Gosto em especial da parte que destaca que se pode “Dispor de autonomia científica, didática e pedagógica, incluindo a liberdade de iniciativa na escolha de métodos de ensino, tecnologias educativas e meios auxiliares adequados, no respeito pelo currículo, aprendizagens essenciais e demais orientações de política educativa em vigor“;
Nos meses em que fui acompanhando as histórias de mães pobres, assustadas com o sobressalto de poderem ficar sem os filhos, não conseguia deixar de pensar no que exigimos aos que nada têm. Os pobres têm de ser perfeitos, imaculados. Já lhes toleramos a pobreza como falha. Não estamos dispostos a perdoar mais nada. E vão ter de nos provar uma e outra vez que são merecedores de qualquer direito. Os pobres estão sempre à prova. E sabem disso. E é talvez por isso que se escondem. Não é por vergonha. É por cálculo. É por saberem quais serão as consequências de qualquer sombra de ingratidão, pecado ou erro. O melhor é andarem de cabeça baixa ou, para os que têm sorte, esconderem a pobreza o melhor que podem, exibindo o pouco que têm, sem se aperceberem de que há quem os tope à légua e se indigne ainda mais por ser possível ser pobre e ter uns ténis de marca ou um iPhone. Não, não é fácil.
Os pobres aprendem depressa que o respeitinho é bonito. Os ricos não. Sabem que têm mais a ganhar quando questionam e exigem. Um estudo da Nova SBE Economics mostra que 31,7% dos mais pobres acham que as pessoas devem fazer o que lhes mandam e cumprir sempre as regras. Só 17,7% dos mais ricos acham o mesmo. E, como de pequenino é que se torce o pepino, 84% dos pobres acreditam que a obediência e o respeito pela autoridade são os valores mais importantes para ensinar às crianças, quando só 54,2% dos mais ricos defendem a mesma ideia.
A educação moderna gosta de falar muito de emoções, mas pouco de frustração. Protegemos tanto as crianças da queda que esquecemos de lhes ensinar a levantarem-se. Confundimos autoridade com autoritarismo e acabamos por abdicar da responsabilidade de preparar para a adversidade. O resultado não é uma geração mais livre, mas uma geração mais ansiosa — hiperconsciente, hipervigiada, pouco treinada para lidar com o imprevisível.
Eu já vos falei dos computadores dos alunos que arrancam a partir de qualquer ponto do teclado, tipo barra de espaços, mas quase nunca do botão de arranque?
Isto é a seguir ao Carnaval, ninguém leva a mal.
Auto-avaliação garantida entre o muitísmo bom e o exceçentíssimo.