4ª Feira

Pelo que leio (nomeadamente nas aclamadas “redes sociais”), há quem não tenha percebido exactamente a dimensão da derrota sofrida pelos docentes o mês passado, nem sequer o que isso pode significar para um futuro que poderia ser a médio prazo, mas é capaz por ser a curto. Ainda há quem ande a sugerir umas coisas absolutamente folclóricas, sem perceber que em termos políticos a coisa se não morreu ficou em morte cerebral. Há a via judicial – aquela que uns desvalorizam quando dá jeito – a nível nacional ou europeu, mas parece-me que pouco mais, pois o Costa Vencedor já decretou o fim do assunto e as bengalas da geringonça foram avisadas que ou esquecem o assunto ou nem migalhas levam, passando a alpista para um PAN que vai ser levado ao colo até às eleições legislativas, acarinhado como foram as dissidências do Bloco há 4 anos. Só espero que lhe aconteça o mesmo e o tiro saia pela culatra, mesmo que de pouco sirva.

Mas, regressando à vaca que não ri… seria boa ideia que tomassem consciência do que nos passou por cima ou correm o risco de não perceberem o que é “verdadeiramente essencial”, como costuma dizer o JPP:

O Quê? Não Pode! Mas Então Aquele Provedor Não Dizia Aquilo Que Coiso, O Discurso Contra os Professores Tinha “Larga Ressonância” na Sociedade?

E o MST no meio disto tudo? Quanto fel ainda deitará sobre o assunto?

Sondagem: portugueses ao lado dos professores na luta negocial com o Governo

E os moitadedeus? Miseráveis sondagens!

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(nem é que eu ache que isto é decisivo, mas “eles” é que dizem que as coisas são ao contrário… não que ter medo de lhes chamar mentirosos com todas as letras e a dureza correspondente à desonestidade de certas elites encostadas ao Estado…)

 

 

Necessariamente Errado! Ou Não! Depende…

A malta do ministério precisa de um curso acelerado em Estatística. Vejamos:

Questionado pelo i, o Ministério da Educação assume que “a decisão de retenção ou aprovação compete a cada Conselho de Turma”, mas a tutela entende que “numa mesma turma, um aluno com apenas três negativas com desempenhos próximos dos 10% é necessariamente pior do que um aluno com seis níveis negativos de 44%” e que por isso “a decisão passa por uma opção globalizante e que tem em conta, sobretudo, o potencial de apoio e recuperação de cada aluno”.

Imaginemos um currículo de 10 disciplinas, em que os alunos têm depois um desempenho de 80% nas restantes disciplinas com classificações “positivas” (iguais ou superiores s 50%):

  • (3×10)+(7×80)/10=30+560/10=590/10=59%
  • (6×44)+(4×80)/10=264+320/10=584/10=58,4%

Tudo depende… tudo isto são números que podemos arrumar de uma maneira ou outra…

Agora há uma coisa que eu garanto… não há muitos alunos (haverá algum?) com 6 negativas de 44% que tenha chumbado com essas seis negativas na pauta. Com jeitinho, quase que passa com ela limpa.

Numbers2

 

Zandinga

Há 22 dias escrevi isto. Que no fundo é o que ontem se viu no Parlamento a tempo de fazer a primeira página do Expresso de hoje. Tudo isto é demasiado previsível porque os actores são muito limitados nas suas capacidades interpretativas. A margem de erro só é maior quando o assunto é entre ME e escolas/professores porque os bispos ficam de fora,

Exp14Mai16Expresso, 14 de Março de 2016

Já Tentaram?

Combinar aquela ideia de dois ciclos de seis anos com o modelo de avaliação/aferição externa do Ensino Básico?

Teríamos duas provas no tal 1º ciclo (2º e 5º ano) sem que se perceba se depois se faria uma avaliação no final de ciclo (a prova de 6º ano foi descontinuada), seguindo-se uma prova no 8º, ali perdida no tal 2º ciclo de estudos, a caminho dos exames do “Secundário”, sem se perceber bem para aferir o quê.

É nestas alturas que se percebe que a cada cabeça ocorre a sua sentença e que nada é pensado de forma coerente e articulada.

A menos que seja para fazermos mini-ciclos de três anos, com prova a meio de todos. E assim já poderemos ter 3+3+3+3 e serem 4 embora dizendo-se que são 2. Tudo para alargar o 1º ciclo e ter ali um professor “titular da turma” amarrado ao (in)sucesso dos seus alunos, com coadjuvantes com direitos reduzidos na avaliação.

Nesse caso, tiro o meu chapéu à ideia que, em meu entender, só poderá ser suplantada por um ciclo único de 12 anos, com uma aferição (boa) no 6º ano (sem efeitos para a avaliação má) e proibição formal de retenções nos anos intermédios. Com a vantagem de se poupar imenso (aqueles milhões todos que custam os chumbos) e se tornar possível mandar embora mais uns milhares de professores, em especial se o currículo assentar em áreas transversais hiper-generalistas que qualquer tipo com o Propedêutico antigo possa leccionar (acreditem que é aquilo que muitos especialistas com mais uns anos do que eu se lembram de ser as escolas de final dos anos 70, quando por lá passaram). Ou formadores e animadores contratados pelas câmaras ou já existentes nos seus quadros em sub-utilização. O ideal de uma Educação low cost, aceitável por um largo leque de clientelas bem relacionadas com os interesses locais e cheias de ideias para “projectos de promoção do sucesso”. E em nome da descentralização e tudo.

bullshit-detector

Será Verdade? – 3

Não me incomoda absolutamente nada que se venha a descobrir que, afinal, o meu alarmismo era “injustificado” e que, afinal, o ME vai aceitar os pedidos de não realização das provas de aferição porque, afinal, perceberam que a sua credibilidade viria por aí abaixo ou as escolas apresentaram argumentações sólidas e ponderosas. O problema mesmo é se, afinal, eu até tiver razão. Até porque, afinal, eu serei quase certamente classificador, existam provas ou não pelas minhas bandas. O que eu, afinal, acho muito mal é que cert@s director@s tomem decisões ao arrepio da maioria (ou totalidade) dos restantes membros do seu Conselho Pedagógico.

bonanzamap

Premonições

Há quem diga que se as eleições fossem hoje teriam outros resultados. Acredito, hoje é 2ª feira e não domingo e a malta à 2ª feira costuma trabalhar – os que têm emprego – e sair de casa mais mal disposta.

E agora que já tivemos o nosso momento conversa da treta podemos evitar os malucos do riso?

Bla-Bla-Bla