De modo recorrente, temos Messias para a Educação. Surgem com os ciclos políticos, o dinheiro de fundações e complacência mediática. Quase tudo o que este tipo defende é o contrário daquilo em que acredito. Desde logo sobre a desnecessidade de professores, chegando learning coaches. Talvez sabendo o que (não) vale, diz que raramente se encontra um professor que inspire os alunos. Deve ter tido um percurso educativo deprimente, o que é sempre algo que me dá uma certa pena.
Sobre o argumento do “soviético” eu já confrontei um antigo ministro, para saber se ele conhecia esse modelo, por exemplo, de colocação de professores. Curiosamente, era de base local e regional e era muito “flexível”. Também se despedia a gosto, caso não fossem atingidos os “objectivos” e se fechavam as instituições que não fossem de acordo com a linha dominante. Quase tudo nas mãos dos caciques locais, como Pedro Santa Clara que que se cá se faça. Ele é apenas mais um que, com o vento do lado certo, enfuna e disparata, com o aplauso “liberal”, mas muita ignorância sobre o concreto. Denuncia em modo de chavão, mas se lhe pedirem para exemplificar é capaz de se esquivar ou dizer asneiras. Felizmente, é raro fazerem-lhe perguntas difíceis. Aliás, isso não vem no acordo informal para este tipo de entrevistas.
É triste que estejamos a chegar a esta fase que arruinou outros sistemas educativos ocidentais, de tanta 2experimentação” e “inovação”.. Ao menos, os “russos “soviéticos” aprnediam qualquer coisa nas escolas e não fi por aí, apesar da doutrinação ideológica, que aquilo desmoronou. Mas há quem não perceba nada de História e mesmo muito pouco de Educação.
Na entrevista, foge à questão de saber se este modelo do TUMO (importado da Arménia, esse farol educativo) é passível de ser aplicado a uma escola de massas, refugiando-se na conversa de que recebe alunos de muitos contextos. Claro que se orgulha do milhão de euros recebido da Fundação Qatar, mas não explica outras coisas associadas a esse patrocínio. Podia sempre explicar que financiou ao longo do tempo, por exemplo, equipas de futebol como o Barcelona e o PSG. Que é uma fundação presidida pela segunda mulher do emir Hamad bin Khalifa Al-Thani, um monarca absoluto que governa num sistema que, nas versões mais benéficas, é “semi-constitucional”, com o monarca a controlar os poderes legislativo e executivo. Mas aos “liberais” tugas não interessa de onde vem o dinheiro, mesmo que seja de um país que a Freedom House classifica com 18/60 pontos em termos de liberdades cívicas e 7/40 em liberdade política.
E é este gajo que vem falar em modelo “soviético” num país com 10,5 milhões de habitantes, menos que uma grande metrópole em que ninguém lhe aponte o paradoxo, não vá escapar alguma parceria com migalhas? É Este gajo, desculpem, senhor professor doutor gajo, que quer que os directores despeçam os “maus professores” e o ministério “feche as escolas” que alegadamente não funcionam, sem outro tipo de medidas? É este o modelo “liberal”?
Decision-making authority is concentrated in the hands of the emir and his family, and the Advisory Council has only limited ability to offset executive power in certain areas. However, in July 2021, the emir granted the Advisory Council legislative powers, including the ability to propose laws and approve or reject the national budget.
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Both print and broadcast media are influenced by leading families and subject to state censorship. The international television network Al Jazeera is privately held, but the government has reportedly paid to support its operating costs since its inception in 1996. All journalists in Qatar practice a degree of self-censorship and face possible jail sentences for defamation and other press offenses.
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Despite constitutional guarantees, the judiciary is not independent in practice. Many judges are foreign nationals serving under temporary contracts that are renewed annually. The Supreme Council of the Judiciary, composed of senior judges, administers the courts and plays a role in nominating judges for appointment by the emir.
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Certain laws allow lengthy detentions without charge or access to a lawyer for suspects in cases involving national security or terrorism. Even under normal criminal procedure, judges can extend pretrial detention for up to half of the maximum prison term allowed for the alleged crime. Many laws contain ill-defined offenses and other language that gives prosecutors and judges broad discretion to determine guilt.
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Qataris are permitted to own property and start private businesses, although the process of obtaining necessary commercial permits can be cumbersome. With some exceptions, noncitizens are generally barred from owning property and require Qatari partners to own and operate businesses. Women do not have rights equal to those of men under inheritance laws.
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However, labor exploitation remains a problem. Migrant workers who built the infrastructure for the 2022 FIFA World Cup were subjected to serious human rights violations; according to the Guardian, as many as 6,500 workers died in the 10-year period leading up to the tournament. Workers reportedly faced brutal working conditions, pervasive debt bondage, unsanitary living conditions, and wage theft.
Nada como servir de testa de ferro em projectos destinados a lavar a imagem de regimes ditatorias, tardo-medievais. Se isto é relevante para o valor do projecto protagonizado por Pedro Santa-Clara, com a parente chancela da Nova SBE e promovido nas páginas do Público? Por acaso, acho que tem, porque revela toda a hipocrisia reinante nestas matérias e um duplo padrão pretensamente “moral” na verborreia do shôtôr, eventualmente muito citável em termos académicos e com uma excelente ancoragem junto dos actuais decisores políticos. Não me venham com m€rd@s pragmáticas acerca da origem do dinheiro recebido. Há quem pactue com ditaduras quando são ricas ou quando delas escorre dinheirinho.