A Sério? – 2

Dizem que é uma escola mais simples para os professores (ESCOLA MAIS SIMPLES PROFESSORES). A mim parece que confundem a desmaterialização com a simplificação. Só que se os procedimentos forem os mesmos, a burocracia apenas se torna virtual e poupa-se dinheiro no tal papel que o SE Costa diz que nada obriga a preencher. Certo, fica só em pdf. Mas os documentos continuam a ser os mesmos…

Simplex

Revolução Digital Na Educação?

Quando se começa (Prós e Contras) por apresentar uma (uma) sala digital do futuro que foi criada há 4 anos, penso que entramos logo por um paradoxo. Mas o problema não é esse, embora muita gente confunda o “futuro” com uma crença sua particular numa dada forma de usar a tecnologia. Não tenho muita paciência para ouvir um director a falar na “escola do século XIX”, e nos males da “aula expositiva”, muito preocupado em mostrar-se modernaço, como se em alguma escola do país existissem condições para a maior parte das salas terem um equipamento capaz de uma aula de finais do século XX. Há gente que vive realmente no mundo da Lua e considera que 2 ou 3 salas “tecnológicas” são o “futuro”, quando há 20 com cadeiras e janelas todas rebentadas e sem quaisquer condições de luminosidade para usar quadros interactivos colocados num canto da sala. E isto é mais de espantar em quem, apesar de tudo, está nas escolas e não num gabinete bem climatizado da Católica ou da Nova Business e tal.

E mesmo agora ouvi falar em dar “liberdade” aos professores já que não se lhe pode dar dinheiro e a sorte foi eu não ter nada medianamente sólido para atirar à televisão. A “liberdade” nas escolas é uma quase miragem para os professores nas escolas de hoje, entregues a gente que desenvolveu em poucos anos um incrível complexo de Napoleão.

Valha-nos o António Carlos Cortêz.

tv_burro

Domingo

Dia de descansar e ler uns textos interessantes deixados em comentário, ontem, e que seriam muito aconselháveis aos “humanistas” que andam deslumbrados com o digital.

Los gurús digitales crían a sus hijos sin pantallas

En Silicon Valley proliferan los colegios sin tabletas ni ordenadores y las niñeras con el móvil prohibido por contrato.

Rebelión contra Zuckerberg en colegios de EE UU

Padres de alumnos piden la retirada de un programa de la fundación del creador de Facebook basado en las pantallas sin casi presencia del profesor.

Já agora, mais uma leitura interessante, embora por cá isto esteja longe de ser prática comum (doações privadas a Universidades), sendo a “agenda” mais condicionada pelo acesso a fundos públicos.

Plutocrat donors are shaping the agenda at our elite universities

Big donations such as Oxford’s Schwarzman gift come with big dangers.

Ler

Sábado

Realmente isto anda tudo muito flexível. Em defesa da humanização da Educação por via do sucesso para todos, massificam-se as estratégias de combate com recurso a algoritmos que permitem prever à distância o risco de insucesso. Porque, no fundo, os professores, com a sua proximidade, deixam de conseguir ver com clareza, certo? Nem sei para que se andam a fazer planos disto e aquilo às carradas, se a alguém basta carregar numas teclas para saber tudo.

É o chamado tele-sucesso.

Parece tudo muito moderno mas, basicamente, trata-se de um negócio com um bom marketing. E basta ler certos nomes para se perceber que há o aroma dos dinheiros europeus a fazer tocar campainhas que fazer salivar muito.

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