O Risco Da Incompetência É Muito Superior (Até Porque São Os Outros Que Sofrem Com Isso)

Isto é ministro para dias “gordos”, com muitas viagens e “eventos”. Massa humana de minguado calibre para tempos complicados, quando a prioridade é apenas parecer bem ao PM. Já o secretário, mais matreiro e com outros “andaimes”, anda encoberto. Porque sabe que um dia se escreverá História e não apenas estórinhas de embalar mentecaptos.

“Custo do encerramento das escolas é bem superior ao risco”, argumenta ministro da Educação

No meio disto tudo, ainda temos as maiorea federações sindicais à deriva, a tentar acertar o passo com quem mexe os cordelinhos, também a não quererem desagradar e a representarem-se a si mesmas. Entre umas “mesas de negociações” e o risco dos professores que dizem “envelhecidos” e com milhares “, não hesitam.

Claro que a decisão vai ser “política”, porque “científica” não será.

Quando se fecham as escolas, há todo um conjunto de actividades que também é reduzido na comunidade, como as deslocações, incluindo os transportes, e as entradas e saídas na escola, com uma tendência para que se sejam feitas em grupos, quer se queira, quer não. E depois finalmente há ainda a atitude da maioria dos países da Europa que, quando optam por confinamentos, têm optado por algum fecho de escolas.

António Diniz, pneumologista

Entretanto, arranjam sempre um “mas”. Claro que é possível… apenas demora mais e tem mais custos em vidas, mas deve ser “o preço de ser humano”.

Fechar as escolas reduz transmissão de forma mais acentuada, mas é possível fazer descer o R com aulas presenciais

Desculpe Lá, Desculpe Lá

Dei-me ao trabalho de ver o que passa por ser um “debate” entre candidatos presidenciais, como se em 15 minutos para cada lado desse para dizer algo de relevante para o futuro, quando se gasta o tempo quase todo a discutir o passado recente. Marcelo começou quase conciliador, assim como Ventura, mas rapidamente a coisa evoluiu para a cacofonia, com a moderadora a fazer avisos inúteis. Cada um ganhou à sua maneira… Ventura mostrou-se aguerrido e agressivo contra a “bandidagem” e a excessiva colagem do actual presidente ao governo, Marcelo a querer ser conciliador, a tentar deonstrar que não tem sido uma muleta de Costa e a teorizar sobre uma “direita social” que por cá já foi o CDS, mas raramente o PSD. Tudo na mesma, como seria de esperar. Ninguém mudou o sentido de voto com isto e para os agnósticos como eu fica a ideia que, em tempo de pandemia, mais vale não correr riscos desnecessários no dia 24.

Mas Sempre Deu Umas Dezenas De Destacamentos

0,0% de rating e 0,0% de share, são os números que marcam a maioria das aulas do dia no #EstudoEmCasa, transmitido de segunda a sexta-feira pela RTP Memória.

(quanto a funcionar como repositório de conteúdos como dizia o ministro… enfim… no fundo aquilo não passa de aulas num modelo bem tradicional, mais umas apresentações das plataformas das editoras…)

Sábado

Da reunião no Infarmed, entre outras informações, ficámos a saber que muitos números que são apresentados para “desenhar” as políticas são uma triste ficção. A verdade é que em 80% ou mais dos casos de contágio, não se sabe a sua origem e mesmo desse só em 60% se consegue estabelecer com algum rigor o “paciente zero” ou algo similar. O que significa que se dizer que 70% dos casos (com origem conhecida e rastreio completo) tem origem aqui ou ali (tem sido usado um valor próximo para os contágios em ambiente familiar), é uma mistificação que esconde o facto de esse valor ser 7-8% de todos os casos “positivos”. O que é muito pouco, pois o rastreio de casos com transmissão familiar é mais fácil de determinar do que o verificado em outros ambientes.

E tudo isso ajuda a explicar que o que aparece na boca de políticos, como o actual PM ou o PR, seja tão desconforme ao que se observa no dia a dia. E ao que estudos internacionais feitos com outro tipo de amostras (na quantidade e qualidade) demonstram.

