Boua Noute

Antero

(c) Antero Valério

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Isto É Um Suponhamos

Que em 2013 se tinha passado isto tudo que se passa agora com o Nuno Crato e que o PM de então – que foi pródigo em disparates – dizia que não pagava a progressão aos professores para alcatroar estradas e não por causa da troika. Sendo que o congelamento de 2011 foi imposto pelo mesmo PS que está agora no governo. E que o ME, com os sindicalistas a pedir reunião, ia para o seu torrão reunir com os militantes.

Quantas vestes “radicais” teriam sido rasgadas contra o “fascismo”.

TiagoBRodrigues

A Drª Pastor Ataca de Novo

Assunto: Cumprimento dos serviços mínimos decretados no processo de Arbitragem dos Serviços Mínimos, n.º 7/2018/DRCT-ASM, através de acórdão arbitral datado de 26 de junho de 2018

Exmos. Senhores Diretores de Escola/Agrupamento de Escolas

Exmos. Senhores Presidentes de CAP

Face a informações de que há docentes que não estão a cumprir os serviços mínimos decretados no processo de Arbitragem dos Serviços Mínimos, n.º 7/2018/DRCT-ASM, através de acórdão arbitral datado de 26 de junho de 2018, importa comunicar o seguinte:

1) Os serviços mínimos foram decretados por um colégio arbitral, nos termos do artigo 404.º da LTFP, equivalendo a decisão arbitral a uma sentença de um tribunal de primeira instância, pelo que é obrigatória, nos termos da Constituição e da lei;

2) Violam os serviços mínimos os docentes que:

2.1. Não entreguem todos os elementos de avaliação necessários “…para que possa surtir efeito a deliberação a tomar”, tal como é referido expressamente no acórdão arbitral;

2.2. Tendo sido designados pelo Diretor do AE /ENA para estar presente no conselho de turma em cumprimento dos serviços mínimos não compareçam ou, comparecendo, não concluam o processo de atribuição de notas aos alunos, o qual só termina quando está em condições de ser ratificado pelos Diretores;

3) A violação dos serviços mínimos faz os infratores incorrer na violação dos deveres previstos no artigo 73.º da LTFP, incluindo faltas injustificadas, constituindo, por isso, infração disciplinar.

Assim, devem os Senhores Diretores dos AE/ENA proceder ao registo das presumíveis infrações para efeitos de apuramento da responsabilidade disciplinar individual por parte da entidade competente, caso esta assim o venha a considerar.

Com os meus cumprimentos ,

A Diretora-Geral

Maria Manuela Pastor Faria

bullshit-detector

Já Todos Têm O Que Querem?

O PSD e o PS as verbas europeias para distribuírem pelas clientelas locais e regionais?

O PCP o aumento do salário mínimo?

O Bloco, as causas fracturantes, menos a eutanásia?

O PAN os animaizinhos nos restaurantes?

O Tiago a Summit das Skills?

O João a sua Flexibilidade e Autonomia?

A Alexandra seja lá o que for que a faz feliz, se é que há algo?

A Madonna o seu estacionamento privativo?

sondas_anal_dimensoes

Carta Fechada, de Alma Aberta e Coração Destroçado!

Publicada com autorização da remetente.

Há três semanas que os professores se encontram em greve, unidos, organizados e fortalecidos, como jamais estiveram. São milhares, acima dos 95% da classe docente, lutando e reivindicando um direito que lhes assiste, indignados por lhes quererem surripiar 9 anos, 4 meses e 2 dias que lhes saíram do pelo e do bolso, e por terem um ministro da educação que só vive de futebol e dança, mais precisamente tango, não representa os interesses nem os ideais dos professores, maltratando-os e ignorando-os, dando-lhes tanga a torto e a direito!…

Do bolso, pois prescindiram de boa-fé de 600 milhões e muitos, muitos mais, que tão bem fizeram ao país, servindo a todos, enquanto parentes pobres da administração pública, gordura pegajosa, bonacheirona e insana do Estado, carne para canhão vulgarizada…

Aliás, os números falam sempre por si e são continuamente conclusivos, transparentes, credíveis e mediatizados, cânones invioláveis, fidedignos e irrefutáveis, mas, sabe-se lá porquê, acabam sempre por adoecer, tornando-se improváveis, falaciosos e injuriosos… o branqueamento da alma política e a lavagem cerebral do Zé Povinho, esses vão-se perpetuando e o desgraçadinho do professor cala, engole, embrulha e, mesmo assim, continua a sua marcha e a sua missão; abandonado, isolado, invisível e persona non grata: um dos bodes expiatórios predileto do estado da nação…

Do bolso, a bem da nação, tudo bem, ainda estão dispostos a sacrificar-se, sem nada pedir em troca, nunca falaram em retroativos, agora do pelo e do seu suor, isso não!

