Como Seria De Esperar

Apesar das pessoas muito inteligentes falarem no “contágio zero”, ignorando que o problema mais grave não era dos portões para dentro.

O Fecho das Escolas Teve o Efeito Brutal na Queda da Curva dos Novos Contágios

Encerramento das escolas, que levou a menor mobilidade, e as medidas mais restritivas impostas pelo Governo ajudaram a uma queda mais rápida da taxa de transmissibilidade, mostram estimativas do projecto Covid19 Insights.

Eu Não Sou “Especialista”, Mas Há Semanas Que Cheguei A Tal Evidência

Marcelo Rebelo de Sousa cancelou agenda, depois de ter tido um resultado positivo para a covid-19 e assistirá, por videoconferência, à reunião desta manhã no Infarmed. Portugal registou na segunda-feira um novo máximo de mortes: 122.

Se Há Coisa Que Admiro Em Alguns Estudos São As Conclusões Quase Todas Absolutamente Inesperadas

Embora neste caso exista uma que contraria por completo uma série de teses de sociologia tipo-isczé (e não só) sobre a (in)capacidade da escola pública ajudar os mais desfavorecidos. O resto são daquelas evidências que todos sabemos, mas é preciso alguém vir validar com selo de “ciência”. Tudo isto é mais do que óbvio, só é pena toda a encenação feita em seu redor para justificar “nichos de mercado” académico subsidiodependente. Já agora, nada disto começou em 2005 ou 2011. Ou sequer em 2015.

Desempenho e Equidade: uma análise comparada a partir dos estudos internacionais TIMSS e PIRLS

(…)

Nessa medida, destacam-se algumas das conclusões do estudo: i) “Alunos com origem em famílias com elevado Capital familiar têm melhores desempenhos do que os alunos com origem em famílias com menos recursos económicos e sociais”; ii) “Quanto melhor os alunos dominarem ferramentas básicas de literacia e de numeracia antes de iniciarem a escolaridade, maior é a probabilidade de terem bons desempenhos em Leitura, em Matemática e em Ciências no 4.º ano de escolaridade”; iii) “Uma frequência mais prolongada de Programas de educação e cuidados para a primeira infância é mais relevante para os alunos de famílias com menos recursos”; iv) “Portugal apresenta a percentagem mais elevada de alunos provenientes de escolas de meios maioritariamente desfavorecidos que conseguem alcançar, em todos os domínios, pontuações acima da média internacional”; v) “Os alunos que frequentam escolas mais orientadas para o sucesso escolar obtêm melhores desempenhos”.

Deviam Ter Dito Isso Mais Cedo

Horários duplos nas escolas podem ser um risco, avisam directores

Se alunos tiverem de ir para ATL vão aumentar os contactos sociais. Só nas zonas urbanas deverá haver horários divididos entre a manhã e a tarde para algumas turmas, prevêem dirigentes.

O funcionamento das escolas em horários duplos, com aulas de manhã para umas turmas e de tarde para outras, pode “ser um risco para contenção da covid-19”, acredita o presidente da Associação Nacional de Directores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), Filinto Lima. A solução também implica constrangimentos para as famílias. Os directores acreditam que serão poucos os agrupamentos a segui-la.

Evidence

(embora em muitos casos seja inútil esperar que gente com escassez do que interessa perceba as consequências de muita coisa. Eu já desisti de tentar explicar seja o que for a quem acha que sabe tudo, tomando por sabedoria a causa de dada posição. Porque depois ainda passo por ser eu a armar-me em qualquer coisa, quando apenas peço que pensem um pouquinho… mesmo se é tarde para arriscarem operação tão delicada…)

Fiquei Esmagado Pela Perspicácia E Profundidade

(claro que eu pensava que passa por saber algo do que se ensina e ter alunos motivados para aprender, mas sou velho e arcaico e nem sequer sou MEM-fanatic)

Secretário de Estado da Educação diz que essência de ensinar passa por “estar face a face, acompanhado por dispositivos”

E agora perguntamos nós… o que pode ser considerado um dispositivo?

