Phosga-se, Que Não Desanda!

É que até agora ninguém teve alunos de países do leste da Europa nas turmas, Se não for o ainda ministro Tiago a garantir, nem sequer saberíamos que existiam ucranianos entre nós. Aliás, nem nepaleses, congoleses, moldavos, romanos e, quiçá, alentejanos. (calma, que eu sou sulista híbrido de origem alentejana e algarvia, tenho direito a humor das planuras).

Ministro garante que escolas estão preparadas para a integração de crianças e jovens ucranianos

Mas será que nunca mais arranjam outra criatura para debitar platitudes e vacuidades?

O Primeiro Passo

O Conselho de Escolas “recomenda” algumas coisas sensatas, como a realização de exames no Secundário apenas nas disciplinas ligadas ao acesso Ensino Superior. O resto, em especial quanto ao Ensino Básico, oscila entre alguma sensatez e a abertura da porta para o fim das provas de avaliação externa com algum impacto na progressão dos alunos. Porque as provas de aferição, como existem, são apenas um pretexto para manter algumas equipas de trabalho no IAVÉ. Se tanta gente aparece por aí a dizer que está tudo “normal”, que as escolas estavam preparadas para isto, aquilo e aqueloutro, que lógica tem eliminar as provas finais de 9º ano? Será que é apenas um véu para acabar com os rankings que tanto incomodam certas sumidades?

Pena que não tenha ainda tudo tempo para recomendar nada acerca da situação da escassez de docentes. Afinal, os professores não passam de auxiliares dos directores na implementação dos normativos centrais, certo? Sem provas finais ou qualquer outra avaliação externa, ainda se torna mais fácil produzir sucesso até aos 103,2%.

Valerá A Pena…

… andar a analisar com grande detalhe o que os programas partidários defendem em matéria de Educação? No essencial, fazem proclamações vagas, não explicando como as pretendem implementar na prática. Quando apresentam algo mais concreto, uma pessoa espanta-se com as ideias subjacentes (como aquela de fazer uma espécie de dupla certificação profissional dos futuros docentes). Quase tudo é ditado pelo imediatismo e a “falta de professores” que ninguém pareceu ver a vários anos de distância, como se o envelhecimento fosse algo recente. Em matéria de gestão escolar, umas pinceladas escassas de quem já teve oportunidade de fazer alguma coisa e se ficou por resoluções. Quanto à carreira dos “envelhecidos” e à vergonhosa add, zero em coragem de dizer seja o que for; estive, por exemplo, a ler o programa do Bloco (não chega reclamar pelo fim das quotas, mesmo se isso é importante) e o “Compromisso” do PCP e a ausência de qualquer referência ao tema é uma lástima completa em forças políticas que se pretendem ter alguma representatividade no sindicalismo docente (o mesmo para a questão do tempo de serviço congelado e que todos parecem considerar tema fechado, apesar das tais “resoluções). Fico mesmo pasmo com certas preocupações

A Educação deixou de ser uma prioridade em temos de pandemia, mesmo se as escolas a funcionar são essenciais em tempos de pandemia. À Direita leio coisas que nem me apetece comentar, de tão demagógicas que são, ou seja, como se pode defender uma Escola Pública forte e de qualidade se estamos continuamente a duvidar da qualidade dos professores (PSD) ou a clamar pelo cheque-ensino para levar alunos para um privado de 2ª ou 3ª linha (CDS e Iniciativa Liberal, mesmo se estes nem sequer fingem interessar-se muito pelo funcionamento da rede pública). O Chega diz umas coisas que parecem soar bem, se esquecermos que tudo é “contra os socialismos”, a “esquerda e a extrema-esquerda” e poucas coisas são mais (teoricamente) típicas de uma governação de “esquerda” do que uma Escola Pública para todos. Mesmo se o PS (incluindo o da geringonça) optou transformá-la numa espécie de coutada para as suas clientelas e uma via para canalizar meios financeiros para organismos e estruturas que lhe são externas.

Portanto, não é pela análise das propostas para a Educação que me conseguem convencer que, chegando ao poder uma geringonça de esquerda ou direita (e muito menos uma maioria absoluta do PS), alguma coisa mudará de relevante, excepto a imposição de mais uns remendos no currículo e umas medidas ad hoc para colmatar a falta de professores, considerando que tornar a profissão “mais atractiva” se limita a mais um lote de vinculações “extraordinárias” ou a pagar mais nos primeiros escalões, enquanto se encolhe o horizonte de progressão a partir do primeiro terço da carreira, mesmo que se mantenham formalmente escalões com remunerações nominais comparativamente elevadas nos estudos da OCDE, mas de que 40% ficam na posse do Estado, logo à cabeça.

Os Debates

Há um par e séries que descobri (Goliath na Amazon, Fica por Perto, na Netflix) que me têm deixado pouco tempo para dar com os debates em directo, pelo que acabo por ver aquilo meio misturado, em diferido, tipo resumo da jornada.

