Nascido mesmo a meio dos 60, cresci nos anos 70… mesmo com as diferenças para uma visão mais americanizada.
Dia: 17 de Dezembro, 2025
Respostas Para A Peça Do DN sobre A Indisciplina E Violência Nas Escolas E A Necessidade De Revisão Do Estatuto Do Aluno
Peça aqui com citações extensas, sem qualquer descontextualização. O destaque feito corresponde de forma perfeita à minha posição sobre parte do tema,.Se escrevi algum disparate, é mesmo assim que penso nas coisas. Aliás, penso nas coisas antes de falar ou de escrever. Até porque não tenho gabinete para produzir esclarecimentos, aclaramentos e outras nebulosidades.
O estatuto do aluno já tem mais de 10 anos. O MECI avançou com a vontade de o rever, mas até à data nada se alterou. Que importância tem esta revisão?
Antes de mais uma importância simbólica, porque permitiria dar o sinal de que algo pode mesmo mudar no quotidiano escolar, em especial se isso se traduzir em medidas concretas para desburocratizar o tratamento da indisciplina e retirar a pressão subliminar ou por vezes explícita para o seu subregisto.
A questão disciplinar deve ser revista também? Defende que se deve ir ainda mais longe e rever a lei que rege situações de violência nas escolas?
O estatuto existente, apesar de algumas insuficiências, contém possibilidades que nem sempre as escolas e as suas lideranças têm a coragem de assumir, no plano do combate à indisciplina, da prevenção à sua penalização. Infelizmente, em muitas escolas instalou-se uma cultura laxista e alegadamente “compreensiva” em reacção à indisciplina, com base no discurso relativizador quanto às motivações dos agressores, quase como se as considerasse equivalentes aos danos causados às vítimas. Essa atitude apenas tem provocado uma crescente sensação de impunidade por parte daqueles que sistematicamente perturbam o quotidiano escolar, das salas de aula aos espaços comuns das escolas.
O que não é contrariado pela forma como as estruturas regionais e centrais do Ministério da Educação tratam, em muitos casos, as medidas propostas pelas escolas que dependem da aprovação superior. O que muitas vezes produz um subregisto oficial das ocorrências disciplinares. Mais do que ir além nas medidas, seria importante explicitar que toda a letra da Lei deve ser praticada, sem receio de desautorização da tutela.
As escolas são um lugar seguro?
As escolas ainda são, em termos globais, um local seguro e um dos espaços onde crianças e jovens podem conviver com maior confiança. Claro que existem sempre situações imponderáveis, bem como zonas de maior vulnerabilidade, onde a segurança pode ser menor. É o alastrar dessas situações que devemos prevenir, até tendo em conta alguns discursos de intolerância que se espalham na sociedade, que as teorias inclusivas têm falhado em combater.
Tem sentido por parte dos alunos mudanças na postura ao longo dos últimos anos? O que pode estar na origem dessas mudanças?
As mudanças são cíclicas… há conjunturas políticas e socio-económicas que potenciam a agressividade e a descarga de frustrações em espaços e indivíduos que se encaram como mais frágeis. A mediatização de episódios singulares também ajudam esse fenómeno. Assim como o exibicionismo permitido pelas redes sociais. Infelizmente, sinto que nos últimos anos estamos num crescendo de comportamentos disruptivos, devido a uma conjugação lamentável de alguma impunidade decorrente de uma aplicação negligente das medidas contra a indisciplina e violência com a intensificação de discursos e atitudes no plano público que fomentam a violência.
Já Contextualizei Tudo, Tudinho
Conclusão… aquilo das residências para os desfavorecidos estarem degradadas era apenas para defender a “liberdade de escolha” em matéria de residências escolares. Como me dizia o Prudêncio a meio da tarde, um apelo a uma espécie de “cheque-residência”. Tudo tranquilo, portantossss…. por acaso, eu tinha percebido isso logo desde o início, que era coisa do pessoal “liberal dependente”, mas agora não interessa nada, que os esquadrões de inteligentes já andam a chamar coisas feias a quem ousou apontar o dendo “ao melhor minsitro da Educação” desde a geração dos afonsinos. Mesmo se prefere desresponsabilizar-se pela degradação dos serviços públicos que tutela… deve ser por conta da “autonomia” das Universidades.
Já agora… quem vier com o argumento de que se está a comentar e atacar sem ver o vídeo, por favor, não demonstre de modo muito claro que não viu a intervenção que acusa os outros de não ter visto. Está aqui na ligação abaixo. Não é nenhuma entrevista, já agora.
Isto foi o que o ministro da Educação disse (na íntegra) sobre os estudantes “mais desfavorecidos” e as residências “degradadas”
Cuméquedizquedisse?
Claramente uma escola com carências. Aquela parte final não é inventada.
Colegas
Recomendo a leitura e registo em ata do ponto da OT:
7 _ Aprovar e aferir as MPSE, no contexto dos RTP, implementados nos tempos curriculares das disciplinas.
todas as medidas que estão a funcionar no contexto dos tempos letivos de outras disciplina, deve ser fundamentado, em ata, a necessidade e o processo de articulação entre docente
NOTA:
Não havendo fundamentação, delego na Coordenadora da EMAEI a convocação de reunião extraordinária do DT, Professor da disciplina e professor/técnico da medida, na interrupção letiva de Natal.
