Que me Desculpe o Colega

Porque foi certamente um melhor professor do que eu alguma vez serei, mas… mas até se me ataranta o neurónio ler estas coisas:

O tempo presente está em constante evolução que exige medidas atuais que respondam à atualidade. Precisamos de uma revolução no ensino, no tal amplo consenso entre especialistas e políticos. Precisamos de uma mudança de paradigma na forma como se ensina e trabalha nas escolas.

O resto da entrevista – em especial as partes sobre avaliação – serve para confirmar que eu nunca deverei contar com um prémio de carreira, porque não percebi quase nada.

StraightLine

Muda o Nome

A substância é a mesma. Não é “municipalização” é “territorialização”.

Com 28 dos 57 municípios pertencentes à rede presentes, a reunião serviu para a partilha de informação sobre o processo de descentralização – agora designada “territorialização” – de competências, com identificação das diferenças entre os que assinaram o acordo com o Governo em 2008 e os que o fizeram em 2015, disse.

Não fosse sexta-feira chuvosa e eu ainda me daria ao trabalho de fazer umas entradas do meu Novo Dicionário Educacional acerca destes termos/conceitos que no querem dizer nada ou apenas dizem o que já foi dito, só que não querem dizer isso. A “territorialização” das políticas educativas é uma falácia. A muitos níveis, desde logo porque o principal significado é este: a Europa dá dinheiro para infra-estruturas educativas, em especial se integradas em projectos que ultrapassem a escala local e esse dinheiro é muito bem-vindo para equilibrar as finanças de muitas autarquias semi-falidas e para alimentar uma vaga de obras públicas municipais que se traduzem em imensos ganhos para alguns munícipes, nomeadamente aqueles que contratualizam muita coisa e já estão há uns anos a precisar de mudar de frota automóvel. Claro que há quem diga outra coisa, quem me acuse de preconceituoso e até há, felizmente, muito boa gente capaz de dar bom uso a estes dinheiros.

Mas, nada de enganos, o que está em causa é “territorializar” o carcanhol europeu, usando a Educação como pretexto. Se existiam reservas quanto ao “envelope financeiro” que viria a acompanhar a “descentralização educativa”, a coisa está resolvida. O resto é apenas nevoeiro e dá-me dó malta ligada ao PS que, por amor à camisola e medo do bicho-papão, engole isto e ainda saliva como se quisesse mais.

Turd

Bonanza?

Serei só eu a achar que anda por aqui uma enorme incoerência e, quiçá, uma chantagem muito mal encapotada?

A secretária de Estado Adjunta e da Educação, Alexandra Leitão, admitiu nesta quinta-feira, no Parlamento, que o seu ministério “não é indiferente” ao facto das escolas virem a realizar, ou não, as provas de aferição já este ano lectivo. As provas no 2.º, 5.º e 8.º ano estão previstas no novo modelo de avaliação para o ensino básico, apresentado em Janeiro passado e ao qual foi depois acrescentado, em Março, um regime transitório que torna a sua realização facultativa este ano.

Serão os directores, depois de ouvidos os Conselhos Pedagógicos, a decidir, sendo contudo obrigados a fundamentar a sua decisão caso optem por não as realizar. “O Ministério da Educação tem uma preferência para que estas se realizem, mas entende que, por razões ponderosas, as escolas possam não o fazer”, especificou Alexandra Leitão, durante uma audição de quase duas horas do ministro Tiago Brandão Rodrigues e dos seus secretários de Estado, que foi requerida pelo PSD, precisamente por causa do regime transitório aprovado pelo Governo.

Vamos lá a ver se o pessoal do ME percebe o significado de “facultativo”… facultativo é algo não obrigatório, que as pessoas podem fazer ou não, conforme a sua vontade e razões para tal. Se não é obrigatório, por definição, ninguém é obrigado a fazer. A menos que a desconstrução pós-moderna da linguagem esteja a voltar a tempos que se desejavam meio esquecidos. E o ministro ou sabe o que quer ou não sabe. E a secretária de Estado, que desconheço praticamente em absoluto (e que julgo esteja no cargo em tirocínio curricular), poderia deixar de dar recados deste tipo e preocupar-se mais em perceber a confusão em que se deixaram meter. Agora… estar a tentar empurrar as escolas para fazerem algo que é – todos em coro – FACULTATIVO, de acordo com o próprio ME, é feio. E se as razões são ponderosas ou não, não é um qualquer burrocrata ou assessor que determina, depois de Conselho Pedagógico e Direcção de uma Escola/Agrupamento tomarem uma decisão. Em especial aquelas que assinaram uns papelitos a dizerem que têm “autonomia” e que prestam periodicamente contas do que fazem como se estivessem num espartilho.

Quanto ao que o ministério prefere ou não, a mim interessa pouco, pouquíssimo, habituado que estou a que se estejam a lixar para o que professores, alunos e “escolas” preferem. Se assim fosse, o processo não teria sido a lástima que está a ser nesta matéria.

Detesto malta sonsa.

bonanzamap

 

Ainda os TêPêCês

porco de bibicleteHá temas que aparecem em “debate” de forma periódica na área da Educação, normalmente com o argumento de serem preocupações em prol do “interesse dos alunos”. A questão dos trabalhos de/para casa é um deles, uma espécie de boomerang que nos atinge na cabeça quando alguém com capacidade de marcar a agenda mediática exerce esse poder em combinação com alguns especialistas.

Eu gostava de repetir dois esclarecimentos: a) não sou grande fã dos tpc enquanto professor; b) há gente na classe docente que tem uma assinalável falta de bom senso.

Dito isto, gostaria de deixar aqui dois pensamentos:

  • Muitas vezes o apoio ao fim dos tpc vai a par de uma tendência para a crescente desresponsabilização e alheamento das “famílias” em relação ao desempenho dos seus filhos na escola, embora muitas delas depois reclamem “um maior papel nas escolas”; eu penso que podem começar por ter esse papel em casa com os seus educandos, que é o que eu faço enquanto encarregado de educação antes de ir chatear terceiros.
  • O desejo de que os trabalhos escolares sejam todos feitos na escola, usando como argumento o facto de ser isso que se faz em alguns colégios, comove-me muito, mas mesmo muito pouco. Lá porque há quem pague para não se chatear com a escolaridade dos filhos do que o tempo que leva a assinar uma autorização de débito directo ou a executar uma transferência interbancária (os cheques estão cada vez mais em desuso), isso não quer dizer que todos devamos seguir esse tipo de mau exemplo.

Quanto ao burnout da miudagem, concordo que existe mas passa por questões bem mais complexas relacionadas, por exemplo, com a gestão do currículo e dos tempos escolares. É curioso que, para recordarmos uma polémica não muito antiga,, quando se deu uma grande discussão em trono das “aulas de substituição” poucos tenham sido os que defenderam que os “furos” dos alunos podem ter um excelente efeito “terapêutico” em dias carregados de deveres. Apenas pensaram em carregar mais  Eu percebo… desde que seja para deixar as “famílias” em paz, tudo vale a pena.