O Espanto Não É…

ter durado tão pouco tempo no cargo e nem se ter dado praticamente pela senhora, a verdadeira admiração é terem-na convidado e ela aceite. Quiçá para criar currículo a caminho de uma qualquer nomeação em coisa intermunicipal ou equivalente. A sua sucessora pode parecer que representa um aumento do poder do ministro Tiago, mas o mais certo é ser uma recompensa por serviços prestados, porque isto só com louvores não dá para comprar melões.

(já o caso da camarada Djamila parece-me todo um outro campeonato… desde novinha, a começar pela saída jota para o Parlamento europeu, como outros “jovens” de esquerda em busca de ganhar a vida, que me parece mais espertalhona do que a média)

É Cruzar Os Dedos…

… porque eles ficam no gabinete a ver no que dá, arriscando nada. E pelo que se sabe, no caso dos professores, se forem de risco é irem para casa de baixa e pronto. Contratam-se substitutos, diminui-se o desemprego e ainda se dirá, no fim, que houve mais professores nas escolas.

Ministério ainda não tem um plano para professores e alunos de risco

Docentes e directores queixam-se de falta de orientações da tutela.

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E É Isto…

Já se percebeu que o “Perfil do Docente à Entrada da Carreira Horizontal no Ensino Público” (ou privado amigo) deve ser assim: muita animação inconsequente com agitação de mãos e braços para chamar a atenção, pouco peso de saberes académicos ultrapassados que só atrapalham a comunicação e esforçam as mentes, disponibilidade para ir a programas de grande audiência em que se tenta acertar o preço do detergente multiusos, uma filiação expressa nos ideais do MEM (mesmo que não se saiba explicá-los para além da caricatura que faria corar de vergonha os fundadores), uma adesão acrítica a qualquer recomendação da tutela, mesmo que contraditória em relação à última e à seguinte, um “dispositivo” tecnológico (ou mesmo  dois) para ir em busca de qualquer tema com base no algoritmo do google (que o do bing deixa um bocado a desejar), um entusiasmo sem limites pelas “plataformas” e “ferramentas” do “novo paradigma”.

É isto que se procura.

Para facilitar, no próximo ano lectivo, talvez pela primeira vez de forma explícita, muit@s professor@s serão activamente empurrad@s para baixas médicas, mal digam que têm qualquer factor de risco ou familiares nessa situação. Pelo que se percebeu, a ideia é afastar o maior número de docentes com receio de contágio para a situação de atestado, enquanto se promete vagamente pela enésima vez, que poderá existir um regime antecipado de reformas que apenas levará um mínimo de 50% do rendimento liquido.

Parece que é esta a abordagem “humanista” da Educação, defendida por gente de conversa mole, em que as imprecisões ou formulações vagas são cuidadosamente programadas e e em que o “não há alternativa” recupera um chavão dos tempos da troika. São estas pessoas que precisam de uma classe docente ainda mais esvaziada de um saber profissional próprio que exceda umas teorias pedagógicas sabidas em tópicos, porque ler em extensão cansa, mesmo com um kindle. São pessoas que criticam a formação de professores depois de estarem décadas a formar professores ou afirmam ser necessário mudar a formação contínua depois de anos e anos a fazer parte da sua estrutura e a ganhar bastante com isso. Pregam a tolerância, mas não perdem tempo a vitimizar-se perante qualquer crítica e a, pela sombra, lançar suspeitas terríveis sobre quem desalinhe do diktat situacionista.

Nada disto é novo e talvez seja isso que enjoa ou enoja mais.

Claro que o tal ensino privado que se demoniza por estar no top dos rankings agradece, aplaude discretamente e factura de forma abundante junto de todos aqueles que percebem que a promoção das professorasisas (mesmo sendo do privado) ou dos professoresdopreçocerto (por pessoalmente simpáticos que sejam e muito pressionados pelas suas direcções) são óptimos para o seu negócio.

Pessimista? Catastrofista?

Nem por isso. Apenas consciente de que há muita gente cheia de bons princípios da boca para fora e imensa caridade impingida aos outros que são os piores para combater a desigualdade e acabam, na sua acção coitadinhista, por manter o status quo ou ainda agravar mais os vícios do sistema.