Isto não é descongelar, é manipular, discriminar, humilhar, mortificar e crucificar; esvaziá-los, renegá-los a nada, reduzindo a cinzas 9 anos, 4 meses e 2 dias das suas vidas profissionais, pessoais e sociais!

Basta! Afinal, o cerne da questão e a sondagem que se impõem, resumem-se só e tão somente a: – “Estaria disposto a abdicar e a banir 9 anos, 4 meses e 2 dias da sua vida profissional e pessoal?”

Decerto ninguém está disponível para tamanha dádiva!

 Aliás, a bem dizer, o mais sensato e judicioso, seria dar o exemplo e nada melhor do que partir do altruísmo daqueles que nos governam (ou será desgovernam?) e dos que discorrem e comentam a educação, de uma forma tão esplendorosamente singela, vil, dolosa e desinformada; eles que deem o exemplo e prescindam deste tempo nas suas carreiras, a bem da nação que servem idoneamente, e abdiquem de outras tantas mordomias e benesses que só a eles assiste, vá-se lá saber porquê!…

Parafraseando Martin Luther King: “Nada no mundo é mais perigoso que a ignorância sincera e a estupidez consciente.”

Como qualquer um de vocês, Professor é acima de tudo um ser humano e um profissional, mas é também um ex-aluno e um eterno estudante, um assistente social, um psicólogo, um amigo, pai e mãe, encarregado de educação; professor não é sinónimo de inimigo ou de besta, tal como não é sinónimo de santo e muito menos de mártir!

Neste momento, a luta transformou-se numa questão de sobrevivência pessoal, de dignidade profissional e de respeito por uma classe que está saturada de ser denegrida, usada, abusada, amordaçada, fustigada, desprezada e apostolada, ano após ano, desde os tempos da benemérita da educação: Maria de Lurdes Reis Rodrigues!

Sucessivos governos, ora de esquerda ora de direita, um desfilar inócuo de currículos, medidas e metas educativas, a curto prazo, desfasados da realidade escolar e entroncados no ministério das finanças, mas sempre incrivelmente flexíveis, assertivos e cada vez mais férteis na promoção do sucesso dos alunos, interrompidos e substituídos, de forma abruta pelas ineptas eleições, sem avaliação dos mesmos, constrangendo professores e alunos a readaptar-se continuamente, as únicas, verdadeiras e eternas cobaias da política educativa!

Sem esquecer a questão da avaliação dos professores e a carreira docente que incomodam, fazem correr rios de tinta e insurgem imensas vozes sapientes, algo que é preciso resolver politicamente falando, mas que assusta e se vai protelando, ou melhor, se está a congeminar e a cozinhar tão paulatina e veladamente, com a conivência dos media, que nem se dá pelo cheirinho a esturro!…

Uma afronta e um tsunami de desinformação e contra-informação que é preciso travar! Há que desmistificar o que se ouve por aí, de forma tão desprezível, errada e condenável!

Veja-se o meu caso. Concluí o ensino regular público com resultados excelentes, sendo que poderia ter entrado em medicina, mas não quis!

Tirei uma licenciatura numa universidade prestigiada, com uma média que não foi inflacionada, com estágio integrado, e, de seguida, fui desde 2001, como tantos outros, “aspirante a professora”, uma vez que só entrei nos quadros em setembro de 2017, no Quadro de Zona Pedagógica de Lisboa, e aí sim elevaram-me a “professora”!

Contudo, repare-se, sujeitei-me a entrar no QZP de Lisboa, caso contrário manter-me-ia como eterna contratada, longe de casa, sem jamais entrar nos quadros.

Não sou de Lisboa, sou do centro do país, corri o norte e o sul, durante estes anos todos, fui parar uma vez apenas ao centro do país, durante sensivelmente 2 meses, num horário noturno e incompleto.

