocado a desejar), um entusiasmo sem limites pelas “plataformas” e “ferramentas” do “novo paradigma”.

É isto que se procura.

Para facilitar, no próximo ano lectivo, talvez pela primeira vez de forma explícita, muit@s professor@s serão activamente empurrad@s para baixas médicas, mal digam que têm qualquer factor de risco ou familiares nessa situação. Pelo que se percebeu, a ideia é afastar o maior número de docentes com receio de contágio para a situação de atestado, enquanto se promete vagamente pela enésima vez, que poderá existir um regime antecipado de reformas que apenas levará um mínimo de 50% do rendimento liquido.

Parece que é esta a abordagem “humanista” da Educação, defendida por gente de conversa mole, em que as imprecisões ou formulações vagas são cuidadosamente programadas e e em que o “não há alternativa” recupera um chavão dos tempos da troika. São estas pessoas que precisam de uma classe docente ainda mais esvaziada de um saber profissional próprio que exceda umas teorias pedagógicas sabidas em tópicos, porque ler em extensão cansa, mesmo com um kindle. São pessoas que criticam a formação de professores depois de estarem décadas a formar professores ou afirmam ser necessário mudar a formação contínua depois de anos e anos a fazer parte da sua estrutura e a ganhar bastante com isso. Pregam a tolerância, mas não perdem tempo a vitimizar-se perante qualquer crítica e a, pela sombra, lançar suspeitas terríveis sobre quem desalinhe do diktat situacionista.

Nada disto é novo e talvez seja isso que enjoa ou enoja mais.

Claro que o tal ensino privado que se demoniza por estar no top dos rankings agradece, aplaude discretamente e factura de forma abundante junto de todos aqueles que percebem que a promoção das professorasisas (mesmo sendo do privado) ou dos professoresdopreçocerto (por pessoalmente simpáticos que sejam e muito pressionados pelas suas direcções) são óptimos para o seu negócio.

Pessimista? Catastrofista?

Nem por isso. Apenas consciente de que há muita gente cheia de bons princípios da boca para fora e imensa caridade impingida aos outros que são os piores para combater a desigualdade e acabam, na sua acção coitadinhista, por manter o status quo ou ainda agravar mais os vícios do sistema.

Magoo

(perguntem-lhes onde os seus filhos estudam ou que cursos seguiram… se foram para vias profissionais… etc, etc… perceberão logo que, na essência, o mundo que existe é aquele que querem que continue a existir, fingindo que elevar a base equivale a aproximá-la do topo…)

O “Novo Paradigma”?

As coisas fazem sentido, na sua lógica própria. Do governante de +proximidade que acha que para ensinar basta estar cara a cara e ter um “dispositivo” à directora pedagógica exemplar que dá aulas de leitura sem gostar de ler. As coisas encaixam. O “professor” passou a ser uma designação com um conteúdo funcional muito diferente do que foi e não é o do “transbordamento” de funções.No século XXI é o do total esvaziamento de um saber próprio ou, sequer, de um  interesse especial pelo que se ensina. É um simulacro que clica para que o google ensine. Que tudo venha enroupado pela ideologia-MEM é apenas um detalhe operacional que nem chega a ser paradoxal, porque o que interessa é o Poder. A Educação é um mero pretexto para o acesso. Nem que seja ao círculo exterior.

vazio

Fiquei Esmagado Pela Perspicácia E Profundidade

(claro que eu pensava que passa por saber algo do que se ensina e ter alunos motivados para aprender, mas sou velho e arcaico e nem sequer sou MEM-fanatic)

Secretário de Estado da Educação diz que essência de ensinar passa por “estar face a face, acompanhado por dispositivos”

E agora perguntamos nós… o que pode ser considerado um dispositivo?

Agamben

Homem, A Falar És Um Político Mediano, Quando O Nível Geral É Muito Baixo

Quase toda a entrevista é um exercício inútil, quando do outro lado está um tipo que só sabe debitar os talking points do guião.

Ao certo, quantos professores serão contratados?

Vamos ter um reforço muito substancial de docentes que equivale ao horário integral de cerca de 2500 professores. Pensando que cada professor tem 35 horas de trabalho, são todas essas horas que vamos ter (a mais) nas nossas escolas.

Estarão nas escolas já em setembro?

Sim.

Há €1200 milhões para a TAP, €850 milhões para o Novo Banco e para a Educação foram dados €125 milhões para recuperar daquele que foi o ano letivo mais difícil de sempre. Faz sentido?

Faz sentido que apostemos na recuperação e consolidação das aprendizagens. Os professores dos nossos alunos já lá estão e continuarão lá. Os €125 milhões são para reforçar esse esforço. Estes créditos horários são canalizados especificamente para a recuperação e consolidação das aprendizagens.

