Boa Noite

Recuperando um vídeo demonstrativo do que representa fazer um sumário online. No qual nem são marcadas quaisquer faltas nem carece da “dupla certificação” exigida aos DT em algumas escolas (por terem acesso a dados mais “sensíveis” dos alunos e famílias), que implica ir ao mail buscar um código para autenticar o início da sessão.

Aposto Em Mais Um Esclarecimento

Sobre o que afinal a comunicação do MECI sobre os sumários queria dizer e foi mal interpretada. Afinal, o que se pretende é avaliar a assiduidade dos alunos. E vai tudo ser tratado, em micro-análise pela equipa dos costume da New Escola of Negócios. Tudo uns quadros e gráficos muito IÁ.

Resumindo… um ministro a ficar sem qualquer aura.

O Mundo Anda (Muito) Perigoso

Sobre Os Equívocos Do MECI Quanto À Diferença Entre Aulas Dadas E Sumários Feitos

Confesso que perante e idiotice de querer contabilizar os sumários feitos pelos professores, nem sequer dei muita atenção à parte em que se estabeleceu uma relação entre sumários, aulas dadas e remunerações dos professores.

A passagem é a mesma que publiquei no outro dia, mas com destaques diferentes:

Isto é um bocado idiota e nem sequer é por causa de ser “controleiro” ou não. É apenas parvo, revelando até que ponto no MECI se desconhece concretamente o que se passa com o registo de sumários e como ele se (não) relaciona necessariamentecom “serviço lectivo prestado”. Ou mesmo com qualquer contabilização de “aulas efectivamente ministradas”, queira isso dizer o que for. Pelo que é apenas imbecil qualquer ligação entre sumários feitos e “validação” de remunerações.

(sim, usei no mesmo parágrafo, os termos “idiota”, “parvo” e “imbecil” de modo que acho perfeitamente ajustado e até moderado)

Eu explico-me, antes de passar a uma demonstração concreta.

Qualquer professor@ pode não ter dado uma ou outra aula por diferentes razões que até escapam ao seu controlo e o seu eventual (não) registo depender de políticas diferentes entre agrupamentos e escolas. Por exemplo, a escola fechou porque houve um problema atmosférico ou rebentou uma conduta de abastecimento de água ou deu-se um apagão. Sei que há escolas em que o pessoal faz o sumário, explicando o que se passou, sem numerar a aula, mas há outras em que não é permitido sequer fazer qualquer sumário, em particular se a escola ficou fechada e ninguém teve a possibilidade de entrar. O mesmo com greves do pessoal não docente que implicam que as aulas não funcionem, mas os professores estão na escola. A regra, razoável, é que se faça sumário, nos moldes acima, mas conheço casos em que isso não é permitindo, ficando a aplicação (Inovar, GIAE) bloqueada.

Mas há uma outra questão, mais estrutural, que é a diferença entre sumários feitos e aulas dadas. Eu faço muito mais sumários do que dou aulas, por causa daquelas outras actividades que não são “aulas”, mas apoios ou salas de disciplina ou resultam de cargos (DT), que nem sequer têm numeração (no caso do GIAE).

Passemos ao concreto:

Olhem lá a minha mancha horária de sumários (desfocada, por questões de coiso e tal, porque algum burgesso ainda me pode atirar um míssil pela janela dentro e depois aleija a miudagem e estraga o material):

Todas as semanas, este arcaico e sexagenário docente (finalmente com redução máxima pelo 79) tem de fazer 24 sumários das actividades que desenvolve obrigatoriamente na escola. Mas só parte desse tempo são “aulas” (4 turmas de HGP, 2 de CD, mais FPS da minha DT, e já chega de siglas), sendo o resto horas de atendimento, de apoio aos alunos, de sala de disciplina ou de sala de atendimento a alunos com problemas disciplinares.

Ou seja, sou capaz de ter feito quase 300 sumários no período 1.º período, mais ou menos feriado e a ocasional greve docente e/ou não docente.

Quanto o programa contabiliza as minhas aulas, dá-me que leccionei 142 das 157 previstas (só o dia da greve docente levou 6 desses tempos e outros 6 tempos foram, salvo erro, à conta das vacinas da covid/gripe e do acompanhamento de um familiar em exames médicos), o que significa que cumpri mais de 90% das aulas previstas (94% se descontarmos a greve), ou seja, faltei a 9 tempos (fora a greve, 6 dos quais pelos motivos descritos) no 1.º período (a turma mais afectada foi, curiosamente, a minha DT). Mas terei feito (não fui somar tudo, o programa não faz isso ao utilizador comum) uns 270-280 sumários.

Penso que no Inovar, as coisas não sejam muito diferentes, por isso, expliquem-me como é que é possível escrever algo como aquela parte da “validação dos serviço lectivo prestado e das respectivas remunerações”. E o serviço não lectivo? Não conta para as remunerações? Nesse caso, talvez seja boa ideia não o cumprir, certo? Tudo isto é idiota, com coreografia de rigor de fancaria.

O problema é que isto é feito por gente que não percebe nada do assunto, provavelmente influenciada por (ex) “lideranças” despeitadas ou com muita sanha contra os seus “ímpares”. Gente que levou anos/décadas a não ter de escrever qualquer sumário, com isenção de horário e zero controlo sobre a sua presença efectiva no recinto escolar (nem falo de aulas).

Uma coisa completamente diferente é a queixa (legítima) de director@s que me mandaram mensagens acerca do pessoal que leva semanas para colocar os sumários em dia, mesmo em escolas com meios para o fazer. Mas há escolas em que nem sequer a rede funciona ou os equipamentos disponíveis são suficientes para fazer os sumários em tempo útil, a menos que se leve trabalho de casa.

Resumindo, aquilo que me cheira é que o MECI quer demonstrar uma de duas coisas (ou ambas, se tiver sorte com quem for torturar os dados)… ou que, afinal, os alunos tiveram muitas aulas, porque os sumários foram feitos (nos casos em que as lideranças locais mandaram alguém entretê-los ou os distribuíram por outras salas, como foi a solução dominante no 1,º ciclo) ou que, se as não tiveram, é porque os professores são uns absentistas, não interessando a causa das eventuais faltas (às aulas, de sumários).

Claro que acredito que existam almas iluminadas que digam que isto não é nada assim. Pois… e o problema é que por cá as vozes de certos asnos chegam aos céus ministeriais.

6ª Feira

É curioso como, subitamente, tudo se consegue “resolver” em poucos dias ou mesmo horas. Foi com os colégios de educação especial que viram publicado o diploma com verbas disponíveis logo a seguir à sua “greve” na 2ª feira (o diploma tinha de estar preparado antes…) e agora com as ambulâncias para a margem sul… que apareceram não às dezenas, mas às centenas (embora estivessem previstas há mais de 2 anos). O que nos faz interrogar sobre a eventual razão dos atrasos neste tipo de soluções. As coisas só avançam quando aparece em modo dramático nas televisões? A isso não se chama governação, mas navegação à vista.