Boa Noite

Um dupla mais improvável do que aquela da Lady Gaga com o Tony Bennett.

O Mau Estado Do Mundo

In Trump’s war on global justice, court staff and U.N. face terrorist‑grade sanctions

Trump’s sanctions on U.N. expert Francesca Albanese and the International Criminal Court froze assets and disrupted war crimes investigations. The clash is part of the broader campaign by his administration to strongarm allies, enemies and world bodies into toeing the U.S. line.

O 3º Período Foi À Vida

A razão até pode ser louvável, mas…

Governo adia para abril Provas-ensaio do 4.º, 6.º e 9.º anos

O Ministério da Educação considera que “não estão reunidas” as condições “para todos os alunos e todas as escolas”, pelo que optou pelo reagendamento das Provas-Ensaio.

A Ver Vamos, Já Dizia Aquele Indíviduo Com Défice Visual

Nunca se sabe se, estando incluindo o Superior, não haverá directos interessados em fazer avançar a coisa.

Resolução da Assembleia da República n.º 22/2026, de 6 de fevereiro

Recomenda ao Governo a correção das ultrapassagens na progressão da carreira docente e o reconhecimento do tempo de serviço efetivo prestado no ensino não superior e no ensino superior.

Feedback De Elevadíssima Qualidade

Muito antes das teorias domingueiras da abelhinha distópica (para malta distraída ou nova nisto, leia-se “projecto MAIA” e seus derivados), sempre tive o hábito de demonstrar aos meus alunos o que tinha corrido bem ou mal nos momentos de avaliação. E nas “ferramentas” usadas (acho sempre patusco usar este tipo de terminologia, mas adopto-a amiúde para reforçar o ridículo), quase sempre me preocupei em fazer duas coisas: deixar pistas numas questões para responder a outras (por exemplo, nas respostas múltiplas, incluir opções que permitem responder em parte a questões de desenvolvimento) e testar a atenção com que os alunos lêem as questões antes de responderem. Durante anos a fio, incluí uma imagem em que surgia uma figura a dizer “Eu, Napoleão Bonaparte, declaro o bloqueio dos portos…”, seguindo-se a questão “Quem decretou o Bloqueio Continental?”, só para ver quem estava a cochilar no dia da ficha de avaliação, que então se designava como “sumativa”. Em regra, eram entre 10-20% dos inquiridos (entre as respostas, surgiam o D. João VI, o Beresford e, nos casos de maior criatividade, a D. Maria ou o Marquês de Pombal).

(não faço isto por mais do que curiosidade natural, pois nunca frequentei formações da treta sobre metodologias de abvaliação, ministradas por gente que só sabe ler powerpoint clonados e raramente aguenta um par de perguntas sobre os fundamentos empíricos das teoriazinhas que debitam de forma acrítica e muito pouco actualizada)

Nos últimos anos, tenho incluído a questão que já apresentei em post anterior, sobre a implantação da República. Como se pode verificar em peço a data, dando logo a indicação que o ano é 1910 e que se passou em Lisboa. Chega-me que a resposta seja “5 de Outubro” (outubro para os petizes nascidos pós AO). Não é nada de muito criativo. Não exijo muito, sei qo que vou. Os petizes estão no 6.º ano, não há que esperar muito mais do que a muitos deputados da Nação.

Dito isto, este ano, na sequência da constatação de que o ala atitude“nem me ralo, já estou passad@, basta um choradinho final” tem vindo a crescer, acabei por fazer uma pequena estatística das respostas a esta questão, para debater o assunto com as turmas, em modo de feedback dialogado (socrático?), de modo aos alunos poderem expressar a sua opinião sobre a situação, claro que sem identificar – na maioria dos casos, porque alguns são de bradar aos Céus e necessitam mesmo de singularização – os autores da generalidade dos tiros ao lado, muito ao lado.

Tenho três turmas de 6.º ano, com “perfis” razoavelmente diferenciados, sendo que a minha DT seria aquela em que as expectativas poderiam ser menos más. E, realmente, em 19 testes (calma, antes da transferência de 1 aluno, havia 4 casos a implicar redução de turma, sendo que um aluno faltou, por estar de partida para o Brasil, e outro está a meses dos 18 anos e parece não haver método ou “autoridade” capaz de o fazer voltar à escola, por muita referenciação ou relatório que se faça para CPCJ, Tribunal ou força policial), consegui que “apenas” em 5 as respostas fossem totalmente ao lado. (pouco mais de 25%, o que já considero “bom”). Não fiz análise das restantes 14 resposta… quantas ficaram em branco e quantas interpretaram o tempo como algo relativo e dependente do observador. Até porque foram os primeiros testes a ser entregues e concentrei-me mais em destacar outro tipo de incongruências, como apresentar a mortalidade com factor de aumento da população ou que as pessoas saiam dos campos para as cidades por causa do aparecimento do comboio. Etc.

