O Dia do Trabalhador e a Liberdade

É o dia em que os trabalhadores têm o direito a não trabalhar em homenagem às lutas pelos seus direitos e não ser prejudicados por isso. Ou a trabalhar, se assim o entenderem, sem ser em resultado de pressões, e não serem criticados por isso. Penso que essa é a essência da Liberdade. O ser-se livre para escolher, sem pressões abusivas, de patrões ou guardiões.

MAyDay

21 opiniões sobre “O Dia do Trabalhador e a Liberdade

  1. … os guardiões… não há pior que isto… gente “seguidista”, acrítica, mesquinha, incapaz de querer mais para todos,…,sempre à espera da oportunidade que, de outra forma, dificilmente teria… um país cheio disto e um sistema que isto favorece e sem qualquer pingo de vergonha…

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      1. A coisa é mais para arrepios, calafrios e enregelamentos… associado ao congelamento salarial, de carreiras, de progressões, de tempo de serviço,…, a uma degradação das condições de trabalho, a uma erosão crescente do poder de compra e a um corte crescente de rendimento que, nem chega a entrar… mas tudo vai parar a um qualquer lugar… e… e… não é ao trabalhador, nem à defesa dos seus direitos, nem à melhoria da sua qualidade de vida… o termostato está verificado, apenas funciona com unidades diferentes … Obrigada pela sugestão.

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  2. Ou seja, freedom to choose, como diria Milton Friedman, e está o assunto arrumado.

    Vais-me desculpar, mas esta é daquelas situações, desiguais por natureza, em que assumir uma pseudo-neutralidade é dar óbvia vantagem a um dos lados…

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    1. A Liberdade não é um valor neutro.
      Praticá-la é do caraças…

      Como é óbvio, a evocação do Friedman é perfeitamente descabida, pois não estou a falar de “consumidores” ou de “mercado”. Estou a falar de Liberdade individual num plano muito mais vasto.

      Ainda me lembro, era pequenino, de um 1º de Maio em que se pediu que todos trabalhassem…
      Penso que se chamou “jornada de trabalho nacional”.

      Não sei se relembrá-la é mais ou menos desajustado do que lembrar o Friedman,

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      1. O problema é que a maioria das escolhas que fazemos não se fazem nesse plano da liberdade absoluta. As escolhas têm consequências, e aí somos inevitavelmente condicionados a fazer aquilo que outros nos impõem.

        Nessa linha de raciocínio, é diferente a pressão do “camarada” que diz, “anda lá à manif” da do patrão que ameaça “se não vieres trabalhar no 1º de Maio diz adeus à renovação do contrato”. É diferente, por muito que se goste de meter, sindicatos, patrões e governos, tudo no mesmo saco.

        O exemplo que dás é interessante, recordando um tempo em que o pessoal dava de bom grado “um dia de trabalho para a nação” sabendo que esse dinheiro iria reverter a favor das melhorias efectivas nas condições de vida do povo. No tempo da banca nacionalizada, e por muito que seja hoje politicamente incorrecto relembrar isto, não andávamos a pagar falcatruas de banqueiros com o dinheiro dos nossos impostos.

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  3. Se TODOS os portugueses neste dia não fossem a um qq supermercado, já ajudava e muito a dar força a simbologia deste dia tao importante.

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      1. Já sei que vou “levar”, mas creio que o não ir almoçar fora, a um centro comercial ou a qq outra actividade que implicasse trabalho alheio não faz sentido.
        A não ser que me esteja a escapar a ironia…..

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  4. O ser-se livre para escolher….

    Sendo hoje o Dia do Trabalhador, creio que muitos responderiam que não tiveram liberdade para escolher terem emprego.

    Quanto aos inúmeros jovens que emigraram, creio que responderiam que não tiveram liberdade para ficar no seu país. Mas tiveram a liberdade individual de optar pela emigração, é certo que a tiveram.

    Questão complicada, esta.

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  5. Eu, para maior comodidade, transcrevo:

    “É o dia em que os trabalhadores têm o direito a não trabalhar em homenagem às lutas pelos seus direitos e não ser prejudicados por isso. Ou a trabalhar, se assim o entenderem, sem ser em resultado de pressões, e não serem criticados por isso. Penso que essa é a essência da Liberdade. O ser-se livre para escolher, sem pressões abusivas, de patrões ou guardiões.”