Confesso que a melhor casta, foi sem dúvida, a do ano em que fiquei em três escolas diferentes (e não foi assim há tanto tempo quanto isso), em zonas díspares do país, tendo ido pela segunda vez para o desemprego, nesse ano letivo, na véspera de Natal. Foi um ano e peras, como os demais!…

Sujeitei-me, ao longo deste percurso sinuoso e dorido, (um conto de fadas para muitos, mentes iluminadas que têm direito de antena), a horários incompletos, a dar aulas em duas escolas em simultâneo, sem estarem próximas, sem qualquer tipo de ajudas de custo ou apoio psicológico, pagando a renda de casa e o empréstimo da casa, partilhando casa com outras colegas, vivendo num quarto, que se tornava o meu casulo, recomeçando tudo de novo, ano após ano, com as palavras do meu filho a ecoar: – “Mamã, era tão bom se tivesses uma escolinha cá!… Tenho saudades tuas!…”, deixando a família e os amigos longe, para trás, mais uma vez. Contudo, pensava, melhores dias virão, a “carreira” está a chegar! Já vislumbro!?!…

Não raras vezes saía de casa, com um sorriso, de coração apertado e conduzia, chorando, após ter deitado o meu filho, mas entregando-me sempre de corpo e alma à minha profissão, e mesmo levando para casa, ao fim do dia, trabalho diário e que se prolongava pela noite dentro, fazia-o, de bom grado, até como uma espécie de terapia, para não ter de pensar na morte da bezerra e muito menos nas horas extraordinárias que me eram devidas; planificava e preparava aulas, atividades, projetos, relatórios, guiões, grelhas de avaliação, corrigia composições, fichas de trabalho formativas e fichas de avaliação sumativas, de compreensão do oral e de apresentações orais, preenchia PEIs, CEIs, PITs… instruindo os alunos como se fossem meus filhos e criando laços de afeto e raízes com eles, que chegavam irreversivelmente ao fim no final do ano letivo!

Veja-se ainda o meu quotidiano na escola: dar aulas, sendo que quando sou diretora de turma tenho o triplo do trabalho e do desgaste emocional, ter reuniões de grupo, de departamento e de diretores de turma, reuniões gerais e de preparação de exames, pelo que, não raras vezes, entro ao serviço às 08:15, horário lisboeta, e saio às 20:00 da escola, levando ainda trabalho para casa, mas para todos os efeitos, a minha carga horária é de 35 horas semanais, uma bagatela! Ultimamente, há inúmeras mentes iluminadas, pivôs em horário nobre, que dariam a vida para terem o meu horário e a minha remuneração!

Este ano, levanto-me à segunda-feira de madrugada, com a mala, a pasta e a marmita e arranco para Lisboa, depois de sobreviver ao trânsito caótico, aos acidentes e às obras que pululam, às viagens diárias e ao meu dia a dia profissional stressante e desgastante, regresso ao lar à sexta-feira ao fim do dia, feliz por regressar a casa e ser o único dia em que eu posso ir buscar o meu filho à escola, já que nunca me é permitido ir levá-lo. Estou separada dos meus, mas devo sentir-me feliz, pois já houve tempos, demasiados, em que chegava a casa à sexta-feira, depois de um dia/semana de trabalho à uma da manhã e tinha de voltar a partir no domingo à tarde para recomeçar a jornada de segunda e assim sucessivamente…

Diariamente, tal como os meus colegas, sujeito-me a uma jornada exaustiva, com vários níveis e anos distintos, e estou sujeita a ser colocada em duas escolas do mesmo agrupamento, a ser insultada por algum aluno ou mais do que um, num universo de trinta alunos, por turma, ou ser injuriada e/ou agredida por um encarregado de educação…

Prossigamos. Não há que perder o fio à meada! Fui sendo avaliada com Bom e Muito Bom, tendo-me sido vedada a menção de Excelente, por ser contratada, mas para deslocar-me e ir buscar provas e exames, corrigir exames de 9.º e 12.º anos, bem como provas de aferição, provas de equivalência a frequência, etc., etc., a custo zero, já tinha as mesmas competências de uma “professora” de carreira. Recebi inclusivamente uma carta de louvor de uma encarregada de educação pelos meus préstimos de “aspirante a professora”, algo que não é usual na carreira de um professor, pelo que, por tudo isto, devo considerar-me uma privilegiada. Ingressei, finalmente, na “carreira ideal”, já quarentona, mas sinto-me fresca, motivada e feliz por ter entrado numa das carreiras mais aliciantes, bem remuneradas, reconhecidas e prestigiadas do país; o único pequeno senão é que a carreira docente esventra os cofres do Estado e leva o país à falência, pois somos imensos, não fazemos nada, a não ser estar de férias e ganhamos à brava, pondo em perigo as contas do país!

