Insegurança, Enorme Profissionalismo ou Parvoíce?

Se calhar é uma combinação das três coisas. Quando vejo romarias a “formações” sobre coisas que são to tempo do arco da velha (mesmo que tenha verniz digital), não percebo se as pessoas têm muito tempo nas mãos, se pensam mesmo que não sabem fazer e precisam aprender ou se é apenas a busca de créditos. Não me interpretem mal… tudo a favor de nos renovarmos ao longo da vida em termos de metodologias e ferramentas, mas a maioria do que por aí anda não passa de negócio, com ou sem patrocínio directo do ME (ahhh… o insucesso dos alunos resulta da falta de “formação” dos professores…) e das editoras que se preparam para comercializar os materiais da modernidade. É uma win-win situation? Pode parecer que sim e também acredito que há que vá com Fé, sentido de Dever ou apenas Voluntário à Força, mas a criogenia profissional não parou o envelhecimento pessoal e o tempo torna-se cada vez mais precioso para participar em coisas à la minute com apresentações que parecem feitas para todas as ocasiões, tipo k7 só que com animações.

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(chamem-me arcaico, arrogante, impaciente, intolerante, inflexível, estou habituado… pode ser quase tudo menos “irrevogável” ou invertebrado)

 

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Respirem Fundo!

Ainda bem que nem pensei ir. Estava lixado com a minha sinósite. Como conseguiria começar com tal indicação a 1ª sessão formativa  (Setúbal, Hotel do Sado, 20 de Outubro, marcada para as 15.15, mas início flexível com mais de meia hora de atraso) do evento “Autonomia e Flexibilidade Curricular: Liderança Escolar e Desenvolvimento Curricular patrocinado pela Porto Editora e ao que parece por uma “Academia de Formação”? É que ando com as fossas nasais muito entupidas.

Já agora… complica-me sempre os nervos que tentem dar a entender que os professor pensam em ensinar e não se preocupam se os alunos aprendem. Claro que há gente assim, mas então seleccionem ess@s e (re)formem-n@s e dexem @s outr@s em paz a menos que queiram faltar a uma 6ª à tarde. Ou então andam a ver se acumulam créditos com a  crença que vão descongelar 2 escalões de uma vez antes de 2030.

Twofold

(eu e a minha má língua…)

Os Elevados Custos da Erosão dos Serviços Públicos

É anedótico ver tipos como o Hugo Soares e afins a clamar pela desprotecção dos cidadãos perante os fogos, atribuindo a responsabilidade ao fracasso do “Estado”. No que eu estou plenamente de acordo, só que levaria a questão a outro nível de análise, um pouco além da demagogia de parlamentares de aviário. Ou seja, o “Estado” é quem? Todos, mas nenhuns em concreto? O “Estado” – neste caso guardas florestais ou recursos equiparáveis para detecção precoce de incêndios, polícias para fechar estradas, isolar áreas, recolher pessoas (a bem ou menos bem) em zonas de elevado risco, bem como, bombeiros equipados e com orientação para intervir, sem andarem às  cegas atrás de tudo e nada, a fazer o impossível – é determinado por quem?

O deputado Hugo Soares, alguns dos tristes pares que o colocaram como líder parlamentar, mais o pessoal do CDS arrepiado com as mortes rápidas verificadas, parecem não se interrogar sobre a razão da erosão dos serviços públicos que os seus partidos promoveram de forma activa, em colaboração com o PS, não esqueçamos, desde o início deste século, para não irmos mais longe. E se falarmos em tantas outras mortes em combustão lenta por ausência de serviços públicos (caso da Saúde, não apenas da Administração Interna), o que nos responderão? Até há dias diriam que a maioria desses serviços seriam melhor desempenhados pela “iniciativa privada”.

Mas agora já dizem outra coisa. O sempre presente e tudólogo José Gomes Ferreira estava no outro dia na SICN a denunciar a “economia/indústria dos fogos” que ganha com as consequências dos incêndios, desde a madeira queimada ao aluguer de equipamentos para combate aos fogos e indignava-se com a falta de investigação sobre os interesses instalados no rescaldo destas tragédias. E concluía, com uma clarividência que não lhe via há anos (e muito menos quando dialoga com luminárias do tipo Mira Amaral, João Duque, João Salgueiro, Ferraz da Costa e muitos etc) que o mais certo é que este tipo de serviços (prevenção e combate a incêndios) sairia mais barato ao Estado se fosse feito com meios próprios (públicos, permanentes,.

