Sorteio?

José Eduardo Lemos propõe o sorteio como alternativa ao domicílio para determinação das matrículas nas escolas públicas, depois de aplicados outros critérios de preferência (continuidade do percurso, familiares na escola, etc). Num primeiro momento, a ideia até atrai pela justiça que aparenta.

Mas… num segundo momento um tipo pensa melhor e estranha um ou dois detalhes. Por exemplo, só as escolas mais procuradas teriam direito a esse sorteio? As “melhores”? E quem não fosse sorteado? Ia para que escolas, de acordo com que mecanismo? Haveria sorteios sucessivos, tipo euromilhões?

Eu percebo a lógica, a sério que percebo, até porque é um dos métodos que já considerei para outras situações (frequência de escolas privadas com contratos de associação), mas há algo que me parece estranho. Não sei se é porque me dizem que há menos alunos ou porque as escolas públicas têm estado em descida nos rankings que estranho esta coisa de agora as matrículas se terem tornado tão polémicas em algumas escolas públicas.

Só mais um pormenor, que sei que resulta daquela minha embirração sistemática… faz sentido José Eduardo Lemos terminar o seu texto citando uma ex-ME (claro, MLR) que, após ter sido d@s governantes que ocupou mais tempo o cargo, agora se queixa de um mecanismo de matrículas que cria “segregação residencial”? O que fez ela para controlar os abusos dos seus mandatários na definição da rede escolar e das turmas autorizadas a abrir em muitas zonas? Ou para modificar esta parte da legislação? Faltou-lhe o tempo?

Não me apetece ser politicamente correcto com estas tretas. A verdade é que isto não está na ordem do dia porque há “segregação”, que essa sempre houve (infelizmente) e as queixas nunca foram tão ferozes e com tanto eco mediático.

O que me parece é que desta vez tocou a alguém que não deveria estar habituado a que lhe saísse a fava. Que irá moendo até conseguir o que quer. 

O sorteio, neste caso, será apenas a forma menos problemática de algumas pessoas conseguirem dizer “não!”, desresponsabilizando-se pela decisão e poupando na coragem. E de outras não procederem a uma efectiva fiscalização das regras em vigor ou, se têm falhas, na sua clarificação. Tanta porc(t)aria e despacho que por aí há e não se arranja nada nesta matéria?

Zepov

 

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2 thoughts on “Sorteio?

  1. Os dados vão passar a ser cruzados e a falsa declaração torna-se detectável. É apenas isto que está em causa. A falsa declaração tanto pode ser prestada pelo rico como pelo pobre. Basta ter a noção de que a escola é melhor e um amigo a morar na zona. Quem quiser manter privilégios vai ter de o assumir na lei. Veremos como os partidos alegadamente socialistas se desenrascam.

  2. Concordando com alguns dos argumentos mencionados no artigo, o sorteio é, na minha opinião, uma aberração.
    Quando um qualquer adulto precisa de ir ao banco, às finanças, às compras (bens vulgares), à esquadra, à farmácia, ao centro de saúde,…, vai prioritariamente e em circunstâncias de normalidade aos que lhes estão mais próximos, ou da residência ou do trabalho (serviços de proximidade)… porque razão um miúdo com idades entre os 5 e os 18 haveria de ter que se deslocar 3 km quando tem a escola próxima de casa a 300 m ??? . O critério da residência está muito bem e até deveria ser o primeiro – arranjem maneira de o fiscalizar!
    (Já agora, em caso de confirmação de falsas declarações, a criança regressaria – de imediato – à escola da área de residência (isto é que é responsabilizar os pais e penalizar o chico-espertismo)
    Também não entendo a razão pela qual uma criança com NEE deve ter prioridade em entrar numa escola que não é nem a de residência nem de trabalho dos pais/cuidadores, a não ser que seja uma escola de referência para a problemática da criança ou com condições específicas para uma melhor resposta à sua problemática…
    (Infraestruturas e equipamentos públicos – localização /número/ diversificação/ hierarquização/… são (deveriam) planeados e construídos para servirem as populações e não “sorteados”.
    Aquilo que compete ao estado ė criar condições adequadas em TODAS as escolas e compete aos cidadãos exigir-lhe isso ( não há dinheiro? – há! Os decisores e a administração educativa é que terão outras prioridades.)
    Infelizmente os cidadãos só se lembram quando a “coisa” lhes toca a cada um deles… e, esta é a razão do país que temos (na educação e no resto)!

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