Aliás, sou mesmo sortuda, pois fui dispensada do período probatório este ano letivo, por cumprir uns requisitos soberbos, caso contrário estaria a concluir um ano de “estágio”, com o acompanhamento de um verdadeiro “professor” que supervisionasse o meu trabalho, no sentido de me adaptar à realidade de “professora”!… Sinceramente, não sei como consegui sobreviver este ano como “professora” sem ter tido esta supervisão e acompanhamento cruciais!…

Agora, vejamos: estou na carreira, mas que carreira? O que me espera?

Repare-se, entrei nos quadros, mas continuo a ganhar o mesmo que um contratado, em início de carreira, no 1.º escalão – 1.168,37€ líquidos e  ilíquidos – 1518, 63€, a perspetiva de evoluir na carreira é magnífica! Aguardam-se orientações do Ministério da Educação para reposicionamento dos que estão na minha situação. O que significa que, na melhor das hipóteses, iria para o 3.º escalão, sendo que ainda teria de ter aulas assistidas, pelo que ficaria congelada, mais uma vez, por tempo indefinido, isto se me contassem os 9 anos, 4 meses e 2 dias, sendo que ainda teria de penar muito para progredir até ao 10.º escalão. O que significa que o topo da carreira, para mim, é uma miragem, um sonho, uma quimera inalcançáveis, dado que não me imagino a trabalhar até aos oitenta anos, para, finalmente, receber 1.999,70€ líquidos e 3. 364,63€ ilíquidos!… Isto é uma hipérbole mesclada de ironia, mas sem qualquer tipo de exagero!

Aqui chegada, à abençoada “carreira”, contrariamente ao que ouço dizer a senhores doutores e jornalistas eruditos, não vou progredir de forma automática, vou ter de desempenhar as minhas funções com brio; terei de redigir relatórios de avaliação de desempenho, terei de ter formação obrigatória, 50 horas por ciclo, formação essa que é feita fora do horário letivo, ao fim do dia ou ao sábado, o dia todo, (imaginem a loucura que era encaixar a formação num horário de contratada deslocada que nem direito tinha ao seu descanso ao fim de semana, conjugando-o com o seu dever/papel de mãe, esposa, filha, irmã, amiga e dona de casa, em que se incluem as lidas caseiras) e que, a maior parte das vezes, tem de ser paga pelo professor, sendo que no 3.º e 5.º escalões terei de ter para além disto, aulas assistidas e a respetiva avaliação, estando condicionada a vagas, o que me retém num escalão até que haja vaga para mim! Mas não, ouçam bem o que se vai dizendo: progrido automaticamente e chego ao topo num ápice, delapidando os cofres do estado!

Digam lá, se há melhor “carreira” do que esta?!…

Sem esquecer que os professores passam o verão de férias, como os alunos! Não trabalham na escola, não têm de se preocupar com o final do ano letivo nem preparar o novo ano letivo, estar em serviço de exames, de secretariado, de vigilâncias, de corretores, de reuniões, de formação, de matrículas, enfim, de serviço de escola… Observe-se, não obstante, que temos apenas o mês de agosto de férias, pelo que se quisermos viajar para fora, teremos de abrir os cordões à bolsa (que é enorme!), em plena época alta, não podemos, pois, beneficiar das promoções que os saloios citadinos e eruditos podem usufruir, marcando as suas férias em qualquer altura do ano ou reparti-las!

Basta! Chega! Por que será que as más-línguas que repudiam, denigrem e invejam os professores, se descuidam constantemente e não tecem um cenário realista e verdadeiro da nossa classe, e preferem omitir pormenores que fazem toda a diferença?!… Se isto é assim tão bom, larguem as vossas carreiras e venham para cá!

