@ “Nov@ Professor@” Desejada Pelo Ministro Costa E Outr@s Como Ele Que O Antecederam Ou Andam Pela Sua Corte

  • Não tem memória de um sistema transparente de colocações, pelo que não se importa de um regime de favores a nível local, baseado em “perfis” e entrevistas.
  • Não conheceu outro modelo de gestão escolar, pelo que a existência de director@s e de um modelo único, impessoal e hierárquico até é aceite como “lógico”, pois “também é assim nas empresas”.
  • Não se importa de estar numa qualquer lista (inter)municipal de funcionários, porque só quer um vínculo qualquer, por precário que seja e é-lhe irrelevante quem lhe paga.
  • Não se incomoda de ter uma carreira desvalorizada e desqualificada em termos sociais, porque a única prioridade é sobreviver num mundo laboral desregulado e proletarizado.
  • Não tem redes de solidariedade alargadas, para resistir seja ao que for, porque se deixou atomizar na lógica dos nichos das redes sociais, em que a “indignação” se mede pelas partilhas de posts ou memes, mesmo que seja a própria pessoa a fazê-las por todo o lado.
  • Não sente qualquer problema com “aprendizagens essenciais” porque a sua própria formação tem muita teoria, mas muito pouco saber disciplinar específico.
  • Não tem reservas quanto ao desaparecimento de provas de avaliação externa, ou que sejam feitas apenas em modelo de escolha múltipla online, porque é essa a lógica em que se baseou a sua própria formação.
  • Etc, etc, etc.

Domingo

Eu sei que é uma coisa estranha, mas as redes sociais não são da ONU, da Unesco, da Amnistia Internacional ou de um qualquer poder público, a quem se deve exigir isenção, neutralidade, etc e tal, incluindo verdadeira liberdade de expressão. São empresas privadas e mesmo um descrente das imensas virtudes do (neo) liberalismo compreende que a sua lógica nunca pode ser confundida com a do interesse público. E sendo privadas, quem nelas manda, define as regras. Devem é esclarecer desde logo ao que andam, o que não aceitam e a favor de quem estão, para além do cifrão. Quem se sente mal, sai da casa, não adiantando dizer que o proprietário é injusto. Ele só ganhará dinheiro, se lá estiverem, mesmo que a protestar.

O Segundo Martírio De Van Gogh

Não lhe chegava ter de lidar com a incompreensão dos idiotas do seu tempo? Os seus quadros têm de ser vítimas do activismo ambiental juveniloide do presente? Vão lá atirar sopa e tomates para a porta das grandes corporações, a ver se não levam logo umas bastonadas. Assim, nos museus, não passa de cobardia em busca de cobertura mediática.

A Ler

How Google’s Ad Business Funds Disinformation Around the World

(… ) Google is funneling revenue to some of the web’s most prolific purveyors of false information in Europe, Latin America and Africa, a ProPublica investigation has found.

The company has publicly committed to fighting disinformation around the world, but a ProPublica analysis, the first ever conducted at this scale, documented how Google’s sprawling automated digital ad operation placed ads from major brands on global websites that spread false claims on such topics as vaccines, COVID-19, climate change and elections.

4ª Feira

Se pensarmos a fundo, ainda bem que se vão reformar tantos professores velhos, incompetentes, carentes de formação, carregados de preconceitos e privilégios. Nem sei porque há agora tamanha aflição. Não fizeram tudo para que se fossem embora, no maior número possível os que ainda têm memória de uma carreira? Assim, não ficam livres para contratar esposas, filhos, amigos, compadres, amig@s colorid@s (estou apenas a pensar em casos concretos que conheço em primeiro testemunho de quem está nesses “territórios” muito “inovadores”) ou recorrer a “agências de recrutamento” como num dos exemplos da peça do Público, em que quem passou por esse “modelo” apresenta aquela mesma atitude de amochanço que tanto a tutela deseja que se generalize por cá?

4ª Feira

Já se está a perceber, com expectável rapidez, o que pretendiam cert@s director@s que reclamaram por maior autonomia na contratação dos seus “colaboradores”. Até falaram em “novos olhares”. Ao que parece, num determinado teip com ligação directa ao shôr ministro, começou-se pela família nuclear. Episódio deprimente, contado por quem assistiu em directo ao desempenho do inclusivo líder local. Nada como começar por incluir os seus, portantossss. Se não for quem sabe, por contacto próximo e íntimo, a fazê-lo, quem o fará?

