6ª Feira

Dá-me um certo conforto saber qual o meu lugar, em especial num contexto de desordem como que vivemos. Saber, com clareza, o que não quero. A que grupos não quero pertencer. Saber, com toda a certeza, que há migalhas que não valem a nossa dignidade, por transitória que seja a nossa passagem pelo mundo como matéria consciente. Estando nos antípodas daquelas filosofias muito zen, sou, contudo, obrigado a admitir que dá alguma paz ultrapassar o frenesim do desejo de ser outra qualquer coisa. Uma coisa é buscarmos e lutarmos pelo que achamos o melhor para a nossa condição e dos que consideramos nossos, outra, para mim muito diferente, é parecer que se quer ser sempre outra coisa, por se estar frustrado com o que se conseguiu ser, por se achar merecedor de honraria maior. Porque, em tantos casos, andamos a enganar-nos e, pelo caminho, acabamos por querer enganar os outros.

7 opiniões sobre “6ª Feira

  1. É verdade, Paulo. Mas, não deixou de colocar, no seu texto, “um certo conforto”. Como eu partilho esse sentimento! Porém, há situações em que me sinto muito revoltada, porque a integridade faz mossa.

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    1. Penso que a autoria seja da mesma pessoa que, sendo da direcção do stop, embora como suplente, começou logo a marcar prazo para a greve e, agora, anda a tentar ziguezaguear mais uma vez, com receio de ficar muito à vista as suas sucessivas incoerências tácticas e mesmo estrategicas.

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      1. Grata pelo esclarecimento.

        Estando eu, em busca de orientação – pelas vozes que entendo reunirem a idoneidade e sapiência que me falta por inexperiência – , por estas e outras bandas, questiono, com toda a honestidade: para que lado devemos nós remar?
        Porque mesmo desconhecendo a autoria da ideia que expus acima, pareceu-me uma “boa ideia!” – ou estarei a cair na minha própria ingenuidade?…

        Ainda hoje li algures, num artigo de opinião – tenho indagado bastante, por isso não me recorde onde – que realmente quem deveria andar à frente destes movimentos, de facto, pretende manter-se a milhas deles… Por quê? – interrogo-me… Por que não lidera, quem da água da sabedoria e da razão tanto bebe? Por que não nos – entenda-se que me refiro a velhos e novos (ainda que estes últimos, como bem escreve no seu artigo do JL, sejam mais fáceis de manter em banho Maria) lideram?

        Respondo a mim própria, com desânimo, assumindo que tal acatalepsia, se deve ao facto de estarmos perante uma “incepção” e nada podermos fazer de facto para evitar mais esta facada…
        Espero estar errada…

        Muito me apraz ler as suas palavras diariamente, Paulo.
        Procuro nelas constante orientação. Agradeço, por isso.

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        1. Um referendo global à classe docente daria o resultado que uma qualquer sondagem daria: dependeria do questionário no que se relaciona, por exemplo, às opções sobre que acordo se poderia aceitar.

          Veja-se o caso da sondagem sobre a greve e as alternativas que apresentou.
          Ao que parece, só perto do final se terá percebido que uma não poderia ser.
          Mas a outra que podia (por tempo indeterminado), em boa verdade, para ser levada a sério, teria de incluir a que não podia ser (às avaliações).

          Agora vem-se com um referendo… que seria interessante de operacionalizar em termos de fiabilidade e rigor na aceitação de respostas.
          Aceitam-se apenas os professores em exercício?
          Aceitam-se todos os que já foram professores e agora não são, por não colocação?
          Votam só os sindicalizados?
          Há garantias de não votação repetida?

          Tudo isto é resolúvel, mas não em prazos curtos, para dar a aparência de movimento.

          Vou repetir o que já escrevi mais de uma vez… há quem fale no que se passou em 2008, mas não tenha estado nesse momento na preparação de nada. Ou tinha outras causas.
          Ou nem tinha causas.
          As coisas eram diferentes, por isso, agora, temos de aprender com o que correu bem, mas também com o que não correu bem.

          O maior mal? A falta de confiança em muitos dos que cerram fileiras quando a fuzilaria ainda não começou, mas à segunda ou terceira canhoada, batem logo em retirada e cavam trincheiras lá longe.

          Falo por experiência de quem conheceu “adesivos” de ocasião, “submarinos” de carreira e mais uns quantos habilidosos, bastando ver o que diziam e onde agora estão.

          E nada, mas mesmo nada. como ter gente a dizer que nada quer, mas sempre de mãos abertas, nem sequer olhando para a origem do que lhes pode cair em sorte.

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    2. Mas esse não é o blog que tinha morrido com declaração?!
      Não era aquele que dizia que tinha nascido para combater a indisciplina nas escolas e, como ela já estava extinta, extinguia-se o blog?!
      ???

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  2. Eu tenho obrigação moral de fazer greve!
    Quero contribuir para um mundo melhor e o único meio que posso usar é este. É modesto, mas conta!
    Não se pode desistir por andar um sub-coiso infiltrado com agenda Narciso! Sempre a querer voar sobre ninhos de galinhas! O passarão mais esperto! Bem conhecido o
    modus operandi…
    Este assunto da municipalização é muito sério.
    Temos de lutar e quanto ao coiso (em jeito de conselho para os que deixaram que ele se colasse): distância, distância… é preciso ar puro na colmeia, gente sem artifícios e que não aspire a usar para benefício próprio o mal que nos aflige!

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