4ª Feira

A inércia e alguma morbidez – admito! – fez-me ficar a ver parte da sessão da Comissão de Educação a que foram a “reitora” e o ex-ministro João Melão, desculpem, João Leão justificar o que já se percebeu à milha ter sido um subsídio à medida do isczé. E nem sequer foram muito criativos nas justificações, o que demonstra como se sentem impunes: o ex-ministro alegou que não foi ele que assinou a coisa, como aquele patrão da empresa que diz que não foi ele que assinou a admissão do primogénito para vice-qualquer coisa, mas sim as pessoas em que ele delegou essa função. A excelsa “reitora” levou um gráfico que exibiu assim para o ar, segundo o qual ela demonstra que o isczé é a instituição do Ensino Superior que menos recebe do Estado por aluno; como se sabe, exibir um gráfico, sem termos acesso aos dados originais, não prova nada e muito menos nas mãos e quem já sabemos, de longa experiência, ter uma relação complicada com o rigor estatístico e com a verdade dos factos. Portanto, aquilo poderia ser um gráfico do preço dos legumes na Mercadona ou no Lidl, que poderia ter o mesmo efeito e/ou credibilidade aos meus cansados e míopes olhos..

Mas há um outro aspecto a destacar naquela “audição” e que é a imensa falta de qualidade de uma Comissão que parece formada, em boa parte, por gente que ali está em início ou fim de carreira, a preencher o lugar com escassa vontade ou competência para ir além do guião que lhe foi dado para debitar e pouco mais. Há os que estão a chegar e mal percebem seja do que for, limitando-se à chamada “crítica política” (o que significa, a crítica da conversa fiada, sem usar argumentos fundamentados em mais do que achismos e clichés); e há umas senhoras – não sei se peça desculpa, mas vou ser incorrecto para quem anda muito no espírito destes tempos alérgicos a tudo e mais alguma coisa e que ficam com obstipação só com o cheiro do glúten – com todo o ar de professoras de Liceu em processo de reforma ou já reformadas, tipos figuras de cera, mantidas em pé com ajuda de fixador ou da boa e velha laca Elnett Satin (fixação forte), que estão ali com o mesmo ar de fastio com que eu já as encontrei (ou umas parecidas) quando por lá passei há uma dúzia de anos. Incapazes de dizer uma coisa sua, original, com receio que lhe caia algum anátema em cima. A massa crítica daquela Comissão consegue ser mais baixa do que a de certas SADD de que conheci a produção “teórica”. Mas não deveria ser assim. Embora se perceba, porque a Educação mais do que deixar de ser prioridade, parece ter-se tornado mero empecilho, quando a caravana não avança à velocidade desejada pelos cortesãos.

5 opiniões sobre “4ª Feira

  1. Olá Paulo,
    Já pensou em escrever um romance que retratasse a nossa época, assim à laia de Episódios da Vida Romântica, como Eça criou em Os Maias? O que eu sorri a ler a sua descrição das professoras de liceu! Eu andei no da minha cidade onde havia e ainda há algumas dessas figuras… Infelizmente, como constatamos, circulam por todo lado. Até onde o espírito crítico mais falta faz.

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