Magoo

(perguntem-lhes onde os seus filhos estudam ou que cursos seguiram… se foram para vias profissionais… etc, etc… perceberão logo que, na essência, o mundo que existe é aquele que querem que continue a existir, fingindo que elevar a base equivale a aproximá-la do topo…)

O “Novo Paradigma”?

As coisas fazem sentido, na sua lógica própria. Do governante de +proximidade que acha que para ensinar basta estar cara a cara e ter um “dispositivo” à directora pedagógica exemplar que dá aulas de leitura sem gostar de ler. As coisas encaixam. O “professor” passou a ser uma designação com um conteúdo funcional muito diferente do que foi e não é o do “transbordamento” de funções.No século XXI é o do total esvaziamento de um saber próprio ou, sequer, de um  interesse especial pelo que se ensina. É um simulacro que clica para que o google ensine. Que tudo venha enroupado pela ideologia-MEM é apenas um detalhe operacional que nem chega a ser paradoxal, porque o que interessa é o Poder. A Educação é um mero pretexto para o acesso. Nem que seja ao círculo exterior.

vazio

Fiquei Esmagado Pela Perspicácia E Profundidade

(claro que eu pensava que passa por saber algo do que se ensina e ter alunos motivados para aprender, mas sou velho e arcaico e nem sequer sou MEM-fanatic)

Secretário de Estado da Educação diz que essência de ensinar passa por “estar face a face, acompanhado por dispositivos”

E agora perguntamos nós… o que pode ser considerado um dispositivo?

Agamben

Homem, A Falar És Um Político Mediano, Quando O Nível Geral É Muito Baixo

Quase toda a entrevista é um exercício inútil, quando do outro lado está um tipo que só sabe debitar os talking points do guião.

Ao certo, quantos professores serão contratados?

Vamos ter um reforço muito substancial de docentes que equivale ao horário integral de cerca de 2500 professores. Pensando que cada professor tem 35 horas de trabalho, são todas essas horas que vamos ter (a mais) nas nossas escolas.

Estarão nas escolas já em setembro?

Sim.

Há €1200 milhões para a TAP, €850 milhões para o Novo Banco e para a Educação foram dados €125 milhões para recuperar daquele que foi o ano letivo mais difícil de sempre. Faz sentido?

Faz sentido que apostemos na recuperação e consolidação das aprendizagens. Os professores dos nossos alunos já lá estão e continuarão lá. Os €125 milhões são para reforçar esse esforço. Estes créditos horários são canalizados especificamente para a recuperação e consolidação das aprendizagens.

Os alunos constituem cerca de um terço dos utentes dos transportes públicos. Pondera criar horários desfasados ou começar as aulas mais tarde para evitar horas de ponta na manhã?

Isso aconteceu neste retorno à escola. Balizámos as horas em que funcionariam preferencialmente, entre as 10h e as 17h, para não coincidir com as horas de ponta. No novo ano letivo é impossível. Muitos dos pais têm de ir trabalhar a uma determinada hora e entregar os filhos na escola. É impensável que saiam de casa e que as suas crianças vão sozinhas duas ou três horas mais tarde.

Ou seja, no geral as escolas vão funcionar quase como funcionavam antes da pandemia.

A diferença está no quase. Nada funciona na nossa sociedade como anteriormente. A forma como nos movimentamos e relacionamos é diferente e assim também será na escola. Tudo estará adaptado em termos de circuitos, de cantinas, biblioteca, tal como já fizeram os jardins de infância e as escolas secundárias.

Centenas de professores integram grupos de risco e são mais vulneráveis à covid-19. Vão voltar à escola?

Como em todas as outras áreas, quem esteja em grupo de risco é autorizado a ficar em teletrabalho, se possível.

O Parlamento aprovou a criação de um prémio para reconhecer o esforço dos profissionais de saúde. O dos professores também deveria ser reconhecido?

Essa foi uma decisão do Parlamento. Nós no Ministério trabalhamos todos os dias para criar as melhores condições para os profissionais de educação. Temos feito o reconhecimento da sua enorme valia também salarialmente, criando condições para que a progressão das carreiras fosse retomada, para o reposicionamento dos contratados e para vincular milhares de docentes. Nestes últimos anos entraram na carreira cerca de 8 mil docentes.

Expresso, 4 de Julho de 2020

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