Continuo A Achar Inaceitável…

… que organizações sindicais cobrem aos seus sócios dezenas de euros por acções de formação. Não sou pagante de quotas de nenhuma, portanto não estou a queixar-me em causa própria. Mas acho uma indecência, por muitos “custos administrativos” que aleguem. Afinal, para que servem os pagamentos mensais? Sofrível apoio jurídico e parcerias com agências de viagens? Só assim podem pagar aos formadores? E se esses formadores forem também associados ou parecido?

O mundo cada vez mais é dos expertos.

Monty

Reconhecido Mérito Reconhecido Por Quem?

Sinceramente, mais do que a presença de directores, temo a presença de operacionais orgânicos dos poderes que passam pelo ME, aqueles “especialistas” e “peritos” que estão mais preocupado em verificar se as escolas verdascam o sucesso estatístico do que se fazem um bom trabalho a outros níveis bem mais relevantes para o tal “superior interesse dos alunos”. Ou então teremos uma chuvada de cosmes@trindades por aí, a ver se toda a gente salta e flexibiliza de acordo com a cartilha.

Segundo o Ministério da Educação, as novas equipas de avaliação serão compostas por quatro elementos: “dois inspectores – sendo um deles coordenador – um perito e uma personalidade de reconhecido mérito com conhecimento do sistema educativo.

O SIEE teme que este novo elemento possa ser um director escolar: “Ao estarem a avaliar os seus pares fica posta em risco a isenção”, alertou a presidente do SIEE, Bercina Calçada, em declarações à Lusa, considerando esta opção “perversa e ilegal”.

cachorro

(declaração de interesses… o meu agrupamento foi avaliado muito razoavelmente o ano passado, mas a terceira pessoa da equipa de avaliação – uma espécie de avaliador@ de reconhecido mérito – fez observações nas visitas às escolas, em especial do 1º ciclo, que raiaram, mais do que rudeza de trato ou a indelicadeza institucional, uma visão pedagógica afuniladada e por demais datada, mesmo se alinhada com os actuais poderes… felizmente na sessão em que participei foi o elemento mudo…)

Olha-me o Defensor “Radical” dos “Direitos dos Professores”, que Bela Saída de Cócoras

A contagem do tempo congelado terá um ritmo de acordo com os meios orçamentais existentes

O ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, defende que a questão da contagem do tempo em que as carreiras dos professores estiveram congeladas é uma questão nova e complexa.

Para começar… a questão não é nova… tem mais de 9 anos. O shôr ministro é que é novo. A questão é complexa? Talvez… mas ainda é pior quando um tipo não pesca nada isto e pensa que ir para ministro é simplesmente dar uns passeios pelo país e lá por fora.

Ministro Tiago, pá… estamos velhos, pois estamos… por isso há muita gente encalacrada numa série de escalões… mas se o critério é sermos muitos, descansa que tirando ali uma malta que se safou antes de 2007 (e começou a dar aulas aos 18 anos) e já chegou ao 8º escalão, o resto vai ficar encravado sem nunca chegar ao tal “topo”. E não te esqueças que são mais de 9 anos, porque nós começámos logo a levar na moina muito antes da crise de 2008 que todos usam como desculpa.

Já agora, não sejas tão “radical” que a cabeça até me dá a volta. Rendeste-te aos argumentos da “responsabilidade” porque o sistema financeiro é que é “sistémico” como eles dizem? Ok… mas a partir de agora tem dó e não fales mais como se fosses crescido. E desculpa lá o tratamento, mas eu tenho ex-alunos bem mais velhos do que tu e eu – sempre que pude – ensinei-lhes que não se deve querer ser grande com as botas dos avôs ou dos pais.

Já se percebeu que deves ter ido para um retiro onde te fizeram repetir mil vezes ao amanhecer e ao deitar “o Centeno é que manda, o Centeno é o Ronaldo do Ecofin, o Centeno vai para o Eurogrupo e tu só tens que amochar porque ainda és um pitufo novinho para teres voz grossa”.

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(mais exactamente és aquele deitado logo ali diante… de rabo no ar…)

O Perfil

Se bem percebi, ficou quase tudo na mesma, após a consulta pública, como era, aliás, de esperar.

Antes começava da seguinte forma:

O século XXI coloca desafios fundamentais aos sistemas educativos. Atravessamos um período em que o conhecimento científico e tecnológico se desenvolve a um ritmo de tal forma intenso que a quantidade de informação disponível cresce exponencialmente todos os dias. Apesar de tantos avanços científicos, este século tem vindo a ser marcado pela incerteza, por debates sobre identidade e segurança e por uma maior proximidade dos riscos colocados à sustentabilidade do planeta e da humanidade.

