120.000 Por Dia?

É muito interessante ir lendo a sequência de notícias, incluindo mais uma da doutora Graça Freitas sobre a aceitação de qualquer marca de vacina. Quero ver se compram a Sputnik V.

Britânicos podem voltar a Portugal a partir de 17 de Maio. Há 485 novos casos e 21 mortes. Número de internados em Cuidados Intensivos desce abaixo dos 200. Task force pede ajuda aos autarcas para poder vacinar até 120 mil pessoas por dia em Abril.

Justifica Mais Do Que Os Óscares Ficar Acordado (Ou Meter O Despertador) Até Quase De Madrugada

Mesmo se acho que em 2016 é que teria sido o momento ideal para a candidatura de Biden, Por muitas piadas que possa gerar, um mundo com Trump na presidência é um mundo mais perigoso para quase toda a gente.

Eu sei que a facção luso-tropicalista se preocupa muito com o Bolsonaro, mas a capacidade de ele instabilizar todo o mundo é relativamente reduzida. Fico mais aterrado com as derivas autoritárias e xenófobas em alguns países do antigo bloco de Leste. E quanto ao Boris, já se percebeu que é um populista demagogo, mas não ameaça o funcionamento da democracia, com tentativas de transformação do sistema político e jurídico numa coutada para os seus interesses empresariais e familiares.

Claro que no íntimo queria ver o Bernie a dar uma coça ao Donaldo e é igualmente verdade que prefiro o Biden desbocado e menos “normalizado”, mas pelo menos ficou a Kamala como vice.

2020 Election: Live Coverage

As Bolhas Familiares

Dizem agora que 67% dos surtos activos resultam de “convívios familiares”. Ora, em todas as aulas, reúnem-se na minha sala quase de 30 elementos de quase 30 dessas bolhas. E cruza-se os dedos e canta-se aquela música que esteve muito em voga no Verão.

Já agora, até para não ter de fazer outro post, quando nas conferências de imprensa estamos a ouvir falar a directora-geral da Saúde, o secretário de Estado ou a ministra da Saúde, é bom que se perceba que estão ali como pessoal político ou de confiança política, não na qualidade de “especialistas”, cientistas ou médic@s. Aquilo tem números, até pode ter gráficos e uma conversa com ar de neutralidade objectiva, mas são meras sessões de comunicação política e não “científica”.

Quem Se Oferece Para “Ponto Focal”?

Todos estes documentos são feitos na perspectiva do que deve ser feito e baseiam-se no princípio de que as regras mais básicas (ou outras) serão cumpridas. Mas… e todas aquelas milhentas situações que eu sou capaz de imaginar e sobre as quais não vejo uma palavrinha ou frase nos Planos de Contingência?

#sócrioprobelmas

A Colina Começa A Inclinar-se?

Surtos em 60 lares de idosos explicam alguma coisa mas não tudo. Dois dias em torno dos 400 contágios que já sei que haverá quem explique com a maior das facilidades e nenhum alarme (mesmo se a própria DGS começa a dar sinais de intranquilidade) . Mas basta ver como muita gente, em ambiente de fim/regresso de férias, se está a comportar em grandes (ou nem tanto) espaços comerciais para se perceber que as altas temperaturas torraram ainda mais alguns neurónios e deixaram certas pessoas convencidas de que, afinal, já tudo passou. Ou então acham que basta um daqueles tapetes do IKEA à porta para afugentar todo e qualquer mau-olhado viral.

(já imaginaram como vai ser o “regresso”, em especial nos casos da pré e 1º ciclo, com aqueles papás e vovós que ficam ali de volta dos portões e nas zonas de acesso em amena cavaqueira e muita falta de algo que fazer?)

A Questão Ao Lado

Perdi uma horita a passar por canais noticiosos lá de fora, para perceber como andam as coisas a ser encaradas e a regra é a da desvalorização, pelos políticos, dos riscos de contágio nas escolas para os alunos. Porque, apesar da tese já ter levado com uns estudos em cima a contrariá-la, se afirma que nas crianças e jovens o risco é baixo de contrair a covid-19 e ainda menor de ser com sintomas graves. Como se fosse apenas isso que está em causa.

Eu percebo que a escola digital do século XXI levou com um choque de realidade entre Março e Junho e que, afinal, o ensino presencial é ainda essencial e até mesmo algum de tudo mais tradicional do que se de desejaria.

E também percebo que a Economia parece sofrer mais com o encerramento das escolas do que de outros serviços públicos ou mesmo de sectores de actividade económica.

Mas seria bom que ao menos não se escondesse que os problemas não se resumem a haver contágio (ou não) entre os alunos, no interior das escolas. Há muitos mais do que isso, desde tudo o que envolve a deslocação dos alunos fora da escola, a situação dos familiares e, claro, em último lugar para quem gosta de falar sobre isto, os riscos do pessoal docente e não docente.

Sim, Descobrimos O Caminho Marítimo Para A Índia, Em Busca De “Cristãos E Especiaria”, Mas Acabámos Falidos E Nem O Camões Deixou Descendência Para Ganhar Com Os Direitos De Autor Da Epopeia Maior

Tenho sempre um problema fundamental com o uso e abuso demagógico da História para efeitos de agit-prop. Neste caso é por causa da questão do “digital” na Educação. Como se meia dúzia de “salas do século XXI” equivalessem a chegar a Calecute, João Couvaneiro vai por ali abaixo e esquece-se que se o Gama conseguiu glória, honrarias e extensão generosa para o título majestático de D. Manuel, não é menos verdade que a meio do século XVI estávamos falidos e que países que pouco ou nada descobriram souberam ser empreendedores de outro modo (Holanda, só para dar o exemplo de um pequenito em extensão) e conseguiram manter-se ricos desde então. Embora eventualmente com poetas de menor qualidade.

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João Couvaneiro in JL/Educação, 26 de Fevereiro de 2020

Não é que eu ache que a grande Poesia valha menos do que uma balança comercial razoavelmente favorável desde o século XVII, mas talvez fosse bom irmos além da superfície dos chavões históricos.

E depois, claro, lembro-me sempre do Magalhães e do duplo inconseguimento, seja o do próprio Fernão, frechado ao serviço de Castela na ilha de Máctan, seja o do aparato digital dos tempos dos engenheiro e seu muito mitigado aproveitamento pedagógico.

(ninguém está contra o uso de tecnologias que há quem use antes dos concursos para professor do ano, apenas contra um certo deslumbramento meio apatetado que por aí anda…)

2018 A Caminho De 2019

Não me levem a mal – ou levem, só vos vai fazer sentir mal – mas vou desligar o dumbphone como no Natal e não vou conseguir retribuir toda a simpatia dos votos recebidos, porque tenho mesmo, mas mesmo, uma série de livros para ler e daqui a uns dias o tempo vai escassear. Portanto, considerem-se tod@s objecto de votos de um 2019 que não corresponda às expectativas que tenho dele.

NovoAno