DOCUMENTOS SOLICITADOS
- Pauta de propostas e Ata
- Documento da equipa da EMAEI, enviado pela ADjunta (…)
Outros documentos são ilegais e criados por “agitadores militantes” a educar no Natal
Cá Para Mim, Eram Muitos Desfavorecidos Armados Em Turistas E O Sistema Degradou-se
Às Vezes, Pensam Mesmo Isso Que Nós Pensamos Que Estão A Pensar
Eu vou colocar aqui um comentário que me foi deixado no fbook a propósito do post com breves notas sobre a greve (o mesmo onde me chamaram frustrado porque não sou “citável”). Nem vou transcrever, mas colocar a imagem com o texto completo.
Claro que nós podemos fazer interpretações benignas do que está escrito, do tipo “pois, uma pessoa a dada altura só pensa no que a rodeia”, se é que isso é sequer benigno.
Mas há aquela outra leitura de quem já vira frangos há demasiados anos e já leu ou ouviu demasiadas coisas parecidas, ao mesmo perfil de emissor, para se ficar por ingenuidades hermenêuticas. É a leitura que de esfrega na cara que se és professor numa zona carenciada, por muito que leias, visites outras paragens, fales com outras pessoas, reflictas sobre as coisas, serás sempre um professorzeco sem entendimento desse mundo tão vasto que fica além da intelectualmente limitada sala de professores da tua escola. Esse tipo de análises, caro professorzeco de arrabalde, deves deixar a pessoas cultas, viajadas, que frequentam salões e tertúlias de pessoas bem informadas. Não te mistures. Ou se te misturares, faz o favor de te deslumbrares a adoptares as roupagens, maneirismos e chavões dos que interessam. Claro que em tempos eu até gostava de me misturar, mas como não sou deslumbrável (nem citável), acabava por fazer de ave rara no meio de gente filha d’algo. Muitas vezes profundamente ignorante, apesar das certificações, outras naquele processo de esquecer as origens que a minha presença e conteúdo das intervenções teimava em relembrar.
Vamos lá ser claros e cândidos acerca do mundo como é e quase sempre foi: quando se vem de baixo, das berças, há três formas de levar a vida: ceder ao determinismo e nunca sair mentalmente das ditas (a metáfora ou analogia da sala de professores carenciada encaixa-se que nem ginjas maduras), furar pela vida fora em direcção aos patamares superiores e, lá chegando ou estando a chegar, lavar o cheiro das origens e tentar camuflar-se na nova paisagem (pode funcionar instrumentalmente, mas a malta de berço distingue logo) ou tentar contrariar os determinismos, alargar horizontes, mas sem renegar ou desprezar de onde se veio ou ceder à sedução dos que se acham detentores dos pergaminhos e com o direito exclusivo de aceitar novos membros.
Como é fácil de entender, eu não engano ninguém. Nem o tento. Mas há quem se engane comigo. De mais de uma maneira. Quando dão por isso chateiam-se, mas esse não é um problema meu.
Sim… não há que enganar. El@s pensam e dizem mesmo aquilo que nós pensamos que eles estão a pensar, mas nem sempre a dizer. Claro que há quem, apesar de já ter mudado a pelagem, ainda revele alguma “falta de habilidade”.
Afinal, Os Gestores É Que São Degradantes
4ª Feira
Há o que o ministro disse e está gravado. Há o que alegadamente o ministro quereria dizer e isso está no “esclarecimento”.. E há o que o ministro pensa e isso ficará entre as duas coisas ou fora delas. Eu posso ter uma opinião sobre isso, atendendo ao percurso anterior da pessoa e com quem andou metido, a tal malta “liberal” que quer cheques porque acha que os serviços que eles ajudaram a degradar com “decisores ou influenciadores estão degradados. Os serviços que entraram em erosão quando até a “esquerda” se converteu às teorias da pretensa “boa governança” e decidiram “racionalizar os custos”. Os serviços públicos (e relembremos que o ministro foi além das residências e entrou mesmo pelos hospitais e outros serviços públicos) degradaram-se a partir da sua gestão e foi isso que afastou deles muita gente. Fui na 2ª feira ao “meu” Centro de Saúde para ser chipado e vi aquilo como não via para aí desde os anos 80, a rebentar pelas costuras. A vontade foi logo sair dali. Não porque estivessem lá muitos “desfavorecidos” (a maioria é gente mais educada do que os liberalóides arrogantes de camisinha de marca e sapatinho demasiado bem encerado para pisar linóleo), mas porque os serviços estão a um nível aterrador, por muita boa vontade e simpatia que quem lá trabalha tente ter. Quanto às escolas públicas, sabemos bem o que faz afastar delas muita gente com algum capital financeiro, a menos que sejam dirigidas em modo marcial e com acesso reservado.
Podemos ignorar a realidade… serviços públicos desmoralizados, descapitalizados e burocratizados para que aconteça isto mesmo…. ficarem como segunda ou terceira escolha, para justificar a contratualização com privados. Foi deste contexto que o actual MECI e o seu secretário saíram e é difícil mudar as ideias e convicções de gente já bem adulta. Fernando Alexandre pode ter querido dizer algo diferente, mas o que pensa é outra coisa. O argumento da “falta de habilidade política” é exactamente o que nos revela que ele está instruído para separar o que diz do que pensa. Quando as fronteiras ficam fluidas e a “habilidade” fraqueja, ficamos assim, com o cadáver quase exposto. E não cheira bem.