Agora começa de um modo ligeiramente mais económico no primeiro parágrafo, mas ganhou em conceitos iniciados com a letra i.

O mundo atual coloca desafios novos à educação. O conhecimento científico e tecnológico desenvolve-se a um ritmo de tal forma intenso que somos confrontados diariamente com um crescimento exponencial de informação a uma escala global. As questões relacionadas com identidade e segurança, sustentabilidade, interculturalidade, inovação e criatividade estão no cerne do debate atual.

Antes terminava assim:

A ação educativa é, pois, compreendida como uma ação formativa especializada, fundada no ensino, que implica a adoção de princípios e estratégias pedagógicas e didáticas que visam a concretização da aprendizagem.Trata-se de encontrar a melhor forma e os recursos mais eficazes para todos os alunos aprenderem, isto é, para que se produza uma apropriação efetiva dos conhecimentos, capacidades e atitudes que se trabalharam, em conjunto e individualmente, e que permitem desenvolver as competências-chave ao longo da escolaridade obrigatória.

Agora termina assim, com uma-alteração-uma, se é que se pode chamar assim:

A ação educativa é, pois, compreendida como uma ação formativa especializada, fundada no ensino, que implica a adoção de princípios e estratégias pedagógicas e didáticas que visam a concretização das aprendizagens. Trata-se de encontrar a melhor forma e os recursos mais eficazes para todos os alunos aprenderem, isto é, para que se produza uma apropriação efetiva dos conhecimentos, capacidades e atitudes que se trabalharam, em conjunto e individualmente, e que permitem desenvolver as competências previstas no perfil ao longo da escolaridade obrigatória.

Cruzes… deve ter sido cá uma trabalhêra dar a aparência de incorporar contributos…

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Isto vai ser um recurso inestimável para a produção de chorrilhos conceptuais por aí que até me dói a osso do fígado só de pensar no que me vou rir a ler tais prosas.

David, Pareces o Pai da Criança!

O David Rodrigues defende com tanta intensidade o Perfil do Aluno que me deixa a sensação de ter sido ele o mais activo entusiasta dos progenitores a concebê-lo. Ao contrário dele, não acho que por ali passe nada de essencial, como em tantas outras declarações de belos princípios para um futuro que, ao o imaginarmos, de certa forma provamos que o não é, mas apenas um reflexo das nossas crenças. Não me identifico com nenhum dos tipos de críticas que ele identifica ao documento (não o acho utópico ou mais do mesmo, não me sinto saudosista ou especialmente motivado pela identidade dos autores, excepto para que daqui a uns tempos não reneguem a paternidade da criança).

Aliás, a minha principal crítica ao documento é o de não me conseguir despertar o interesse suficiente – como pai ou professor – para o comentar, acrescentar ou truncar. O essencial não passa por gabinetes laboratoriais de “competências” melhor ou pior definidas, passa-se nas salas de aula e a essa realidade o documento é alheio, por muito que se possa dizer o contrário. Porque é para mim estranho que se defina algo (competência) como sendo a capacidade (embora se evite o termo) de mobilizar um conhecimento, mas depois se dê a entender que isso não equivale a uma capacidade de fazer algo.

Mas, como sabeis, eu sou um tipo que lê pouco e raramente algo que eu considere o melhor no estado da Arte. Um texto ser actual, David, não dá estatuto de melhor qualidade e quanto a esse tipo de avaliação, vais-me desculpar mas a cada um a sua subjectividade. Depende mais do que (não) lemos, porque há coisas muito boas que nenhum de nós terá lido. Repara como aqui se encara a Educação no século XXI de uma forma em que, não desprezando as skills (numa perspectiva muito próxima da do Perfil nacional), a framework se baseia em conhecimentos disciplinares claros. Aliás, para mim há mesmo umas coincidências bastante assinaláveis entre os documentos. Mesmo se uma década os divide (o que refiro já é de 2007, embora o trabalho do grupo se mantenha ainda hoje).

Conservador não serei, até porque eu desconservaria muito do que leio há 30 anos como sendo o futuro. O que me chateia é quando me chamam “professor do século XX” porque não partilho a volúpia da sempiterna juventude dos conceitos de final do século XIX recauchutados pelo Dewey em matéria de valores e mais uma pitadas de perrenoud a fingir que não foi século XX.

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Oxalá

Que alguns dos que elogiaram muito a coragem da SE na disputa com os colégios com contrato de associação não acabem ultrapassados no concurso de vinculação extraordinária por pessoal que tenha saído deles com muitos anos de serviço sem terem para isso passado por qualquer concurso público de colocação. Porque, a ficarem assim as coisas, adivinham-se umas coisas mesmo extraordinárias.

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