Antes de mais, três preliminares:

  • São debates com menos de meia hora, em que os “debatentes” (acho que a palavra existe, neologismo ou não) falam ali uns 11-12 minutos, o que me parece escasso, mas mesmo assim nos surge como imenso, atendendo à proporção de tempo gasta em disparates e irrelevâncias.
  • São debates em que a pandemia é tema quase proibido, sem bem percebi, apesar de uma outra menção ao SNS.
  • Alguns comentadores dos debates (antes ou depois da sua realização) deveriam estar em isolamento profilático pelo eu histórico nestas coisas, em especial alguns que se dizem “jornalistas”, mas que o mais certo é estarem numa campanha própria para fazerem parte de algum gabinete (governamental ou partidário) de comunicação. Nisso fazem-me muito lembrar a malta dos blogues da moda de há 10-15 anos.

Quanto aos debates, eles mesmos, e principais protagonistas:

Os debates com António Costa e os minions à sua esquerda parecem-me chilreios de carochinhas em busca do seu joão ratão, mesmo se me parece que seriam elas a caírem no caldeirão (como já caíram), s e o namoro se voltar a concretizar em união de facto ou matrimónio de papel passado.

O Rui Rio faz-me lembrar aquele professor que vai dar aulas sem as preparar, seguro de que sabe tudo e conseguirá dar a volta a qualquer questão dos alunos e acaba a balbuciar palermices como dizer os hominídeos são primatas, mas não mamíferos ou que gosta de vinho, mas não do alcoólico.

O Ventura é o que sempre foi e estranho que quem tanto o adorava nos programas futeboleiros agora se amofine quando tem de o enfrentar na política. O homem sempre foi isto, mais ou menos coelha, qual a surpresa, qual a indignação? Não havia quase (por causa das raras excepções) 6 milhões a adorá-lo?

Contra o que eu esperava, até ao momento só o Rui Tavares parece ter tido uma das duas atitudes certas ao enfrentar o dito Ventura, mesmo se ficou por aprofundar a questão dos financiamentos do Chega e o próprio Tavares tem telhados de vidro por Lisboa. A outra atitude seria rir muito cada vez que o Ventura abre a boca, soltando esta ou aquela palavra com ar de gozo ou falsa surpresa, ou apenas questionando “A sério, André? A sério?”.

Mais para a direita, um debate entre os líderes do CDS e da Iniciativa Liberal faz lembrar uma discussão da Juventude Centrista, em meados dos anos 90 do século XX, para decidir qual a melhor forma de escrever uns artigos para o Independente. Ou uma década depois para a Atlântico.

Quanto a substância, em matéria de medidas concretas de governação? Quase zero, não sendo mesmo zero porque o Tavares e o Ventura discutiram uns segundos sobre quais os subsídios que um defende e o outro não.

(ahhh… ia-me esquecendo… tenho saudades dos tempos em que havia esquerda “radical” e isso se notava… agora preferem mostrar-se “responsáveis”, deixando esse espaço de protesto todo aberto à “extrema direita” e parecem ainda não ter percebido o erro)

Mas Por Que Raio Temos Nós De Aguentar Com Estes Gajos?

Carlos César faz pressão máxima sobre BE e PCP: “Sentem-se melhor a fazer oposição ou a fazer acordos?”. Esquerda sobe tom da crítica

Pedro Adão e Silva ganhou 108 mil euros com comentário

Pedro Adão e Silva, o analista, ganha bastante mais do que Pedro Adão e Silva, o comissário. Deixou o ISCTE, mas fica nos media, a par da comissão para as comemorações dos 50 anos do 25 de Abril.

Pedro Adão e Silva já entregou a sua declaração de rendimentos no Tribunal Constitucional. O comissário executivo das comemorações dos 50 anos do 25 de Abril, nomeado em junho último pelo Governo, recusou na altura revelar quanto recebe no espaço de comentário na RTP, que vai manter, e a estação pública de televisão apenas remeteu para as tabelas da casa, sem adiantar valores. Mas a declaração permite perceber que a empresa através da qual fatura as múltiplas colaborações em órgãos de comunicação social, a Linha Justa Lda., teve em 2020 um volume de negócios de 108.642 euros, onde está incluído o que recebe da RTP (O outro lado), Expresso, TSF (Bloco Central), Sport TV e Record (do mesmo grupo da SÁBADO, a Cofina). O que fará dele, provavelmente, um dos mais bem pagos comentadores do País, pela acumulação de vários espaços.

O que mais espanta (?) neste segundo caso é que esta alma não consegue alinhar duas opiniões que escapem vagamente a qualquer das cartilhas que subscreve. O que nos pode sempre levantar a questão: o que ganha quem lhe paga?

Já quanto ao pretenso senador açoriano, aparece sempre que é preciso um trauliteiro com idade para ter juízo.

Ainda Bem Que Há Quem Tenha Tanto Tempo Para (Não) Negociar

Entretanto, marcaram a greve tradicional do período do Orçamento. Para além de ser gozados, parece que gostam de gozar connosco, para não se sentirem tão sós.

Dirigentes da Fenprof passaram oito horas no Ministério da Educação e não foram recebidos

(não há luz ao fundo do túnel… desenganai-vos)

2ª Feira

O actual PM teve um ataque de coragem política de campanha. Deu uma de “animal feroz”. O que equivale a que fez voz grossa, mas actuará da forma mais fininha possível com a GALP. Ou porque se esquecerá do assunto daqui a uma semana ou porque o que mandar fazer, será a alguém com a ambição e trabalhar para a dita cuja empresa ou outra equivalente e fará por tomar uma medida com as esperadas falhas que permitirão a habitual escapatória ao prevaricador. Tudo isto costuma ser, realmente, “exemplar”.