Agamben

Prognósticos Só No Final Do Jogo

Há uns dias era uma senhora importante da Unesco a afirmar que a situação do ensino a distância tinha agravado desigualdades. Bonito era ter dito isso há 3 meses quando se poderia ter tentado fazer outra coisa que, em tantos casos, fingir que se estava a fazer algo de jeito. Quando se poderia ter passado o tempo a montar uma estrutura a sério e a sinalizar os casos de maior fragilidade de acesso a meios tecnológicos e a mobilizar meios que, de modo sustentável, pudessem servir para se ter uma rede (global, nacional, local) a funcionar de forma sustentável e socialmente vagamente justa.

Mas… em Setembro logo se vê o “cenário” a escolher.

puppet

(por cá, é ver muita mal disfarçada inflexão de rumo em cortesã(o)s com escasso decoro e muita disponibilidade para dizer sempre que sim a “soluções” e “desafios”)

Três Meses Para Abrirem Os Olhos?

Estive a ver a peça na RTP1 sobre o que tem sido este ensino à distância desde meados de Março. Uma peça bem construída, com testemunhos interessantes do lado dos alunos e famílias. Sem alguns dos habituais “cromos da bola” a debitar prognósticos. Não sei se opção (acertada) editorial, se há quem ainda tenha um restinho de vergonha na cara quanto ao que andou a dizer e escrever durante a maior parte deste tempo. Parece que houve muita gente a “abrir os olhos”, mas isso não me espanta, pois sou dos que há anos se farta de dizer que a Educação é governada, não por sonhadores, mas por sonâmbulos. Ou funâmbulos. Ou as duas coisas.

(claro que me apetecia uma adjectivação mais contundente, mas não adianta, há cabeças bem piores que pedra dura…)

Tudo o que agora se constata, era perfeitamente previsível para quem conheça a realidade da maior parte das populações escolares do país. Claro que era necessário fazer qualquer coisa e claro que se deveria apresentar as coisas de uma forma relativamente positiva. Mas houve claro delírios demagógicos e muita asneira a sair como se fossem pérolas dadas a nós, povo comum e cépticos. Por estes dias, já quase toda a gente fala em “remendo” para caracterizar o que se tem vivido.

Agora anunciam-se 400 milhões de euros para a “Escola Digital”, o que equivale a obras em 25 escolas da Parque Escolar nos tempos áureos. Parece muito dinheiro? Não é. Não chega nem para tapar os pés frios, quanto mais chegar ao tronco e à cabeça. Se nem chega para 6 meses de prejuízos de um banco bom, acham que chega para perto de milhão e meio de alunos, professores e pessoal não docente das escolas?

O ME respondeu por escrito com aquela vacuidade típica dos comunicados rotineiros. O ministro Tiago não sabe, a secretária é amadora nisto e o secretário João sabe quando ficar na sombra. Fala.-se em diversos cenários, conforme a “situação epidemiológica”. Claro. Nem poderia ser de outra forma. Mas será que alguns dos cenários tem pés e cabeça? Mesmo se arrancar tudo em presencial e assim continuar em ritmo de “recuperação das aprendizagens”? Claro que andará, mas muito devagarinho e às apalpadelas.

No meio de tudo isto, termos ainda a cereja de perceber que, afinal, a “flexibilidade” só desajudou. Falta essa “abertura de olhos”, mas é complicada por é filha de pais extremosos. E o que dizer da “inclusão” em termos de pandemia? Nada menos do que um desastre, sendo que os progenitores do 54 não conseguiram, em três meses, dar um contributo público capaz sobre o tema e muito menos apresentar um plano de acção consequente para minorar as dificuldades dos mais necessitados de apoio de proximidade. Neste caso, tenho muitas dúvidas que exista a humildade de reconhecer a necessidade de “abrir os olhos”.

A pandemia teve muitas consequências. Uma delas foi perceber-se (quem o quer, claro) que a retórica dos últimos anos, em termos de Educação, não aguenta um abanão a sério. O castelo de cartas desmorona-se em semanas.

O próximo ano é uma incógnita e só pode ser encarado com uma mente aberta perante a realidade e os seus “problemas”. Porque em Educação, as “soluções” só o são se resolverem os problemas reais dos envolvidos. Não servem para nada quando são construídas no vazio. Ou para satisfazer vaidades.

sheldon-throwspapers

(só foi pena não terem incluído um naco do Preço Certo de sábado… foi, realmente, um programa de antologia… para quando com outros tele-profissionais?)