Sábado

Esta semana parei a observar as publicações colocadas nas semanas anteriores ao Dia Mundial do Professor no painel sindical da minha escola. Não é que, em regra, sejam coisas que me mobilizam ou entusiasmem, mas é impossível não sentir um clima de comparência apenas para cumprir calendário. Uns, expõem um caderno muito avermelhado (a FNE, curiosamente) com 22 páginas, metade das quais em branco ou preenchidas com uma única frase. Espremido, aquilo daria uma coisa com umas 4 páginas sem novidades. Outros, com um azul dominante (a Fenprof, curiosamente) anuncia(va)m a manifestação do dia 5, junto ao ME, anunciando que “Para resolver é preciso lutar”, como se não soubéssemos que nada será resolvido, muito menos quando quem pode resolver anda a discutir os amendoins do Orçamento. Quando quem manda lutar vai atingindo níveis mínimos de capacidade de pressão e ainda estamos para perceber o que ganha(mos) com esta peculiar forma de viabilizar os interesses de quem governa, assumindo uma subserviência que nenhuma declaração pública encalorada consegue esconder.

Em tempos arcaicos, à esquerda, eram os sindicatos a dar força a partidos. Agora, em tempos pós-modernos, os parelhos e conveniências partidárias conseguiram esvaziar os sindicatos de qualquer força efectiva, que nenhuma cosmética sucessão de mini-greves em alguns transportes consegue esconder. O sindicalismo oficial, em Portugal, em 2021, foi castrado de forma irremediável. E quando se diz que a força dos sindicatos depende essencialmente da força que lhe dão os trabalhadores, resultado da credibilidade que têm junto destes, está praticamente tudo dito.

14 thoughts on “Sábado

  1. A leitura do texto, “as greves mariquinhas”, daquele colega que deu vida à um novo blog e prometeu não ser muito reincidente na divulgação do mesmo, cruza-se de modo algo curioso com o que aqui é afirmado. De quem deve ser a credibilidade? Dos sindicatos, junto dos trabalhadores, ou de cada um dos trabalhadores junto das suas inflamadas declarações de repúdio por uma situação reconhecidamente inaceitável?

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  2. Não percebi a parte final do comentário.

    Apesar disso… não me parece que devam ser os trabalhadores a ter de provar seja o que for a organizações que só existem para os representar.
    Neste caso, não há aquela dúvida do ovo e da galinha.

    Os trabalhadores (operários, proletariado, whatever) precederam em muito a existência de sindicatos. Este surgem para defenderem os seus direitos, perdendo o sentido quando acham que as suas cúpulas é que sabem.
    Qualquer leitura clássica da história do operariado (ocorre-me o E. P. Thompson, numa linhagem marxista razoavelmente ortodoxa) e da evolução do “trabalhismo” poderá ajudar a compreender isso.

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    1. A força que é dada pelos trabalhadores, às suas reivindicações, não resulta da credibilidade do sindicato ou sindicatos. Resulta sim do facto de elas (reivindicações) serem credíveis para os trabalhadores.
      Era essa a ideia da parte final do comentário, ideia essa que decorre do texto a que me refiro.
      Já agora, não é só o sindicalismo oficial que está castrado. Quem eventualmente terá que se perdido os tintins são @s trabalador@s.

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    2. Os sindicatos são ainda piores que o ME. Agora limitam-se a encenações para receber as quotas e ludibriar os incautos.
      Professores, de todo o país, uni-vos… contra estes sindicatos.

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  3. A questão das cores dos papéis afixados não é de sumenos importância!
    Há que ver o significado de “trocatintas” e ler um Tratado de Semiótica.

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  4. Caro Paulo Guinote, folgo em sabê-lo. Mantenha-se assim, íntegro, com eles no sítio e sem cartão. E não se preocupe comigo, nada me falta a não ser o cartão que, aliás, não me faz falta.

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    1. Ora cá está mais um que merece isto que copiei dali de baixo!
      Ora aí vai:
      “O nível intectual dele (PG) é de excelência. É o maior especialista vivo em História da Educação. Como todos os génios, lá terá, de vez em quando, alguma impaciência quando os outros não vêem o problema na sua “inteireza”, ou quando distorcem de propósito. É que ele vê as coisas na sua globalidade, contextualiza, fundamenta, investiga e aprofunda como ninguém. Ainda por cima é íntegro e sem artifícios. Além disso, com a craveira que apresenta, já podia ter saltado do ensino há muito tempo. No entanto, permanece, gosta de ensinar (como as grandes almas) e dos alunos. Também não é um daqueles oportunistas que andam pelo ensino a fazer jeitos a políticos, nem ao seu próprio bolso, ou aos negócios de família sem porem os pés numa sala de aula.
      É um homem bom, um cientista e um pedagogo na verdadeira acepção da palavra.”
      (Não, não é uma questão de mau feitio, como ele diz, é mesmo frontalidade, construir as frases até ao fim, não mastigar com salamalaicos. Também já levou com muita tentativa de encostar às cordas. É não mandar recados por ninguém. Prontos!) Carago.Carago, não carago.

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