O homem viu a Luz! O arauto da “eficácia”, da “racionalização”, do “combate ao despesismo do Estado” e tantos outros lugares vulgaríssimos parece ter percebido à fora de mais de uma centena de mortes quase em directo que serviços públicos não guiados pelo lucro de prolongar a intervenção e explorar os despojos, talvez sejam melhores do que contratos sazonais com interesses privados.

Não me refiro, claro, àqueles negócios que também surgem ao nível de certas chefias (Protecção Civil, Bombeiros) e que são pura e simples corrupção. Falo de toda uma estrutura no terreno que actue em permanência com uma orgânica clara e não uma pulverização de hierarquias em que há mais chefes no papel do que bombeiros no terreno. Serviços que não respondam porque “os acontecimentos foram foram o resultado de circunstâncias fora do normal” (também há aquela das inundações se deverem muitas vezes a chuvas “acima da média para a época do ano”).

Se serviços públicos permanentes, bem estruturados e equipados do ponto de vista técnico, humano, com um planeamento racional e não a pensar apenas em quem pode ter que cargo e ganhar o quê, são a médio prazo mais vantajosos para as contas públicas do que contratualizações ruinosas, das casuísticas para acudir a qualquer preço a desgraças às de prazos indeterminados e rendas calamitosas (olhem, parece que, afinal, foi a EDP da parceria sino-mexia que não limpou as zonas em torno das suas linhas na zona de Pedrógão, podendo ter causado o incêndio), parece-me algo pacífico e não necessariamente ideológico como alguns pseudo-liberais defendem (para poderem ter contratos com o Estado que abominam).

Até porque a expansão desse tipo de serviços foi exactamente a matriz do Estado Liberal moderno ocidental desde o século XIX, no sentido de chegar a todo o território e a todos os cidadãos para que se concretize o princípio da igualdade de oportunidades e mesmo da possibilidade de liberdade e prosperidade.

Só que dos hugos sorares aos gomes ferreira, passando por tantos outros putos reguilas ou velhas raposas, a aprendizagem do liberalismo foi feita pela cartilha do cuspo mal amanhado. Assim como a enorme paixão do cds (minúsculo) pela segurança dos cidadãos se traduziu mais em submarinos parados do que em esquadras de proximidade no interior do país.

Mas o que interessa é que fizemos estádios para o euro que agora se calhar até servem para jogos de solidariedade.

brainstorm

 

Afinal, Foi Ninguém

Que promoveu o despovoamento e desertificação de grande parte do país. Foi Ninguém que fechou os Centros de Saúde (poucos “actos médicos”), as estações de Correios (não rentáveis), os Tribunais e Conservatórias (poucos utentes e envelhecidos, que se desloquem), os postos da Polícia (lembram-se desde os tempos das super-esquadras do Dias Loureiro?) e as Escolas (foi uma década de “racionalização”). Foi Ninguém que mandou arrancar oliveiras, azinheiras, castanheiros e tudo o mais mal chegaram dinheiros da CEE ainda nos anos 80. Foi Ninguém que mandou atapetar de IP’s e SCUT’s ali o caminho pelo meio do nada. Ninguém eucaliptou colinas e planícies. Ninguém é tramado. Deixou o país assim e agora os pobres dos nossos governantes e políticos rotativistas não sabem quem culpar em concreto, porque Ninguém fez as coisas e, portantossss….

O monstro gritava por socorro, chamava aflitivamente os outros ciclopes. Vêm todos, acodem todos, e do lado de fora do antro, fechado ainda, interrogam-no:

– Que te aconteceu, Polifemo? Porque nos acordas no meio da noite? Quem te fez mal? Alguém atenta contra a tua vida?

O terrível Polifemo responde lá de dentro: -“Ai! meus amigos, é Ninguém que me mata, é Ninguém!

– Então, dizem eles, se ninguém te faz mal, de que te queixas? O teu mal não tem remédio, e não lhe sabemos a causa. Tem paciência e sofre com resignação…

polifemo