Nas páginas do Público, um dos gurus vitalícios da Educação em Portugal, especialista em venda de projectos de sucesso a câmaras e “unidades orgânicas”, volta pela enésima vez a perorar sobre o extremo centralismo português em relação à dita Educação. Um país que demora agora menos tempo a atravessar de Faro a Bragança do que ir de Paris a Marselha, mais ou menos o mesmo que ir de Madrid a Barcelona e um pouco mais do que ir de Roma a Milão, com uma popilação um pouco acima das cidades de Londres ou Nova York e menos do que a de São Paulo.
Ouvir falar do extremo centralismo nacional – e a malta mais ignorante vem logo falar de “modelo soviético” – faz-me sorrir como ouvir alguém falar daquele enorme habitante de Liliput ou do perigo enorme de ter por perto um Lulu da Pomerânia.
Digamos que sou desconfiado, mas com base em evidências concretas. Sei que há poderes locais de extrema qualidade e rigor, mas também sei do resto.
Nem sou original… basta ler o que diz o bastonário da Ordem dos Médicos sobre as nomeações regionalizadas e localizadas na Saúde.
Ressalvando que não se pronuncia sobre casos concretos, o bastonário da Ordem dos Médicos, Carlos Cortes, reiterou a posição da OM sobre a necessidade da nomeação dos profissionais para conselhos de administração de hospitais serem baseadas em “critérios técnicos, de competência, de conhecimento do terreno, de experiência o e não com base no ‘amiguismo’ e com base em critérios político-partidários”.