Boa Noite

Os 17% Mais Preocupantes

Não estou especialmente preocupado com o facto de Ventura ter 30% ou mais dos votos nas presidenciais. Afinal, há muita direita orfã, a começar por certos galifões (e galifonas) que estavam com a esperança de ter o Cotrim na 2.ª volta e se esmera(ra), num discurso tão bacoco quanto o de certas esquerdas matarruanas em tempos idos. Não me admira a migração “anti-socialista”, como se Seguro fosse “socialista”, por muitos nós e torções que se deem ao conceito. O que leio, a pessoas com altas pretensões intelectuais e certificações académicas ostensivas, é ao nível do mais burgesso que li e ouvi ao pessoal da ortodoxia mais ortodoxa do PCP nos seus tempos áureos. Mas esses, vão e vêm.

Mas o verdadeiro problema é aquele pessoal que, mesmo com as evidências evidentes, mais do que votar em Ventura, acredita mesmo que ele pode ganhar. E esses são os “fanáticos” que formam o “núcleo duro” actual do eleitorado do Chega. O que é muito, tendo em conta a tibieza das lideranças dos partidos “líder” do arco da governação. Numas eleições antecipadas, estes 17% são uma base muito complicada de fiéis para gerir em partidos que, como o PS e o PSD, mesmo com a gula do poder, estão em desagregação interna, em torno de grupos de interesses, muitas vezes conflituantes.

Com a esquerda “radical” pulverizada e em convulsão, à espera do parto de um qualquer novo movimento messiânico, ter um hardcore de 17% que acredita aparentemente que Ventura tem mesmo condições de chegar a Belém devia fazer pensar a muita gente que anda demasiado preocupada com o que lhe pode cair do PRR ou com os negócios que pode conseguir com a apresentação de fotos ao lado do futuro PR..

(DN, 5 de Fevereiro de 2025)

A Ler

Jeff Bezos’s Destruction of The Washington Post Is a Disgraceful Plutocratic Crime

It turns out that democracy doesn’t die in darkness at all—it succumbs to repeated group muggings at the hands of the moneyed power elite.

E Comemos Com…?

Trabalhar com o coração

Isto soa muito bem, parece muito bonito mas, que me desculpem, o predomínio deste espírito tem ajudado a corroer as escolas a partir de dentro e não propriamente a consolidá-las.

“Nós trabalhamos com o coração!”, foi a expressão usada por um elemento de uma AP de determinada unidade orgânica que compõe o agrupamento que lidero – mas poderia ter sido de qualquer outra – que muito me tocou. Proferida espontânea e genuinamente durante uma reunião onde foram tratados assuntos relacionados com a instituição de ensino, ausente de interesses individualistas e pretensiosos.

Chamem-me cínico, mas eu mandaria esta pessoa ao médico. E não propriamente ao cardiologista. É que não ando mesmo com pachorra para chonices.

5ª Feira

2027, ano mágico na Educação

(…)

O que significa que o ano lectivo de 2027-28 parece surgir no horizonte como uma espécie de “ano mágico”, no qual tudo vai acontecer, ficando por saber se será um annus mirabilis ou horribilis. Atendendo ao que se observa em outras áreas da governação, o prato da balança pende claramente para um dos lados.