Os alunos constituem cerca de um terço dos utentes dos transportes públicos. Pondera criar horários desfasados ou começar as aulas mais tarde para evitar horas de ponta na manhã?

Isso aconteceu neste retorno à escola. Balizámos as horas em que funcionariam preferencialmente, entre as 10h e as 17h, para não coincidir com as horas de ponta. No novo ano letivo é impossível. Muitos dos pais têm de ir trabalhar a uma determinada hora e entregar os filhos na escola. É impensável que saiam de casa e que as suas crianças vão sozinhas duas ou três horas mais tarde.

Ou seja, no geral as escolas vão funcionar quase como funcionavam antes da pandemia.

A diferença está no quase. Nada funciona na nossa sociedade como anteriormente. A forma como nos movimentamos e relacionamos é diferente e assim também será na escola. Tudo estará adaptado em termos de circuitos, de cantinas, biblioteca, tal como já fizeram os jardins de infância e as escolas secundárias.

Centenas de professores integram grupos de risco e são mais vulneráveis à covid-19. Vão voltar à escola?

Como em todas as outras áreas, quem esteja em grupo de risco é autorizado a ficar em teletrabalho, se possível.

O Parlamento aprovou a criação de um prémio para reconhecer o esforço dos profissionais de saúde. O dos professores também deveria ser reconhecido?

Essa foi uma decisão do Parlamento. Nós no Ministério trabalhamos todos os dias para criar as melhores condições para os profissionais de educação. Temos feito o reconhecimento da sua enorme valia também salarialmente, criando condições para que a progressão das carreiras fosse retomada, para o reposicionamento dos contratados e para vincular milhares de docentes. Nestes últimos anos entraram na carreira cerca de 8 mil docentes.

Expresso, 4 de Julho de 2020

vazio

Homem, Calado És Um Poeta!

Não tentes teorizar com base em guiões. Ninguém acredita que percebas mais agora do que há 5 anos. Debitas chavões. Vai para a sombra. Não chateies. Não qualifiques as atitudes e opiniões dos outros, que percebem mais disto num dedo mindinho do que tudo no corpo todo. Se tivesses algum decoro, ias-te embora, arranjavas um lugar qualquer que não fosse o de ministro durante dois mandatos graças a um imenso vazio. Já tive alguma reserva, mas quando escreves num espaço de “Direita” (de acordo com os teus maniqueísmos mentais) prosas da treta, só me apetece puxar do vernáculo.

Poupa-nos!

E o AHC poderia ter-nos poupado a isto, mas não resistiu.

Será que entendem que há toda uma geração de professores(zecos) que, de forma mais pou menos assumida, só tem vontade de vos mandar à [pi-pi-pi].

O ano em que a escola se reinventou

(…)

Termina, esta semana, o ano letivo mais dramático das últimas décadas, devido à pandemia que se espalhou por todo o mundo. É, portanto, tempo de fazer um balanço, em termos educativos, que nos ajude a preparar os próximos passos. Mas um balanço que entenda que a Educação ocorre no quadro da vida de uma comunidade e num horizonte temporal amplo, sem se compadecer com juízos especulativos, simplistas ou imediatistas.

(…)

Outra questão que esta circunstância demonstrou é que o já previsto Plano para a Transição Digital, um dos pilares do Programa do XXII Governo, constitui uma prioridade, também na Educação. Para isso, é necessária uma intervenção integrada, a par de soluções organizacionais, orientações pedagógicas e formação de professores.

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Pela Assembleia Da República

Sentei-me a ver o debate na Assembleia da República sobre o próximo ano lectivo. Eram coisa de 16.30, mais ou menos e apanhei com um deputado do PS que não conhecia (Tiago Estevão Martins) e, estranhamente, mesmo nos pontos em que discordava das suas posições, pareceu-me um pouco acima da média (humor low key com alguma propriedade e tudo)e fez-me ter esperança do deputado Silva, Porfírio de sua graça e nossa desgraça, ter sido enviado para as galés do silêncio parlamentar. E então comecei a puxar aquilo para trás e a ir vendo as restantes intervenções, em modo zapping (mesmo dessa forma, a intervenção da deputada do PAN pareceu-me a modos que… sei lá… a senhora deputada lá teve de fazer o frete e pronto). E não é que, ali mais para os começos me aparece o deputado Silva em pura desfilada de propaganda com uma lista imensa de coisas feitas, em feitura ou por fazer que me deu logo um nervoso no dedo e carreguei no off. E foi assim, não vi mais nada de interessante, tirando o aniversário partilhado entre as manas Mortágua e o liberal Cotrim de Figueiredo.

Resumindo… ninguém sabe verdadeiramente nada. Mas uns querem saber e os outros não querem dizer. Porque ninguém sabe verdadeiramente nada.

Speech