Aqui chegada, volto a colocar a questão retórica que urge andar de boca em boca e nas redes sociais, já que a imprensa decidiu reservar o direito de antena a quem não percebe de educação e/ou quem só percebe de manipulação de informação educativa, afins e não só, colocando à margem a classe docente, optando por não a inquirir diretamente nem se deslocar às escolas para ouvir os professores, os verdadeiros atores e interessados neste processo; assim sendo pergunto novamente: – “Estaria disposto a abdicar e a banir 9 anos, 4 meses e 2 dias da sua vida profissional e pessoal?”

Caro aluno, desculpa-me por te ter dedicado a minha vida, e por ter, tantas vezes sido obrigada a preterir a vida do meu filho em detrimento da tua, pois não há maior mártir na educação do que os filhos, os pais, os avós… dos professores. Perdi a conta às vezes em que não pude ir à reunião de EE do inicio do ano letivo, ou às reuniões de entrega de avaliação ou às festas da escolinha do meu filho, por ter de estar contigo, ou ainda estar em casa a aproveitar o doce lar em vez de estar a corrigir o que fizeste, para te ajudar a crescer e a seres alguém na vida, um cidadão ativo, nobre, reto e respeitador, a esperança no futuro, para que possas contribuir, de alguma forma, para um mundo melhor e salvares o país da ruína em que se encontra…

Perdoa-me ainda, se hoje, estou em greve e continuarei a estar, por, pela primeira vez na vida, deixar de pensar em ti e pensar em mim e no meu filho, nos 9 anos, 4 meses e 2 dias da minha vida profissional e pessoal que me congelaram e querem agora roubar!…

E se fosse consigo, caro encarregado de educação? O que faria? Prescindia ou iria à luta?…

 Perdoe-me se eu decidi não prescindir e lutar pelos meus direitos, pelo meu suor e por estar em greve e lutar não só pela minha sobrevivência e a do meu filho, como pela do seu filho, por lutar pela dignidade humana, pela justiça, pela equidade, pela igualdade, pela transparência, pela verdade, pelo direito à greve e à educação, pela liberdade de expressão e pela democracia. Não me foi dada outra alternativa!

Apelo, pois, à sua compreensão e ao seu coração, não me julgue de forma errada e precipitada nem me condene…

Confesso-lhe que eu, se estivesse no seu lugar, estaria, sem sombra de dúvidas, a apoiá-lo, como sempre apoiei o seu filho (e sabe Deus muitas vezes com que sacrifício), compreenderia o que o move e dar-lhe-ia forças para continuar, apelando ao senhor ministro da educação, Tiago Brandão, para que cumprisse a sua palavra, honrasse as suas promessas, respeitasse a lei e pusesse um termo definitivo a esta palhaçada cruel e vil que nos sufoca a todos…

Findo, confessando-vos, caros colegas, que o meu desgaste e a minha indignação são tão possantes que estou disposta a ir até ao fim, nem os serviços mínimos me demoverão ou farão abrandar a minha luta, nem as férias são motivo suficiente para a suspender, nem preciso de ser auscultada pelos sindicatos para saber o que continuarei a fazer! A meu ver, os números e a união que nos unem falam por si. Mais, a minha luta é e sempre foi a da recuperação dos 9 anos, 4 meses e 2 dias, nada tem a ver com a aposentação, que é uma questão que deve ser tratada à parte, devendo respeitar-se o que foi inicialmente acordado!

É a vocês, colegas da luta, professores grevistas, que envio um abraço sentido, apelo à vossa determinação e aplaudo a vossa coragem, tal como felicito os colegas das Regiões Autónomas pela sua conquista no que diz respeito ao tempo de serviço. Todavia, estaria a ser hipócrita se não manifestasse também aqui o meu descontentamento por verificar que somos todos professores e portugueses, mas estamos a ser tratados de forma desigual, há três pesos e três medidas para a mesma classe profissional, o que é, a meu ver, incongruente e injusto…

Concluo, exortando-vos para a luta, porque A união faz a força! Unidos jamais seremos vencidos! e citando Einstein: “Não existem sonhos impossíveis para aqueles que realmente acreditam que o poder realizador reside no interior de cada ser humano, sempre que alguém descobre esse poder algo antes considerado impossível se torna realidade.”

SM

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