Sábado

Todas as épocas ou períodos históricos tiveram as suas peculiaridades e paradoxos, não é coisa nova. Mas ao vivermos num dado contexto, é natural que se sintam mais os que nos rodeiam, aqueles que sentimos instalar-se de forma insidiosa num quotidiano em vale tudo e o seu contrário, como criticar a discriminação das designações identitárias que se acham ofensivas, mas depois arranjar categorias em crescendo para as identificar e marcar as suas diferenças. Assim como vale uma enorme de encenação de oposições e alternativas políticas, em que tudo depois se mistura e equivale, como escreve hoje António Barreto. Temos pessoas hiper-rigorosas na definição de conceitos mas que depois tudo relativizam e equivalem quando isso lhes interessa, sendo evidente o caso da guerra na Ucrânia, em que se chega a debater se é uma “guerra” ou não, se existiu “invasão” ou uma “operação especial”, mas depois se mistura tudo, como se não existisse invasor e invadido, agressor e invadido, como se um ataque militar concreto com ocupação de território fosse equivalente a um receio imaginado de uma proximidade. Com a pandemia e as vacinas já tínhamos experimentado esta relativização do que será o “conhecimento”, do que devemos admitir como “ciência”, recuperando teses que se pensavam quase enterradas no ridículo da História da Ideias.

O problema é que a erosão dos valores em grande parte das sociedade democráticas liberais, com o acompanhamento do discurso sobre a irrelevância da busca da “culpa” (ainda há dias vi um psicólogo na televisão a explicar de forma beatífica que a busca da culpa não facilita a cura), conduziu a uma situação que em vez de se identificarem com clareza consequências em tempo útil os culpados dos erros da governação e dos negócios, se passou para a crítica do próprio sistema democrático como responsável pelas suas más práticas. Agora, fruto de leituras apressadas e superficiais de um livro da moda em alguns ambientes intelectuais, critica-se a meritocracia como responsável pelos problemas de auto-estima e depressão de quem não tem “sucesso”, não fornecendo alternativas credíveis e ignorando por completo que as situações individuais (ou de grupo) que potenciam os estados depressivos, de ansiedade ou mesmo pânico, atingem de forma por vezes mais intensa pessoas com evidente sucesso (o caso de Andrew Solomon é dos mais significativos, quer na sua singularidade, como na pesquisa que desenvolveu sobre o tema). E determina-se uma inclusão por decreto que todos sabemos ser meramente retórica. E fala-se muito em equidade e justiça social, quando à vista de todos, no dia a a dia, se sabe que isso é cada vez mais uma mera mistificação política.

Sim, há momentos na História em que se nota uma maior desorientação nas sociedades e o mundo ocidental atravessa um deles, sem margem para dúvida. A incerteza e insegurança nasce, não exclusivamente mas em grande parte, de um discurso político sobre o “século XXI” que sublinha os traços mais voláteis dos tempos, para justificar medidas que precarizam e desregulam o mercado de trabalho e o funcionamento dos serviços públicos. Se a chamada “direita liberal” foi desenvolvendo esse discurso de forma consistente desde o início dos anos 80, a pseudo “esquerda da 3ª via” aderiu a ele de braços abertos desde meados dos anos 90. quanto aos “radicais esquerdistas” já vimos, em diferentes momentos, que em termos organizacionais preferem adaptar-se às circunstâncias para ganharem umas migalhas do que serem coerentes. O que deixou um largo campo aberta à uma “extrema direita” que vive da confusão entre os desmandos e negociatas dos governantes e políticos do centrão e a natureza do regime democrático. Assim como os demagogos pretensamente em busca de uma “utopia” – na área da Educação sempre existiram, mas ao menos há umas décadas pareciam sinceros – aproveitam as crescentes desigualdades para justificarem uma ideologia da indiferenciação para os 99%, como se o sacrifício da classe média permitisse reconstituir uma mítico proletariado perdido, só que agora mais domesticado e anestesiado por gadgets low cost.

A frustração, a depressão, a apatia, nascem da sensação de se ter perdido o controlo sobre a definição do futuro e da própria vida (há muito material a esse respeito, ficando por aqui e aqui apenas breves introduções ao tema). O que acontece quando a governança se fecha sobre si mesma em práticas endogâmicas. De meados do século XVIII para cá isso deu força a ideologias revolucionárias, crentes na possibilidade do progresso graças à capacidade humana para melhorar a sua vida, através do controlo do meio envolvente (natural, social, político). No presente está a conduzir à apatia ou a aproveitamentos demagógicos de quem apenas quer o seu lugar à mesa do poder estabelecido. A apatia é tão fomentada pelos tecno-políticos cinzentões, como pelos homens providenciais que apenas querem o “povo” atrás de si, sem contestar o “chefe”. De Sócrates a Ventura passou-se pouco mais de uma década. Um agravou de forma quase irremediável a crença no “modelo”; o outro limita-se a aproveitar a incapacidade de regeneração e auto-responsabilização dos que vieram depois do “engenheiro”. Pelo meio, andam os vendedores de felicidade, versão cosmopolita new age ou multicultural, tipo ubuntu.

ÓMaiGóde!

The pop star’s decision to replace two words in her song “Heated” follows Lizzo’s removal of the same term, which has been used as a slur against disabled people, from her track “Grrrls.”

O raio da palavra, mesmo no chamado calão urbano, pode ter múltiplos sentidos e usos.

Parecendo que não, para mim isto entra na mesma categoria do episódio do manual de Filosofia, que a Porto Editora que retocar numa passagem.