2ª Feira

E agora vai seguir-se todo o processo natural em relação à lei da eutanásia ou morte assistida que implica que todos os envolvidos necessitem do veto presidencial, incluindo os mais exibicionistas defensores da lei.

Porquê?

Porque é necessário que a lei surja como grande sinal de divisão identitária entre Esquerda/Direita quando se viu que assim não é bem. Mas há uma parte do PS que precisa de demonstrar isso, pelo que um presidente eleito pela “Direita” deve vetar a lei para que ela tenha devida chancela de “Esquerda”.

Quanto ao PR, depois da óbvia declaração de ser necessário esperar pela lei que em concreto sairá do Parlamento, necessita de, já não muito longe das próximas presidenciais, satisfazer uma parte do seu eleitorado natural e demonstrar que não foi completamente capturado pelo seu acordo de cooperação quase total com António Costa. O veto é uma espécie de certificado de vida para além do marasmo.

Como o veto apenas faz regressar a lei ao Parlamento que a pode aprovar novamente, sem mudar sequer uma vírgula, estamos perante um daqueles casos em que todos ganham ao simular uma espécie de conflito ideológico institucional.

Tudo isto é mais do que previsível numa peça de enredo já conhecido, pelo que é profundamente entediante.

keepcalmtea

(nunca consegui, por exemplo, ter paciência para ver o Titanic do James Cameron…)

Tudo Na Mesma No PSD

Parece que o Rio vai ganhar, mas por pouco a um candidato com o carisma de um gressino mal cozido. Mais grave, na SIC, volta a aparecer o Miguel Morgado como se fosse assim um misto de analista e futuro candidato, como se isso fosse algo vagamente credível. Ou seja, tudo na mesma e Costa a navegar águas calmas, conseguindo a coisa mais improvável que é continuar a acenar ao Bloco e ao PCP com o papão de uma “direita”  que está completamente esfrangalhada.

Soneca

Domingo

Ontem, uma romaria de dezenas e dezenas de governantes tomou posse aqui do pedaço, sob o olhar benevolente de um Presidente da República que de tanto desejar ser plebiscitado acima dos 90% sorri a tudo e mais alguma coisa, tudo perdoando até ao dia – a História talvez ensine – a seguir ao tal plebiscito. O governo que 2ª feira continuará a obra do anterior pouco tem de novo e o que tem de menos velho não aparenta grande coisa ou vagamente renovação. Sendo de continuidade, dificilmente poderei sentir qualquer comunhão de objectivos, sendo que há quatro anos ainda me iludi que não seriam apenas uma versão falsamente soft dos que os antecederam nos últimos 15 anos. Sim, talvez não exista agora alguém tão despudoradamente sem vergonha como o engenheiro, mas continuam a medrar quase todos os que ele elevou ou manteve no poder. Podem voar mais baixinho, não ir ao pote com tanta evidência, mas os canais continuam, menos esta ou aquela vara mais gananciosas, essencialmente os mesmos, assim como as prioridades, em especial as menos saudáveis. Nem um dedo se mexe contra os grande interesses privados que herdaram de mão beijada os monopólios públicos e cuida-se que a regulação só sirva mesmo para prateleira dourada de alguns, mantendo-se perfeitamente despojada de meios ou ineficácia. Existem formalmente entidades para que se possa dizer que existem. Reguladores que adorariam estar ao serviço dos regulados. Em matéria de Justiça, há muita coisa que quase acontece para além de algum aparato mediático. Há muitas críticas aos julgamentos na “praça pública”, mas isso só acontece porque a maioria dos restantes, quando a poderosos diz respeito, não passam de farsas a prescrever. As criaturas do pântano guterrista continuam praticamente incólumes e conseguiram cooptar parte da pseudo “esquerda radical” apenas com o doce aroma das periferias do poder e cedências em causas ditas civilizacionais. À direita, a deriva que nos levou insanamente além da troika, explica tanto o estado comatoso em que ficou depois do poder ter fugido e a estatura liliputiana das figurinhas que a disputam. como a legitimação que de forma repetida os actuais governantes apresentam para as suas políticas medíocres, pois podem sempre afirmar que os anteriores eram mesmo, mesmo muito maus.

Na segunda-feira voltamos a temos um país de que tomou posse há muito uma clique política que se reproduz nos mecanismos clientelares do nepotismo e que estabeleceu uma parceria com os principais grupos económicos que escolheu para entregar as poucas jóias semi-preciosas da República, confluindo na estratégia de produzir uma representação desfocada da realidade, conseguindo convencer muita gente que é bife kobe (ou seitan se a conversa for com o pan) a sola de sapato que lhe é servida na dieta diária de uma democracia formal.

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Existe Um Estranho Consenso…

… acerca das condições e vontade do PS em manter o seu futuro governo durante toda a legislatura. Discordo. Mesmo que exista uma pressão de bastidores de Marcelo para que isso aconteça, acredito que António Costa irá desejar muito que lhe aconteça algo similar à “crise dos professores” para forçar novas eleições com o centro-direita de rastos e a “esquerda radical” em perda eleitoral (mesmo se algo encoberta no caso do Bloco com a manutenção do número de deputados). Aliás, penso mesmo que, por ele e o seu grupo mais restrito, tentariam que isso acontecesse o mais depressa possível, se pudessem apresentar-se como a “única solução de estabilidade” como tentaram até às últimas semanas da campanha eleitoral.

E é estranho pensar no hipermegactivo Marcelo como principal defesa contra essa estratégia de instabilidade.

cabecinha_pensadora