O problema foi com a turma sem direito a qualquer redução, 27 almas, algumas delas a aprender as primeiras palavras de Português. Mas que, curiosamente, porque podem usar o telemóvel para traduzir os conteúdos, até acertaram no “5 de outubro”, nomeadamente a aluna paquistanesa e o aluno do Bangladessh (helás, venturosos, tenho um!). entre os restantes 25 alunos, tive 5 (cinco!) que acertaram na data (taxa de sucesso parcial de 20%), enquanto os restantes se distribuiram por não responder (8), enquanto 12 decidiram que a data, independentemente do dia e mês, se poderia distribuir entre 1891 e 1981 (acho que um dos alunos trocou os olhos ao copiar do parceiro), tendo um sortido variado a incluir, 1908, 1909, 1911, 1912 ou 1920. O giro é que, ontem, quando entreguei as fichas e procedi ao momento de feedback, toda a gente se riu muito quando eu chamei a atenção para o facto da pergunta já lá conter o ano, pelo que não percebia o que se tinha passado, sublinhando que já me conhecem há mais de um ano e sabem que as “ferramentas” devem sempre ser lidas com atenção. Resumindo, 7 em 27 acertaram, sendo que 2 nem sequer conseguem mais do que arranhar o Português de pátio de escola.

Hoje, com o encerramento das escolas da zona, não pude fazer a entrega da terceira turma, 20 testes (faltaram 3), pelo que pude fazer uma estatística mais completa, porque o verdadeiro professor que trabalha com os órgãos todos (não apenas o coração a sangrar de empatia) é o que prepara o seu feedback com dedicação e arreganho. Acertar a data, se incluir quem escreveu “5/9/1910” (sou bondoso!), foram 6 (30%), exactamente a mesma quantidade dos que nem tentaram responder. sobraram 8 respostas criativas, de que lhes deixo algumas amostrar mais abaixo. 40% dos alunos parecem ter descolado de qualquer tipo de realidade ou preocupação em ler ou compreender um enunciado que só não dá a resposta completa, porque eu não tenho, ou alguma vez tive, pretensões a ser visto como um exemplo de “flexibilidade” e “inovação”.

Poderão dizer que estou a usar isto para caricaturar o desempenho dos alunos e que, no fundo a culpa dos “inconsegumentos” é minha, apenas minha. Está bem! Que se lixe!! Sinceramente, minhas amigas e meus amigos, eu já começo a ficar-me nas tintas, porque isto não se passa apenas comigo e a constatação é que já pouca gente se rala e dá o 3 como garantido, porque a escala parece começar aí, devido a tantas e tantas contextualizações da situação que até sem saberem escrever o nome passam, com a divina benção do “sucesso”.

Nota final: ainda corrijo os testes a vermelho. Deve ser coisa do esquerdalho arcaico. Apesar de lagarto confesso, só ocasionalmente opto pelo verdusco.

Jornalismo De Elevada Qualidade

Página 18 do Expresso, coluna Gente (não é desculpa para o tom e a substância da nota). E depois a culpa de todos os males na informação é das redes sociais.

6ª Feira

Ontem, ao final da tarde, a protecção Civil mandou fechar as escolas em boa parte aqui da margem sul. Confesso que não fui verificar todos os concelhos que o fizeram. Vi, apenas, que, na Moita, no Barreiro e no Seixal tinham sido activados os planos municipais de emergência. E que o plano distrital de Setúbal também o tinha sido. Apesar de muitas arvores caídas e estradas inundadas – bem como muitas daquelas rotundas feitas, com enorme esclarecimento, perto de ribeiras ou zonas tradicionalmente alagáveis – por onde ando, as coisas não assumiram as proporções que tiveram e estão a ter em outras zonas do país. No entanto, há escolas a meter água por vários poros, salas e aula com goteiras a escorrer para cima das mesas dos alunos e outras infiltrações variadas que aconselham cuidados e atenção. Não sei se o pessoal do costume (sejam os “liberais” a ficar fora de moda, sejam os miguelitos do espesso semanário do regime) vai achar que isto foi uma conspiração enorme dos professores para não darem aulas numa 6ª feira, “encostada ao fim de semana”. Assim uma espécie de tramóia entre os sindicatos, o Eolo e o São Pedro. Porque há imbecis para tudo, mesmo quando usam colarinhos engomados. Resta saber se o shôr ministro vai conseguir perceber, através dos sumários, o que se passou e se acha que tudo isto é justificado. Pelos evidentes sinais exteriores, a metamorfose que atingiu outros que o antecederam (quando isso foi preciso) já aconteceu e tomou-lhe conta da mente, que alguns e algumas garantiram ser de enorme sensatez. Infelizmente, parece que durou pouco.