    Como entenderás, após esta leitura, escrevi algo que não se ajusta à tua crítica.

    Se nada é absoluto ou puro?
    A sério?
    Eu estava convencido que os guardiões se sentiam donos da pureza absoluta. E que, por isso mesmo, gostam de criticar com absolutas certezas todas as opiniões divergentes do seu conceito de “liberdade” (nesse caso com minúscula? porque relativa?)

    E, sim, verifiquei que “guardião” pode ter duas formas de plural e esta é a que rima com “pressões”.

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    1. Paulo, admito que estará formalmente correcto o que escreveste e não quero insistir nisso.

      Mas eu fiz outro tipo de leitura que se resume nisto: é diferente o tipo de pressão que pode fazer um patrão daquele que é feito por um “guardião” seja lá do que for.

      Está certo: não disseste que eram a mesma coisa. Mas eu senti necessidade de sublinhar a diferença…

      Quanto ao resto, continuam a fazer-me confusão as certezas e verdades absolutas e a Liberdade-com-maiúscula…

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      1. A Liberdade com maiúscula incomoda muito os relativistas, entre os quais não gostaria de te incluir.
        Porque esse é o argumento que permite dizer que há coisas que são sacrificáveis perante “males maiores”.

        É a lógica base de quase todas as ditaduras.

        Se negas a “Liberdade” acabas a aceitar as liberdadezinhas, não conquistadas mas outorgadas, concedidas, tipo Carta Constitucional.

        Sobre estas coisas tendo a ter algum cuidado na formulação do que escrevo. Exactamente porque…

        Foste buscar o Friedman… não havia necessidade nenhuma.

        Uma coisa é a liberdade de “escolha”,
        Eu escrevi sobre o direito a ser “Livre”. Sim, implica “escolhas”. Amanhã terei de ocupar a maior parte do meu tempo a não o ser. Mas, acredita, não me rendo com facilidade… se é que me rendi sequer.

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  6. Mas a liberdade, com ou sem maiúscula, tem limites.
    Tem forçosamente de os ter.

    Não estou a pensar em ditaduras ou ditadores.
    Estou a pensar, por exemplo, se um vizinho se lembrasse agora de ligar a música em altos berros até às 3 ou 4 da manhã.
    Que liberdade deve prevalecer, a minha, de descansar e dormir, ou a dele, de se divertir?

    Claro que tem de haver uma regulação, seja por via da lei, do regulamento do condomínio ou do simples bom-senso. Mas lá está, para haver liberdade para todos, é necessário saber onde começa e acaba a de uns e a de outros.

    E depois não são só os ditadores que roubam a liberdade alheia, ou impõem o seu sacrifício perante valores mais altos que se levantam.

    Há os adeptos da liberdade liberal, aqueles que usam o tal conceito da liberdade maiúscula para explorar o próximo, para se apropriarem do que deveria ser de todos, em suma, para enriquecerem. Afinal o Friedman não é aqui tão descabido…

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    1. Não é isso que está em causa… o meu vizinho, adepto de heavy metal pelas 8.30 da manhã pode levar com uma bigorna na cabeça…

      O que estava em causa no meu post não era nada disso, mas se queres deslocar o assunto (certamente a pensar no Pingo Doce e em muitos milhares que lá vão fazer compras no 1º de Maio) para essa área, não é algo que seja muito estimulante discutir agora.

      A menos que se discutam as liberdades na escola… os seus limites… e, em especial, as liberdades de que outros abdicam em nosso nome ao retirá-las da agenda negocial ou ao secundarizã-las…

      Esse, sim, é um assunto que me agrada, mas é mais Popper e Hayek do que Friedman.

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  7. Valia a pena pensar nisto…
    consta por aí que alguns comissários políticos, vulgo diretores, estão a elaborar/distribuir, oficialmente, aos professores, serviço de recurso dos resultados dos exames nacionais!!!!!
    Onde chegamos!!!!
    Para além das questões éticas (podemos discuti-las oportunamente) que, o dito “serviço”, envolve, desde quando esta é uma tarefa atribuída/contemplada no ECD?
    Que mais obrigarão os professores a fazer?
    Parece, também, que os sindicatos têm conhecimento da situação, serão mais uma vez, coniventes?

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